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04/17

O que não tem mais graça na publicidade?

humor sempre foi um dos pilares mais fortes da publicidade brasileira e um dos elementos responsáveis por colocar a indústria de comunicação do País entre as melhores do mundo. Saber rir das situações – sobretudo de si próprio – é um dom que o brasileiro domina com maestria. Nada mais natural que essa arte fosse aproveitada pela indústria da comunicação e se tornasse marco de muitos cases que, em diferentes épocas, conseguiram arrancar sorrisos de muitas gerações.

Construir uma mensagem publicitária engraçada, no entanto, é uma missão que exige uma constante evolução. Tão difícil quanto encontrar o tom certo das piadas é entender que tipo de humor cabe e, principalmente, qual não cabe mais em uma sociedade cujas vozes se amplificaram com as redes sociais e não poupam críticas e boicotes àquilo que julgam ser sem graça.

Para compreender essas mudanças dos tons de humor na publicidade nacional, Meio & Mensagem conversou com criativos e profissionais do mercado para saber quais os cuidados que se deve ter quando a proposta é fazer o público dar risada.

Confira as opiniões:

AndrePedroso-FischerAndré Pedroso, diretor de criação da Fischer
“Contar uma piada sobre homossexual nos anos 80 e contar uma piada sobre homossexual atualmente era e continua a ser ofensivo. Um profissional responsável não erraria em época nenhuma. Existem muitos filmes dá década de 1980 que continuam atuais, principalmente porque a ideia era muito boa e porque foram criados pro profissionais zelosos. Não tem graça, nem hoje e nem antigamente, atacar de forma gratuita qualquer minoria. ”
Dede-EyerDedé Eyer, diretor nacional de criação da NBS
“O mundo mudou, os valores mudaram e algumas piadas simplesmente não tem mais graça. Aí o argumento (simplório por sinal) de que ‘é só uma piada’ deixa de existir, já que pra ser piada o pressuposto é fazer rir. A internet democratizou o humor, permitiu que gente que antes não tinha condições de aparecer e mostrar sua linguagem, agora tenha. Agora, apesar da evolução a publicidade continua reproduzindo signos, mesmo não sendo a mensagem principal de suas campanhas, que contribuem pra eternização de alguns preconceitos. Qualquer coisa que coloque uma pessoa sequer em uma posição de inferioridade não tem mais graça.”

Fernando-Sanches-SprayFernando Sanches, diretor de cena da Spray Filmes
“Já temos um filtro que nos permite saber o que vai ou não ser aceito pelas pessoas. Cresci assistindo Os Trapalhões, que era uma programa engraçado e recheado de estereótipos e reconheço que, hoje, nada daquilo caberia mais. Piadas com características físicas, por exemplo, não tem mais vez. Nos anos 90, o Baixinho da Kaiser era engraçado por ser daquela maneira. Hoje, o protagonista dos comercial dos Postos Ipiranga também é baixinho, mas a piada da publicidade não é feita em cima disso.”
Guy-Costa-WeGuy Costa, sócio e vice-presidente de criação da We
“Não podemos ser o piadista chato muito menos exagerado ou com mau gosto. Não deve existir questionamento quando se fala sobre causas e bandeiras. Racismo, igualdade de gêneros, feminismo, religião… Não te graça nisso. É sério. Conscientização é a evolução da humanidade. E naturalmente em um período de mudanças temos os exageros para ambos os lados. Os profissionais e a publicidade não podem ter falta de conexão com a realidade e com o contexto. Não temos mais espaço para patetas sem noção.”
Joa-Livi-HumorJoão Livi, CEO da Talent Marcel
“Quando uma marca faz graça, ela se coloca no mesmo patamar em que seus consumidores estão. O humor é a maneira mais rápida de quebrar o gelo e há inúmeras formas de fazer coisas engraçadas. Por que, então, devemos ficar repetindo as velhas piadas de sogra, de cunhado, de vizinho? Ninguém aguenta mais. Tenho preguiça de publicitário que acha que é preciso recorrer a estereotipo para criar uma campanha engraçada. Sou careca, não tenho problema com isso, mas não acho legal ficar tirando sarro ou brincando em cima dessa característica, por exemplo.”

Leo-Avilla-SantaClaraLeo Avilla, diretor de criação da Santa Clara
“Parece que a maioria dos profissionais ainda quer fazer a mesma fórmula que fazia rir nos anos 90. Estamos contando as mesmas piadas. Não vejo um esforço muito consciente para entender o que pode ou não. É mais na base do teste, acerto ou erro ou da ideia de que ‘o mundo tá chato’. Sendo que não há nada mais chato do que reclamar do politicamente correto. Não adianta espernear, reclamar, sentir saudades do Mussum.”
Rafael-Urenha-DPZTRafael Urenha, CCO da DPZ&T
“Não tem mais graça insistir em velhos gatilhos, como explorar uma imagem estereotipada da mulher. A publicidade precisa estar sempre prestando atenção no comportamento das pessoas – o que elas andam fazendo, o que andam pensando, como elas se divertem. Fazer humor geralmente é fazer uma crônica desses costumes. E, Para ser engraçado é fundamental ser autêntico, natural.”
Zico-Farina-Artplan-HumorZico Farina, diretor de criação da Artplan
“Felizmente, a publicidade é um reflexo do seu tempo. Fumar em avião já foi normal, não usar cinto de segurança também. É o comportamento da sociedade que dita as regras. Ou você acompanha ou corre atrás do prejuízo. Qualquer tipo de preconceito e piadas sexistas não cabem mais.”

Fonte: Meio e Mensagem

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04/17

Como a crise do YouTube pode favorecer a Amazon.

Em menos de quinze dias, a Amazon deixou claro que sua estratégia de crescimento inclui uma forte política voltada a influenciadores. Após divulgar um memorando de intenções com regras para influenciadores digitais atuarem com a marca, a empresa informou, na semana passada, parceria com Felix Kjellberg, então dono do canal mais popular do YouTube – o PewDiePie com 56,4 milhões de assinantes – para produzir um canal no Twitch, site de streaming de partidas e podcasts sobre videogame.

Kjellberg justificou que o principal motivo de ter ido para a plataforma está associado aos prejuízos que ele está tendo desde fevereiro quando alguns de seus vídeos com conteúdo considerado ofensivo fizeram com que ele perdesse contrato com a Maker Studios, da Disney, e com o próprio Google.

Para especialistas ouvidos por Meio & Mensagemexiste uma relação direta com o atual momento do YouTube, que no início de abril anunciou a mudança na forma de monetização fazendo com que os criadores precisam alcançar 10 mil visualizações em um canal antes de poder vincular anúncios, e a investida da Amazon nos influenciadores. “A Amazon está abordando os influenciadores de duas formas: como influenciadores de decisões de compra e como criadores de conteúdo”, diz Bia Granja, fundadora do youPIX.

Segundo Bia Granja, será uma briga por conteúdo e também por audiência. “Youtubers têm um potencial criativo enorme e já estabeleceram uma conexão com o público jovem digital que a TV linear (e até o cabo, por vezes) não atinge mais. O ecossistema do YouTube representa um celeiro criativo sem igual e também a oportunidade de chegar na audiência sem intermediários”, diz Bia.

Para Marcelo Coutinho, consultor digital e professor de estratégia e comunicação da Fundação Getúlio Vargas, a Amazon está se preparando para uma forte mudança de tendência nos canais de venda do varejo. “Análise dos balanços dos principais varejistas nos EUA e Europa mostram um movimento crescente para novos formatos de venda, incluindo os marketplaces e o chamado ‘social selling’”. De acordo com Coutinho, ao contratar youtubers de prestígio, a Amazon sinaliza que vai investir, ou pelo menos explorar, novos formatos de vendas que podem beneficiar tanto suas vendas diretas como a dos integrantes de seus marketplaces.

Victor Azevedo, especialista digital do IBMEC, afirma que as mudanças de monetização do YouTube abriram espaço para outras plataformas como a Amazon. “Com isso, o óbvio está acontecendo, a Amazon aproveitou toda a polêmica para trazer o PewDiePie para sua plataforma de streaming voltada para jogos e também está lançando um programa de afiliados voltado para influenciadores digitais com foco nos seus produtos”, diz Azevedo. Para Eric Messa, coordenador geral do Núcleo de Inovação em Mídia Digital da FAAP, os influenciadores já alcançaram um momento da sua evolução em que a remuneração oriunda da publicidade no YouTube já não é mais o interesse principal de fonte de renda. “Eles estão experimentando novos formatos de negócios e monetização e nesse contexto, o programa de afiliados, exclusivo para influenciadores, parece surgir para atender essa demanda”, diz Messa.

Fonte: Meio e Mensagem

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04/17

WMcCann demite, após perder Bradesco.

A WMcCann tem cortado, nos últimos dias, alguns profissionais da agência, segundo fontes do PROPMARK. As demissões que atingem, principalmente, diretores e gerentes, teriam acontecido depois que a agência perdeu a conta do Bradesco.

Em fevereiro de 2017, a Leo Burnett e a Publicis venceram a concorrência promovida pelo banco e passaram a dividir a conta. A WMcCann, anteriormente, compartilhava o anunciante com a Y&R e, apesar de também terem participado do novo processo de concorrência, perderam a conta. A WMcCann também participou de outra disputa, desta vez pela conta de Bradesco Seguros, mas a AlmapBBDO foi a vencedora.

O PROPMARK entrou em contato com a agência, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

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04/17

O Snapchat pode ser o próximo Twitter… …por não ser capaz de fazer dinheiro em cima da sua crescente base de usuários.

Eu estou tendo uma sensação de déjà-vu sobre o Snapchat e eu não estou contente com isso.
Eu ando tendo flashback para a época de 2008/2009, quando o Twitter se tornou a obsessão das salas de aula e ficou perto de se tornar mainstream. À época, escrevi algumas colunas para o AdAge declarando o meu amor pelo Twitter (como usuário) e expressando a minha preocupação sobre o seu futuro pela forma como o Twitter estava gerenciando o seu negócio, porque o dinheiro direcionado à plataforma parecia estar indo para a lista de experimentos dos anunciantes e pelo movimento “olha nós apoiando a nova plataforma”.

Antigamente, já existiam otimistas que me criticaram por questionar a longevidade do Twitter, porque era claro que algo tão incrível quanto o Twitter seria capaz de fazer dinheiro em cima da sua crescente base de usuários. Um leitor britânico até me chamou de fantoche – um fantoche que não pensa reclamando sobre tecnologia.

Hoje, o Twitter é um board mundial de conversa para milhões de pessoas e o megafone preferencial do presidente dos Estados Unidos. Mas continua não sendo rentável, e o crescimento trimestral de usuários, anos a após anos, está caindo em 5%. Então é compreensível se existir uma euforia menor sobre as redes sociais serem a próxima “grande coisa”. E, sobre o Snapchat, bom, é só ver a matéria do meu colega George Slefo sobre uma pesquisa da RBC Capital Markets com o AdAge. Na questão sobre retorno de investimento, os entrevistados pontuaram só a AOL abaixo do Snapchat, com o Twitter, Facebook, Linkedin, Google, Yahoo e Youtube em melhores posições. Outros resultados foram desencorajadores também.

O Snapchat pontuou que a pesquisa entrevistou inúmeras marcas pequenas que ainda precisam ser educadas como melhor utilizar o Snapchat. E eu entendo isso – Snapchat é só um bebê (ele foi ao ar em setembro de 2011) e existe um certo código entre os seus usuários millennials e postmillennials que é difícil para a maioria dos anunciantes quebrar. Mas, ao mesmo tempo, eu argumentaria que o Snapchat tem alguns problemas estruturais, pelo menos em sua configuração atual, que limitam profundamente a sua utilidade como plataforma de marketing.

Lembre-se que o Snapchat é um app de troca de mensagens – e um que celebra o fato de ser efêmero.
No começo do Snapchat, muitos pais e outras pessoas que tinham medo (corretamente) que as suas crianças estariam usando a plataforma de mandar fotos e vídeos que desaparecem para sexting. Com o tempo, o Snap espertamente mudou o foco incorporando outras ferramentas como o Memories, Stories e Our Stories, que permitiram aos usuários que suas montagens de vídeos e fotos fossem localizáveis.

No dia 31 de março, o Snapchat orgulhosamente anunciou o fato (em um comunicado à imprensa) que “você pode pesquisar mais de um milhão de stories únicos no Snapchat! Além da nossa curadoria profissional dos Stories, você pode assistir a um jogo local de basquete, ver como está o seu bar favorito, assistir o seu show favorito no Fashion Week, se inspirar por lugares distantes, ou apenas ver um Story cheio de filhotes de cachorros – existe Story para tudo!”.

Bom, já existe uma internet (e o Facebook) para tudo. Não existe falta de coisas do Fashion Week e lugares distantes e filhotinhos em qualquer outro lugar online – e todo esse conteúdo é fácil de achar e compartilhar. As cenas do seu bar favorito e jogos de basquete são legais, mas como você monetiza coisas que são hiperlocais?

Sobre os conteúdos produzidos por profissionais, eles geralmente me deprimem. Todos os dias o Snap me dá títulos como “Veja a mulher falando mal dos homens héteros” (da Vice), “Essa menina dominou o cabelo em um dia ruim” (Now This), “Aqui está como o Hip-Hop tornou os bonés de baseball legais” (ESPN) e “Fotos para mandar para alguém que gosta de trocadilhos” (BuzzFeed) – todo o tipo de conteúdo que dificilmente está em falta em outros lugares. A maioria das coisas parece ser um pouco de desespero e uma tentativa para criar laços (Olá, crianças! Nós temos o tipo de coisa que vocês gostam, como gênero fluído, cabelos e hip-hop!), e essas coisas estão no caminho do que eu realmente fui fazer no Snapchat: ver as fotos engraçadas dos meus amigos.

Com o seu conteúdo com parceiros e Stories públicos que podem ser buscados é como se, quase cinco anos depois (e depois do IPO), o Snapchat tivesse agora percebido a lei imutável da internet: vender anúncios em conteúdo requer um catálogo sempre crescente de coisas pesquisáveis e compartilháveis. E uma quantidade crítica desse conteúdo precisa ser previsível e segura para as marcas. Como um executivo de mídia recentemente disse ao meu colega Garett Sloane, “sempre existe um medo de mostrar anúncios no meio do Stories de uma pessoa. Só Deus sabe o que as pessoas estão postando em seus Stories”.

Como o Snapchat irá deixar isso para trás e encontrar um balanço entre suas mensagens de cunho pessoal e a sua ambição de ser um lugar para grandes marcas encontrarem consumidores? Deus sabe que esse é um desafio que o antecessor do Snap, o Twitter de 11 anos de idade, ainda está tentando descobrir.

Fonte: Advertising Age

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04/17

Novos clientes na Heads.

Após conquistar a conta nacional da Unimed, a Heads Propaganda anuncia dois clientes na área da saúde no Rio de Janeiro:  a rede de farmácias Cityfarma, com grande presença no Estado do Rio de Janeiro, e o Vigilantes do Peso, organização mundial que desenvolve proposta de emagrecimento confiável e acessível.

Os novos clientes serão atendidos pelo escritório da agência no Rio de Janeiro. Para o Vigilantes do Peso, a Heads já trabalha em um novo posicionamento com foco no público jovem e que deve vir a público em maio, assim como uma nova campanha.

Para Cityfarma a agência vem trabalhando no planejamento estratégico de apoio à expansão da rede de farmácias no Estado para além dos 31 municípios fluminenses em que já se encontra.

Fonte: Propmark

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04/17

João Santana afirma que mentiu para tentar manter Dilma no cargo.

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na primeira instância, o publicitário João Santana admitiu nesta terça-feira que mentiu em seu primeiro interrogatório, em fevereiro de 2016, porque estava “atordoado” com a sua prisão e “preocupado” em manter a então presidente Dilma Rousseff (PT) no cargo — ela foi afastada do posto dois meses depois.

Na ocasião, ele disse que os recursos que recebera no exterior se referiam, “exclusivamente”, a pagamentos de campanhas feitas em outros países. Nesta terça-feira, ele mudou a versão: “Na época, [estava] ainda atordoado, um dia depois da prisão, e também preocupado com a própria estabilidade política e manutenção do cargo da presidente Dilma. Eu cometi o equívoco, eu menti para a Justiça sobre isso. Por isso, a primeira versão minha, que esses recursos eram todos de campanhas no exterior. Não estava mentindo de todo, porque boa parte dos recursos provinha disso”, disse Santana, que atuou em campanhas eleitorais em países da África e da America Latina. Ele foi preso na Operação Acarajé após os investigadores rastrearem depósitos da Odebrecht em uma conta sua aberta no Panamá e sediada na Suíça.

O marqueteiro também confirmou que recebeu pagamentos não declarados (caixa dois) em contas no exterior pela campanha presidencial de Dilma, em 2010.

Além disso, ele relatou que foi remunerado por fora nas campanhas municipais dos também petistas Fernando Haddad, em São Paulo, e Patrus Ananias, em Belo Horizonte, em 2012; e de Marta Suplicy (hoje no PMDB), em São Paulo, e Gleisi Hoffmann, em Curitiba, em 2008. Os repasses teriam sido feitos pela empreiteira Odebrecht por intermediação do ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda Antônio Palocci.

Esta foi a primeira vez que o ex-marqueteiro do PT prestou depoimento ao juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba na condição de delator —  ele fechou acordo de colaboração premiada com Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 4.

A Moro, ele deu detalhes de como começou a trabalhar para a campanha (vitoriosa) à reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Segundo ele, em agosto de 2005, logo após o estouro do escândalo do mensalão, ele foi convidado a ir a Brasília para uma conversa com o então presidente Lula. “Encontrei ele num momento fragilizado. Ele me convidou para saber se poderia ajudá-lo nesse momento. Eu disse que sim. E ele me disse: ‘Olha, qualquer detalhe mais burocrático, o Palocci depois conversa com você”, contou Santana.

Na mesma noite, segundo o seu depoimento, ele avisou o então ministro da Fazenda que esperava receber os pagamentos de forma legal, principalmente após os desdobramentos do mensalão que atingiram o seu ex-sócio, o marqueteiro Duda Mendonça. Em maio de 2006, no entanto, ele teria recebido o seguinte recado de Palocci: “Infelizmente, não vai poder ser tudo com recursos contabilizados, por causa das dificuldades naturais, da cultura existente, mas nós temos uma empresa que dá total garantia para fazer o pagamento. Você deve conhecer. É a Odebrecht, [empresa] baiana”, detalhou o marqueteiro, natural de Feira de Santana, na Bahia. Nas planilhas apreendidas com a empreiteira, os pagamentos associados a ele aparecem com o codinome “Feira” — esta informação também foi confirmada no interrogatório de hoje.

Nas considerações finais, o marqueteiro disse a Moro que recebia o dinheiro ilícito com a consciência limpa porque havia criado um “duplo escudo mental”, de dizer a si mesmo que o caixa dois era uma “doutrina do senso comum” e que ganhava pelo seu “trabalho honesto”. “Eu construí esse equívoco para mim mesmo sem perceber que, ao fazer isso, eu estava sendo cúmplice de um sistema eleitoral corrupto e negativo. Não estou demagogicamente dizendo que sou vítima, não, fui agente disso”, afirmou ele.

Antes de Santana, quem falou com Moro foi a sua mulher, Mônica Moura, sua sócia na empresa de marketing político, a Polis, e responsável pela área financeira da companhia. Ao juiz, ela disse que “em todas as campanhas políticas” que o casal atuou houve pagamento de caixa dois.”Sempre trabalhamos com caixa dois. Em todas as campanhas. Não acredito que exista um marqueteiro no Brasil que trabalhe só com caixa um”, disse ela, dando como exemplo, inclusive, a campanha presidencial de Dilma em 2014.

Ela também explicou que os valores eram pagos em espécie — “em malas e mochilas entregues em hotéis e flats. Assim como a gente recebia em caixa 1 e 2, a gente também gastava em caixa 1 e 2” — e que “todos os candidatos” sabiam dos pagamentos por fora. “Posso lhe dizer com segurança que todos eles sabiam dos valores exatos e de quanto estavam nos pagando e de quanto era o pagamento”, respondeu ela ao ser indagada por Moro se os políticos tinham conhecimento da prática ilícita.

A assessoria da ex-presidente Dilma Rousseff informou que não se pronunciará por enquanto sobre o depoimento de João e Mônica Moura e que deve divulgar uma nota nesta quarta-feira. Procurados, as senadoras Marta Suplicy (PMDB-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) não foram encontradas. Em ocasiões anteriores, eles negaram as acusações e reiteraram que as doações às campanhas foram feitas de acordo com a legislação eleitoral.

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Fonte: Veja

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04/17

Troco.

TROCO BOLSA CHANEL

POR MOCHILA DA ODEBRECHT

(CHEIA DE NOTAS DE 100

DÓLARES, É CLARO!).

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04/17

Como viver sem o tradicional “flight”?

pergunta do título vale para boa parte dos anunciantes brasileiros que, em sua grande maioria, adota esse modelo estratégico. Na minha opinião, tanto o modelo como o próprio flight morrerão abraçados por uma razão muito simples: a timeline do consumidor não é vertical, ela é perene e multidimensional.

Por que ser sazonal quando sua marca e seu produto não o são? Por que falar em três semanas quando seu produto está nas gôndolas também nas outras 49? Não faz mais o menor sentido. Dispomos hoje de milhões de alternativas em que é possível trabalhar diversos canais de forma linear. E aqui me refiro ao sentido amplo da mídia e de todas as suas possibilidades de engajamento e alcance.

Afinal, hoje tudo é mídia. As marcas, os consumidores, os colaboradores… O celular é parte crucial do corpo, é o nosso 5º Elemento (água, terra, fogo, ar e celular). Para alguns, inclusive, muitas vezes mudando essa ordem.

Já vivenciei situação em que o cliente deixou de aproveitar uma grande oportunidade de audiência porque o flight tinha acabado há dois dias. Inacreditável. O consumidor não tem essa dimensão e tão pouco está preocupado com esse cronograma.

A jornada é da mensagem e ela pode acontecer sem necessariamente ser uma sequência de dias ou meios. Ela pode e deve ter a extensão que lhe for planejada e, principalmente, a extensão que lhe for concedida por esse mesmo consumidor.

Portanto, convido a todos a repensarem seus flights e aproveitar ao máximo toda a pluralidade que nos é permitida pelas plataformas de mídia. Assegurando, assim, um diálogo mais constante e perene com sua audiência.

O mundo está deixando de ser um bloco de poucas e grandes marcas e se tornando um “conglomerado”, não menos importante, de empresas menores

Será essa perenidade que garantirá sua marca viva na cabeça do consumidor, que a cada dia está mais disputada. Disputa essa que não é mais só sobre seu negócio ou sua categoria, é sobre tudo que está em volta dele. Tudo mesmo.

Awareness e relevância nunca foram tão importantes como hoje. O mundo está deixando de ser um bloco de poucas e grandes marcas e se tornando um “conglomerado”, não menos importante, de empresas menores. É muita novidade todos os dias: nas ruas e nas gôndolas.

Para dar uma ideia desse volume, em 2015, os TOP 20 Anunciantes brasileiros responderam por 24% do investimento publicitário. Os outros 76% estão na mão desse 2º grupo de empresas. Ou seja, uma gama gigantesca de novas marcas e produtos disputando essa mesma atenção do consumidor.

Definitivamente, não dá mais para viver de flight. Como marcas vivas e um consumidor cada vez mais pulsante, devemos sempre encontrar um jeito (de preferência contínuo) de circular por suas veias e, principalmente, pela sua mente.

Como viver sem o tradicional “flight”?

Francisco Custodio

Diretor-geral de mídia da Africa

Em Meio e Mensagem

COMENTÁRIO

O autor se esquece de que o mercado não é composto só por grandes anunciantes, que teriam verba para anunciar o ano todo. Para pequenos e médios anunciantes não dá para anunciar em todos os dias do ano. Simples assim.

JJ

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04/17

Natura ataca nas farmácias.

Pouco mais de um ano após ter iniciado as vendas da linha Sou – de produtos para corpo e cabelos – nas farmácias Raia Drogasil a Natura anuncia, agora, a comercialização da linha Faces, de maquiagem, nos pontos de venda da rede RD na cidade de São Paulo já a partir desta semana e municípios do interior paulista e do Rio de Janeiro ainda este ano (sem especificar datas, nestes casos).

A linha Faces foi relançada em fevereiro deste ano, com objetivo de falar mais diretamente a um público jovem e urbano (a linha foi bastante trabalhada também na edição mais recente da SPFW).  Para essa iniciativa e exposição de cerca de 70 produtos, a Natura criou móveis modulares desenhados a quatro mãos entre a própria rede RD e a agência Barrows. As lojas terão promotoras dando dicas de maquiagem às consumidoras da marca e na megastore da Droga Raia, reinaugurada recentemente no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, os produtos terão destaque ainda maior na vitrine do local.

“Pela primeira vez teremos maquiagem no canal de farmácias. O público jovem se identifica com essa conveniência e faremos esse movimento levando uma experiência diferenciada Natura”, afirmou em comunicado Herlan Paiva, gerente geral de novos canais da Natura.

Além de renovar todas as embalagens dos produtos e ampliar o portfolio da marca, com itens 2 em 1 e multibenefícios que podem ser combinados entre si, a companhia passou a explorar o conceito #tánacara #tánarua e estreou este mês uma campanha digital criada pela agência SalveTribal, sob o mote #Quemévocênarua?.

O movimento da Natura segue um passo que recentemente também foi dado pelo concorrente Grupo Boticário, que levou a sua marca de maquiagem Quem disse, Berenice? a farmácias.

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Fonte: Meio e Mensagem

19
04/17

As histórias e o algoritmo da felicidade.

Uma vez, falando sobre trabalho com um criativo que respeito muito, quase engasguei quando ele mandou uma bomba do tipo: “meu time está trabalhando no algoritmo da criatividade”. Queria acreditar que era brincadeira, uma frase de efeito vinda de um ego privilegiado. Mas era sério, o cara é fantástico e eu perdi o sono. Não conseguia parar de pensar no potencial de um algoritmo que replicasse pensamentos criativos em série. Depois de muito incômodo, me convenci que era mesmo uma bobagem decodificar o talento humano e, assim, recuperei minha felicidade.

Naquele caso, fica a pergunta: na lida da criação, era o mestre quem usava a matemática ou era ela quem operava o mestre? Há quem acredite no segundo cenário. No tempo de Gaudí, a discussão andava em torno das máquinas e da ciência dominando ou destruindo a natureza. Trabalhamos hoje com perguntas mais complexas, mas a origem é a mesma: vamos ser escravos da inteligência artificial ou vamos criar coisas maravilhosas a partir dela? Se a questão parece complicada o bastante para a maior parte de nós, para o historiador israelense Yuval Harari as respostas são muito claras: “Na medida em que ficamos cada vez melhores em usar inteligência artificial, big data e algoritmos para resolver tudo, da melhoria do tráfego ao diagnóstico de câncer, vamos nos transformar em uma nova espécie de super-humanos”, disse em entrevista para a Wired sobre seu novo livro, Homo Deus. A respeito do futuro, diz que nossa nova espécie, bombada de criatividade potencializada, vai nos tornar a todos, pelo menos da maneira que estamos configurados hoje, irrelevantes em mais ou menos um século. Finito.Algoritmos são basicamente sequências de instruções usadas para resolver problemas determinados. Embora muitas vezes complexos, são praticamente receitas de bolo. Aparentemente, nada menos criativo. Alguns algoritmos são mais sofisticados que outros, obviamente mais complicados que misturar farinha e ovos. Alguns usam desvios padrão, resultando em variáveis pouco esperadas, mais ou menos como Antoni Gaudí aplicava desvios nas fórmulas de cálculo para criar efeitos orgânicos maravilhosos em suas estruturas e espaços. Têm coisas muito interessantes ali, na mistura de padrões matemáticos manipulados por um gênio criativo.

Harari parte de uma perspectiva que coloca nossa capacidade criativa como fator determinante para a hegemonia da espécie humana. Uma matéria do jornal inglês The Guardian no mês passado, conta que seu primeiro livro, Sapiens, defende a capacidade em acreditar em ficções compartilhadas como o principal responsável pela predominância do Homo sapiens contra outras espécies rivais, por exemplo os Neandertais (havia pelo menos seis espécies de humanos há cem mil anos). Assim, religiões, nações e dinheiro, ficções humanas que promoveram colaboração e organização em escala massiva, seriam a plataforma da nossa primazia.

Pronto, chega de discutir nosso papel na sociedade. Finalmente um cara inteligente o suficiente dá o valor definitivo aos contadores de história. Fechou. Só que não. Se Harari eleva a percepção das narrativas como as alavancas que nos projetaram à dominância do Planeta, nos oferece um contraponto quando afirma: “Humanos acham muito difícil saber o que é real e o que é apenas uma história em suas cabeças, e isto causa muitos desastres, guerras e problemas”. A história da humanidade é uma batalha entre narrativas. No mesmo passo em que inventamos histórias cada vez mais complexas e interessantes, criamos caixas mais resistentes em volta delas.

A ideia das narrativas no centro da nossa razão de existência é um olhar interessante. Olhando para o futuro, o historiador prevê a emergência de dois credos, duas religiões: o Tecno-Humanismo e o Dataísmo. O primeiro grupo irá ligar humanos a supercomputadores e criar cyborgs, mas vai manter as aspirações humanas como autoridade universal. O segundo vai reconhecer que os humanos eram importantes até o momento por serem os melhores sistemas de processamento de informação existentes, mas irão admitir que este já não é o caso. Nada mal para quem acredita que tudo é ficção.

As histórias e o algoritmo da felicidade

Mauro Cavalletti

Head of creative shop do Facebook

Em Meio e Mensagem

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