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08/16

Primeiro taxi sem motorista roda em Cingapura (e Uber investe no setor).

Na última semana, o Uber anunciou a compra da Otto, uma startup de tecnologia israelense especializada no desenvolvimento de caminhões autônomos, e uma aliança de US$ 300 milhões com a montadora sueca Volvo. Os dois movimentos convergem no empenho da empresa em ser pioneira na oferta de transporte autônomo aos passageiros. Foi uma empresa saída do MIT, no entanto, que ofereceu o serviço para clientes comuns. Nesta quinta-feira (25), a nuTonomy testou umtáxi sem motorista nas ruas de Cingapura, em uma parceria com o governo de lá.

Primeiro táxi sem motorista começa a andar nas ruas de Cingapura (Foto: Edgar Su/Reuters)

As viagens foram gratuitas e os passageiros foram acompanhados de um engenheiro, que permaneceu no banco da frente por precaução. “Este é realmente um momento na história que vai mudar como as cidades são desenvolvidas, como nós realmente olhamos para nosso entorno”, afirmou à Reuters o executivo Doug Parker. Ele espera que a empresa tenha 100 táxis nas ruas até 2018.

No ano passado, Travis Kalanick, presidente executivo do Uber, afirmou que a migração tecnológica para carros autônomos era inevitável: “Entendam. É por esse caminho que o mundo está indo. Se o Uber não for nesse sentido, deixará de existir de qualquer maneira”. Vendo a repercussão não muito positiva entre seus motoristas, Kalanick se justificou no Twitter. Escreveu que era um processo que iria levar mais de uma década, lá por 2035, e que até lá muita coisa poderia acontecer. Nesta semana, o Uber realizou testes de rua com carros autônomos nos Estados Unidos. Um Ford Fusion híbrido, equipado com sensores que incluem câmeras, radares e scanners, circulou pelas ruas de Pittsburgh, na Pensilvânia.

Apesar de ainda ser difícil imaginar um veículo sem motorista guiando o trajeto de passageiros (ainda faz pouco tempo que deixamos de pagar corridas com cartão ou dinheiro), os carros autônomos são apresentados pelas empresas como salvadores de vidas. O Uber afirma que eles têm o poder de diminuir a estatística de acidentes, pois 90% dos casos graves acontecem por erro humano. Um dos pontos que a indústria desenvolverá atenção é em um novo tipo de segurança. Veículos autônomos têm seus componentes elétricos conectados pela internet. Eles também são desenvolvidos para coletar dados e mapeamentos, a fim de tornarem-se mais cognitivos. O risco, portanto, será evitar vulnerabilidades como as existentes em computadores comuns: invasões de sistemas, manipulações e vírus.

Empresas como Google, Tesla, BMW e Apple também investem no nicho, que é promissor. A data mais comum nos anúncios para lançamentos nesse setor é entre 2020 e 2021, mas casos como os de hoje tendem a forçar a rapidez do desenvolvimento desse mercado. Uma conclusão prévia, pelo menos para o Brasil: se os modelos derem certo no médio prazo, a briga entre motoristas de Uber e táxi foi muito desnecessária.

Fonte: Época

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08/16

Carnê do Baú da Fidelidade.

“Silvio Santos vem aí, olê, olê, olá”. Quem acha que este é um simples jingle de animador de auditório, se engana. Silvio Santos, menos conhecido como Senor Abravanel, já está “vindo” há muito anos. E de relacionamento sabemos que ele entende muito bem.

Dentre as inúmeras iniciativas do apresentador ao longo de décadas de empresariado, nenhuma foi mais efetiva que o Baú da Felicidade. Aportou milhões de clientes rapidamente, com relevantes investimentos individuais e quase nenhuma presença nos intervalos comerciais (ok, não vamos considerar as mensagens subliminares nos inúmeros programas do SBT).

Quando o Baú da Felicidade foi lançado em 1958 (por Manoel da Nóbrega e comprado por Silvio Santos tempos depois) não se imaginava que seria, casualmente, o primeiro programa de fidelidade do Brasil. Vejamos por que:

1. Mantinha os clientes comprando em longo prazo: um carnê com pagamento em, no mínimo, 12 parcelas. Gerava um relacionamento contínuo.

2. Retinha os clientes com benefícios especiais: todos poderiam participar dos inúmeros programas televisivos dedicados a criar o branding da marca “Baú da Felicidade”, que poderiam ganhar fortunas com prêmios especiais. Quem nunca acompanhou o famoso “Roletrando”, hoje “Roda a Roda Jequiti”? Ou então o programa “Tentação”, tão famoso nos memes atuais? Ou usou o jingle do “Peão da Casa Própria” em alguma brincadeira cacofônica?

3. Criava exclusividade: somente clientes do Baú poderiam participar dos programas acima, além de garantirem benefícios especiais nas inúmeras empresas do Grupo SBT, como a Cosméticos Jequiti.

4. Oferecia resgates especiais: mesmo vestido de consórcio, o Baú da Felicidade estimulava o cliente a acumular valores que eram resgatados em produtos nas lojas físicas da marca. E melhor: todo o valor pago era revertido integralmente em resgate. 100% de generosidade.

5. Criava ações de engajamento: sob a legalidade de um título de capitalização, porém com os holofotes de um programa de auditório criou a Tele-Sena – um dos maiores sucessos do Baú da Felicidade. Não desviava o cliente do foco principal (o carnê), trazia novos para a base (que não queriam o carnê) e usavagamification para retê-los todos os domingos, deixando-os colados na TV esperando o próximo sorteio. Tanto sucesso que até a Globo o imitou com o fracassado Papa-Tudo.

6. Tinha uma marca forte: mais que uma marca, tinha um garoto-propaganda que dispensa comentários.

7. Criava uma empatia e sentimento de proximidade: Silvio Santos sempre chamou seus clientes de “fregueses”, remetendo ao velho jargão popular.

Sem querer querendo, o Baú contribuiu décadas atrás para o crescimento exponencial da fidelidade no Brasil: sem a participação das classes B e C, os programas lançados nos últimos anos não teriam base ativa suficiente para sustentar uma estrutura sólida de resultados. Obviamente que a classe A contribui por boa parte de suas receitas, mas o volume gerado por quem gasta menos e frequentemente, traz uma receita incremental indispensável.

Silvio Santos orquestrou uma política de relacionamento, amarrando todos os seus inúmeros negócios com um objetivo único: rentabilizar sobre seus melhores clientes, através de um precisa governança de contato, com base na opinião popular. Isso mesmo, do próprio povo que compôs a audiência do SBT e de onde o apresentador começou sua carreira de empresário.

Desta forma, como sempre, Silvio Santos (o apresentador) e o Senor Abravanel (o empresário) conseguiram criar a maior base de clientes fiéis do Brasil, muito maior que qualquer iniciativa atual. Só que ainda não podemos afirmar se esta fidelidade foi pela estratégia de negócios ou pelo carisma do artista. Ou, quem sabe, ambos.

Carnê do Baú da Fidelidade

Renato Camargo

Executivo de fidelidade e CRM do GPA

Em Meio e Mensagem

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08/16

Qual a diferença entre content marketing e branded content?

Eles são parecidos, mas não se engane: branded content não é sinônimo de content marketing — ou marketing de conteúdo, na versão aportuguesada do termo.

Vamos às definições. A começar pela Wikipédia em língua inglesa:

“Branded content é uma forma de publicidade que usa a geração de conteúdo como uma forma de promover uma determinada marca que financia a produção de conteúdo.”

Content Marketing Institute (CMI) traz esta definição:

“Content marketing é uma abordagem de marketing estratégico focada na criação e distribuição de conteúdo valioso, relevante e consistente para atrair e reter um público claramente definido — e, em última análise, para gerar ações rentáveis de clientes.”

Para Andrew Davis, autor do best-seller Brandscaping, a diferença é clara: branded content diz respeito a um conteúdo voltado para marca. É uma abordagem muito próxima da publicidade. Já em content marketing, o conteúdo é voltado para o público — algo mais parecido com o jornalismo, uma vez que o propósito central é construir uma audiência própria, fiel.

Há diferenças também nos conceitos básicos. Enquanto content marketing é baseado na produção contínua de conteúdo, branded content se apoia em campanhas, que são recomendadas até pela lista de melhores práticas da Branded Content Marketing Association. No site AdWeek, a categoria branded content é repleta de exemplos baseados em campanhas. Como já dissemos aqui, na Tracto, fazer campanha é o antônimo de marketing de conteúdo.

Cases
Na semana passada, tive o privilégio de fazer a palestra de abertura de um evento realizado pela Aberje em São Paulo. Citei em minha apresentação alguns casos que considero emblemáticos em content marketing, como Red Bull, Lego e Revista da TAM.

Logo em seguida, Sandra Azedo, diretora de comunicação da agência de publicidade Ogilvy, apresentou campanhas da GRAAC, do Sport do Recife e outros clientes. Todas são emocionantes, geraram ótimo retorno sobre o investimento e foram merecidamente premiadas.

Perceba a diferença: enquanto Red Bull, Lego e Revista da TAM produzem conteúdo continuamente, como se fossem empresas de mídia, os exemplos da Ogilvy têm um pensamento de campanha, com o mindset da publicidade. Seria infantil — e um tanto estúpido — afirmar que um método é superior ao outro. São abordagens diferentes, e não concorrentes.

No final de 2015, Joe Pulizzi, fundador do Content Marketing Institute e autor de quatro dos principais livros de content marketing nos Estados Unidos, publicou um artigo enfático, intitulado “Can We Please Stop Using Branded Content?” (“Por favor, vamos parar de usar branded content?”, em tradução livre).

Nele, Joe critica o fato de os exemplos de branded content trazerem com frequência o uso deproduct placement, colocando quase sempre o produto como elemento central da comunicação — o que é típico da publicidade. Não por acaso, com muita frequência os prêmios distribuídos em Cannes nessa categoria vão parar nas mãos de publicitários.

Limite embaçado
Apesar de as abordagens serem distintas, a confusão é frequente. Isso se dá em grande parte por dois motivos:

  1. Na visão dos especialistas em branded content, cases como Red Bull, Lego e Revista da TAM estão sob o seu guarda-chuva. Afinal, é tudo conteúdo de marca, segundo sua interpretação.
  2. Muitas das agências de conteúdo atuam nas duas frentes, aplicando a cada cliente o método mais adequado. Por exemplo, a brasileira New Content, que se define como especializada em branded content, foi eleita a melhor agência de content marketing do mundo no ano passado.

O fato de uma agência ter competência suficiente para usar métodos diferentes não significa que os métodos sejam sinônimos. Façamos um paralelo. Muitas empresas de contabilidade fazem também auditoria, mas daí a dizer que contabilidade e auditoria sejam a mesma coisa é um erro.

Dia desses, Marlon Camargo, fundador da consultoria Uevollu, de Curitiba, compartilhou comigo uma reportagem da Exame. Marlon, que por conta de seu mestrado anda fazendo imersões nos temas abordados neste artigo, ficou tão perplexo quanto eu. A Exame faz uma salada de conceitos. Atribuiu ao branded content definições do content marketing e ainda inseriu o native advertising na mesma conversa.

A Exame não é a causadora, e sim o retrato de um problema que possivelmente trará consequências. Refiro-me ao fato de o mercado brasileiro andar sedento por explicações rápidas e superficiais ao mesmo tempo em que está um tanto alheio aos conceitos.

Não seria alarmismo afirmar que as consequências da busca por respostas pontuais e fórmulas podem ser bem ruins. Nos Estados Unidos, aonde as práticas e os debates chegam com cerca de três anos de antecedência em relação ao Brasil, a percepção é de que omarketing de conteúdo começa a entrar em declínio. O motivo, segundo Joe, é o excesso de paraquedistas tratando as técnicas com superficialidade, o que acaba conduzindo as empresas a más práticas e, consequentemente, a deixar de acreditar no content marketing.

Considerando que nos Estados Unidos há centenas de livros publicados acerca do tema e no Brasil, quase nenhum, é lógico concluir que, por sermos ainda mais superficiais, a decepção tende a ser maior.

O primeiro passo para evitar as armadilhas é entender os conceitos. A partir daí, é perceber que não existe um método melhor do que o outro, mas um mais adequado que o outro conforme as necessidades e expertises de quem espera gerar resultados a partir da produção de conteúdo.∞


Cassio Politi foi eleito o profissional de content marketing do ano pela Digitalks em 2015. Será em 2016 palestrante do Content Marketing World, o principal evento do tema no mundo, em Cleveland, nos Estados Unidos. É desde 2014 o único sul-americano a compor o seleto júri do Content Marketing Awards. É autor do livro Content Marketing – O Conteúdo que Gera Resultados. Presta consultoria para grandes empresas brasileiras e multinacionais. Já conduziu palestras, treinamentos in company e cursos abertos em 25 estados.

 

Fonte: Tracto

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08/16

Quem precisa de um programa de fidelidade?

No meu artigo do mês passado, “A morte dos programas de fidelidade?”, escrevi como programas de fidelidade genéricos, baseados em pontos, perderam o encanto para consumidores. Vimos que pesquisas recentes mostram que consumidores agora buscam experiências personalizadas que vão muito além da troca de pontos como recompensa. A enorme repercussão do artigo gerou uma boa reflexão sobre o tema e esse mês retomo o assunto para aprofundarmos ainda mais a discussão.

Ao longo de minha carreira, foram várias as vezes que fui chamado para ajudar empresas a construírem programas de fidelidade. Não são raros os casos de clientes que querem um, mas que na verdade não precisam dele.

Mais importante que a criação de um programa de fidelidade, é a criação de uma abordagem de fidelidade. O grande ganho vem daí: a melhor experiência é que gera maior fidelidade — e não a troca transacional de pontos por real gasto

Um programa de fidelidade deve ser apenas um “enabler”, um facilitador de uma abordagem mais holística de foco no cliente. Na maior parte dos casos, sua principal função é ganhar a permissão dos clientes para capturar seus dados de compra e começar a engajá-lo em um diálogo mais relevante por meio de comunicação personalizada.

Não estou dizendo que a tradicional mecânica de troca de cada real gasto por pontos não gera nenhum valor. Minha questão é que essa não deve ser sua principal razão para aderir ou criar um programa de fidelidade. Os dados comprovam claramente que, de longe, o grande valor não está no programa em si ou na troca de pontos, mas em como utilizamos as informações de clientes para entregar a eles uma melhor experiência, que será retribuída com uma maior fidelidade a sua marca. O grande ganho vem daí: a melhor experiência é que gera maior fidelidade — e não a troca transacional de pontos por real gasto.

Varejistas, por exemplo, usam os dados de clientes, coletados por meio de programas de fidelidade, para inseri-los no centro de suas decisões. Qual o perfil de cliente em cada loja? Como eles escolhem os diferentes produtos em uma categoria? Que produtos são substitutos ou complementares entre si? A inteligência desenvolvida pelas respostas dessas perguntas permite, por exemplo, uma definição mais precisa do sortimento de cada loja.

Outro uso comum de programas de fidelidade é na comunicação personalizada com clientes. O segredo aqui é relevância — como usamos o entendimento profundo dos hábitos de compra e consumo para ser o mais relevante possível na comunicação. Quando clientes entram em um programa de fidelidade eles assinam um contrato implícito com a empresa: eu, cliente, te dou acesso aos meus dados e, em troca, recebo uma melhor experiência e comunicações e ofertas muito mais relevantes. Todas as vezes que as empresas bombardeiam as pessoas com mensagens e ofertas irrelevantes, elas rompem com esse importante contrato.

Então, voltando a nossa pergunta inicial, você precisa mesmo de um programa de fidelidade? Várias questões devem ser levadas em consideração para responder a essa pergunta, mas considero duas fundamentais. A primeira é se sua empresa já tem acesso aos dados de comportamento dos clientes por algum meio. Muitos varejistas de bens de consumo duráveis, por exemplo, têm dados de clientes quase perfeitos coletados para financiamento e entrega de seus produtos, o que leva a índices de vendas identificadas superiores a 80%. Empresas de telecomunicações e de serviços financeiros já têm acesso a dados pela própria natureza dos seus negócios.

A segunda questão é se há outras formas de ganhar o acesso à comunicação com clientes. Empresas com sólida plataforma de relacionamento online, por exemplo, não precisam de programas de fidelidade para poder se comunicar de forma personalizada.

Portanto, antes de considerar adotar um programa de fidelidade, vale pensar de forma mais ampla em uma abordagem de fidelidade. Mais importante que qualquer programa desse tipo, é o compromisso de colocar o cliente no centro das decisões de negócio.

Adriano Araújo

Diretor-Geral da Symphony EYC no Brasil

Em Meio e Mensagem

28
08/16

Rádios terão que pagar para transmitir o Brasileirão do ano que vem.

Ninguém sabe no que isso vai dar e muito menos no que poderá ocasionar; o fato é que naquilo que depender de alguns dos principais clubes e da própria CBF, as rádios terão que pagar pelos direitos de transmissão no campeonato brasileiro do ano que vem.


Por enquanto, só a televisão tem este encargo.


Flávio Ricco no portal UOL

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08/16

10 dicas para acertar na escolha da marca para sua empresa.

Entre todos os elementos necessários para abrir uma empresa, a escolha do nome talvez seja uma das tarefas mais difíceis, porque envolve muitas questões ainda desconhecidas entre empresários e empreendedores. Um estudo feito pela Pílula Criativa em parceria com a FG Marcas e Patentes identificou um aumento significativo no número de consultas de empresas com problemas envolvendo suas marcas, como a escolha de um nome que já está em uso ou não foi autorizado.

Ao voltar atrás com a escolha do nome, a dor de cabeça começa. Além de perder o investimento para registro da marca anterior, é preciso passar por um processo longo, custoso e burocrático para a troca.

Veja aqui 10 dicas para evitar problemas ao escolher a marca da sua empresa:

1 – Faça uma pesquisa para saber se a marca que você pretende usar está disponível

 Você pode fazer uma pesquisa básica no próprio site do INPI – Instituto Nacional da Propriedade Intelectual no link www.inpi.gov.br e obter um panorama da situação. No entanto, é extremamente recomendável que seja um profissional habilitado nesse processo, já que existem diversos aspectos legais que influenciam no resultado ou na compreensão daquilo encontrado no site.

 2 – Não confunda o registro da empresa com o registro da marca

 O fato de você ter formalizado o seu negócio na Junta Comercial ou mesmo em cartório não significa que a marca que você usa é sua.

3 – Expressões descritivas não podem ser registradas como marca

É muito comum o empresário ou empreendedor escolher uma expressão que está relacionada ao seu produto ou serviço, como a marca que irá representar todo o seu negócio, todo o seu esforço. Mas é preciso muito cuidado. Marcas meramente descritivas não podem ser registradas. É o caso, por exemplo, da expressão “CAMISA” para roupas ou “CARRO” para automóveis.

4 – A grafia da marca pouco importa

Não adianta alterar a grafia da marca, para tentar distanciá-la de outra. Usar o “K” no lugar do “C”, “X” no lugar do “CH” ou “S”, “Y” no lugar do “I” ou dobrar consoantes não muda nada. Se a sonoridade é a mesma e a palavra tem o mesmo significado, o registro não será viável.

5 – Cuidado com as marcas estrangeiras

Se você conheceu uma marca em uma de suas viagens ao exterior e pensou em registrá-la aqui, muito cuidado. Ainda que a marca da empresa estrangeira não tenha sido registrada no Brasil, ela terá prioridade. O mais indicado é que você tente uma licença local, uma representação ou invista em uma marca nova, própria.

6 – Marcas famosas, mas que identificam outros produtos ou serviços

Existem regras especiais para as chamadas marcas de alto renome e marcas notoriamente conhecidas, expressões usadas pela legislação, mas uma coisa você deve ter em mente: não tente usar essa expressão para identificar seu serviço com a intenção de aproveitar o sucesso alheio, ainda que ele seja muito distante daquele identificado pela marca “famosa”. O registro provavelmente será negado e você ainda corre o risco de ser processado.

7 – Tradução literal de marca existente não pode ser registrada

Não adianta fazer uma versão em outro idioma para uma marca já conhecida. O registro será indeferido.

8 – Brasões ou símbolos nacionais também não são registráveis

 A bandeira do Brasil, do seu estado ou de outros países não podem ser registradas. Se a expressão que escolheu está associada a esses elementos, o registro será negado. O mesmo se aplica para brasões, armas, medalhas, emblemas ou distintivos e monumentos oficiais.

 9 – A marca deve ser verdadeira

A expressão que você escolheu não pode induzir a uma falsa ideia, seja da procedência, origem, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço. Portanto, se a sua marca tiver algo como “Vinho da França”, “Azeite Puro Espanhol” e você não for francês ou espanhol,  o registro será negado.

10 – Fale sempre com um especialista reconhecido

Obter o registro e a exclusividade de uma marca pode até parecer tarefa simples, mas não é. Envolve uma série de conhecimentos técnicos, da legislação nacional e de tratados internacionais, que somados a uma experiência e vivência com questões sobre marcas e patentes se tornam fundamentais para o sucesso na proteção do negócio. Certifique-se de que a empresa que o auxilia ou o seu procurador sejam realmente especializados. Uma boa dica é procurar referências na internet e em redes de relacionamento.

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Thiago Regis é Diretor de Arte e Novos Negócios da Pílula Criativa, agência especializada em campanhas online e offline.

No propmark

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08/16

Atlético Paranaense aprova fundação.

Conselho Deliberativo do Atlético Paranaense se reuniu nesta manhã de sábado (27) para, entre outros temas, aprovar o projeto da Fundação do Clube Atlético Paranaense, aFunCAP, e mostrar o plano de execução. O organograma defende que a fundação utilizará o futebol como ferramenta para o desenvolvimento educacional e social, em comunhão com diversos setores da sociedade.

Na prática, divide a ideia em seis comitês de ações e define os parceiros estratégicos para captação de fundos, além de prever a criação de uma universidade atleticana, a UniCAP. “A nossa fundação será referência no Brasil, nas Américas e no mundo”, profetizou Roberto Bonnet, 2º Secretário do Conselho. “Não temos como sangrar o clube financeiramente e continuar investindo em projetos sociais”, continuou.

Os primeiros passos da fundação envolvem a elaboração do site da FunCAP, o aumento da receita das escolinhas do clube, por meio da comercialização de licenças, kits e patrocínios com a marca da Escola Furacão, e a captação financeira junto a pessoas físicas e jurídicas, inclusive por meio de crowdfunding(financiamento coletivo). A projeção é de que até 2019, o “corpo” da fundação esteja pronto.

Entre as diversas ações sociais, o passo mais ambicioso da FunCAP é a criação da UniCAP, a universidade do Atlético, que prestaria cursos de graduação, extensão em diversas áreas esportivas, como Gestão Esportiva, Medicina do Exercício, Direito Esportivo, Marketing Esportivo e Treinamento Desportivo, além da promoção de congressos. “Estamos preocupados com o futuro profissional dos jogadores que não se profissionalizam. Que eles saiam daqui com 18, 19 anos e, ao menos, tenham uma base, uma profissão que possam dar continuidade às suas vidas. Uma grande universidade convivendo com o clube de futebol”, definiu Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético. Ele citou “universidades do Chile” como exemplo. Naquele país, duas equipes que levam o nome de instituições de ensino são bem conhecidas: Universidad de Chile e Universidad Católica.

De acordo com Bonnet, o objetivo geral da FunCAP é estabelecer diversas medidas direcionadas à comunidade e à formação de crianças e jovens, além de, no processo, divulgar e propagar a marca CAP. “Tivemos a Arena. Tivemos a Copa. Tivemos o teto retrátil. Tivemos a grama sintética. Todos projetos questionados, que acharam que não sairiam do papel. E agora teremos a fundação”, alega.

Ataque

Segundo Petraglia, para financiar o projeto, o Atlético não irá transferir bens atuais do clube para a fundação. “Nós não temos intenção de transferir patrimônio ou algum bem que exista agora. O bem que nós capitalizaremos é um bem novo. Me entristece essa dúvida, essa desconfiança. Jamais prejudicamos esse clube. Não levantem suspeitas”. Muito emocionado – segurando o choro e parando por instantes para se recuperar –, o dirigente aproveitou para disparar contra seus opositores. “Nossos opositores se reúnem em lugares de baixo nível, ficam bebendo, cheirando e manchando a nossa honra”, disparou, sem citar nomes, para ser muito aplaudido por seus correligionários.

O clube pretende bater na porta de bancos de desenvolvimento, fundos de governança, ONGs, institutos, associações, federações, sindicatos e conselhos, além de empresas públicas e privadas. Internamente, o Atlético terá seis comitês especializados:Mulher FunCap, com o objetivo de inserir a mulher torcedora no cotidiano da fundação; EduFunCAP, com o objetivo de atuar na área de educação, envolvendo atletas e comunidade; Cultura FunCAP, para fomento de práticas e produções culturais; SócioAmbiental FunCAP, abrangendo temas como sustentabilidade e responsabilidade social; MedFunCAP, com foco em medicina esportiva; e o Mobiliza FunCAP, voltado ao voluntariado.

Tribunal de Contas

Petraglia também rebateu a decisão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), que decidiu na última quinta-feira (25) impedir, de forma cautelar, a suposta pretensão do Atlético de transferir seus bens para a Funcap. “Apenas o futuro imóvel que o clube adquirirá para erigir a fundação fará parte dos bens da fundação. Todos os grandes clubes do mundo têm fundação. Fomos notificados e não temos nada a temer”.

Questionado ainda sobre a possibilidade de um plebiscito para ouvir todos os sócios do Atlético sobre o tema, Petraglia foi enérgico. “Por que temos que ouvir os sócios sobre isso? Qual o objetivo? Se tivéssemos alienando bens do clube, se tivéssemos dando passos que põem em risco o Atlético, sim, convocaríamos um plebiscito. Mas isso aqui é uma decisão singela. Para que fazer um plebiscito?”.

Ao fim da manhã, a FunCAP foi aprovada por unanimidade.

Fonte: Gazeta do Povo

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08/16

“A nova geração é mal educada”.

"A nova geração é mal educada", diz Mario Sergio Cortella sobre jovens que chegam ao mundo do trabalho 0/Divulgação

Foto: 0 / Divulgação

Não muito tempo atrás, sair de casa todos os dias para enfrentar longas horas de trabalho era uma tarefa motivada essencialmente, quando não exclusivamente, pelo dinheiro que cairia na conta no fim do mês. A vida parecia ser menos complexa — e ter um emprego era sinônimo de garantir recursos para sustentar uma família e construir um patrimônio que pudesse ser deixado de herança.

Pode ser que, à mente de muitos, ainda seja esse o pensamento que vem quando chega a segunda-feira e mais uma semana se inicia. Para o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella, no entanto, essa visão sobre o trabalho faz cada vez menos sentido. No livro Por que fazemos o que fazemos?, lançado em julho, o especialista em educação afirma que os profissionais que hoje ocupam postos em diversas áreas estão mais do que nunca questionando os seus propósitos: eles querem reconhecer o esforço diário como útil e, mais, ser valorizados por ele.

O que está em jogo é a realização, sobretudo para os jovens que chegam agora ao mercado de trabalho — aos quais Cortella deixa uma alfinetada:

— A nova geração é mal educada. Está acostumada a ser quem subordina os adultos em casa.

No início deste mês, Cortella esteve em Porto Alegre para lançar o livro e falar sobre gestão do conhecimento em tempos de excesso de informação, em palestra realizada no Colégio Farroupilha, onde recebeu Zero Hora.

O senhor fala que a gestão do conhecimento é um desafio urgente. Por quê?
Muita gente diz que estamos vivendo a era do conhecimento, quando na verdade estamos vivendo a era da informação veloz. O conhecimento sempre existiu. Se não fosse assim, não estaríamos vivos. O ser humano é um ser que conhece, não nasce pronto. Quando falamos sobre a questão da gestão do conhecimento, hoje, estamos diante de um desafio urgente para que a gente não caia em uma armadilha. Primeiro, não se pode confundir informação com conhecimento. Informação é cumulativo, conhecimento é seletivo. O conhecimento vem quando damos à informação uma objetividade relacionada ao interesse, que é de cada um. Só que temos uma encrenca. Nossos alunos são do século 21, nossos professores são do século 20, e uma parte da metodologia é do século 19. Temos, portanto, uma colisão intersecular que precisa ser ultrapassada, na medida em que nos preparamos melhor, utilizando o mundo que está à nossa volta, mas sem nos subordinar a ele. Então, o conhecimento sempre esteve na história humana. A diferença agora é que a gente tem uma fartura de informação para fazer com que ele possa vir à tona como ele deve vir.

Como aproveitar essa onda de informação, surfar neste “tsunami” de maneira benéfica?
A gente tem uma fartura de informações, mas de nada adianta se você não tiver clareza do que quer fazer com ela. É como alguém que entra em um restaurante de self-service e fica perdido diante de todas aquelas opções de pratos quentes e frios. Comer bem, no entanto, não é comer muito, mas de forma selecionada. Ou seja, o acesso imenso à informação é necessário, mas, na ausência de critérios, ele fica limitado. Por exemplo, por que ainda temos a presença _ e ainda bem _ do jornal impresso entre nós? Bastaria que tivéssemos outras mídias, não? Só que o jornal impresso, por ser impresso, permite que você reflita, medite, volte e leia novamente. Pode-se degustar a informação sem que ela seja engolida sem mastigação. A tarefa de alguém que lida com a educação, hoje, seja na escola ou na imprensa, é de ter uma atividade muito mais de curadoria. Isto é, muito mais de organizar a informação e colocá-la à disposição do que de instrução.

O seu novo livro trata das aflições comuns em relação ao trabalho, à carreira e às expectativas que temos para a vida. Quais são essas aflições?
A primeira delas, que acaba englobando quase todas as outras, tem a ver com o fato de as pessoas viverem com pressa em relação às nossas próprias coisas. Elas perderam um pouco da referência em relação ao sentido daquilo que fazem. É preciso ter uma vida que não seja automática, robótica, que não seja banal. É preciso que a gente, vez ou outra, não entre em angústia ao se perguntar “por que estou fazendo isso?” ou “onde estou com a cabeça?” ou sentenciar “se eu pudesse, eu largava tudo”. Essas expressões são sintomas de uma doença, que não é a depressão, enquanto patologia, mas uma certa desorientação em relação ao sentido daquilo que se faz. Esta aflição é fortíssima. As pessoas dizem muito hoje: “Um dia vou ser feliz”. Como se isso se situasse no futuro e não fosse uma condição que pudesse ser vivenciada no tempo presente, em meio às turbulências que nós temos. Esta é uma aflição grande. A outra (aflição) é a ausência de reconhecimento que existe em muitos locais de trabalho. Como cada vez mais trabalhamos em grandes grupos, coletivamente, a autoria, a capacidade da “mão do artista”, fica muito diluída. A minha marca como jornalista, como gestor, como funcionário desaparece, se dilui. As pessoas vêm sentido um pouco, e com toda a razão, desprestigiadas.

Se hoje buscamos mais o reconhecimento e questionamos mais nossas posições e o que fazemos, não é porque temos mais opções? Porque podemos escolher o que fazer e corrigir escolhas erradas?
O nosso país ganhou muita condição econômica nos últimos 50 anos. Nós nos tornamos um país muito mais rico. Éramos a 35ª nação do planeta em termos de economia no início dos anos 1960, e agora somos a sétima. Isso significa que a economia dá uma condição melhor do que a que existia antes. Isso tem influência direta na formação das crianças. Mas tem um outro lado. Os pais, em nome da capacidade de proteção, acabam desprotegendo e enfraquecendo seus filhos. É curioso quando os pais falam “poxa, eu não quero que meu filho passe pelo que eu passei”. Eu fico imaginando: o que esse pai e essa mãe passaram? Tiveram de fazer comida? Limpar a casa? Cortar lenha, como foi o meu caso? Qual é o nível de sofrimento dessas tarefas? Ao meu ver, pelo contrário, elas faziam parte da partilha de tarefas de casa. Hoje não mais. Durante muito tempo, a geração adulta cuidava de si mesma e dos filhos. Quando os filhos cresciam, os pais diziam: “Bom, agora você vai e cuida da sua vida”. A atual geração de adultos cuida de si mesma. Se tiver filhos, cuida dos filhos. Às vezes, cuida também dos pais, com plano de saúde, atendimento. E, eventualmente, no caso de alguns, até dos netos. A atual geração que tem entre 35 e 40 anos cuida de três gerações. Ela está estafada, cansada, vive em estado de sonolência e deseja, de maneira repetida, libertar-se disso. Só há uma maneira de fazer isso: a procura contínua pela partilha das tarefas. Neste sentido, a educação escolar é uma parte que ajuda nesta questão. Mas ela depende também do coletivo, não apenas da escola. As novas gerações não podem crescer como adultos em férias, que vão ao cinema, passeiam, comem fora… Só não trabalham. Essa condição é malévola. Pode ser até gostoso poder oferecer isso aos filhos, em determinado momento, mas produz um enfraquecimento da capacidade do esforço mais adiante. Portanto, não é fazer os filhos sofrer, mas viver de uma maneira mais partilhada o desgaste e o esforço.

Recentemente, em uma entrevista, o senhor disse que os jovens estão chegando ao mercado de trabalho altamente competentes, porém mal educados. Qual é o perfil desta nova geração que ingressa agora no mundo do trabalho?
A nova geração não tem problema de formação. Ela é ligada à conectividade. Tem um nível de escolaridade que, mesmo que fragilizado, ainda consegue ser ultrapassado. Mas ela chega mal educada no mundo do trabalho, sem percepção de hierarquia. Ela está acostumada a ser quem subordina os adultos em casa, tanto que há pais e mães que vivem em função dos filhos. Ao mesmo tempo, esta geração não tem necessariamente compromisso com meta e prazo. Abandona coisas com muita facilidade. É muito comum ouvir falar hoje de jovem que começa uma faculdade e passa para outra. Ele descobre que não é o que quer, aí vai estudar mecânica, depois vai para a metalurgia, e passa para a alta gastronomia. Isso não é excesso de opção, isso é confusão mental. É ausência de clareza de onde se quer chegar. E esta mesma geração é absolutamente rica e exuberante naquilo que consegue, que é a criatividade. Se você observar as startups, são inéditas. Mas de quem são? Daqueles que vão fazer um esforço. As coisas não são automáticas, elas não acontecem sozinhas. Há um esforço imenso a ser feito para que as coisas tenham concretização. E a gente observa que o jovem muitas vezes chega até uma nova empresa e supõe que a chefia dele é como um pai e uma mãe, que têm que resolver as coisas para ele. Há pais e mães que saem pelo caminho colocando almofadas para que, a cada tropeço, o filho caia em um lugar macio. Há uma diferença entre proteção e desqualificação. Por isso há uma expressão que precisa ser lembrada: o amor verdadeiro é aquele que não aceita tudo. A frase “o amor aceita tudo” é absolutamente acovardada. Não podemos deixar de modo algum que esta nova geração acredite em uma coisa, que é muito perigosa para a vida coletiva: confundir desejos com direitos.

Os jovens podem estar chegando “mal educados” no mercado de trabalho. Mas até que ponto o mercado de trabalho não tem uma dinâmica obsoleta, ultrapassada para as relações atuais?
Sim, claro. Imagine que a tecnologia nos últimos 20 anos se alterou com uma velocidade imensa, e o mundo do trabalho acompanhou no campo da mecânica, mas não acompanhou no campo dos processos formativos. Afinal de contas, os primeiros mobile, que a gente usa no nosso dia a dia, não têm 10 anos. Uma coisa ultrapassada é o pen drive, que tem 15 anos. A internet está fazendo 20 anos. É algo de agora. Portanto, não deu tempo para o mundo do trabalho mudar muito, exceto aquelas empresas que atuam no campo do mundo digital. Se você observar, as grandes empresas desta área ligada à internet tentaram a formação diferenciada e elas agregam o jovem que terá de ser disciplinado de outro modo. Embora ele possa trabalhar descalço, ir de bicicleta, levar o cachorro para dentro da empresa, como acontece em várias delas, ele ainda tem compromisso com o grupo, ele precisa se esforçar para que aquilo aconteça. Ele precisa ser disciplinado para entender que o trabalho não é algo que ele senta na cadeira e, de maneira misteriosa, a fada do dente vem e entrega tudo pronto, como um presente.

Como você imagina o cenário futuro, quando a maior parte dos cargos de trabalho, políticos e das posições sociais importantes será ocupada pela geração dos atuais jovens?
Haverá um choque de realidades muito forte. Afinal de contas, aquilo que é um grande segredo hoje, do mundo das organizações, é a convivência intergeracional. Por exemplo, um jovem tem percepção de senso de urgência, instantaneidade, mobilidade, conectividade. Mas ele não tem paciência, não tem percepção estratégica. Isso significa que ele tem algumas coisas que são vantajosas, e outras que não. A nova geração não é um encargo. Assim como a anterior, ela é um patrimônio, desde que a gente junte as forças. Por isso, haverá um momento em que esta nova geração, ao galgar alguns dos cargos, ela precisará ter sido formada para fazer algo que não seja um desastre. Afinal, pessoas com mais idade já fizeram muitos desastres, muitas empresas quebraram nos últimos 30, 40 anos. Só não podemos esquecer que a história humana é marcada também por gente muito jovem fazendo muita coisa. Dom Pedro, por exemplo, tinha 22 anos quando proclamou a independência. Jesus de Nazaré começou a encantar pessoas com 30 anos. Charles Darwin tinha 19 anos quando saiu a viajar com o Beagle e foi até a Patagônia. Existe uma presença do mundo jovem muito forte que se ausentou em grande medida no século 20, porque uma parte dos jovens do mundo ocidental morreu nas guerras. Na primeira, morreram 9 milhões de pessoas, na segunda, 55 milhões _ e boa parte delas eram jovens entregues ao mundo para morte. Não é fora de propósito que a geração pós-guerra tenha se dedicado à dança, ao rock, à música, ao fluir da vida. Fazia parte de um impulso movido pelo pós-guerra, em uma sociedade que se amargurou por ter mandado os filhos para morrer nos campos de batalha. E, a partir daí, passaram a deixá-los mais livres. Isso não vale hoje, não estamos mais vivendo em 1946.

 

Fonte: Zero Hora.

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08/16

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.

Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:

Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:

GYPSYs são ferozmente ambiciosos

President1

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:

GYPSYs vivem uma ilusão

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:

Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum

De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:

GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível a todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expõem mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

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08/16

Se fossem senadores, 65% dos brasileiros votariam “fora, Dilma!”

Quem deve governar o País?

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Resignada com o próprio infortúnio político, a presidente afastada Dilma Rousseff acalentou uma última aspiração nos dias antecedentes à derradeira votação do impeachment: ela não gostaria de terminar como Fernando Collor, em 1992. Cortejado por meia dúzia de auxiliares, o ex-presidente foi compelido a deixar o Palácio do Planalto por uma porta lateral, de onde seguiu até o helicóptero presidencial debaixo de vaias. Ao piloto da Aeronáutica, Collor arriscou emitir uma última ordem. Como resposta, recebeu um rotundo “não”. Pressentira ali o epílogo de sua melancólica passagem pelo poder.

DOBRO DO APOIO EM 100 DIAS

O protocolo do adeus e as circunstâncias políticas atuais podem até impedir a reprise do episódio, mas – como Collor – Dilma não deixará saudades. A maioria dos brasileiros continua a apoiar o impeachment, prefere o presidente em exercício Michel Temer a ela e vislumbra um horizonte de esperança a partir da saída da petista do poder. São as principais conclusões de um levantamento realizado entre os dias 20 e 24 de agosto pelo instituto Paraná Pesquisas, a pedido da revista ISTOÉ (Clique AQUI para a pesquisa completa). Às vésperas do último ato no Senado para o afastamento definitivo, a pesquisa exibe um cenário tétrico para Dilma. Segundo a amostragem, 65,5% dos brasileiros, se fossem senadores e tivessem de comparecer à sessão marcada para terça-feira 30, votariam pelo “Fora, Dilma”. Apenas 29,5% diriam “não” à cassação. Confrontada em outra pergunta com a única opção em jogo durante a apreciação do impeachment, ou seja, se quem deve governar o País dali em diante é Dilma ou Temer, a maioria optou pelo presidente em exercício do PMDB: 41,2%. A petista aparece com 21,9%. Ou seja, em 100 dias de governo, Temer já ostenta quase o dobro da preferência dos brasileiros para governar no País em relação à Dilma Rousseff.

“Acho que Temer faz parte de um processo transitório e que o mercado, a economia e até o próprio cenário internacional receberam o nome dele de maneira muito positiva” Ana Paula Henkel, 44 anos, ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira
“Acho que Temer faz parte de um processo transitório e que o mercado, a economia e até o próprio cenário internacional receberam o nome dele de maneira muito positiva” Ana Paula Henkel, 44 anos, ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira

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Espontaneamente, 34,7% responderam “nenhum dos dois”. O pior índice de Dilma foi registrado na região Sul: 17,7%. O melhor no Nordeste: 32,3%. Mesmo assim, ela não bateria Temer na região, tradicional reduto petista. O peemedebista teria a preferência de 34,7% dos nordestinos. Já Temer obteve o melhor desempenho nas regiões Norte/Centro-Oeste: 46,2%.

Em sintonia com a consolidação de uma maioria favorável ao “Fora, Dilma” e com a preferência por Temer, o levantamento indica um otimismo com o novo Brasil a emergir no pós-cassação. Face à pergunta “Depois que a presidente Dilma Rousseff foi afastada do cargo, o sr. diria que o Brasil retomou a confiança e a esperança?”, 51,6% dos brasileiros disseram “sim”, contra 45,1% “não” e 3,4% que não responderam. O pulsar das ruas evidencia que este é um sentimento cada vez mais crescente entre os brasileiros. A aposentada Berta Ofenhejm, 89 anos, de São Paulo, é uma das otimistas por um Brasil melhor com a saída definitiva de Dilma do Planalto. Ela conta já ter visto tudo na política, mas nunca presenciou uma crise como a legada por Dilma. Para Berta, Temer pode levar o País a um caminho mais próspero. “Não tenho dúvidas de que o Brasil vai melhorar muito com ele. O presidente interino já mostrou com as medidas que tomou que viveremos um crescimento na economia. A saída de Dilma nos dá esperança”, diz. Pertencente a uma outra geração, o estudante de engenharia civil Rafael Barbar, 20 anos, de São Paulo, compartilha da mesma opinião. “Acho que o impeachment traz uma ótima expectativa para nós. Poderemos ter um governo com novas ideias, que faça o Brasil voltar a ser aquele País de oportunidades.” O jovem defende a convocação de novas eleições. Mas, em sua avaliação, Temer representa o primeiro passo para os brasileiros voltarem a sentir confiança. “Ele tem tomado medidas importantes no campo econômico. No médio prazo, vamos sentir os efeitos.”

“O impeachment também é uma mensagem política para o País, porque é um sinal de que a população não aceita um governante que faz o que quer, como a Dilma fez, como o Lula sempre fez” Rafael Cossi, 26 anos, consultor estratégico
“O impeachment também é uma mensagem política para o País, porque é um sinal de que a população não aceita um governante que faz o que quer, como a Dilma fez, como o Lula sempre fez” Rafael Cossi, 26 anos, consultor estratégico

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Para a atriz e apresentadora Luísa Mell, 38 anos, a corrupção desenfreada e institucionalizada pelo PT é o motor da insatisfação nacional. “Se a Dilma não sabia de tudo que está sendo mostrado na Lava Jato, isso também é trágico porque mostra que ela é incompetente para o cargo. Acho muito sério também o fato de ela ter tentado obstruir a justiça colocando o Lula como ministro para ele ter foro privilegiado. O problema não se encerra na Dilma e no Lula. A investigação tem que continuar.” A veterinária Samira Franco Ferreira, 56 anos, faz coro. Para ela, a corrupção é um dos fatores a impulsionar o “Fora, Dilma”. “A ideia do impeachment é tirá-la do comando para recolocar o País nos trilhos. Com ela isso não vai acontecer. Principalmente com os escândalos que todos nós conhecemos bem.”

A corrupção esteve entre os temas abordados pelo instituto Paraná Pesquisas. Embora tenha se esforçado para emplacar a fictícia narrativa do “golpe”, que de maneira conveniente limita o seu afastamento a motivações políticas impulsionadas por “meras falhas contábeis”, a mandatária afastada aparece pela primeira vez associada pelos brasileiros aos malfeitos. Pior: como líder de uma quadrilha. Ante a pergunta espontânea sobre “quem seria o chefe da quadrilha que roubou o Brasil nos últimos anos”, 5,3% da população cravaram Dilma Rousseff na resposta. Neste quesito, a petista figura em segundo lugar, só ficando atrás de Lula, apontado por 38,2% dos entrevistados como o grande comandante do esquema de corrupção no País.

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IMAGEM MANCHADA

O dado é um indicativo de que as recentes delações de personagens envolvidos no Petrolão, apontando que Dilma não só sabia como participou diretamente das operações de caixa 2 e pagamentos de propina durante a campanha eleitoral, contribuíram para a deterioração de sua imagem. O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi mencionado por 3,8%, FHC 3%, PT 2,6% e empreiteiros 2,1%. Do total, 34,5% não souberam responder. A corrupção, aliás, – ao lado da Saúde – constitui-se na principal preocupação dos brasileiros, de acordo com o instituto Paraná Pesquisas. Entre os entrevistados, 26% consideraram o combate à corrupção e os investimentos na Saúde como a “prioridade máxima” do próximo presidente do Brasil. Em seguida, aparece o Emprego (22,5%) , a Educação (15,8%) e a Segurança (7,7%). Para o comediante Marcelo Madureira, 58, anos, Temer terá de adotar algumas prioridades para conquistar a confiança do brasileiro. “Se ele tiver juízo, fará um baita ajuste no setor público. Vai ter que abrir o baú de maldades e também dar início a algumas reformas estruturais”, defendeu.

Em setembro do ano passado, o empresário e dono das lojas Riachuelo, Flávio Rocha, 58 anos, foi a público dizer que o governo de Dilma havia perdido o controle e a única saída seria o impeachment. Um ano depois, ele está esperançoso com os frutos a serem colhidos com a efetivação de Michel Temer. “O que estamos assistindo hoje é uma troca na forma de ver o mundo. Vamos ter um País normal e próspero, com uma combinação de democracia com livre mercado. Já vimos as sinalizações da confiança do investidor e do consumidor”, diz. O economista Cláudio Vourof, 66 anos, de Curitiba, comunga das mesmas idéias. Para ele, o impeachment trará uma lufada de esperança, principalmente para a economia. As expectativas, segundo ele, são as mais positivas. “A confiança dos empresários vai melhorar e eles devem investir mais. O impeachment cria um clima de otimismo e isso produzirá uma retomada econômica”, afirma. O médico Daniel Barhtolo Hyppolito, 36 anos, acompanhou todas as discussões em torno do impeachment e rechaça a narrativa do golpe, entoada por petistas e congêneres. “As acusações têm fundamento e estão de acordo com a Constituição”, diz. Apesar de Temer não ser seu candidato, ele acredita na capacidade do peemedebista de comandar a nação. “Temer e Dilma eram aliados. Ainda assim, acho que ele será melhor dirigente do que ela. Entendo que ela cometeu um crime e deve ser punida.”

Assim como Hyppolito, a ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira, Ana Paula Henkel, 44 anos, analisou com acuidade a situação da presidente Dilma antes de defender um posicionamento. “Não era contra nem a favor, estava apenas observando. Mas, após o relatório do senador Antonio Anastásia (PSDB-MG), vi que não tem como fugir do impeachment. Houve um crime de responsabilidade fiscal”, afirma. A ex-jogadora afirma não ter votado na chapa PT-PMDB em 2014, mas alimenta expectativas com a alternância de poder. “Acho que ele (Temer) faz parte de um processo transitório e que o mercado, a economia e até o próprio cenário internacional receberam o seu nome de maneira muito positiva. Sinto que é o que nós precisamos nesse momento.” Apesar de não apoiar Michel Temer, a atriz Julia Ianina, 33 anos, demonstrou preocupação com a paralisia do governo Dilma. Para ela, legítima representante dos que não querem nem Dilma nem Temer, o País poderá tomar um novo rumo quando forem convocadas novas eleições. “Dilma dificilmente conseguiria uma situação boa para governar. Então, o ideal seria ter uma nova eleição”. Trata-se de um cenário inviável, uma vez que a convocação de um novo pleito teria de ser aprovado por pelo menos 2/3 de um Congresso hoje alinhado com o atual governo. Num cenário hipotético de novas eleições, Dilma dificilmente teria condições de influir na disputa. Pelo contrário. O levantamento realizado pela Paraná Pesquisas traduz a fragilidade política da petista, a manquitolar sem perspectivas eleitorais. Um percentual semelhante (63,7%) àquele favorável ao afastamento definitivo da presidente afastada não votaria de jeito nenhum num candidato apoiado por Dilma nas eleições municipais de outubro. Apenas 19,6% admitiriam votar num nome indicado pela presidente afastada. Se é incapaz de transferir votos, inepta para pavimentar maiorias parlamentares, como poderia nutrir planos políticos para si própria ou para outrem?

Fonte: Istoé

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