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A fadiga precoce do digital.

Duas décadas após aparecer como a grande revolução da economia e do marketing, o digital vem apresentando sinais precoces de fadiga de seus modelos. Na realidade, do ponto de vista da autossustentação de seus negócios e da publicidade, o digital nasceu mal. Acreditou-se que ele conseguiria absorver as verbas publicitárias como um passe de mágica, por acreditar que estaria tornando todos os demais meios obsoletos e iria ficar com a maior parte de sua receita. Mas isso não aconteceu.

Ele foi edificado sobre modelo baseado principalmente na oferta gratuita, com baixa rentabilidade e elevadas doses de autofagia. A maior parte dos seus negócios não decolou ou fez estardalhaço inicial, mas depois caiu ou ficou patinando. Fortunas foram criadas em processo especulativo do mercado de capitais, mas no geral a geração de caixa pelas iniciativas digitais foi pequena.

A exceção é o Google, que conseguiu excelência em um formato que deu certo no digital, o searching, e ficou com parcela muito relevante dos anúncios de venda direta, classificados, listas e marketing direto. Combinou isso com o fato de operar num mercado não regulamentado e tem escapado dos tributos mais elevados, tanto que vem sendo atacado por governos em todo o mundo e nos EUA.

O Google também entendeu que tinha de ser forte no segundo melhor formato digital, o vídeo, mas que ainda está muito longe de ameaçar a mídia dominante nessa área, a TV. No geral, porém, o digital destruiu valor da mídia, cobrando muito pouco e por resultados. Quando percebeu que o modelo estava furado, embarcou na onda da fraude, que afastou os anunciantes, e exagerou na quantidade de mensagens e no grau de invasividade, que irritou os consumidores e gerou o movimento dos adblocks.

O branded content explícito e implícito, mais o movimento de blogs, cujos patrocínios nem sempre são revelados, acabou gerando desconfiança e até irritação nos consumidores. Resultado: não funciona como se imaginava e está frustrando os anunciantes e agências, que apostavam numa eficiência e eficácia nunca vista antes na publicidade. Mas a promessa da total mensurabilidade e ausência de desperdício não se concretizou, inclusive porque, no fundo, o marketing, o branding e a publicidade continuam não sendo ciências exatas.

Com isso, vemos sinais precoces de fadiga da mídia digital, que, com certeza, terá de se reinventar em ambos os sentidos, na atratividade para os consumidores e na eficiência e eficácia para os anunciantes. O que vai passar, inclusive, pela remodelagem de seus mecanismos de cobrança e pela revelação de seus números reais – que precisarão dispor de processos de auditoria independente, como as demais mídias.

Há claros sinais de que o digital tem de enfrentar seus problemas, começando pela imensa presença dos adblocks, que já estão presentes em um número muito expressivo de browsers e mobiles – segundo estudo da própria IAB, em 26% dos desktops e 19% dos smartphones. Nessa linha de buscar a reinvenção do digital, foi criada recentemente, durante um evento de marketing em Colônia, na Alemanha, a Dmexco, que é uma Coalisão por Melhores Anúncios (Coalition for BetterAds), reunindo os esforços de 16 entidades do setor e corporações como Google, Unilever e P&G.

Entre as soluções que estarão sendo pensadas e estruturadas encontramos regulamentação da publicidade na internet, não abusar da paciência dos consumidores e criar publicidade de maior qualidade criativa, inteligente e bem produzida, que não ultrapasse os limites da ética. Todas essas receitas são velhas conhecidas da TV, do rádio, da mídia impressa e até do OOH, que há décadas entenderam que precisam respeitar os consumidores e publicar mensagens de qualidade, capazes de cativar as pessoas e que resultem em resultados para os anunciantes.

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Rafael Sampaio, consultor em comunicaçãp

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Na estrada…

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McShake Ovomaltine do McDonald’s.

MCSHake

O novo filme digital, criado pela DM9DDB, para divulgar a chegada do novo clássico do McDonald’s: o McShake Ovomaltine, ao cardápio utiliza a famosa e clássica música “Aleluia” em sua trilha.

No filme, a grande novidade é espalhada de personagem para personagem – desde um treinador de Lucha Libre até um salva-vidas. A cada pessoa impactada, um novo elenco aparece na cena se manifestando em forma de coro, cantando “Finalmente”, fazendo alusão à tradicional música “Aleluia”.

“Nosso filme nada mais é do que um retrato do desejo dos nossos consumidores que por meio das redes sociais, há tempos, manifestavam o desejo de tomar um McShake Ovomaltine acompanhado dos clássicos hambúrgueres do McDonald’s.”, explica Adriano Alarcon, diretor de Criação da DM9DDB.

“Em março, relançamos nossa plataforma de milk-shake e o resultado tem sido um verdadeiro sucesso. Com isso, decidimos ampliar a categoria e trazer um produto muito solicitado pelo nosso público. Com isso, posicionamos nossos McShakes ao lado de nossos grandes clássicos e o produto já é um sucesso”, complementa Roberto Gnypek, Vice-Presidente de Marketing do McDonald’s.

No início da campanha digital, os seguidores de todas as redes sociais do McDonald’s foram impactados por teasers com as caixinhas dos clássicos do McDonald’s cantando “Tá chegando”; um dia antes do lançamento a frase mudou para “É amanhã”, ambos com a melodia da música “Aleluia”. Já no filme de lançamento, as caixinhas dos sanduíches do McDonald’s cantaram a música “O meu Sangue Ferve Por Você” do Sidney Magal, mostrando a felicidade em compartilhar o cardápio com o tão esperado McShake Ovomaltine.

 

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Kellog’s e Pringles apostam em promoção com David Luiz

Juntas, a Kellogg’s e Pringles criaram a promoção “Futebol em Paris” com sorteios de prêmios mensais. As marcas participantes são Sucrilhos, Froot Loops, Corn Flakes, e Pringles. O jogador David Luiz é a estrela da promoção, que será realizada até 28 de outubro.

Os produtos trazem códigos com os quais os consumidores podem concorrer a milhares de prêmios instantâneos, sorteios semanais de Playstation 4, bolas de futebol e jaquetas autografadas, além de um sorteio final com dez chances de ir a Paris e  ver o time de David Luiz jogar em Londres.

Para participar, os consumidores devem acessar o site da promoção, inserir seus dados cadastrais e o código. Cada embalagem dará direito a dois números, um para concorrer a um dos prêmios semanais e outro para o grande sorteio final. Os sorteios ocorrerão semanalmente, todos os sábados, até o dia 29 de outubro.

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Fonte: propmark

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E o rádio saiu da caixinha…

ARTQU/iStock

Como rádio consegue se manter ativo e a pleno vapor há tanto tempo? A resposta é simples: o rádio é altamente adaptável. Ao mesmo tempo em que acompanhou transformações políticas, econômicas, culturais e, principalmente, tecnológicas, o rádio foi capaz de transformar a si mesmo. Hoje, trabalhamos com o novo rádio, um veículo surpreendente.

Considero a Jovem Pan uma das principais referências desse novo rádio. A emissora disparou na frente ao incorporar outros canais à sua rede, como streaming de vídeo, perfis nas redes sociais, aplicativos de smartphone e portais na web. Como uma rádio multiplataforma, produzimos conteúdo relevante em diversos canais, que disseminam uma única ação simultaneamente em plataformas interligadas. Dessa forma, o alcance da informação ou de uma ação comercial é ampliado ainda mais. Tudo isso nos traz a liderança não apenas na audiência, mas na criação de novos modelos e abordagens entre o veículo e as marcas.

Muito além de toda essa conectividade, o rádio leva vantagem sobre os demais veículos. Por exemplo, ao transmitir programas em vídeo pela internet, o rádio transforma-se em televisão. Ainda assim, ele mantém aspectos que não se fazem tão presentes na própria TV, como a agilidade e o imediatismo.

Todo esse cenário é terreno fértil para o surgimento de novas opções para os anunciantes. É preciso entender essas transformações e enxergar o rádio como um meio de convergência. Não se pode limitar o rádio a simples spots radiofônicos. É necessário pensar cada ação para aproveitar ao máximo a sua capilaridade. São tantas opções de novos programas, novos formatos que é possível fazer uma ação transmídia dentro do próprio veículo. No entanto, é fundamental encontrar um caminho dentro de cada canal para as marcas navegarem de forma natural e gerar engajamento. Afinal, o rádio sempre foi o melhor contador de histórias.

A relevância desse veículo não para por aí. Para se ter uma ideia, em um dia típico, o brasileiro passa, em média, duas horas e meia ouvindo rádio. E mais: durante os dias da semana, a penetração do rádio, pela manhã, ultrapassa o percentual de espectadores da televisão. A Jovem Pan, por exemplo, possui mais da metade da penetração da TV Globo entre o público adulto qualificado durante o horário do Jornal da Manhã. Além disso, ela é a primeira rádio na liderança, depois das três maiores audiências da televisão.

O rádio é um veículo móvel e tem a oportunidade de crescer ainda mais e tornar-se o principal meio de comunicação, visto que a mobilidade é um dos grandes temas da atualidade. Quanto mais móvel a sociedade se tornar, mais o rádio estará presente no dia a dia das pessoas.

Dessa forma, é preciso que meus amigos criativos abandonem a ideia do rádio romântico e passem a criar ações que esse meio realmente merece. É veículo que mais possui sinergia com as redes sociais, se as marcas querem estar presentes nesses canais, devem começar a pensar o rádio como um disseminador de conteúdo.

Áudio, vídeo, texto e ativações se convergem para formar o conteúdo interativo. É preciso saber tirar proveito dessa conectividade. A partir disso, conseguir visualizar novas oportunidades implica uma mudança de olhar. Um olhar capaz de ver através de canais individuais e enxergar holisticamente esse meio. Em suma, precisamos aprender com o rádio e transformar o nosso olhar sobre ele.

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Lelo Nahas é diretor de criação da Rádio Jovem Pan 

 

No propmark

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Nutella leva consumidores para tomar café da manhã em qualquer lugar do mundo.

nutella

Nutella traz uma inédita promoção para os seus fãs. Com o nome #bomdiacomnutella, a ação vai proporcionar a oportunidade única de viajar* para qualquer lugar do mundo e tomar um típico café da manhã com Nutella. A promoção ocorrerá no período de 03 de outubro a 30 de novembro de 2016.

A mecânica é bem simples, basta postar uma foto de seu café da manhã com Nutella no Instagram com a #bomdiacomnutella e cadastrar-se no site. Os interessados deverão ter 18 anos ou mais, ser residentes no território brasileiro e poderão postar até uma foto por dia até o final da promoção. Quanto mais fotos, mais chances de ganhar! Os prêmios serão concedidos mediante a extração da Loteria Federal no dia 03 de dezembro de 2016.

Para divulgar a promoção, Nutella contará, a partir do mês de outubro, com inserções de mídia em canais abertos de TV, conteúdos digitais, além de ativações com consumidores ao redor do Brasil. A estratégia de comunicação da promoção é da NewStyle.

 

Fonte: Adnews

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Os mais influentes da internet e da TV.

Na 2ª. edição da pesquisa “Os Novos Influenciadores – quem brilha na tela dos jovens brasileiros”, feita pela Provokers para Google e Meio & Mensagem, e divulgada com exclusividade, a personalidade mais influente do Brasil, atualmente, é Luciano Huck, apresentador do Caldeirão do Huck, da Rede Globo. No ranking das dez celebridades mais influentes, aparecem cinco pessoas da TV e cinco youtubers. Na comparação com o ranking anterior, nove personalidades mantêm-se na lista e 11 pessoas aparecem pela primeira vez como os mais influentes. A seguir, a lista com 20 personalidades mais influentes da internet e TV brasileiras:

Arte tabela

Para se chegar a esse resultado, a Provokers elaborou dois estudos, ambos realizados em agosto deste ano: o primeiro apura como os jovens assistem vídeo e o que isso significa em termos de mudanças de hábito e atitude. Esse estudo recolheu 1,5 mil depoimentos de homens e mulheres entre 14 a 55 anos, das classes A, B e C, de três regiões do País: Sul (Porto Alegre), Sudeste (São Paulo capital, São Paulo interior e Rio de Janeiro) e Nordeste (Salvador e Recife). Dessa amostragem, 250 entrevistas foram feitas com jovens entre 14 anos a 17 anos.

Maria Helena Marinho, head of consumer & market insights do Google, extrai do levantamento os seguintes resultados: a TV recebe cada vez menos atenção – 89% dos adolescentes declararam estar conectados enquanto assistem TV e 85% não prestam atenção à TV enquanto assistem; para os jovens, vídeo é igual online que é igual smartphone – 89% afirmam que os celulares são os dispositivos mais usados para assistir vídeos na internet e, para 60%, é o dispositivo preferido; ainda, para esse público, a internet é o meio onde encontra o que não é transmitido pela TV – 83% assistem vídeos na web quando buscam conteúdo não disponível na TV e 50% o fazem na internet quando não puderam assistir a programação linear da TV. No prime time da TV (que vai das 19h às 23h), 80% do público, em geral, praticam alguma outra atividade simultaneamente e, entre os adolescentes, esse índice sobe para 85%. Maria Helena destaca que a base brasileira de smartphones é de 162 milhões de aparelhos, o que significa que 62% da população têm smartphone (entre as pessoas até 25 anos, o índice chega a 83%). Na comparação, em 2014, a penetração de smartphone era de 29%.

Sobre o relacionamento dos jovens com vídeo, o estudo aponta três características: é pessoal (conteúdo específico, feito para ele, o jovem, por fontes diferentes, na hora e no dispositivo que escolher), acessível (gratuito e tem variedade) e compartilhável (conexão com as redes sociais e, ao compartilhar, o jovem expressa sua própria identidade). Por esses motivos, para 76% dos adolescentes o YouTube pode ser substituto para a TV aberta e para 65% para a TV paga. Ainda, o portal de vídeos é visto como variedade e entretenimento. Quanto às personalidades, objeto da pesquisa, 34% dos jovens concordariam em experimentar um produto endossado por youtubers (para celebridades da TV, isso valeria para 27%).

Estudo dois

O segundo estudo questiona o que define uma celebridade e quem são essas pessoas no contexto atual de mídia (vídeo online e TV) no Brasil. Esse levantamento abrangeu mil pessoas, entre homens e mulheres de 14 anos a 17 anos, nas mesmas regiões cobertas pelo estudo 1. Aos participantes, foi levantada uma lista de awareness espontâneo de personalidades de TV e YouTube. Foram apresentadas aos respondentes as características consideradas as mais importantes para a formação de uma celebridade. As respostas com mais de 10% das citações equivalem às mesmas já declaradas na 1ª. edição desta pesquisa: a definição de uma personalidade, para os jovens, está ligada à autenticidade (16% das respostas), à originalidade (15%), à inteligência (12%) e ao senso de humor (11%).

Do estudo, depreende-se que os jovens identificam-se com as personalidades do YouTube, sobretudo, porque são “gente como a gente”: se diferenciam das celebridades da TV pela proximidade com o target, postam constantemente vídeos que mostram sua vida, casa e rotina e ganham fama e dinheiro com seus vídeos, ou seja, projetam isso para a audiência, que vem a ser a função aspiracional dos canais do YoTube.

Ranking completo

No ranking completo, de 20 personalidades mais influentes, dez são da TV e dez são youtubers, ou seja, repete-se a proporção do Top 10. A pesquisa apurou alguns indícios desse comportamento. Para determinado tipo de conteúdo, o jovem, ostensivamente, escolhe o YouTube: para música (86%), para games (71%) e para esporte (76%). Por isso, aparecem na lista o casal Leon e Nilce, do Coisa de Nerd (3º. colocado no ranking) e Luba (6º. colocado), por exemplo. Os demais youtubers são Whindersson Nunes (2º. colocado), Kéfera (9ª. colocada), Júlio Coccielo (10º. colocado), Taciele Alcolea (12ª. colocada), Bianca Andrade, do Boca Rosa (16ª. colocada), Leo Stronda (18º. colocado), Rayza Nicácio (19ª. colocada) e Felipe Neto (20º. colocado). Entre as celebridades de TV, as dez mais influentes apontadas pelo público foram: Luciano Huck (1º. lugar), Danilo Gentili (4º. lugar), Taís Araújo (5º. lugar), Lázaro Ramos (7º. lugar), Tatá Werneck (8º. lugar), Cauã Reymond (11º. lugar), Marina Ruy Barbosa (13º. lugar), Juliana Paes (14º. lugar), Caio Castro (15º. lugar) e Cléo Pires (17º. lugar).

Sobre a movimentação do ranking desta edição e a anterior, Maria Helena levanta algumas hipóteses. O mundo da TV, explica, é circunstancial e os influenciadores têm maior visibilidade porque estão no ar em novelas ou séries naquele momento pontual ou, ainda, estão em foco por conta de relacionamentos amorosos (e públicos) e a expressão de opiniões polêmicas. Outros, como Juliana Paes e Cauã Reymond, por exemplo, explicam-se pela constante presença em campanhas publicitárias. Por fim, há um terceiro elemento, que é quando o artista trabalha a presença nas redes sociais, como é o caso de Marina Ruy Barbosa (que tem quase 15 milhões de seguidores no Instagram) e Juliana Paes (6,6 milhões de seguidores no Instagram).

Leia matéria analítica e completa sobre o assunto na edição 1730, de 3 de outubro, exclusivamente para assinantes do Meio & Mensagem, disponível nas versões impressa e para tablets iOS e Android.

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Rã ou sapo?

É senso comum entre nós, publicitários, que a qualidade dos trabalhos veiculados está cada vez mais baixa. Não é preciso ser um expert no assunto para perceber o baixo nível das campanhas que aí estão. Comerciais que não empolgam, mensagens pouco consistentes e superficiais, uma comunicação “meia boca”. Vez ou outra, somos surpreendidos por uma campanha boa, mas essa não é a regra, o conjunto da obra não tem empolgado. As razões para isso? São muitas, aliás, variam de acordo com quem responde.

Para uns, a culpa é da criação, para outros, da pesquisa. Alguns vão culpar a juniorização dos clientes e por aí vai. Eu acredito que seja pelo conjunto da obra: somos todos signatários dessa enorme ficha técnica. Mas, se eu pudesse sugerir um ponto para ser trabalhado, investiria no critério. Identificar uma boa ideia, quando essa ainda não se materializou, é o segredo.

Ideias não nascem fortes, pelo contrário, são frágeis quando pequenas. Campanhas memoráveis só se tornaram campanhas porque alguém acreditou nelas, soube identificá-las. E, isso, envolve toda a nossa cadeia produtiva. Mas o critério vem com o tempo, com a experiência que só os anos são capazes de moldar.

Me recordo que quando criança meu tio veio nos visitar com a família. Morávamos em uma minúscula cidade no interior de São Paulo. Até hoje acho que ainda é pequena, se chama Apiaí. Era longe de tudo e de todos. Uma estrada de terra, cheia de curvas e um clima para lá de hostil, com temperaturas consideradas glaciais para esse pequeno indivíduo baiano, davam a tônica desse isolamento. Para melhorar, nossa casa não ficava na cidade e, sim, numa vila reservada aos funcionários da empresa que o meu pai escolheu para trilhar o seu destino. Canal de TV, só a Globo, mas pegava mal e porcamente. Telefone? Era uma opção e dependia do humor da telefonista.

Resumindo, era longe pra burro, isolado da civilização e qualquer visita era celebrada. Receber meu tio, vindo da Bahia, com toda a família era motivo de festa. Mais do que isso, era restabelecer contato com a civilização. Sei que pareço estar exagerando, mas quando se mora numa vila com apenas oito casas, onde metade delas ficava desocupada, a 5 km da cidade, aos 6 anos de idade, você se sente de fato um pouco isolado.

Enfim, lá estava meu tio Paulo, contando as novidades da Bahia e do mundo, as tendências e o que estava na moda. De tiradas rápidas, parceiro, preenchia por completo aquele vazio causado pelo isolamento. Homenzarrão, forte, bem-humorado, meu tio Paulo era e é realmente uma figura. É um cara com muitas qualidades, mas o que ele gosta mesmo é de comer. É o que chamamos de um “bom garfo”. Papo vai, papo vem, ele nos pergunta se já havíamos comido gia? É como se chama a rã lá na Bahia. Isso pra mim era uma novidade.

– Você come sapo? – perguntei.
– Sapo não, rã! É diferente! – respondeu ele.

Pouco me importava a diferença, estava mais interessado na caçada. Esse era um dos meus passatempos preferidos, o que não faltava naquela vila no meio do mato era bicho. Besouro, cobras, tatu, tinha animal de todo tipo e qualidade. Caçar e pescar era o meu passatempo. Uma versão Pokémon Go ancestral. A conversa sobre quão gostosa era a tal da rã evoluiu para uma aventura gourmet. Afinal, era a última novidade vinda do mundo exterior. Um, dois e lá estávamos todos nós na beira do lago, com lanternas em punho. Não demorou muito e meu tio logo me apontou uma rã. Pulei em cima e agarrei. Não tinha para ninguém. Orgulhoso, exibi o meu troféu. Foi quando começou uma discussão. Meu pai olhou e falou:

– Paulo, isso aí é sapo!
– Imagina, é rã. Vai por mim, eu conheço.

Eu também achava que era sapo, mas diante do estrangeiro, advindo da civilização, quem era eu para discordar. Para falar a verdade, fiquei foi muito empolgado, pois o que mais tinha naquele lago era sapo ou melhor, rã. Uma a uma fomos varrendo a beira do lago e enchendo o saco, foi uma farra. E pensar que durante muito tempo eu havia ignorado aquela iguaria. A coleta ia de vento em popa até que alguém me apareceu com um bicho diferente nas mãos. Parecia com a rã, mas era mais liso e tinha as pernas mais alongadas. Na dúvida, fomos mostrar para o especialista que foi taxativo no seu diagnóstico:

– É sapo! Pode soltar.

Para a alegria do pobre anfíbio, lá se foi ele. Lá pelas tantas, quando já estávamos com o saco cheio até a boca, Seu Viana, morador do lago, apareceu com os seus filhos para ver o que estávamos fazendo.

– Caçando rã – falou meu pai mostrando orgulhoso o conteúdo do saco – Vamos fazer uma fritada lá em casa.

Seu Viana, homem simples e matuto, nascido e criado no meio do mato, olhou com atenção para aquele emaranhado de pernas e não demorou para cravar o diagnóstico:

– Isso aí é sapo.

E antes que alguém pudesse contradizê-lo, emendou:

– Olha só essas bolsas ao lado dos olhos, é veneno, as rãs não possuem.

Meu tio esmoreceu, meu pai gargalhava. Iniciamos uma triagem minuciosa. Seu Viana era implacável

– Sapo, sapo, sapo, sapo….

Logo, não restou nada no saco. E não demorou muito para concluirmos que a única rã que caçamos naquela noite foi solta, confundida com um sapo. Faltou critério. Talvez, por isso, estejamos assistindo a tantos sapos na TV.

Rã ou Sapo?

Paulo Henrique Gomes

Sócio e vice-presidente de criação da Mood\TBWA

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Em Meio e Mensagem

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COMENTÁRIO

Vou dar um pitaco: a queda da qualidade da criação se deve, creio, principalmente pelo verdadeiro massacre a que são submetidos os criativos diretores de criação, de arte e redatores – que tem que produzir milhares de ideias para concorrências, muito mais importantes do que os atuais clientes da agência.

David Ogilvy ensinava que o maior potencial de crescimento da agência dele estava nos atuais clientes. Nós já os conhecemos, conhecemos as necessidades, problemas, consumidorese concorrentes deles. Fica muito mais fácil trabalhar com eles do que com desconhecidos.

Mas, na insegurança da busca constante por novos faturamentos, priorizam-se as concorrências (e as peças fantasma para ganhar prêmios), esquecendo-se dos clientes, que pagam o pão nosso de cada dia.

Além disso, o pessoal da criação é esmagado pelos prazos, além da quantidade de trabalho – e isso reduz a qualidade. Não raro o pessoal da criação atravessa a madrugada trabalhando, para retornar no outro dia cedo (o que significa por volta das 10 horas). E dá-lhe trabalho, e dá-lhe refação e dá-lhe “não gostei”.

Esta massacrante jornada de trabalho prejudica a qualidade.

Ou alguém duvida disso?

JJ

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09/16

Cris Duclos consegue quebra de sigilo do contrato de trabalho.

Cris Duclos, ex-diretora de imagem e comunicação da Vivo, conseguiu autorização para divulgar informações sobre as condições de sua saída da empresa. Nesta quinta-feira (29), foi determinada em audiência na 33ª Vara Trabalhista de São Paulo, com o reconhecimento explícito da Vivo, a quebra da cláusula de sigilo que impedia a divulgação dos termos do contrato de trabalho.

A demissão foi feita sem justa causa e com indenização. “Como alguém é demitido por irregularidades e não é demitido por justo motivo? Isso prova que nada fiz de errado.” diz Cris Duclos, que considerou a quebra uma vitória.

Após a demissão da executiva, levantou-se no mercado a hipótese de que ela estivesse envolvida em atividades irregulares em contratos da área de marketing da marca.

Cris Duclos reivindica a reintegração do seu emprego e abertura de uma sindicância para identificar as prováveis irregularidades na área de marketing do anunciante. Ela deixou o cargo de diretora em junho de 2016 e foi apontada como pivô de desvios de até R$ 27 milhões e compra de imóveis como uma propriedade na Fazenda Boa Vista, no interior de São Paulo.

Recentemente, em entrevista ao PROPMARK, Cris Duclos falou sobre o processo contra a empresa. Leia aqui

 

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