31
05/16

Boa!

31
05/16

Simpatia certeira!

30
05/16

Audiência ou engajamento de leitores?

A difusão da invenção do motor a vapor, desde James Watt, propiciou o sonho de mover grandes embarcações sem depender dos ventos. Fabricantes de veleiros buscaram manter-se no mercado aumentando as dimensões das velas para ganhar velocidade e adaptando motores a vapor acoplado a duas rodas de pás laterais para contornar as calmarias. (foto: Veleiro Savannah). Essas adaptações, no entanto, não foram capazes de impedir o avanço dos transatlânticos a vapor que trouxeram novos hábitos e usos pela segurança, força, capacidade de carga e passageiros, não dependência de ventos, refrigeração para conservação de viveres entre outras modernidades para época.

MetropolitanoJornais impressos pelo mundo todo vêm tentando fazer adaptações com sites, blogs, paywall e outros movimentos na tentativa de reter os avanços do digital. No entanto experts em todo mundo preveem que a tecnologia digital deverá dominar o futuro da informação, levando a extinção das edições impressas, notadamente pelos custos de impressão e distribuição, relativamente elevados quando comparados aos custos de produção e distribuição digitais. Cenário atual do mercado de Mídia Impressa na América Latina: a partir de uma projeção do mercado editorial brasileiro, podemos supor, por analogia, que na América Latina o consumo de conteúdo editorial dos jornais já ultrapassa 50% em tabletes e smarphones, quando considerado todos os canais, inclusive as edições impressas. Este fato modifica radicalmente a relação com leitores e anunciantes, na migração do papel para digital.

Abordagens sobre a sobrevivência do produto jornal impressas diante do avanço do mundo digital, como o percentual acima demonstra, foi tema exaustivamente considerado nas pautas em todos os fóruns da indústria editorial na região, nas últimas décadas do século passado. Havia uma tentativa coletiva de buscar uma reação urgente, naquela época, que se iniciou pelas reformas editoriais e gráficas dos produtos.
Com essas reformas gráficas e editoriais, os jornais procuravam adaptar-se aos novos tempos, atropelados que foram pelas novas práticas de consumo de conteúdo editorial digital. A partir do final século XX em diante, houve uma proliferação de revistas com diversas linhas editoriais, cada vez mais segmentadas para se atingir públicos cada vez mais específicos, com o intuito de atrair anunciantes que buscavam nichos de mercado para seus produtos. Nesse rastro de segmentação de audiência, os jornais lançaram os cadernos temáticos que conseguiram trazer muitos anunciantes de volta ao segmento.
No início do século XXI com o desenvolvimento da Internet, blogs e aumento do numero de publicações online, além de conteúdo espontâneo gerado por pessoas enviando imagens e comentários através da mídia social, a mídia tradicional se fragmentou mais ainda, e tudo ficou disponível através das ferramentas de busca, permitindo aos leitores escolherem com quais canais de comunicação se sentiam mais confortáveis, sem desembolsos na sua maioria.

Apesar desse avanço inexorável do digital com sua imensa disponibilidade de conteúdo, todas as adaptações que foram feitas para se evitar a extinção das edições impressas, continuarão em sua evolução, modificando comportamentos e formas de interação, do mesmo modo como os navios a vapor foram substituídos pelos aviões para um transporte mais rápido de passageiros e carga, porém até hoje, os grandes transatlânticos se mantiveram presentes nos segmentos de carga e passeio.
tabletExceções sempre ocorrem e a relação com os avanços tecnológicos que tem também suas frustações nas avaliações e projeções.  Muitos acreditaram que os livros impressos seriam extintos pelo Kindle, há cerca de 10 anos, no entanto os números mostram que a publicação de livros aumentou mesmo com o avanço do mundo digital, inclusive entre os mais jovens, pois a comodidade de leitura impressa no caso mostrou-se inquestionável. No entanto, considerando-se verdadeira essa percepção de mudança crescente na forma de obtenção da informação pelos leitores de jornais, trazendo consequentes impactos nas receitas de publicidade decorrentes, algumas reflexões são inevitáveis:

Prancha1

Os Meios de Comunicação de Massa, onde se incluem os jornais e revistas impressos, pode-se afirmar que esses têm como modelo de negócio criar audiência e na sequencia vender essa audiência ao mercado anunciante. Na prática, como sabemos, os jornais impressos lidam com dois segmentos de mercado leitores (audiência) e anunciantes (compradores dessa audiência), sendo desse segundo grupo sua sobrevivência financeira e lucro.

Prancha2

Os leitores nesse cenário do impresso têm sido fidelizados a partir da credibilidade adquirida pelo esforço editorial. A credibilidade e a exatidão da informação são requisitos fundamentais para que leitores criem laços emocionais com o veículo, pois uma notícia em si pode chegar das mais variadas formas – Whatapp ou Twitter -, por exemplo, porém é no jornal que buscam a confirmação e explicação mais detalhada para uma interpretação mais sólida para sustentar uma formação de opinião, a partir dos fatos veiculados.

Em outras palavras, uma audiência cativa e fiel à qualidade editorial percebida, sempre proverá maior sustentabilidade em longo prazo, muito mais do que ‘furos’ de reportagem, que fazem as pessoas correrem as bancas de jornal circunstancialmente motivadas. Ainda, do ponto de vista do uso da informação digital, quando se avalia o impacto nos Meios de Comunicação de Massa observam-se duas vertentes ou grupos com resultados distintos:

Nos meios eletrônicos – TV e Radio – o avanço da internet contribui positivamente aumentando a audiência, sem canibalizar a receita de publicidade, ou seja, não importa se um programa é visto numa TV digital ou num Smartfone/Tablet, isso não altera o resultado financeiro e soma audiência.

No caso jornais impressos a visualização do conteúdo na internet gratuitamente – sites – não soma isoladamente para aumentar circulação e canibaliza as receitas publicitárias.

As receitas obtidas no digital (banners), no modelo de sites não cobrem as perdas de receita do impresso.  Assim os sites canibalizam o impresso e reduzem a rentabilidade global, em muitos casos utilizando informações geradas pelo o impresso, logo sem custo para obtê-la

Big Data

O FUTURO

Como uma consequência do avanço do mundo digital, eis que surge mais uma variável nessa equação entre a audiência que gera receita publicitária e o engajamento de leitores para garantir sustentabilidade, que poderá mudar tudo nos próximos anos: o oceano de dados do Big Data. A quantidade de informação que foi produzida em menos de 20 anos de Internet já supera tudo que a humanidade acumulou de dados desde a invenção da escrita, e pior, a curva acumulada de informação no futuro se apresenta como uma exponencial sem limites a olho nu.

Voltando à analogia com os meios de transporte, é como se precisássemos inventar rapidamente um novo meio de comunicação que será necessário para atravessar distâncias ainda maiores sem se afogar em tantos dados.

“O Big Data oferece a capacidade de entender com maior profundidade o mercado leitor a partir da interpretação de hábitos de leitura e navegação, chegando até ao nível individual de preferências e não mais a partir de amostras coletadas em pesquisas de opinião ou pela quantidade de páginas visitadas apresentadas pelo Google Analytics”, conforme declarou Mauro Negrão, CEO da Datawise durante sua palestra no Encontro do Mercado Leitor 2015 em São Paulo.

No mercado editorial pelo mundo, já existem empresas como Taboola e Outbrain que ajudam editores a entender melhor seu público leitor através dessas análises de dados, como foi publicado por Mário Garcia no seu blog em 17 de março de 2016, além de iniciativas como no Financial Times que criou um dashboard de dados de leitores (Lantern) para apoiar os editores a entender melhor como engajar os leitores através de conteúdo mais apropriado, no lugar de simplesmente acompanhar dados de audiência a partir das páginas mais visitadas:

“ The Financial Times’ launch of Lantern will provide journalists with data about how readers engage with stories, as opposed to relying on page views.  Lantern will also allow for editors to get data on such areas as depth of scroll, time spent on page, traffic source, and device breakdown.” Fonte:http://garciamedia.com/blog

 

No Brasil, há alguns anos que o Big Data já é uma realidade em segmentos de mercado como grande varejo, shoppings, telecomunicações e bancos, pois já existem ‘cientistas de dados’ que se reúnem em equipes multidisciplinares nas corporações, ou se incorporam à grandes agências, como também serviços de inteligência analítica são oferecidos por empresas especializadas em Data Driven Marketing como Datawise Marketing que vem desenvolvendo modelos matemáticos que são aplicados na modelagem de múltiplas fontes de dados estruturados e não estruturados, que permitem prever com mais exatidão do que a pura intuição, qual seria, por exemplo, a próxima compra mais provável por tipo de consumidor, também segmentar pessoas em grupos homogêneos – clusters – a partir de hábitos em comum e até calcular o risco de crédito de cada cidadão, inclusive explicitar os fatores correlacionados  à propensão ao cancelamento de uma assinatura, tudo isso servindo estrategicamente para que a empresa possa escolher as melhores abordagens por segmento, como também para tomar medidas preventivas, além de decisões táticas bem mais fundamentadas ou até manter o consumidor cada vez mais fidelizado através de sugestões relevantes usando uma comunicação 100% personalizada.

“Chamamos tudo isso de actionable insights, é como usar toda a inteligência capacitada pela experiência empírica que é acumulada após vários anos em marketing de massa e marketing digital, para interpretar os resultados obtidos com o Big Data e colocar em prática algumas boas ideias que surgem a partir de descobertas e ‘grandes sacadas’ inspiradas nos resultados e nas correlações encontradas pelos algoritmos estatísticos que são exaustivamente aplicados em imensas bases de dados de comportamento” como declarou Mauro Negrão numa conversa após o evento.

CONCLUSÃO:

Entender melhor as necessidades e características do mercado leitor para assumir uma atitude mais corajosa de reinventar o jornal de dentro para fora, usando o Big Data como fonte de inspiração:

Criando um novo tipo de veículo que conduza os leitores com base em personalização, levando cada indivíduo para onde e como deseja ir, de veleiro, navio ou avião, não importa, pois, a vantagem será percebida não pela velocidade e quantidade de carga, mas pela capacidade de entender que tipo de conteúdo deixará o passageiro mais satisfeito e engajado na leitura durante a travessia.
O desafio sabemos continua sendo como manter o faturamento perdido do impresso com essa migração para plataformas digitais, até que se torne rentável.
É possível, de imediato, aprofundar o relacionamento através de maior engajamento com a base de leitores virtuais, mas ainda não se deslumbra a manutenção da rentabilidade nos níveis históricos de forma permanente do impresso. Esse será o grande, permanente e próximo desafio deste século.

Luiz Caldeyra, consultor e economista com MBA Executivo em Gestão. Visão holística e estratégica de negócio, com efetiva e comprovada experiência na elaboração e implantação de Estruturas de Vendas, Pesquisas, Planejamento Estratégico, Financeiro, Marketing, Logística e especificamente junto a periódicos, nas ações relacionadas à gestão de Revendedores e Leitores (CRM). Executivo cuja exposição ao longo da carreira permitiu incorporar sólidas experiências em Gestão de Vendas, de Distribuição Massificada, de Gestão Financeira, de Administração de Marketing e Pesquisas, Ações Promocionais e Serviços vinculados a grandes contingentes de Clientes e Distribuidores. Nos últimos 30 anos dedicou-se a Consultoria e Aconselhamento das ações de Mercado Leitor/Circulação de 30 entre os 40 mais importantes jornais brasileiros (e Mercosul), ai incluindo ações para Aumento da Rentabilidade, do Market Share, Captação e Retenção de Leitores, Redução do Churn.

 

Fonte: Garcia Midia Latinoamerica. Veiculado também em espanhol para todos os países do continente.

30
05/16

Três dicas para as marcas atraírem a geração Y.

Jovens

Geração Y: dicas para as marcas atraírem os millennials

geração Y, também chamada de millennial, pode ser um grande desafio para as marcas.

É difícil definir a melhor estratégia diante dos jovens nascidos entre 1987 e o começo dos anos 2000 (não há consenso sobre a data exata que separa essa geração de outras).

Essa geração viveu, na infância e adolescência, grandes mudanças de paradigma se tratanto do mundo digital, das redes sociais e das novas tecnologias.

Mas três conselhos podem dar um bom indicativo para as empresas que precisam abandonar uma marca ultrapassada e datada e criar um branding focado nessa geração e no futuro.

As dicas são do especialista Jonathan Long, fundador e CEO da Market Domination Media, e foram publicadas no site da revista Entrepreneur.

Confira:

1. Promova sua marca entre influenciadores do meio digital

Muito do consumo dessa geração vem das mídias sociais. Eles estão sempre conectados ao Facebook, Instagram, Snapchat, Twitter. Ali eles recebem tudo: dicas, informações, conteúdos diversos.

Portanto, uma pessoa influente no mundo digital, com seus milhões de seguidores, é um caminho essencial para chegar a esses jovens.

Segundo uma pesquisa da Kissmetric, 93% dos membros dessa geração já fizeram uma compra baseada na dica de um amigo ou conhecido. Desses, 89% confiam mais na dica de uma pessoa que na dica vinda diretamente da própria marca.

2. Crie anúncios que pareçam nativos

Os millennials são imunes à publicidade tradicional. Segundo o HubSpot, 84% deles não confiam nessas propagandas. Ou seja, elas já não são mais efetivas.

A saída é criar anúncios que não pareçam anúncios. Publicidade nativa, publieditoriais, anúncios a partir de branded content. Tudo isso ajuda a não espantar o jovem da geração Y – que não gosta de propaganda descarada e forçada na sua cara.

3. Crie sistemas de recompensas

A estratégia de criar recompensas funciona bem. Por exemplo: um app que, após ser baixado ou comprado, oferece uma promoção ou desconto.

Aquela ideia de “compartilhe” ou “engaje seus amigos” para ganhar também é uma boa saída.

A maioria está disposta a compartilhar algo nas redes sociais se isso trouxer algum benefício. Claro: eles só compartilharão serviços de qualidade.

 

Fonte: Exame

30
05/16

Até o final de 2018 as TVs serão só digitais, no Brasil.

Um dos meios de comunicação mais populares do país está passando por uma revolução tecnológica. Até o fim de 2018, o sinal analógico da TV aberta será desligado nas capitais e principais cidades do interior do país. Com isso, a maior parte dos brasileiros vai entrar numa nova era da televisão, a digital, com qualidade superior de imagem e de som, e recursos como a multiprogramação.

v-devera-ser-apenas-digital-ate-o-fim-de-2018Consumidor terá de comprar um aparelho digital ou converter o antigo. 

+

O processo de transição está sendo feito em etapas e registra atrasos. Sucessivas portarias do Ministério das Comunicações (que acaba de ser fundido com o Ministério da Ciência e Tecnologia) foram publicadas para redefinir os calendários de desligamento — tecnicamente chamado de switch off. Por enquanto, a única cidade brasileira que assiste somente à TV digital é Rio Verde, no interior de Goiás.

Conforme o cronograma em vigor, Distrito Federal e Entorno terão transmissões analógicas interrompidas em outubro deste ano. Ao longo de 2017, será a vez das quatro capitais da Região Sudeste; de Salvador, Recife e Fortaleza, no Nordeste; e de Goiânia, no Centro-Oeste (veja quadro). Outra portaria ministerial definirá as localidades para 2018. Com isso, o governo espera que cerca de 1,4 mil cidades tenham o processo de migração concluído.

O diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Luis Roberto Antonik, lembrou que a intenção inicial de implantar o novo sistema digital em todo o país foi abandonada e agora se optou por desligar o sistema analógico somente nas cidades onde seria necessário abrir caminho para a tecnologia 4G. É que com a migração do sistema, a faixa de frequência de 700 MHz ficará livre para ser usada pelas operadoras na implantação da telefonia de quarta geração.

Antonik disse que a instalação da TV digital no Distrito Federal e Entorno será o primeiro grande desafio e lamentou a falta de campanha mais intensa de esclarecimento para a população: “Brasília será um teste, pois abrange região onde estão 4 milhões de habitantes e 1,2 milhão de domicílios, com desligamento previsto para 26 de outubro. Nossa principal preocupação é com a divulgação. É preciso chegar a 93% para que o sistema analógico seja abolido”.

Segundo ele, a Abert defende que a migração seja feita o quanto antes, não só porque a TV digital é melhor para os telespectadores, mas pelo fato de as emissoras terem que bancar custos de dois sistemas enquanto a transição não é totalmente concluída.

Sem pressa
O conselheiro da Anatel Rodrigo Zerbone é o presidente do Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired), responsável por disciplinar e fiscalizar a migração do sistema e do qual fazem parte governo, empresas e entidades representantes dos radiodifusores. Ele assegura que o calendário escalonado de desligamento do sinal analógico foi a melhor opção para garantir o êxito do processo.

“Temos nível de segurança alto de que o atual cronograma, contemplando capitais e grandes cidades do interior até 2018, não será mais alterado. Nossa preocupação é não deixar ninguém sem acesso à TV. Não faria sentido acelerarmos o processo, excluindo parte da população. Estamos avançando com o pé no chão, de modo que a maioria dos brasileiros vai estar incluída no desligamento até 2018″, explica.

Zerbone destacou que parte da estrutura de radiodifusão do país, apesar de suas dimensões continentais, está a cargo de prefeituras e associações sem recursos para investir e sem mão de obra qualificada. A crise econômica também atrapalhou o processo: “Os Estados Unidos fizeram o desligamento em 2009 nos grandes centros, mas até hoje não desligaram totalmente o sinal analógico das transmissões locais, com cobertura menor. Isso dá ideia da dificuldade. Por isso, o interior do Brasil vai demandar mais tempo”, afirmou.

Conversor
Quanto a Brasília, o presidente do Gired chama a atenção para dois fatores: a região já tem muitas emissoras transmitindo digitalmente e a população tem facilidade de acesso a novos aparelhos de TV, o que já garante de início um índice de digitalização acima de 70%. No último fim de semana, alunos de cursos técnicos do Senai percorreram as ruas de Ceilândia e Taguatinga, duas entre as maiores regiões administrativas do DF, para ajudar a população a instalar o conversor, imprescindível para quem tem aparelhos de TV mais antigos.

“Este mês vamos entrar numa fase de maior divulgação e a campanha vai ganhar corpo. A população tem que saber do que se trata. Saber, por exemplo, que a TV aberta digital em termos de qualidade de imagem supera até a TV por assinatura”, disse ele.

Aparelhos antigos precisarão de conversor e antena externa, gratuitos para famílias em programas sociais
Para o fim do sinal analógico, será necessária a participação ativa da população. Os donos de aparelhos antigos precisarão trocá-los por novos ou adquirir um conversor de TV digital, que custa a partir de R$ 110 nas lojas de eletroeletrônicos ou em sites da internet. Pode ser necessária também uma antena externa apropriada.

Quase todos os modelos de TV fabricados após 2010 — os de tela fina, tipo plasma, LCD ou LED — já possuem conversor de TV digital integrado. Portanto, a vida de quem tem um desses em casa ficará mais fácil. Talvez seja preciso trocar somente a antena, que tem de ser adequada para a recepção nesse formato.

Em geral, os televisores trazem o selo “DTV”, indicando que estão prontos para a nova tecnologia. “Há o risco de interferência do celular no televisor, pois as frequências são muito próximas. A antena externa mitiga esse problema. Acabou a época da palha de aço nas antenas e dos chiados. Ou a TV digital funciona perfeitamente, ou não vai funcionar”, explica o diretor-geral da Abert, Luis Roberto Antonik.

Sobre isso, o presidente do Gired, Rodrigo Zerbone, tranquiliza a população. Segundo ele, foram feitos testes e não é questão tão grave. “É claro que é algo que merece atenção, mas temos capacidade de ação grande, se necessário. Uma das preocupações do governo e das emissoras é garantir que todos os cidadãos, especialmente os de baixa renda, tenham acesso ao serviço”.

As famílias inscritas no Cadastro Único do governo federal, integrantes de programas sociais como Bolsa Família, Luz Para Todos e outros, serão beneficiadas com um kit contendo uma antena, um conversor, cabo e conectores, o que as dispensará de comprar um aparelho novo de TV. Para retirar o kit, o interessado deve agendar pelo telefone 147 com o Número de Identificação Social (NIS), localizado no cartão PIS-Pasep, na Carteira de Trabalho, no extrato do FGTS ou no Cartão Cidadão.

Dúvidas
Moradores de qualquer região do país podem tirar dúvidas por meio de uma central de atendimento e saber, por exemplo, quando sua cidade vai receber o novo sistema e quem tem direito aos kits. O número é 147.

Também é possível obter informações sobre o assunto por meio do site www.vocenatvdigital. com.br, mantido pela Empresa Administradora da Digitalização (EAD), que foi criada pelas operadoras de telefonia vencedoras do leilão da faixa de frequência de 700 MHz (Vivo, TIM, Claro e Algar) para atuar no processo de transição do sistema. É da EAD a responsabilidade de distribuir os kits aos beneficiários dos programas sociais do governo.

Congresso tem que acompanhar o novo sistema, defende senador
O processo de implantação da TV digital no Brasil deve ser acompanhado com atenção pelo Congresso, na opinião de Walter Pinheiro (sem partido- BA). Especialista no assunto, o parlamentar lembra que é obrigação do Legislativo cobrar do governo promessas feitas anteriormente à população e que podem agora não ser cumpridas, como a universalidade e a mobilidade do sistema.

“Lamentavelmente essa discussão não mobiliza e já fiquei aqui pregando no deserto, sozinho. Mas é preciso entender que isso não é debate somente técnico, é de serviço. O Parlamento tem obrigação de se meter, sim, para defender o consumidor e o mercado brasileiro, pois pode haver aí modelo de negócio que gera oportunidade, emprego e renda”, afirmou.

Testes
O senador adverte para o grande desafio que vai ser implantar o novo sistema em todo o país. Segundo ele, o teste em Rio Verde, interior de Goiás, não abrange todas as possíveis dificuldades a serem encontradas pelo caminho. “O teste em Rio Verde, com todo respeito à cidade, não bastou e tinha que ter sido feito no coração dos problemas; num lugar, por exemplo, onde há muitas emissoras de TV, de rádio base, torres e emissoras de radiodifusão. Aí se teria ideia de cada cenário pelo Brasil afora. Isso não foi feito nessa escala. Os testes servem exatamente para se saber como agir para ofertar serviço de qualidade”, opinou.

Para Pinheiro, o troca-troca de ministros na pasta das Comunicações nos últimos anos também atrapalhou o processo. Além disso, segundo ele, no último leilão da faixa de 700 mhz, o governo se preocupou muito mais em arrecadar do que adotar postura de limpeza e uso racional do espectro. Na avaliação dele, na era da radiodifusão e da telefonia móvel, o espectro de frequência é crucial, o “ouro da Babilônia”.

“Não acho que é preciso pôr no ministério necessariamente ministro que entenda do assunto, mas pelo menos alguém que se cerque de quem entende. Não precisa entender de frequência, aliás, é algo que poucos dominam no Brasil. Basta ter cabeça para o futuro e a ideia de fazer algo para todos os brasileiros, e não para alguns”, disse Pinheiro, que foi relator do PLC 21/2015, aprovado em julho do ano passado, dando incentivos às indústrias de equipamentos para TV digital e de componentes eletrônicos semicondutores.

Baixa cobertura
Qualidade, interatividade, cobertura e prestação de serviços preocupam o senador. Ele diz que, apesar de haver aparelhos televisores em quase 99% dos lares brasileiros, o percentual de cobertura de banda larga fixa no Brasil é de 26%, o que é muito pouco para um país continental que precisa ofertar serviços pela TV.

“Vamos chegar com imagem que dará para ver até mancha na camisa. Mas seria desperdício entrar com sinal digital e não extrair nada mais. Temos que aproveitar a tecnologia e levar muito mais para os lares do que imagem em full HD”, opinou.

Cidade do interior de Goiás é a primeira da América do Sul a ser 100% digital
O município goiano de Rio Verde, conhecido pela sua produção de grãos, tornou-se desde 1º de março deste ano a primeira cidade da América do Sul a receber integralmente o sinal digital. Com isso, o serviço de ampliação de 4G na região já começou a ser liberado.

A expectativa do Ministério das Comunicações é de que até 2018 o espectro de 700 MHz seja totalmente oferecido para a internet móvel de alta velocidade.

Segundo o secretário de Comunicação do município, Cairo Fagundes, quando a cidade foi escolhida como piloto para o projeto, houve resistências, mas hoje todos sabem que valeu a pena. “O sinal analógico foi desligado e a população percebeu a diferença”, afirmou, acrescentando que houve campanha de esclarecimento e distribuição de kits com antena e conversor para pessoas de baixa renda.

TV Senado se moderniza com novos equipamentos e revolução tecnológica
Criada em 1996, a TV Senado também passa por uma revolução tecnológica. O aniversário de 20 anos da primeira emissora legislativa de alcance nacional está sendo marcado pela aquisição de novos equipamentos, o que permitirá sua modernização.

No dia 11 de maio, foram iniciadas, em caráter experimental, as transmissões do canal aberto digital em Maceió. Em breve, será a vez de Aracaju. “Sem essa renovação tecnológica, seria impossível entrar na era digital”, explica o diretor da emissora, Sylvio Guedes.

Atualmente, a TV Senado chega digitalmente pelos canais abertos em UHF a 21 capitais, sendo que, em Brasília, os telespectadores contam com a multiprogramação: quatro canais nas frequências 51.1 a 51.4. “É um caminho sem volta, e as TVs públicas também precisam acompanhar a evolução, inclusive com transmissões pela internet. No Japão, já se fala no 8k, tecnologia de ultra alta definição (UHDTV)”, diz Sylvio Guedes.

Fonte: Comunique-se

30
05/16

Comunique-se pelo marketing social.

Profissionais de marketing, relações-públicas, jornalistas e publicitários que atuam no setor público contam com um interessante ferramental metodológico e prático para a promoção de ideias de cunho social, denominado “marketing social”, que não deve ser confundido com o marketing por redes sociais.

Seu “nascimento” oficial se deu em 1971, quando o periódico científico Journal of Marketing promoveu uma edição especial denominada “Marketing`s Changing Social / Environmental Role”, que trouxe artigos sobre tópicos como a mudança social planejada, problemas populacionais, reciclagem de resíduos, entre outros. Nesse ano, defendendo a aplicabilidade de conceitos de marketing para a promoção de causas sociais, Philip Kotler e Gerald Zaltman cunharam a expressão “marketing social”, que definiram como sendo “a criação, implementação e controle de programas calculados para influenciar a aceitação de ideias sociais e envolvendo considerações de planejamento, precificação, comunicação e distribuição de produtos e pesquisa de marketing”. Uma longa e intensa discussão acadêmica que se seguiu lançou as bases para o desenvolvimento do marketing social, como uma área que se focaria no “trabalho de grupos sem fins lucrativos e agências governamentais que lidam com a intervenção efetiva em áreas de problemas sociais”.

Profissionais e pesquisadores interessados em aprofundar-se nessa área contam agora com obra lançada pela Editora do Senado Federal,Marketing social: aplicações e métricas no setor público disponível em livraria.senado.gov.br/marketing-social. A obra introduz o leitor nos principais conceitos teóricos do marketing social e instrumentaliza o administrador público com diferentes abordagens de reflexão ética sobre sua prática. Além disso, fornece um esquema estrutural que auxilia o profissional de marketing público na avaliação de seus projetos, externa e internamente à organização, bem como permite aos estudantes e pesquisadores de comunicação pública um primeiro contato com o marketing social, de forma ilustrada com casos concretos. O livro inicia-se pelas formas de conhecimento em marketing e segue em direção à origem e à evolução do pensamento em marketing social, aspectos éticos da área, avaliação de resultados, proposição de uma estrutura de avaliação de programas sociais, branding em marketing social, endobranding e as novas fronteiras do marketing social (como parcerias e redes sociais).

Em suma, ideias sociais, tais como campanhas de saúde pública, trânsito seguro, sexo responsável e cidadania, apenas para citar alguns temas mais recorrentes, podem fazer bom uso da metodologia preconizada pelo marketing social, visando a mudança social planejada em prol do bem maior, do bem comum. Apesar de ainda não muito difundida academicamente no Brasil, a prática já tem mostrado resultados relevantes para a sociedade.

Paulo Ricardo Meira, Doutor em Marketing pelo PPGA/UFRGS e Professor do ILB e EDAN/UCSA

COMENTÁRIO

Uma verdadeira aula sobre este assunto vocês encontrarão no livro “Marketing Social – Marketing para Causas Sociais e a Construção de Marcas”, esplendidamente escrito por Hamish Pringle e Marjorie Thompson, editado no Reino Unido em 1999 e no Brasil nmo ano 2000, pela Makron Books. Recomendo ler, mais de uma vez.

JJ

30
05/16

AS 10 cervejas mais vendidas no mundo.

As mais vendidas

1/12Divulgação
Cerveja Snow, da China
Um ranking do Euromonitor mostra quais são as marcas de cerveja mais vendidas do mundo.

Os números mostram aquelas com o maior market share global.

Como as vendas são em números absolutos, o ranking é dominado por marcas chinesas (já que contam com um mercado na casa do bilhão) nada famosas por aqui.

Mesmo assim, há marcas mais conhecidas dos brasileiros, como Skol, Brahma e Heineken.

Segundo a Business Insider, até 2020 o mercado de cervejas vai crescer ainda mais e gerar 688,4 bilhões de dólares.

Confira, nas imagens, as dez marcas mais vendidas. 

1. Snow

2/12Doug Kanter/Bloomberg
Snow, da China

País: China

Market share: 5,4%

É a cerveja mais popular do mundo (em vendas), mas vendida quase que apenas na China. É bem desconhecida fora do país. Desde 2005, cresceu 573% em vendas. Lager, com 4% de teor alcoólico, seus donos são um joint venture entre a SABMiller e a China Resources Enterprise.

2. Tsingtao

3/12Rob Kim/Getty Images for NYCWFF
Tsingtao, da China

País: China

Market share: 2,8%

Fundada por alemães em Hong Kong em 1916, a Tsingtao Brewery Co. produz a segunda maior cerveja do mundo. No país, é costume tomá-la em copos com gelo.

3. Bud Light

4/12Reprodução
Bud Light

País: EUA

Market share: 2,5%

A versão light da Budweiser é mais popular que a própria. Foi criada em 1982.

4. Budweiser

5/12Getty Images
Lata de Budweiser

País: EUA

Market share: 2,3%

A cerveja lager foi introduzida nos EUA nos anos 1800 pela Anheuser-Busch.

5. Skol

6/12PEDRO RUBENS
Skol

País: Reino Unido/Canadá/Suécia/Bélgica (originalmente)

Market share: 2,1%

Hoje fabricada pela AB InBev, a cerveja foi criada na Europa em 1959 e é do tipo pilsen.

6. Yanjing

7/12Wikipedia
Rótulo da cerveja Extra Yanjing

País: China

Market share: 1,9%

Criada na China em 1980, é fabricada pela Beijing Yanjing Brewery Co.

7. Heineken

8/12Divulgação
Nova embalagem da Heineken

País: Holanda

Market share: 1,5%

Fundada em 1864 por Gerard Heineken, na Holanda. É uma das lager premium do mercado, com 5% de teor alcoólico.

8. Harbin

9/12Natalie Behring/Bloomberg News
Harbin, da China

País: China

Market share: 1,5%

Segundo a marca, é a cervejaria mais antiga da China. Hoje é controlada pela Anheuser-Busch InBev. É uma lager de 4,8% de teor alcoólico.

9. Brahma

10/12Reprodução
Campanha da Brahma

País: Brasil

Market share: 1,5%

Criada em 1888 no Brasil, hoje é comandada pela Anheuser-Busch InBev. A lager tem 4,3% de teor alcoólico.

10. Coors Light

11/12Chris Ratcliffe/Bloomberg
Coors Light, dos Estados Unidos:

País: Canadá

Market share: 1,3%

A versão light da marca é uma lager de 4% de teor alcoólico e foi criada em 1978. Além do Canadá, é bem popular nos EUA e no Reino Unido.

 

Fonte: Exame

30
05/16

A cultura do improviso.

 Brasil, temos por hábito embaralhar dois conceitos de maneira muito perigosa: criatividade e improviso. Não que isso não aconteça em outras partes do mundo, mas por aqui esses conceitos se confundem de maneira mais profunda, me parece. Em análises futebolísticas, por exemplo, é comum escutarmos que o diferencial do jogador brasileiro é a habilidade individual e a capacidade do improviso, sobrepondo-se à aplicação tática e ao jogo em equipe (essência de qualquer esporte coletivo). Estamos sempre esperando o drible mirabolante, a façanha heroica do último segundo, a mágica do improviso.

Por aqui, confundimos esses conceitos de tal forma que é comum entender o improviso como uma qualidade criativa superior, a formatação mais pura da originalidade em procedimentos e processos. Não fazemos isso por convicção ufanista, mas por ingenuidade: improvisamos por não saber planejar, e por desconhecer os benefícios de um bom planejamento. E assim criamos a cultura do improviso, percebida não só no futebol —ou no design— mas em todas as esferas da sociedade, sobretudo no âmbito de administração e gestão. Improvisamos no orçamento, no cronograma, na contratação e no planejamento: e chamamos de ‘jeitinho brasileiro’ essa nossa cultura do improviso. Acreditamos ser esse um recurso especial do nosso ethosnacional.

A grande verdade é que o improviso não é exatamente um recurso. Pelo contrário, o improviso é um processo oriundo da falta de recursos essenciais à boa realização de uma tarefa —como tempo, conhecimento e organização—. O improviso é a mais perfeita expressão da falta de planejamento.

Trazendo a discussão para o campo do projeto, quando o designer se vê obrigado a improvisar, é por que alguém falhou em alguma etapa de planejamento (inclusive ele mesmo). E o que percebo com uma frequência assustadora, é que os prazos por aqui são tão drasticamente exíguos que já ganharam a cor definitiva do improviso: «qual foi o último projeto que você não fez em regime de urgência?» Quando você aprende a improvisar para sobreviver, é por que passou a conviver com a sorte de forma rotineira e perigosa.

Diante de situações de crise e falta de tempo, nos habituamos a usar como procedimento padrão o improviso. Mas é justamente neste momento em que um (ainda mais) rigoroso planejamento se faz necessário, e acaba muitas vezes sendo responsável pelo sucesso de um projeto.

Por curiosidade, convém ressaltar que a cultura do improviso equilibra-se sobre uma falsa percepção estatística. O improviso funciona em apenas uma parcela mínima de situações, 5% talvez, mas quando prospera há enorme alarde sobre sua realização heroica. Por outro lado, quando falha, ou seja, nos outros 95% das vezes, atribuímos essa falha às condições emergenciais e externas do projeto, jamais à escolha operacional equivocada de se trocar o planejamento pelo improviso. Aos olhos do senso comum o improviso só acumula vitórias, por menores e mais esporádicas que elas sejam. E assim seguimos consolidando a cultura do jeitinho, da última hora e do improviso bem sucedido.

O que precisa ficar claro é que o planejamento não é um inimigo do processo criativo, uma antítese, um antagonismo. O planejamento não poda a criatividade, nem a limita, pelo contrário: o planejamento é um poderoso instrumento de otimização das ações, incluindo aí, obviamente, as ações criativas. O planejamento —e não o improviso— garante que a criatividade encontre seu próprio caminho, ritmo e formato.

Sem a pressão da falta de tempo que obriga o ser criativo a buscar sempre o golpe de sorte, o projeto pode trilhar suas etapas de maneira plena e profunda. Uma semana de imersão e não 12 horas de improviso. Planejamento não é sinônimo de criatividade, mas eu preferia ver esse tipo de confusão àquela mencionada na primeira frase desse texto.

Improviso e criatividade não deviam andar juntos com tanta frequência. Inclusive no futebol.

Fabio Lopez, designer, veiculado no ForoAlfa

30
05/16

Como a Danone levou seus iogurtes da gôndola para as ruas, no porta-a-porta.

As Kiteiras da Danone

Kiteiras da Danone em Salvador: o volume de iogurtes que elas vendem já rivaliza com o do pequeno varejo.

+

eA vida do grupo de mulheres retratadas na foto acima mudou radicalmente nos últimos anos. Todas passaram a dividir parte de seu tempo na atividade de “kiteiras”, mulheres de baixa renda que se dedicam a vender, no modelo porta a porta, kits de iogurtes da multinacional francesa Danone em bairros pobres da cidade de Salvador, onde vivem.

É o caso de Itana Peixoto Rodrigues, de 39 anos. Ela mora com o marido e o filho de 8 anos num desses bairros, o Uruguai, e virou kiteira em março do ano passado. Até então, quem garantia o sustento da família era o marido, que recebe salário de cerca de 2 000 reais como padeiro.

Com a venda dos kits na vizinhança — e os ganhos de 30% do valor do produto repassados pela Danone, líder desse segmento no Brasil —, Itana passou a embolsar cerca de 1 200 reais por mês. É com esse dinheiro, economizado ao longo dos últimos meses, que o casal planeja ampliar a fabricação caseira de bolos e tortas, outra fonte de renda da família.

Outro exemplo é o de Ana Carla da Conceição, de 35 anos. Ela vende os kits da Danone há quatro anos e se revelou tão hábil na função que foi alçada pela empresa ao posto de “madrinha”, responsável por gerenciar dezenas de vendedoras em troca de uma comissão extra de 3,5% sobre o total das vendas do grupo que ela gerencia.

Sua renda mensal é de cerca de 3 000 reais, e foi com ela que Ana Carla, mãe de três filhos, sustentou a família entre maio de 2015 e março deste ano, enquanto o marido, técnico em eletrônica, esteve desempregado. Antes de a história do iogurte começar, Ana Carla não era independente financeiramente e recebia ajuda do programa Bolsa Família.

“Há muito tempo deixei de precisar do benefício”, diz Ana Carla. Ela já não recebe o apoio do governo. Itana, Ana Carla e mais 897 kiteiras vendem hoje algo como 85 toneladas de iogurte da Danone por mês em Salvador. O volume representa 8% do total vendido pela empresa na cidade, a maior do Nordeste. Com isso, o canal porta a porta já rivaliza localmente com o pequeno varejo.

A expectativa da Danone é que o modelo de vendas se torne, no futuro, seu terceiro maior canal de vendas, abaixo apenas das grandes varejistas nacionais e locais.

Motivados por esses números e ansiosos para fazer com que o porta a porta ganhe escala no resto do Brasil, os executivos da Danone iniciaram em maio um recrutamento semelhante na cidade de São Paulo, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Tudo começou em 2011, quando os executivos da Danone decidiram tornar comercialmente viável um modelo em que centenas de mulheres de baixa renda vendessem Danoninho e Activia nas favelas de Salvador. Isso, por si só, já seria um feito.

Afinal, se vender para pobres fosse fácil, o guru de gestão e professor na Universidade Harvard C.K. Prahalad, morto em 2010, não teria vendido alguns milhões de livros ensinando grandes empresas a adaptar a esse público suas estratégias de mar­keting e de distribuição de produtos.

Mas, além de vender para a chamada base da pirâmide, a Danone tinha a ambição de colaborar para a melhoria de vida dessas vendedoras. Pretendia, portanto, criar o que no jargão das ONGs e das companhias enfronhadas em questões sociais e ambientais vem sendo chamado de um “negócio inclusivo” ou “de impacto”.

Persistência

Hoje, pode-se dizer que o projeto foi um teste de fogo para a Danone. “A empresa patinou muito, mas teve uma grande resiliência”, diz Rogério Silva, sócio-fundador da Move, uma das mais respeitadas consultorias brasileiras em avaliação de impacto social.

E só conseguiu fazê-lo, após uma saga de cinco anos, por ter decidido manter os investimentos, apesar dos problemas que desafiavam a viabilidade do canal de vendas. A iniciativa consumiu cerca de 2 milhões de euros, divididos entre a operação brasileira da Danone e o fundo Ecosysteme, criado pela matriz da empresa na França, em 2009, para impulsionar negócios inovadores com pessoas de baixa renda.

No Brasil, os recursos do Ecosysteme foram para outros três projetos além do Kiteiras. Entre eles o Novo Ciclo, que tem como propósito incentivar a profissionalização de 27 cooperativas de catadores de lixo em 23 cidades de Minas Gerais. A persistência da Danone teve uma recompensa — o aval do BID.

Entusiasta dos negócios de impacto e decidido a estimular projetos com essa característica em grandes empresas, o banco vinha observando a iniciativa da Danone há alguns anos. No ano passado, porém, comprometeu-se a doar recursos ao canal: 727.000 euros.

Mas impôs uma condição: para acelerar o ritmo de recrutamento das vendedoras, que vinha a passos lentos, a Danone teria de trabalhar nas periferias em parceria com a operação brasileira da Visão Mundial, ONG internacional que tem como bandeira melhorar a condição de vida de crianças e jovens ao fortalecer o trabalho de outras instituições sociais que já atuam nos bairros pobres das quase 40 cidades onde ela está.

As duas partes ganhariam com o acordo. A Visão Mundial, de seu lado, poderia oferecer a milhares de mães uma nova oportunidade de geração de renda. Em troca, a Danone se beneficiaria ao obter para o Kiteiras o endosso de uma instituição social que conta com o respeito e a simpatia dessas comunidades.

“Essas alianças dão bons frutos e, nos últimos anos, nos tornamos hábeis em promovê-las”, afirma Aminta Perez-Gold, especialista do BID. Com a parceria, entre julho e dezembro do ano passado o número de kiteiras em Salvador dobrou para quase 800 mulheres.

Com esse exército, mais de 80 toneladas de iogurte passaram a ser vendidas por mês na cidade, e a operação — tanto para a empresa quanto para o distribuidor envolvido — passou a fazer sentido financeiramente.

Neste mês, a ONG também começou a apoiar a Danone no lançamento do canal em São Paulo — mais precisamente na zona zul da capital, onde a Visão tem forte presença. Ao usar os conceitos testados em Salvador, os executivos da Danone esperam dar mais celeridade ao projeto na nova fase.

O primeiro desafio enfrentado pela empresa na iniciativa foi fruto de uma presunção: os executivos acreditaram que bastava propagandear a iniciativa com carros de som e distribuir panfletos em locais de grande circulação, como terminais de ônibus, que a força da marca atrairia rapidamente um exército de vendedoras nas periferias de Salvador. Estavam errados.

O problema é que as mulheres estavam acostumadas à venda porta a porta com catálogo de itens como cosméticos, e não entendiam bem como isso poderia funcionar com um alimento perecível.

Imbuída da missão de influenciar positivamente a vida dessas mulheres, a Danone tinha definido que, se quisessem ser vendedoras, elas teriam de passar, obrigatoriamente, por uma batelada de treinamentos gratuitos com foco em empreendedorismo e gestão, e estava convicta de que isso também seria um chamariz para a iniciativa. Mais uma vez, a empresa se equivocou.

Para ajudá-la no quesito treinamento, a Danone contratou os serviços da Aliança Empreendedora, ONG brasileira com experiência em prover esse tipo de formação para microempreendedores de baixa renda. Em seu primeiro formato, o curso obrigatório para as kiteiras tinha uma carga horária de 32 horas, divididas em dois encontros semanais ao longo de dois meses.

Danone e Aliança, porém, logo depararam com a baixíssima adesão das mulheres. A saída foi retirar a obrigatoriedade da presença das vendedoras em todos os módulos, reduzir à metade a carga horária e ampliar a oferta de horários e locais em que eles podiam ser feitos. Também não funcionou.

Ao longo de cinco anos, Danone e Aliança mexeram inúmeras vezes no formato do treinamento presencial na tentativa de torná-lo mais atraente aos olhos das kiteiras, mas não foram bem-sucedidas.

Ao final desse processo de tentativa e erro, no entanto, aprenderam que as mulheres, em sua maioria, têm baixa escolaridade e se sentem intimidadas com a ideia de absorver qualquer conhecimento novo fechadas numa sala de aula.

Além disso, participar dos treinamentos também implica superar dificuldades de cunho prático, como contar com alguém para buscar os filhos na escola e conseguir chegar aos locais das aulas usando o transporte público precário da cidade.

Por isso, agora a Aliança está apostando nas tecnologias digitais e trabalhando na produção de uma série de vídeos curtos, aos quais as kiteiras poderão assistir no computador ou no celular.

A Danone ainda enfrentou outro contratempo com o projeto: a dificuldade de encontrar um distribuidor apto a intermediar a relação comercial delicada da empresa com essas vendedoras e a encarar uma operação de entrega de produtos extremamente pulverizada em 122 bairros de Salvador, muitos deles considerados violentos. Tudo isso em troca de uma margem de lucro apertada.

“Hoje sabemos que o distribuidor desse canal não deve ter apenas uma gestão afinadíssima do negócio, mas também uma veia social aflorada”, afirma Mauro Homem, gerente de sustentabilidade da Danone. Ele se refere à disposição de ir à favela e conhecer de perto as dificuldades dessas mulheres.

A baiana Raquel Macedo de Freitas Guimarães, de 43 anos, dona da empresa de distribuição Qualikits, aceitou o desafio de fazer entregas dos kits de iogurte para as vendedores em 2014. De lá para cá, sua empresa se dedica exclusivamente às entregas. Antes da Qualikits, porém, outros dois distribuidores da Danone desistiram de fazer as entregas.

Nos primeiros anos, as taxas de inadimplência chegaram a 17%; e a rotatividade das kiteiras, a até 35%. Para reduzir o problema dos maus pagadores, a distribuidora deixou de vender com boletos e passou a aceitar dinheiro ou cartão. Hoje, o índice de entrada e saída de mulheres é de 15%, considerado baixo por especialistas no mercado de venda direta.

“Nas empresas de cosméticos, essa rotatividade chega a ser duas vezes maior”, diz Cláudio Oporto, consultor especializado no setor. Na fase paulistana, a Danone já credenciou dois distribuidores e outros três estão sendo preparados. Todos terão dedicação exclusiva, como se provou eficaz em Salvador. Outras táticas, como a emissão de boleto, serão novamente testadas em São Paulo.

Novas surpresas virão pela frente. Mas ninguém disse que seria fácil: estruturar um negócio de impacto em alguns dos bairros mais complicados das metrópoles brasileiras é mesmo uma empreitada. O ganho, no fim, compensa — para a Danone e para algumas centenas, quem sabe milhares, de famílias da base de nossa pirâmide social.

 

Fonte: Exame

30
05/16

Biscoito de chocolate recheado com chá verde?

Oreo de chá verde

 

Desde março, o mercado japonês ganhou o biscoito Oreo sabor matcha (chá verde). O recheio, claro, é verde.

Você iria experimentar?

Oreo é o biscoito recheado mais vendido no planeta, você sabia?

Ele devem saber o que estão fazendo no seu marketing…

JJ

Página 1 de 3.8311234...1015...Última