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Brasileiros têm vocação para “makers”, diz Manoel Lemos.

Manoel Lemos durante palestra no Wired Festival Brasil na manhã deste sábadoAndré Mourão.
 Pintar a parede da própria casa, fazer um conserto no carro ou montar um robô. Todas essas tarefas podem ser realizadas por qualquer pessoa, graças a um movimento que vem se alastrando por todo o mundo. A cultura maker surgiu na década de 1980, com as bandas de punk rock americanas que gravavam e distribuíam suas próprias fitas e produziam os próprios shows. Desde então, a ideia do DIY (“Do It Yourself”, ou faça você mesmo) se espalhou por novas áreas e, com a internet, ganhou o mundo.

– A estimativa é que mais de 135 milhões de americanos sejam adeptos do DIY. Essa cultura sempre aparece no cinema, quando um casal se muda e pinta as paredes da casa – afirmou Manoel Lemos, sócio do fundo de investimentos Redpoint, no segundo e último dia do Wired Festival Brasil. – A cultura maker se espalhou para todas as áreas. As pessoas consertam o chuveiro, personalizam uma roupa ou montam um avião, por que não?

A internet foi uma das molas propulsoras deste movimento. A própria essência da web, de colaboração, do código aberto e da reutilização, combina com os aspectos comportamentais do movimento maker.

No campo da tecnologia, esse movimento se popularizou primeiro com o software livre, mas a popularização de novas ferramentas permitiu a criação de hardwares livres. Hoje, qualquer pessoa pode montar um projeto no computador e, com uma impressora 3D, construir um produto.

Exemplo disso é a start-up Pebble, que criou o primeiro smartwatch do mercado. Desde o surgimento da empresa, por meio de financiamento coletivo, ela se aproveitou desse novo cenário. Nesta semana, surgiram rumores de que a companhia está sendo adquirida por US$ 40 milhões pela Fitbit.

– Há alguns anos, a gente achava que seria impossível pensar em hardware livre. Produzir um software era fácil, só precisava de um computador e outros softwares, mas o hardware exige ferramentas que eram pouco acessíveis – disse Lemos. – Antes, ninguém ia produzir nada que não fosse para as massas. No movimento maker, qualquer pessoa pode produzir qualquer coisa e distribuir em pequena escala.

GENÉTICA, CULINÁRIA E CERVEJARIAS

E a indústria da computação tem o movimento maker em seu DNA. Foi na garagem de casa, de forma rudimentar, que surgiram os primeiros computadores pessoais, com Steve Jobs e Steve Wozniak, cofundadores da Apple.

– Hoje, o movimento maker está em todas as áreas. Na robótica, na culinária, na moda, na marcenaria e nas cervejarias. Até na genética. Antes, os instrumentos de manipulação genética eram caros, e hoje é possível montar um laboratório caseiro. A indústria de drones se desenvolveu dentro do movimento maker – afirmou Lemos.

A base de dados da AngelList, que lista start-ups em busca de investimentos nos EUA, tem 5.449 empresas de hardware de tecnologia. Esse número é maior que o número total de start-ups cadastradas na Associação Brasileira de Start-ups.

Para Lemos, o movimento maker tem potencial para avançar também no país. Em 2009, foi criado o primeiro Hackerspace do Brasil, e, no ano passado, já existiam 51 laboratórios desse tipo.

– O brasileiro tem vocação para o movimento maker – disse Lemos. – Isso faz parte da nossa cultura, do nosso jeitinho. Nós temos a gambiarra, o jeito para resolver problemas com poucos recursos.

O Wired Festival Brasil foi uma realização da Edições Globo Condé Nast e do jornal O GLOBO, apresentado pela Prefeitura do Rio e Rio Eventos, com patrocínio da Nextel e do Banco Original, apoio do SENAI, C&A e Spotify, co curadoria da FLAGCX e produção da SRCOM. O evento acontece nesta sexta-feira e sábado no Armazém Utopia, na Zona Portuária do Rio.

Fonte: O Globo

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12/16

A (in)visibilidade do monitoramento.

Vivemos gritando aos ventos sobre a necessidade do monitoramento das marcas nas redes sociais, o quanto é relevante para uma empresa observar, ouvir seus públicos. E claro que isso é fundamental para a gestão de marca, marketing e negócios de qualquer companhia.

Como costumamos dizer, o monitoramento permite sentir o pulso da operação, da percepção sobre a marca, dos anseios das pessoas em relação a uma organização, produto, serviço, causa. Possibilita antecipar crises, orientar o direcionamento de investimentos, encontrar falhas para corrigi-las.

Mas você já se questionou como tem sido difícil fazer isso nos últimos tempos? Os intermediários dessa leitura – as plataformas sociais com maior volume de usuários no mundo – mudaram seus padrões ou simplesmente não investiram muito nessa frente. Apenas para ficar nas principais: como sabemos, o Facebook fechou sua API (Interface de Programação de Aplicação, que vem do inglês Application Programming Interface) e disponibilizou (nem tanto) a comercialização de um “pacote” de informações sobre as marcas, mas o processo parece não ter evoluído. O Instagram, que pertence ao Facebook, também deixa a desejar nesse aspecto.

No LinkedIn não é muito diferente. Não se consegue observar diversas informações sobre a audiência e sequer monitorar o que está sendo falado. Além disso, o acesso por meio de ferramentas é limitado. Snapchat, que se tornou uma referência para os jovens, sofre até mesmo para oferecer alguns indicadores mais básicos. Nas últimas semanas houve indícios da oferta de um dashboard de dados. Mas, como em todas as demais, o investimento está declarado na visualização de dados para campanhas, portanto, para quem investe em publicidade na rede social. A exceção é o Twitter, que possui uma API extremamente amigável para plataformas e softwares de monitoramento. Todas as demais apresentam muitas restrições.

Como investir para conhecer seus públicos e entender comportamentos (algo extremamente complexo nos dias atuais) quando você não consegue enxergar os dados? Fica claro que uma parcela significativa dos conteúdos que passam por esses ambientes estão se tornando invisíveis para as ferramentas e softwares de monitoramento e, como consequência, para as organizações.

Nesse último caso, o problema está na evolução como um todo. O volume de usuários e atividade anda estável ou caindo há alguns anos, os investidores estão decepcionados com o desempenho, e as negociações de compra – Disney, Google e Salesforce chegaram a demonstrar interesse na aquisição – falharam.

Esse formato vem criando um paradoxo. Como investir para conhecer seus públicos e entender comportamentos (algo extremamente complexo nos dias atuais) quando você não consegue enxergar os dados?

Fica claro que uma parcela significativa dos conteúdos que passam por esses ambientes estão se tornando invisíveis para as ferramentas e softwares de monitoramento e, como consequência, para as organizações. Assim, aumenta-se e muito o risco da tomada de decisões.

Ainda que boa parte desses riscos já ocorra utilizando métodos estatísticos e amostragem, enxergar somente o que acontece dentro da página corporativa em uma rede social ou nas mensagens privadas enviadas pelo público aos canais dessas companhias limita e acaba por enviesar determinadas conclusões que não necessariamente refletem a percepção sobre a marca.

E os problemas não param por aí. Essa é apenas uma parte dos obstáculos. Mesmo que respeitemos a lógica de que há sempre mais consumidores do que produtores de conteúdo de forma geral, não podemos ignorar o crescimento exponencial do volume de informações que trafegam pelos ambientes digitais sociais. Não há dúvidas sobre o aumento do tráfego de informações e utilização de plataformas e aplicações para troca de mensagens privadas. O WhatsApp, com seus mais de 800 milhões de usuários no mundo, é o maior exemplo disso. E apenas seu proprietário pode ter acesso ao que circula entre os usuários e grupos.

Mesmo que respeitemos a lógica de que há sempre mais consumidores do que produtores de conteúdo de forma geral, não podemos ignorar o crescimento exponencial do volume de informações que trafegam pelos ambientes digitais sociais.

Outra grave questão está no fato de todas essas plataformas estimularem e facilitarem, cada vez mais, a produção, publicação e disseminação de conteúdos visuais, ou seja, fotos e vídeos. Em muitos casos, o usuário não faz qualquer menção à marca no texto que acompanha essas imagens, então, as ferramentas não conseguem identificar se tratar de algo sobre uma empresa.

Essa configuração que já vem tomando forma ao longo dos últimos dois ou três anos deixa as empresas totalmente às cegas já que, além de caras, são poucas as opções de softwares que conseguem fazer essas leituras – no caso do Whatsapp pior ainda, porque além da criptografia, infringe as regras de privacidade do próprio aplicativo.

Na prática, quando tudo parecia bem e as empresas começavam a encarar os relatórios de redes sociais como um grande repositório de inteligência de dados para tomada de decisões, o cenário ficou bem mais nebuloso. E não há evidências claras de que esse contexto atual vá se modificar no longo prazo, o que torna a extração de insights de redes sociais um grande desafio.

Resta às organizações exercitarem com mais profundidade o olhar integrado de dados provenientes das mais variadas fontes de informação para confirmar ou invalidar as hipóteses que possam surgir no momento de decidir os caminhos para a comunicação. Isso pode tornar o marketing mais avesso ao fato de ter de correr riscos, mas também pode ser muito produtivo para enxergar o todo.

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Eduardo Vasques

Planner e head de mídias sociais da TV1.Com

Em Meio e Mensagem

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Foto do dia

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12/16

A razão principal pela qual projetos de design falham.

Imagine a seguinte cena: você gastou um mês inteiro só planejando como iriam executar seu projeto. Pensou em quais seriam as fases, as durações das tarefas, a melhor pessoa para realizá-las. Também montou aquele cronograma lindo, que mandou imprimir em tamanho grande, num papel firme, para colar na parede, à vista de todos. Enviou um e-mail para todos os participantes, descrevendo o que iria ser feito, com todos os detalhes. Fez uma reunião apresentando o projeto para toda a equipe do seu cliente. Apertou a mão do seu contratante, olhou no fundo dos olhos dele e disse: «Esse projeto irá fazer toda a diferença». Mas, seis meses depois, parece que tudo estava como antes, ou seja, o projeto foi um fracasso.

Durante a primeira semana de execução, foi uma maravilha, todos pareciam engajados e animados. Seis meses depois, tudo estava como antes. Os funcionários diziam uma coisa, mas faziam outra! Além de não executar o projeto, você nota que as pessoas até se dedicam a sabotá-lo pelas suas costas, tentando fazer com que ele não dê certo. Mas por quê?

Para entender o motivo pela qual muitos projetos não dão certo, é preciso entender como funcionam os interesses e os jogos de poder em uma empresa ou organização.

Os interesses dos funcionários

Uma empresa não funciona de uma forma natural. Ela é uma construção social, ou seja, as pessoas que estão ali estão pensando nos objetivos de um grupo (Crozier, 1964). No entanto, embora as pessoas pensem nos interesses do grupo, elas também pensam nos seus próprios interesses. Cada funcionário tem objetivos próprios que não são iguais aos dos seus colegas. E cada interesse diferente tem seu valor; ou seja, todos tem o mesmo direito de poder desejar o que quiser (Simon, 1947).

Os desejos podem ser diversos:

  • ser promovido para diretor,
  • ficar no mesmo cargo, fazendo as mesmas coisas, mas ganhando mais,
  • ganhar dinheiro para comprar sua casa própria,
  • sair mais cedo para poder fazer uma faculdade à noite,
  • ficar famoso e ser reconhecido pelo seu trabalho, passar desapercebido e conseguir desviar dinheiro sem que ninguém note,
  • ter uma imagem de rico, ostentando roupas, carros, celulares e assim por diante.

Na hora de colaborar na execução de um projeto novo, o funcionário quer saber se isso não vai prejudicar os interesses pessoais dele.

Conseguir portanto a cooperação dos funcionários (isso também vale para alunos, membros de uma igreja, membros de uma associação) não é tarefa fácil, pois significa ter que atender interesses bem diversos.

Mexer nos recursos é mexer no poder

As pessoas irão colaborar num projeto ou não, se isso significar que ela terá mais ou o mesmo poder que já tinha. Quanto mais recursos um funcionário controla, mais poder ele tem. Os recursos que dão poder a alguém são os mais diversos: controlar quem entra e quem sai de um prédio ou lugar, ter uma informação que ninguém mais tem, decidir quem pode usar uma ferramenta ou programa, decidir quem pode falar com o chefe, escolher quanto tempo você pode ficar num lugar, fazer os pagamentos da empresa, controlar o dinheiro, assinar um documento dando uma autorização, etc.

O controle desses recursos dentro da empresa não é dividido de maneira igual. Algumas pessoas comandam mais recursos do que outras e isso cria o que o sociólogo Michel Crozier (1964) chamou de «zonas de incerteza pertinentes». Por quê incerteza? Por que quando alguém tem o controle de algo na empresa, ninguém tem certeza de qual será seu comportamento, se irá liberar ou bloquear algo que os outros precisam. E quanto maior for essa incerteza, maior será o poder dela.

Mas, agora, o que tudo isso tem a ver com aquele seu projeto de design que não foi para a frente, que foi sabotado pelas outras pessoas?

Mudando as cartas do jogo

Toda a vez que você cria um novo design, novas regras e normas podem surgir para a organização. Novas competências são exigidas ou passam a ser essenciais. Alguns recursos que antes não eram importantes, passam a ser. Isso mexe com o poder dos funcionários e pode fazer quem está ganhando perder, e quem está perdendo, ganhar.

Imagine um jogo de baralho onde antes você só tinha cartas boas e agora essas cartas foram trocadas e te deram as piores cartas do jogo. Como você se sentiria? Algumas vezes em que você faz uma mudança numa empresa, é como se as cartas do baralho fossem redistribuídas, e o poder fosse modificado. Isso gera a resistência nas pessoas, que sentem que agora estão controlando menos recursos.

Numa empresa, os recursos nem sempre aumentam quando chega uma mudança, ou seja, as máquinas, ferramentas, informações, salas, dinheiro, podem ser as mesmas. Se alguém ganhar poder, outro precisa perder. Quanto mais importante for um recurso para a empresa, mais resistência haverá quando o controle desse recurso for mudado (Crozier e Friedberg, 1977). Por exemplo, imagine que hoje as redes sociais tem muita importância na empresa e são controladas por uma única pessoa. Se amanhã um novo projeto disser que elas não tem mais relevância, essa pessoa poderá fazer de tudo para que o projeto não tenha sucesso.

Todas as vezes em que um novo projeto é implementado, seja um novo posicionamento de marca, um novo processo de atendimento ao público, são criadas novas regras que vão mudar a forma de jogar (Simon, 1947). Seus interesses serão afetados, gerando conflitos ou colaboração, dependendo do que irá acontecer com o poder dos funcionários.

Um bom negócio para todos

Portanto, quando você for implementar um novo projeto de design, é preciso que as pessoas sintam que ele é um «bom negócio», caso seja preciso que elas mudem seu comportamento. Se elas notarem que no novo sistema elas não vão ter vantagens que antes tinham, então elas vão resistir às mudanças, se sentirem que o projeto é uma ameaça para elas. Uma forma de se opor às mudanças é não fornecer (ou serem excessivamente lentas no fornecimento) de informações importantes para o projeto (Caldas & Wood Jr. 1999). Outras pessoas podem resistir criando fofocas e gerando o medo nos colegas, mentindo nas pesquisas, não respondendo a e-mails, não fazendo relatórios importantes. Ou podem partir para o confronto direto, criticando o projeto usando argumentos confusos, dizendo que no passado nunca deu certo e agora também não vai dar, tentando desqualificar o profissional que fez o projeto de design e assim por diante.

Infelizmente, é muito comum nas faculdades não haver nenhum treinamento para se aprender a lidar com essas questões de comportamento nas empresas. Os projetistas assumem que os funcionários vivem só para a empresa e que qualquer projeto será obedecido sem alterações. Alguns são tão apaixonados pelo seu planejamento, que ficam cegos para todas essas possibilidades de conflito de interesses, que estão bem ali, na sua frente. Mas como identificar e lidar com esses conflitos? Esse será o tema do meu próximo artigo. Se você tem alguma história interessante de projeto que falhou por que mexeu no queijo de alguém, escreva aí nos comentários. Tenho interesse em conhecer.

Autor
Ricardo Martins     CURITIBA

 

Fonte: Foro Alfa

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Agora dá pra benzer até via WhatsApp…

Na sobreloja de um espaço destinado à dança do ventre em Santana, zona norte da capital paulista, um grupo de mulheres se reúne para manter uma tradição bem antiga: a das benzedeiras. Confiro o kit pedido: um pano, uma vela e rosa branca e um ramo de alecrim. Subo as escadas e dou de cara com Amadeu, o único homem, além de mim, que fará parte do curso de benzedeira que vou viver nas próximas seis horas.

A figura da benzedeira na minha cabeça sempre esteve circunscrita a senhorinhas simpáticas sacolejando galhos de arruda diante de alguém necessitado de espantar alguma zica. Mas as mais de vinte mulheres que estão ali, a maioria jovens, desmistificam de cara essa imagem.

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SulAmérica e Waze firmam parceria para dicas de segurança.

(Foto: reprodução)

A seguradora SulAmérica acaba de firmar parceria com o Waze para fornecer informações de segurança aos usuários do aplicativo. A iniciativa, desenvolvida pela Grey Brasil, tem como objetivo reforçar o posicionamento da companhia como parceira dos motoristas e incentivadora de um trânsito mais seguro.

Entre as dicas estão o aviso para o acendimento do farol em estradas durante o dia, sinalização de locais com velocidade reduzida, indicação de cruzamentos com alto índice de acidentes e avisos sobre áreas escolares ou que contenham ciclistas. No pacote também estão informações relativas à previsão do tempo, incluindo temperatura no local de destino, e um alerta de identificação do “Motorista Amigo” em bairros boêmios, serviço de leva e traz da companhia, acionado quando o condutor não está em condições de dirigir.

Além dos serviços lançados em parceria com o aplicativo de trânsito, a SulAmérica oferece, desde 2013, o app SulAmérica Auto, com funcionalidades como cotação e acompanhamento de pequenos reparos no veículo, solicitação de serviços de limpeza, entre outros.

Fonte: Meio e Mensagem

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12/16

A publicidade está sendo usada como punição em plataformas de assinatura.

Durante o 1º Simpósio de Mídias Sociais FGV/EAESP, executivos e profissionais da área se reuniram para falar sobre reputação de marcas e novos modelos de negócio em diversas plataformas. Durante o encontro, representantes da Edelman e da Microsoft – Yacoff Sarkovas e Mauricio Ferreira, respectivamente – concordaram que a publicidade está sendo usada como punição em plataformas de assinatura.

Para explicar o conceito, Sarkovas utilizou como exemplo a plataforma Spotify, que oferece serviço de streaming de músicas. Se o usuário não paga para utilizar o aplicativo, ele é “punido” com a publicidade no meio de sua música. “O modelo de negócio precisa ser revisto pelas empresas”, afirmou o executivo.

O CEO da Edelman informou que, em alguns anos, o modelo de negócio será modificado para que “a publicidade não interrompa a atenção do usuário”. Ferreira concordou com o primeiro palestrante, declarando que o fato é preocupante, pois não sabe o quanto as marcas estão levando isso a sério.

Durante o painel, Yacoff também falou sobre as três premissas do engajamento digital: monitoramento constante de redes, reação rápida e relacionamento com stakeholders. “Você precisa trabalhar sete dias por semana, durante 24 horas, já que não sabe quando as conversas vão surgir”, disse.

Os dois painéis foram realizados em São Paulo. Além deles, participaram do evento profissionais como o diretor de marketing da SulAmérica, Zeca Viera; a gerente de marketing do Instituto Ayrton Senna, Silmara Meira; e o diretor de estratégia e operações na Deloitte, Alexandre Arello.

Os profissionais presentes puderam participar de workshops com os temas de planejamento, mídia, recrutamento e monitoramento. O evento foi promovido pelo núcleo de redes sociais digitais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Portal Comunique-se e a agência F2F Digital – informa o Comunique-se

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Impossível

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Bom domingo

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Afinal, o que é publicidade?

O que é Publicidade?

         A verdade – acreditem – é que a maioria das pessoas não sabe definir Publicidade incluindo os donos de agência, os publicitários, os estudantes de Publicidade, muitos professores de Comunicação, editores de livros, tradutores, gerentes e diretores de marketing, anunciantes e jornalistas.

        E confundem Publicidade e Propaganda, como se fossem sinônimos.  

        Pois não o são! 

        Mesmo!

      “Publicidade é a criação e a veiculação de mensagens de vendas eficientes, para públicos selecionados”,  define o renomado professor Don Schultz, da NorthWestern University, dos Estados Unidos.

         Propaganda é a criação e a propagação de mensagens ideológicas, políticas ou religiosas.

         No mundo todo, Publicidade é a comunicação para a geração de negócios e Propaganda é a comunicação voltada às idéias, política e à religião.

         Só não é assim no Brasil.

         Publicidade é Publicitá na Itália, Publicidad na Espanha, Argentina, Bolívia, Chile e outros países de língua espanhola.

         É Publicidade em Portugal, Angola, Macau e outros países de língua portuguesa, sempre que se trata de comunicação comercial.

         Quando é política, ideologia ou religião, em todos estes países, é Propaganda.

         Publicidade é Reklama, na Alemanha, na Rússia, na Finlândia, Noruega e em outros países de nórdicos, germânicos, eslavos ou da antiga União Soviética – onde Propaganda só é usada para a política, ideologia ou religião.

         Em 1.992, conheci, em Lisboa, o Anatoly Karpov, um publicitário russo, gente fina, que era presidente da Vneshtorgreklama (a única e imensa agência de publicidade e de propaganda da então URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Onde ele fosse, iam dois agentes da KGB junto…

           Mesmo num país então comunista, Anatoly trabalhava com “reklama” para produtos e com “propaganda”para política e ideologia do Partido. Aliás, vale reler ali em cima o nome da agência que ele dirigia,  com sede em Moscou e filiais por toda URSS, com o detalhe de 16 mil funcionários…e todos os anunciantes privados, governamentais e políticos daquela que foi a segunda maior potencial mundial, até pouco tempo atrás. Antes da Perestroyka.

          Tenho, até hoje, o folder da agência do Anatoly, que, na verdade, é um livro, com 384 páginas – onde aparecem empresas soviéticas e internacionais que eles atendiam (além do Governo).

          Atendiam a duas empresas brasileiras, na União Soviética: a Petrobrás Comércio (que não vendia só petróleo por lá, não…vendia café, açúcar, cacau, soja, produtos químicos e petrroquímicos, veículos, máquinas e equipamentos) e a Companhia Mapa (sobre a qual não há maiores referências).

           Em Portugal, ainda se usam os “reclames”, como sinônimo de anúncios, e lá também se utiliza Publicidade e o verbo “publicitar”…e Propaganda é só para a política, ó pá.

         Nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e outros países de língua inglesa é Advertising para comércio e Propaganda para política, idéias e religião.

           Advertising deriva de advert, que significa advertência, que é como eram chamados os anúncios dos senhores de escravos, que anunciavam as fugas e recompensas pela captura dos mesmos, antes da Gerra Civil norte-americana. Funcionava tanto, que virou sinônimo da atividade: Advertising.

         No Brasil de antes de abolição da escravatura, estes mesmos anúncios se chamavam reclames…Só que no Brasil a palavra caíu em desuso, pelo seu duplo sentido – porque parece chato alguém reclamar que você vá preferir comprar na loja dele…

         Mas mesmo assim, antes dos anos 60, eram comum dizer “vou fazer um reclame”, ou “li aquele reclame”…

         Não existe uma explicação definitiva, sobre como aconteceu e se consolidou esta confusão no Brasil, onde se adotou o uso da palavra Propaganda como sinônimo (mesmo que equivocado) de Publicidade.

          Talvez – e muito provavelmente – a “culpa” seja dos próprios publicitários, nos tempos da II Guerra Mundial, quando aqui chegaram as grande agências norte-americanas, junto com as primeiras grandes marcas multinacionais e a propaganda anti-nazista, propaganda anti-facista, propaganda comunista, nazista e facista, propaganda pró-aliados e propaganda pró-América…

          Provavelmente, o termo propaganda, muito usado naqueles tempos, tenha caído no gosto dos brasileiros e, convenhamos, soa melhor e mais fácil do que Advertising

         Mas Propaganda significa outra coisa.

          Desde a década de 40, profiferaram as “agências de propaganda” no Brasil, popularizando o uso inadequado e equivocado da palavra, ao mesmo tempo em que outros preferiram “agência de publicidade”.

          O Governo do Brasil criou até um tal de  departamento de propaganda, que era uma terminologia correta para as funções deles, como o famoso DIP, de Getúlio Vargas (que trabalhou tão bem, de acordo com as intenções  deles, que até hoje a imagem de Getúlio é cultuada, como “o pai dos pobres”, quando, na verdade era um ditador, centralizador e estatizador).

           Nada a ver com os tempos atuais, não é;

          Vivemos numa democracia…aqui e na Venezuela.

         Na Constituição do Brasil, este equívoco se legalizou, com as Leis que regem a Propaganda em nosso país.

         E o Governo, inclusive, através do Ministério da Educação,  normatizou os Cursos de Publicidade e Propaganda.

         Eu me formei na década de 70 na Universidade Católica do Paraná, fiz mestrado no Siena Heights College  (nos Estados Unidos), dei aulas na Universidade Federal na década de 80, por quatro anos, e voltei a dar aulas no Unicenp no ano 2000.

         Juro que poucas ou raras aulas vi sobre a verdadeira Propaganda.

         Quem assistiu a alguma?

         No meu mestrado, assisti a algumas, com documentários sobre a propaganda nazista e comunista, mas foi muito, muito pouco. Todo o foco do ensino está na Publicidade, na comunicação comercial, que vende.

        Estou equivocado?

        Quem assistiu a documentários ou leu sobre Joseph Goebels, o mestre da Propaganda Nazista, em aulas, numa faculdade brasileira? Poucos. Pois todos deveriam, porque há muito que aprender com ele – sobre o que fazer e o que não fazer.

        Quem leu Mein Kampf, de Adolf Hitler, que tem um capítulo muito bem elaborado sobre a Propaganda, na Alemanha Nazista?

        E sobre a Propaganda Comunista? E a respeito dos processos eleitorais modernos, no Brasil, nos Estados Unidos, e em outros países.

       E sobre a Propaganda Comunista Chinesa, com o Livro Vermelho de Mao-Tse-Tung?

         Quem leu “Vende-se um Presidente”?

         Pois todos deveriam ler esta obra , difícil de encontrar (achei a minha num sebo – o que, explico aos mais jovens, é um lugar ótimo onde vendem livros, revistas, fotos, discos e CDs antigos ou usados,  ótimo local, inclusive, para pesquisar anúncios antigos).

         Este livro, de Joe McGinniss, em 1968, trata da campanha que elegeu Richard Nixon (que depois teve que renunciar, por causa do escândalo de Watergate – quem nasceu depois de 1970, não conhece esta história, mas deveria porque é uma aula de Jornalismo, Ética e Democracia).

         A propósito de Watergate, foi elaborado um ótimo livro, “Todos os Homens do Presidente”, de Bob Woodward e Carl Bernstein, que virou filme. Tem em vídeo e em DVD e é ótimo. Recomendo aos estudantes de Comunicação, porque que mostra como se entrevista, como se trabalha de uma forma verdadeiramente profissional no jornalismo  (por isso vale a pena ver o Dustin Hoffman e o Al Pacino, dos anos 70, para quem não quiser ler umas 500 e tantas páginas de pura e bem contada história verdadeira).

        Em 2006, Bob Woodward, em “O Homem Secreto” revela mais detalhes dos bastidores de Watergate e do escândalo que acabou derrubando o Presidente Nixo, assim como quem era o “Gasganta Profunda” – a fonte anônima de informação que alimentava os então jovens repórteres do Washington Post. Bom demais. Li em dois dias.

         Mas vamos voltar ao tema: Publicidade x Propaganda.

         Eu mesmo usei, por anos, inadequadamente os dois termos, até que um dia, em Londres, numa conferência que eu estava fazendo, cometi esta gafe de usar o termo Propaganda como sinônimo de Publicidade – e fui prontamente interrompido por um publicitário inglês, que me indagou, que eu não trabalhava com Advertising (Publicidade), e porque tinha feito aquela opção de trabalhar com Propaganda, ou seja:  “com comunicação política, se eu estava num meeting de comunicação comercial…”

        A minha ficha caíu na hora. Pedi desculpas, pelo equívoco e me corrigi, perante a platéia, tentando explicar o inexplicável. Daquele dia em diante, nunca mais cometi esta gafe.

        Juro que não coloquei a culpa no estagiário que fez o slide (ainda não se usava o power-point)…

       Em qualquer outro país do Mundo  (exceto no Brasil, ainda), se você usar o termo Propaganda estará transmitindo a informação de que trabalha com política. Pode dar a volta ao Mundo…Na China, no Japão, na Coréia, na Índia, na África do Sul, na Argentina, no México, no Canadá, na Espanha, na Áustria, na Austrália,  na Turquia, no Iraque, na Groelândia…onde estiver.

        Com a velocidade da informação, a net e a globalização, logo os brasileiros haverão de convir que não faz sentido continuar usando Propaganda como sinônimo de Publicidade, que é Advertising.

        Eu, pelo menos, já me policio o tempo todo – e não uso.

        Tenho certeza, também, que as editoras e os tradutores do inglês para o português no Brasil também têm culpa, nesta questão, pois muitas vezes traduzem de forma errada.

        Diversos autores, como Philip Kotler,  David Ogilvy, Joe Cappo, Al Ries, John Caples, Claude Hopkins, Kevin Roberts e muitos outros tiveram sua obra mutilada e prejudicada, por traduções equivocadas.

       Isso ocorre há décadas…e hoje em dia, com toda freqüência!

       Publicity, senhoras e senhores, também não é Publicidade.

        É Relações Públicas, ou melhor, é Assessoria de Imprensa (uma parte do trabalho de RP).

        Publicist é assessor de imprensa, ou press advisor ou press consultant ou  PR (Public Relations).

         Não é publicitário!

        Quem assistiu ao filme “O Manipulador”, de 2002, com o Dustin Hoffman, onde ele é um relações públicas decadente, em New York, que se mete numa confusão de drogas e política? Neste filme todo, as legendas misturam publicidade e relações públicas, todas as vezes em que dizem publicist, publicity, advertising….

        Já no filme “K.19”, de 2003, com Harrison Ford, o termo propaganda é usado da forma correta, pela polícia política a bordo daquele submarino comunista em apuros, com vazamento atômico, nos mares gelados do Atlântico Norte, ocorrido em 1961.

        Aliás, alguém aí vai se formar ou se formou como propagandista?

      Termo que, aliás, é muito utilizado para vendedores ambulantes de medicamentos, porque é válido para a comunicação boca-a-boca. Na propagação face-a-face, como fazem nas igrejas, nos comícios…

        Como eu gosto de provocar meus alunos, provoco meus leitores: como é que se chama, hoje, a ABAP?

        A ABAP, hoje, graças a um trabalho do Flávio Corrêa, se chama Associação Brasileira das Agências de Publicidade.  Era de Propaganda, e mudou, porque era e é errado!

       Como é que se chama o CONAR, o nosso Código de Auto-Regulamentação da nossa atividade, que cuida da ética no nosso negócio?

       É Código de Auto-Regulamentação Publicitária.

       Mas, sim, ainda existem vários Sindicatos de Agências de Propaganda…assim como agências de Propaganda e Marketing (o que é outro equívoco, pois Marketing é uma atividade totalmente direcionada à produção, distribuição e ao comércio, como veremos mais adiante, nada tem a ver com política – por isso, Marketing Político é outra invenção boba e exclusiva do Brasil – pois é simplesmente e nada mais do que Propaganda).  

      O que ocasiona este uso indevido dos termos?

      Creio que é a desinformação. Ou é falta de informação.

      Assim como os estudantes não sabiam, ou sabiam pouco, sobre o que escrevi nas linhas acima, jornalistas (mesmo o especializados), escritores, editores, tradutores, anunciantes, profissionais de marketing e publicitários também não sabiam, ou não se importavam com isso.

      Muitos continuam não se importando.

      Talvez, até, julguem irrelevante. Ou polêmico. Ou que não valha a pena discutir e corrigir esta distorção. Sem importância, diriam.

      Mas não é!

      Pelo menos penso assim.

      Basta, um dia, vocês terem que enviar um relatório para a matriz em Londres, ou para um cliente multinacional, em New York, Toronto, Paris, Roma, Lisboa, Bonn, Moscou, Pequim, ou Buenos Aires e escreverem: “Nossos investimentos em Propaganda serão de….”

       Acabaram de perder o emprego, babies 

       O mundo, caros amigos, não se restringe ao Brasil. Faz tempo.

       Sugestão: Leiam livros sobre a História da Publicidade e da Propaganda, pesquisem em revistas antigas, dos anos 20, 30, 40 e 50 (vocês podem encontrá-las em sebos, feiras de antiguidades e bibliotecas públicas).

                 Passeiem pela Internet, nos sites dos grandes grupos de Advertising, Publicity, Promotion, Public Relations, Design, Merchandising, Sponsorship e – se acharem – de Propaganda. Estas viagens ao passado e ao futuro podem ser bem úteis, para olhos e mentes atentos.

               E mais: quem não lê, fala e escreve Inglês, tem seu futuro comprometido.

               Sorry babies, mas é a verdade!

               Com a globalização e a Internet, não tem jeito. Setenta por cento das comunicações comerciais mundiais na são em inglês. As maiores agências e grupos de comunicação estão nos Estados Unidos e Reino Unido, com algumas exceções na França e Japão. So…you do have to learn English, my dear…

Em tempo: no livro “O Publicitário Legal”, de 2005,  que trata da legislação da Publicidade no Brasil (de leitura impescindível), Roberto Schultz registra concordar com a minha posição na página 2.

 

JJ

 

Trecho do meu livro “Publicitar – Uma nova visão da Publicidade”, editado pela Qualitymark.

 

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