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05/15

‘Dono do futebol brasileiro’, réu confesso J. Hawilla terá de devolver US$ 151 milhões. FBI prende dirigentes da Fifa.

 

O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos pela polícia da Suíça em uma operação surpresa na madrugada desta quarta-feira, em Zurique. As detenções aconteceram a pedido das autoridades americanas, que investigam os cartolas por envolvimento em um esquema de suborno que já duraria mais de duas décadas. As acusações foram detalhadas em umdocumento (leia aqui em inglês) divulgado pelo Departamento de Justiça americano. Os dirigentes devem ser extraditados para os Estados Unidos. O presidente da entidade e candidato à reeleição, o suíço Joseph Blatter, não está entre os suspeitos e, segundo a Fifa, o pleito desta sexta-feira está mantido.

Além do ex-presidente da CBF José Maria Marin, de 83 anos, outros dois brasileiros são citados pela Justiça norte-americana no escândalo de corrupção entre a Fifa e empresas de marketing e transmissão esportiva.

O mais conhecido deles é o réu confesso José Hawilla, de 71 anos, dono da Traffic Group, maior agência de marketing esportivo da América Latina, que tem os direitos de transmissão, patrocínio e promoção de campeonatos de futebol e jogadores, além de empresas de comunicação no Brasil.

O departamento de Justiça revelou que J. Hawilla, como prefere ser chamado, teria confessado culpa, em dezembro do ano passado, por acusações de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça – ele é o único brasileiro entre os réus confessos declarados culpados pela Justiça dos EUA.

O caso envolvendo Hawilla, uma das figuras mais proeminentes do futebol nacional, só veio a público na manhã desta quarta-feira, com a divulgação da nota do departamento de Justiça, onde aparece com destaque.

Segundo a nota do governo dos EUA, o executivo teria concordado com o confisco de US$ 151 milhões de seu patrimônio – US$ 25 milhões deste total já teriam sido pagos no momento da confissão. O mandatário da Traffic já foi classificado diversas vezes pela imprensa nacional como “dono do futebol brasileiro”.

De acordo com reportagens publicadas pela imprensa brasileira nos últimos 10 anos, estima-se que o faturamento anual da empresa de J. Hawilla, que começou a carreira profissional como vendedor de cachorros-quentes, gire em torno de US$ 500 milhões.

Negócios lucrativos

O Departamento de Justiça americano indiciou 14 pessoas por fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha: nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de empresas ligadas ao futebol.

O grupo é acusado de armar um esquema de corrupção com propinas de pelo menos US$ 150 milhões de dólares (mais de R$ 470 milhões), que existe há pelo menos 24 anos.

“O indiciamento sugere que a corrupção é desenfreada, sistêmica e tem raízes profundas tanto no exterior como aqui nos Estados Unidos”, disse a procuradora-geral Loretta Lynch. “Essa corrupção começou há pelo menos duas gerações de executivos do futebol que, supostamente, abusaram de suas posições de confiança para obter milhões de dólares em subornos e propina.”

A nota divulgada pela Justiça americana afirma ainda que investiga suposto pagamento e recebimento de suborno e propina em um acordo de patrocínio “da CBF com uma grande fabricantes de roupas esportivas dos EUA”, na seleção do país anfitrião da Copa do Mundo de 2010 e nas eleições presidenciais da FIFA em 2011.

“Que fique claro: este não é o último capítulo na nossa investigação”, disse o procurador americano Kelly T. Currie, durante o anúncio dos envolvidos no esquema de corrupção.

A empresa de J. Hawilla é a atual responsável pelos direitos de torneios como a Copa Libertadores, passes de jogadores como o argentino Conca e o brasileiro Hernanes, dona de times como o Estoril Praia, de Portugal, e pelas vendas de camarotes do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, em São Paulo.

A Traffic teve exclusividade na comercialização de direitos internacionais de TV da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, em 2014. O empresário brasileiro também foi o responsável pelo contrato celebrado em 1996 entre a Nike e a seleção brasileira – alvo de uma CPI, encerrada em junho de 2001 sem desdobramentos práticos.

Em 2008, J. Hawilla foi eleito o 56º homem mais influente do futebol mundial pela revista britânica World Soccer.

Marin e Margulies

José Maria Marin, presidente da CBF até o mês passado, é outro brasileiro entre os detidos pela polícia americana. Aos 83 anos, tem fama de ter subido na carreira por ser “o homem certo no lugar certo”.

Marin já foi governador biônico de São Paulo durante a Ditadura Militar, deputado estadual paulista e vereador paulistano. Atualmente, ele é filiado ao PTB.

Assumiu o governo de São Paulo em 1982, quando o então governador Paulo Maluf foi disputar o cargo de deputado federal.

Também chegou à Presidência da CBF com uma renúncia, quando Ricardo Teixeira deixou o cargo por problemas de saúde e pressionado por denúncias de irregularidades à frente da entidade. Conforme estatuto da CBF, como Marin era o vice mais velho, ele assumiu a presidência da federação, integrando também a chefia do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014.

Logo que assumiu o cargo, Marin já foi reconhecido por gafes: já confundiu Ronaldo com Romário e, em 2012, foi flagrado colocando no bolso uma das medalhas da Copa São Paulo de Futebol Júnior durante a premiação aos jogadores vencedores do torneio.

O terceiro brasileiro investigado pelo FBI é José Margulies, de 75 anos, proprietário das empresas Valente Corp. e Somerton Ltd., ambas ligadas a transmissões esportivas.

Segundo o departamento de Justiça, Margulies supostamente atuou como intermediário para facilitar pagamentos ilegais entre executivos de marketing esportivo e autoridades do futebol.

Margulies aparece na lista dos acusados pela Justiça americana – que inclui outras nove pessoas, mas não traz mais informações sobre os desdobramentos práticos das acusações.

Uma representante da Traffic Sports disse à BBC Brasil que não havia ninguém disponível para comentar o teor da nota, até a publicação desta reportagem.

Fonte: BBC e Veja

Atualização:

De acordo com a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta E. Lynch, o país está “determinado a acabar com a corrupção no mundo do futebol”. O FBI revelou irregularidades na organização da Copa de 2010 na África do Sul e da Copa América de 2016, comemorativa ao centenário da competição, nos EUA, e disse que os acusados podem cumprir até vinte anos de prisão.

“Os detidos utilizaram suas posições de confiança para pedir subornos em troca dos direitos comerciais, e o fizeram várias vezes, ano após ano, torneio após torneio”, afirmou Lynch em entrevista coletiva junto com o diretor do FBI, James B. Comey, e outras autoridades, em Nova York. A procuradora-geral citou, entre outros casos de corrupção, o processo de escolha da África do Sul como sede do Mundial de 2010, no qual os envolvidos “corromperam, através de subornos, para influir na decisão”. A acusação também alega que houve corrupção e subornos na eleição do presidente da Fifa, Joseph Blatter, em 2011, e nos acordos relativos ao patrocínio da Nike com a seleção brasileira.

Além disso, segundo a investigação, a Copa América Centenário, que será realizada pela primeira vez nos Estados Unidos em 2016, “foi usada como veículo em uma conspiração mais ampla para encher os bolsos dos dirigentes com subornos de um total de 110 milhões de dólares”, que representam quase um terço dos custos legítimos dos direitos envolvidos nos torneios. “Em resumo, estes indivíduos e organizações incorreram em subornos para decidir quem televisionaria as partidas, onde elas seriam realizadas e quem controlaria a organização que supervisiona o futebol no mundo”, acrescentou Lynch.

2014 - Richard Weber, responsável da seção de investigações criminais da Direção do Imposto de Renda (IRS) americano, chamou o escândalo de “Copa do Mundo da fraude” e disse que “a Fifa levou um cartão vermelho”. Ele disse ainda que a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, também será alvo de investigações, mas não apresentou nenhuma irregularidade até o momento.

Já a promotora federal do distrito de Brooklyn, Kelly Currie, avisou que a detenção de altos dirigentes “é apenas o início do nosso esforço para combater a corrupção no futebol”. Apesar da crise, a Fifa manteve a eleição presidencial, entre o atual mandatário Joseph Blatter, e o príncipe da Jordânia, Ali Bin al-Hussein, para esta sexta-feira.

Os 11 dirigentes banidos da Fifa:

José Maria Marín, brasileiro (ex-presidente e atual vice-presidente da CBF)

Nicolás Leoz, paraguaio (ex-presidente da Conmebol e ex-membro do comitê executivo da Fifa)

Jeffrey Webb, caimanês, (vice-presidente da Fifa e membro do Comitê Executivo, presidente da Concacaf e da federação de Ilhas Cayman)

Eduardo Li, costarriquenho (presidente da federação de Costa Rica, membro do Comitê Executivo da Fifa e do Comitê Executivo da Concacaf)

Julio Rocha, nicaraguense (presidente da federação da Nicarágua e membro do comitê de desenvolvimento da Fifa)

Costas Takkas, inglês (braço-direito do presidente da Concacaf)

Jack Warner, trindadense, (presidente da União de Futebol do Caribe, conselheiro especial da federação de Trinidad e Tobago, ex-vice-presidente do Comitê Executivo da Fifa e ex-presidente da Concacaf)

Eugenio Figueredo, uruguaio (vice-presidente da Fifa e membro do comitê executivo, ex-presidente da Conmebol e da federação uruguaia)

Rafael Esquivel, venezuelano (presidente da federação da Venezuela e membro do comitê-executivo da Conmebol)

Charles Blazer, americano (ex-secretário-geral da Concacaf e ex-membro do Comitê Executivo da Fifa)

Daryll Warner, americano (filho do também acusado Jack Warner, ex-membro do comitê de desenvolvimento da Fifa)

Fonte: Veja (com agência EFE)

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05/15

Por que os Estados Unidos comandam a operação contra a corrupção na Fifa?

Por que o escândalo da Fifa é investigado pelos EUA, mais propriamente pelo FBI, e por que o Departamento de Justiça anuncia que vai pedir a extradição de todos os envolvidos, inclusive estrangeiros? Será aquela velha mania do país de se comportar, segundo seus críticos, como polícia do mundo?

Não!

Ocorre que parte dos crimes, especialmente aqueles relacionados à empresa do brasileiro J. Hawilla, foi cometida nos Estados Unidos. Não por acaso, o dono da Traffic fez o acordo com a Justiça do país, admitindo uma penca de crimes. E foi nos EUA que aceitou pagar uma multa de US$ 151 milhões. Essa foi uma das condições para não ser preso.

As leis americanas conferem ao Departamento de Justiça o poder de pedir a extradição de estrangeiros que cometam crime em solo americano. As propinas aos dirigentes teriam sido pagas por intermédio de bancos dos EUA.

A operação foi realizada numa colaboração das autoridades suíças e americanas, e o pedido de extradição será encaminhado à Suíça — que pode recusá-lo. Dificilmente acontecerá nesse caso, especialmente quando já se tem uma confissão. J. Hawilla entregou o serviço.

Mais: as autoridades americanas contaram também com a colaboração de outro corrupto confesso: o americano Chuck Blazer, que já foi membro do Comitê Executivo da Fifa. Ele colaborava com a investigação e teria feito uma série de gravações que comprometem dirigentes da entidade, evidenciando que os EUA foram usados como teatro de operações dos corruptos.

Por Reinaldo Azevedo

28
05/15

Contrato CBF-Nike rendeu US$ 15 milhões em propina a Ricardo Teixeira.

Ricardo Teixeira (Foto:  Harold Cunningham/Getty Images)

A investigação norte-americana sobre corrupção na Fifa e em entidades regionais de futebol revela que o contrato de US$ 160 milhões da CBF com a Nike, assinado em julho de 1996, rendeu pelo menos US$ 15 milhões de dólares em propina ao ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira. O acordo com a empresa de roupas esportivas foi intermediado por José Hawilla, então agente de marketing da CBF. Pelo contrato, assinado em Nova York, a Nike passaria a ser o fornecedor exclusivo de material esportivo da CBF por dez anos.

Nesta quarta-feira (27), o ex-presidente da CBF José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa foram presos na Suíça por suspeita de corrupção. De acordo com a denúncia do Ministério Público dos Estados Unidos, eles integravam um esquema de subornos que permeava a maior parte das competições e negócios internacionais no futebol.

O contrato da CBF com a Nike foi assinado por Teixeira, em nome da CBF, por José Hawilla, e por quatro representantes da empresa esportiva. A CBF transferiu um percentual do valor dos pagamentos à Traffic. De acordo com a investigação do FBI, a Nike concordou em pagar à Traffic mais US$ 40 milhões, além dos US$ 160 milhões, em uma negociação financeira que não aparece no contrato.

Três dias depois do acordo, um novo contrato de apenas uma página foi firmado entre a Traffic e a Nike. Por ele, a CBF autorizou a Traffic a dar recibos à empresa esportiva “diretamente por taxas de marketing pela negociação bem-sucedida e a performance da empresa”. O montante pago não chegou aos US$ 40 milhões combinados. Entre 1996 e 1999, a Traffic deu recibos que somaram US$ 30 milhões.

Segundo a denúncia do Ministério Público dos EUA, Hawilla pagou a Teixeira“metade do dinheiro que ganhou no negócio de patrocínio, totalizando milhões de dólares, como propina e suborno”.

Trecho de denúncia do MP dos EUA afirma que José Hawilla e Ricardo Teixeira dividiram meio a meio valores recebidos por fora no contrato da CBF com a Nike (Foto: reprodução)
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Fonte: Época

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05/15

Polícia Federal: buscas na CBF e empresa de Kleber Leite.

A sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)
A sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)(Ricardo Moraes/Reuters)

Após recolher documentos na sede da Klefer, empresa de marketing esportivo de propriedade do ex-presidente do Flamengo Kleber Leite e parceira da CBF, agentes da Polícia Federal pretendiam ir até a sede da CBF, pois têm mandato de busca e apreensão de documentos e serão recebidos por responsáveis pelo departamento jurídico da entidade.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, confirmou ter recebido a informação da “visita” da Polícia Federal. “Eu não fiquei lá porque o dia foi corrido e preciso descansar um pouco. Mas temos gente do departamento jurídico, administrativo, de tecnologia da informação para atendê-los (os agentes) em tudo que solicitarem. Serão muito bem recebidos”, disse, garantindo que todos os documentos e informações que forem solicitados serão entregues às autoridades. Os agentes estão de posse de mandatos de busca e apreensão.

Feldman confirmou que uma reunião extraordinária entre diretores da entidades determinou, no início da noite desta quarta-feira, o afastamento de José Maria Marin da entidade “até a definitiva conclusão do processo”. Durante o dia, Marin havia sido banido da Fifa.

Também reiterou a posição da entidade de fazer uma nova análise de todos os contratos feitos em administrações anteriores à de Marco Polo Del Nero que ainda estejam em vigor.

Fonte: Veja

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05/15

Itaú e Banco do Brasil no escândalo da Fifa?

O esquema de propina na cúpula da Fifa, que prendeu sete cartolas ontem, pode colocar o Banco do Brasil e o Itaú na investigação do FBI. Por meio de contas nesses bancos, foram pagas propinas a dirigentes da América Latina, incluindo o torneio Copa do Brasil.

De acordo com o governo americano, um dos próximos passos da investigação é apurar se houve o apoio das instituições financeiras para facilitar as transferências. Documentos da investigação nos EUA mostram transferências milionárias usando contas dos dois bancos brasileiros.

Sede da Fifa, em Zurique, na Suiça (Foto: Michael Probst/AP Photo)

O relatório do FBI revela que entre 2004 e 2011 foram feitos 15 depósitos nas contas da Comenbol, totalizando US$ 49 milhões. A transferência passou por um correspondente bancário do Banco do Brasil em Nova Iorque e, depois, foi para a conta da entidade no Paraguai, também do Banco do Brasil. O montante partiu diretamente de transferências eletrônicas da empresa de marketing esportivo Traffic, do empresário José Hawilla, réu confesso. Segundo a investigação, esses pagamentos eram propina para garantir os contratos de marketing da Copa América.

O banco Itaú é citado em duas transferências suspeitas. A primeira delas é remessa de US$ 150 mil em uma conta do Itaú na Flórida, para uma conta de Júlio Lopez, presidente da confederação de futebol no Nicarágua _ o autor do depósito é mantido sob sigilo. Houve ainda uma transferência de US$ 500 mil saindo do Itaú em Nova Iorque para uma conta de uma empresa de iates de luxo na Inglaterra, em 2013. O caso é relacionado a propina para o torneio Copa do Brasil, mas não é citado o autor do pagamento. “O Itaú, como patrocinador da CBF e banco oficial da Seleção Brasileira de futebol, está acompanhando as notícias sobre as investigações. O banco reforça que preza pela total transparência e ética, valores que sempre busca nos relacionamentos com todos os seus fornecedores e parceiros”, informou por nota o Itaú. O BB ainda não se manifestou.

Fonte: Época

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05/15

Como as denúncias de corrupção na Fifa atrapalham a reeleição de Joseph Blatter.

Joseph Blatter, presidente da Fifa (Foto: AP)

Departamento de Justiça dos Estados Unidos deteve sete dirigentes da Fifa na Suíça, divulgou investigações sobre propinas e subornos que envolvem 18 cartolas e colocou Joseph Blatter, atual presidente, contra a parede. Não podia haver pior momento para o suíço que preside a federação desde 1998, quando substituiu o brasileiro João Havelange. As bombas caíram a dois dias da eleição na federação que manda no futebol da qual era franco favorito.

Demorou pouco para que a UEFA, presidida pelo ex-jogador francês Michel Platini, rival político de Blatter de longa data, se mexesse. A federação europeia pediu horas depois, com nota oficial repleta de pesadas críticas, o adiamento do pleito para daqui a seis meses.

>> Quem são os sete cartolas presos pelo FBI por corrupção na Fifa

“Esses eventos mostram, mais uma vez, que a corrupção está profundamente enraizada na cultura da Fifa. Há necessidade de um ‘reboot’ da Fifa e de uma reforma real”, escreveu o comitê executivo da UEFA, que diz “estar convencido de que há forte necessidade de mudança de liderança nesta Fifa”. Leia-se: tirar Joseph Blatter do poder após longos 16 anos.

Platini já mexia pauzinhos para emplacar o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein, único a manter candidatura contra Blatter para as eleições de sexta depois que o ex-jogador português Figo e o cartola holandês Michael van Praag desistiram do pleito. O francês apoiou o príncipe jordaniano publicamente diversas vezes e afirmou que a Fifa precisava de nova liderança.

Michel Platini, presidente da UEFA (Foto: AP)

Mas não parecia ser suficiente para derrotar Blatter. Ainda que a UEFA tenha 54 países, confederação mais numerosa do mundo no futebol, a Fifa tem 209 membros com direito a voto. O poder do suíço sobre federações do resto do mundo é expressivo porque, com ele na presidência, repasses financeiros se multiplicaram em várias vezes entre 1998 e 2014. Balanços financeiros da entidade mostram que “despesas de desenvolvimento”, dinheiro que é repassado pela Fifa para federações locais, aumentaram de US$ 455 milhões entre 2003 e 2006, ciclo da Copa do Mundo na Alemanha, para US$ 1 bilhão entre 2011 e 2014, período da Copa no Brasil. Isso fora a verba gasta com congressos, hospedagens e outros mimos.

Só que o jogo virou com a entrada das autoridades americanas em cena. Se antes Platini tinha de se empenhar para angariar votos contra Blatter, agora a UEFA tem o pretexto perfeito para tirar o time de campo e acusar a Fifa de manipular as eleições. A jogada está  explícita na nota desta quarta: “o congresso da Fifa que se aproxima corre o risco de ser transformado em uma farsa, e, portanto, as associações europeias precisam considerar cuidadosamente se elas devem comparecer a este congresso e advertir um sistema que, se não for parado, acabará por matar o futebol”.

Nos Estados Unidos, a procuradora-geral Loretta Lynch, responsável pelas investigações sobre propinas e subornos na Fifa, afirmou que a detenção dos sete dirigentes da entidade nesta quarta não foi proposital para atrapalhar as eleições de sexta. Ela disse a repórteres que “promotores resolvem casos quando as evidências são obtidas” e que não havia como levar o pleito em consideração. Verdade ou não, o estrago já foi feito. A Fifa manteve as eleições marcadas para sexta-feira – restringiu-se a suspender provisoriamente 11 dirigentes envolvidos nas investigações e a dizer que coopera com as autoridades americanas e suíças.

Resta saber se, diante da gigantesca pressão que sofrerá nesta quinta de associações europeias e da imprensa do mundo todo, Blatter conseguirá segurar o pleito – e os votos que já tinha conquistado – para esta sexta-feira. O reinado de 16 anos está em jogo.

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Fonte: Época

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COMENTÁRIO

Vale lembrar que o FBI informou que o que foi revelado ontem, neste escândalao de corrupção na Fifa, “é só o começo”.

Provavelmente vai envolver Blatter e outros dirigentes e as Copas do Mundo do Brasil (tomara!), da Rússia e do Catar.

JJ

28
05/15

Frase do dia.

Depois do Mensalão e do Petrolão,

surgiu o Cartolão para animar a festa…

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Por Lauro Jardim

28
05/15

Lula surpreso? Escolha do Brasil como sede da Copa de 2014 será investigada pela Justiça dos EUA.

Blatter 2014

A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, anunciada em outubro de 2007, será investigada pela Justiça dos Estados Unidos.

Procuradores americanos confirmaram a informação nesta quarta-feira em Nova York, mas não deram mais detalhes a respeito.

“Não podemos falar mais sobre isso”, afirmaram em entrevista coletiva, horas após a prisão, em Zurique, do ex-presidente da CBF José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa envolvidos em um esquema de corrupção que movimentou mais de 100 milhões de dólares.

As autoridades também investigam o pagamento de propina envolvendo o patrocínio da CBF por uma grande empresa dos EUA, a escolha da África do Sul como anfitriã da Copa de 2010 e as eleições presidenciais da Fifa em 2011.

Na sede da entidade na Suíça, ainda foram recolhidos documentos em uma apuração relacionada à escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022.

Eu sempre achei que Lula não tinha ficado muito surpreso com o anúncio do Brasil como sede.

Mas não vou dizer que, para variar, ele sabia de tudo.

Lula Copa

Felipe Moura Brasil, em Veja

28
05/15

Como o escândalo da Fifa afeta as marcas.

A fama de que americanos não ligam para futebol faz cada vez menos sentido. Poucos dias antes da realização da Copa América, que terá sua abertura no próximo dia 11 de junho, no Chile, os meios de comunicação não param de veicular peças com jogadores latinos diante do aumento crescente pelo interesse do esporte. Nada mais emblemático que, a Justiça americana estar à frente das investigações da prisão, nesta quarta-feira 27, de executivos do futebol que se reuniam para um evento da Fifa na Suíça, dentre eles, José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), suspeitos de corrupção generalizada nas últimas duas décadas.

Com residência e escritório em Atlanta, o consultor e empresário Jaime Troiano, fundador do Grupo Troiano Branding, falou com o Meio & Mensagem. Segundo ele, a repercussão do caso nos Estados Unidos está sendo razoável. “Cada vez mais fala-se de futebol aqui e o caso da FIFA virou assunto” Em entrevista, Troiano analisa o impacto que o caso pode causar em marcas como Adidas, Coca-Cola, Visa, Hyundai e Gazprom, patrocinadores diretos da entidade e de outros parceiros como a Nike, que pode estar envolvida no esquema.

Meio & Mensagem – Qual o efeito do escândalo da FIFA sobre seus patrocinadores diretos como Adidas, Coca-Cola, Visa e Hyundai?
Jaime Troiano –
 O preço a ser pago será muito alto. Não só por causa da marca, mas pelo envolvimento institucional e corporativo nos bastidores. Claro que, não foram as marcas, mas sim funcionários, de qualquer maneira, o estrago já está feito. O principal dano aqui é a relação entre corrupção e esporte, um assunto tão nobre. Ainda é difícil saber em detalhes o tamanho do desgaste.

M&M – A fama da FIFA de não ser transparente não deveria ter deixado as marcas em alerta?
Troiano –
 Concordo que a FIFA tem essa reputação, mas eu acredito que a aposta dessas empresas não na entidade, mas no esporte, é baseada em princípios sólidos. Ou seja, eu acredito que essas empresas possuem base para confiar na retidão da FIFA. Mesmo sabendo que jamais deveriam comprar um carro usado da FIFA, as empresas se baseiam em contratos estruturados. Além disso, não há muito o que ser feito, é impossível para uma marca global criar uma estrutura de patrocínio sem envolver essa entidade.

M&M – Com frequência vemos marcas envolvidas em escândalos, principalmente no caso do patrocínio direto de atletas, mas é algo que foge do controle da marca. Neste caso, qual a diferença?
Troiano –
 Quando vemos a Nike com problemas com o Lance Armstrong (o ciclista perdeu dezenas de patrocínios após admitir que se dopou), entendemos que é algo que foge do controle. Agora, quando o envolvimento é corporativo, ou seja, que alguns funcionários de determinada empresa provocaram aquilo, o problema tende a ser bem maior. As corporações são depositárias dos valores de uma marca.

M&M – Temos brasileiros envolvidos no escândalo ligados à Confederação Brasileira de Futebol. Qual o impacto disso para o futebol nacional?
Troiano –
 Sendo bem sincero. Isso para mim é um processo de purificação nacional. O caso da CBF se soma ao da Petrobras e de diversos outros escândalos. Estamos diante de várias caixas-pretas sendo abertas. Eu realmente espero que isso sirva para que tenhamos um ambiente de marketing e patrocínios mais saudável. E que a CBF consiga pautar melhor seu caminho.

M&M – Estamos a poucos dias da Copa América, um evento importante para muitos patrocinadores. É hora de mudar algum plano?
Troiano –
 Em curto prazo não, a própria FIFA está mantendo seu planejamento, inclusive a eleição para a presidência, não acredito que a Copa América seja prejudicada, ou que alguma marca tenha que mudar seu plano de marketing.

M&M – Para uma marca envolvida em uma situação assim, o que deve ser feito?
Troiano –
 A primeira coisa é agir de imediato e com rapidez. Não dá para esperar passar um dia para se posicionar. Segundo, a empresa deve estar preparada para crises, e sendo essas marcas globais, não tenho dúvida da eficiência de suas estruturas.

M&M – Deve existir uma ação regional?
Troiano –
 Sem dúvida. As marcas globais só se tornaram globais por conseguirem manter seu diálogo local. E nessas horas isso é fundamental.

Fonte: Meio e Mensagem

28
05/15

CVC compra a Submarino Viagens.

A CVC Brasil anunciou, na noite da última terça-feira (26), a aquisição da Submarino Viagens (B2W Viagens e Turismo Ltda). As empresas CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S.A assinaram um “Contrato de Compra e Venda de Quotas”, que resultará, após a finalização de uma auditoria confirmatória, na aquisição de 100% do controle acionário da Submarino Viagens.

De acordo com a Luiz Eduardo Falco, presidente da CVC, e Luiz Fernando Fogaça, vice-presidente administrativo da CVC, o objetivo é fortalecer seu canal online, no entanto, as empresas continuarão a atuar de forma independente. “Temos o direito de usar a marca por 10 anos. A plataforma de operações da B2W é significativa e vamos nos apropriar de algumas ferramentas, mas ainda não determinamos isso. Inicialmente, as operações serão separadas”, explica Fogaça.

O pagamento para a aquisição de 100% do capital social da B2W Viagens será baseado em um valor por visita originada dos sites da B2W, sujeito ao atingimento de taxas mínimas de conversão. O valor total acumulado é de R$ 80 milhões, com pagamento realizado em dez parcelas anuais.

O preço de aquisição está sujeito a ajustes relacionados a níveis de capital de giro e endividamento (premissa de endividamento zero) e a confirmação dos resultados financeiros do ano de 2014 previamente ao fechamento da operação (“Fechamento”). Esse fechamento ocorrerá após a verificação de determinadas condições precedentes, incluindo a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE.

Ao se unir com a Submarino Viagens, a CVC passa a ser o segundo player do mercado online no Brasil. A respeito da crise econômica vivida pelo Brasil atualmente, Falco explica que a empresa teve crescimento no primeiro trimestre de 2015. “Tivemos números históricos, apesar de não conseguirmos prever o futuro. Essa compra foi, justamente, para aumentar o tráfego e o volume de vendas. Já oferecemos muitas promoções e novos produtos, mas queremos ampliar isso”. O mercado de viagens, de acordo com Falco, é mais resiliente porque já faz parte do orçamento dos brasileiros. Apesar de diminuir com a crise, viajar não sai da programação.

Sobre o target de cada plataforma, Falco explica que a Submarino Viagens tem um público internauta, que está sempre conectado e pesquisando. “Já a CVC, por ter lojas físicas, possui um perfil que busca lazer, e está em busca de pacotes, podendo ser ou não, internauta. Com isso, o tiket da Submarino é menor do que a da CVC”, afirma Falco.

Fazem parte da B2W as marcas Americanas.com, Submarino, Shoptime e Sou Barato. No entanto, apenas Submarino Viagens e a agência Milevo foram adquiridas.

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