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04/17

Google volta a oferecer programática em TV.

O Google vai incorporar uma ferramenta de venda de inventário de comerciais de TV através de sua tecnologia, o que marca a volta dos investimentos da companhia neste meio. O Google anunciou nesta segunda-feira, 24, que tem planos para oferecer anúncios de TV via mídia programática, por meio da qual anunciantes poderão alcançar o público de TV da mesma forma com que compram espaço digital na plataforma da empresa.

Controle-TV

Pela primeira vez, marcas poderão comprar espaço publicitário na televisão pelo Google, mas ainda não está claro quais canais e inventários estarão disponíveis e quantos domicílios devem ser alcançados. Em 2012, o Google descontinuou um produto parecido, o Google TV Ads, que se propunha vender comerciais de televisão e funcionava como o AdWords, leiloando espaço publicitário através de decodificadores. Na época,  o produto não decolou.

Agora, o Google está fechando parcerias com as empresas de tecnologia para TV Wideorbit e Clypd, além do Google Fiber, o provedor de internet da companhia. Anunciantes serão capazes de utilizar o DoubleClick, adtech do Google, para encontrar audiências no inventário disponível na TV.

“Ao nos integrarmos com provedores de inventário televisivo, incluindo provedores locais, somos capazes de oferecer às agências e anunciantes a possibilidade de comprar seu espaço publicitário para TV de forma programática, através do DoubleClick”, disse a empresa em seu anúncio. “Isto significa que os anúncios para TV podem ser comprados, direcionados e mensurados na mesma plataforma que seus anúncios de vídeo digitais e anúncios para TVs conectadas”.

O Google afirmou que a ferramenta está disponível apenas em versões de teste até agora. A empresa tem investido agressivamente em publicidade tradicional para TV, e também está lançando a YouTube TV, uma assinatura de televisão com vários canais baseada em internet, a um custo mensal de U$35.

É provável que o Google venha a sofrer resistência à medida em que se move em direção a publicidade televisiva, uma vez que players tradicionais estão preocupados em relação à sua dominância em negócios digitais.  O mercado de TV programática está crescendo, embora seja ainda pequeno, e deve contabilizar U$4.4 bilhões ou 6% de todos os gastos em TV em 2018, de acordo com o eMarketer.

Companhias como a Adobe (que comprou a TubeMogul), Simulmedia, Videology e outras já tem trabalhado com a venda de anúncios através da tecnologia programática. O Google, neste contexto, é visto como um competidor em potencial para redes de televisão, já que é responsável por abocanhar investimentos através do YouTube.

“Há alguns anos atrás, o Google tentou uma iniciativa similar e as redes de televisão evitaram esse método, então o Google acabou com o projeto”, analisou Jim Nail, um analista da Forrester Research. “Os tempos são um pouco diferentes, mas é improvável que o DoubleClick alcançará algo além do inventário remanescente. No ponto em que estamos, o melhor que se pode dizer é que talvez as redes de televisão queiram ‘colocar os pés na água”, disse ele.

Fonte: Meio e Mensagem

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04/17

A Terceira Guerra Mundial já está rolando. E ela é digital.

cyber warfare

“O papel dos meios não-militares para alcançar os objetivos políticos e estratégicos tem crescido e, em muitos casos, têm até excedido o poder da força das armas em sua eficácia”.

Valery Gerasimov, general russo, em artigo “The Value of Science in Prediction” sobre o crescimento do digital nas guerras contemporâneas.

“Há dois tipos de instituições, as que sabem que foram hackeadas e as que não sabem, mas já foram hackeadas de qualquer forma”.

Dmitri Alperovitch, co-fundador e CTO da CrowdStrike, empresa norte-americana especializada em segurança tecnológica.

Quando falo da Terceira Guerra Mundial não estou me referindo exatamente a que Donald Trump iniciou com seu ataque a Síria. Estou me referindo a guerra digital que invadiu a internet profunda, a deep web, fazendo a alegria dos hackers da Macedônia nas eleições norte-americanas, como hoje sabemos, mas que também ocupa os campos minados da preparação e estimulo a conflitos armados em várias regiões do Planeta. E que já está alimentando a guerra de Trump e Putin não é de hoje.

Todos os grandes governos e grupos militarizados do mundo mantém hoje tanto um permanente monitoramento dos atos de guerra, como também grupos de ação ativos na internet profunda. Fazem isso seja para arregimentar seguidores, como é o caso do Estado Islâmico, seja para fomentar contra-informação e ódio, aquecendo a ira por justiçamentos via conflitos bélicos. Fora a organização estratégica de combates e ações militares de campo propriamente ditas, apesar de estarem no aparentemente distante mundo virtual.

Na deep web você compra armas e bombas. E aprende a usá-las. Na deep web o Governo norte-americano fomentou informações sobre a existência de armamento nuclear no Iraque, o que ajudou a estimular a Guerra do Iraque. Na deep web Putin escancaradamente hackeou as eleições dos EUA (todos os órgãos de segurança do País sabiam disso, mas Obama teve receio de trazer o assunto à tona para não ser acusado de estimular a campanha de Hilary. Bom, deu Trump). Na deep web um grupo de hackers especializado em guerras chamado Duke invadiu, em 2014, o sistema digital de controle do Departamento de Estados dos EUA e, segundo as próprias autoridades norte-americanas, ficaram “donos” do sistema.

Segundo analistas do Pentágono, Departamento de Defesa e CIA, relata a revista New Yorker em excelente reportagem sobre o tema, Putin usa a deep web há alguns anos e seu objetivo não é simplesmente influenciar nos resultados das eleições dos EUA, como fez com êxito, mas desestabilizar todo o elo de alianças do Ocidente, minando-o com desinformação e fake news, estimulando revoltas armadas pontuais, enfraquecendo a imagem das suas lideranças. (Putin entendia Trump, pelo menos até os recentes ataques a Síria, como um boneco, um agente da desestabilização do maior País do mundo no comando da própria Casa Branca. Oba!). Num ataque militar a Georgia, enquanto aviões e tanques russos invadiam o território físico do País, hackekrs contratados pela Rússia na deep web derrubavam todos os seus sistemas de defesa no mundo digital.

Tá dando pra entender como as duas citações que usei aqui para iniciar este artigo têm razão?

Ainda como relata a New Yorker, também no lado russo há medo de tudo isso. Como declara Sergey Rogov, acadêmico chefe do instituto de estudos US/Canada em Moscou, um especialista em análises de guerra, “eu vivi boa parte da minha vida sob a égide da Guerra Fria e agora estamos de volta aqueles anos, num estado de instabilidade e risco potencial de conflito como eu nunca havia visto desde então”.

No SXSW deste ano, dois painéis, pelo menos, tocaram nesse tema (e como ando mais do que preocupado com ele e a deep web, eu assisti aos dois). O do especialista e consultor do Governo dos USA, Christopher White, em que vimos ao vivo a atividade da deep web em multicoloridos dashboards em tempo real. Ali, guerras estavam sendo arquitetadas. E o painel The Future of Warfare, de Will Rogers, diretor de Atividades Especiais do Pentágono, outro especialista do Governo norte-americano, em que ele nos mostrou, não sem certo orgulho, o grau de excelência de tecnologia digital do sistema de vigilância e segurança dos EUA. Nele, vimos que guerras reais podem parecer vídeo games, já que tudo é digitalizado e cada ação vira uma missão, uma fase do jogo.

Também os EUA têm seus grandes feitos na digitalização da guerra. São inúmeros, mas para ficar em apenas dois exemplos, em 2008, o país lançou um cyber-ataque contra o Irã que retardou toda e qualquer resposta militar de seu arsenal nuclear. Mantém hoje ativo, desde 2011, um sistema de contra-ataque cyber contra a China, outro inimigo que hackeia os EUA sempre que pode, permanentemente.

Estamos em um ponto de temperatura e pressão em que o mundo da internet profunda e o cyberwarfare instalado hoje no Planeta podem conduzir a conflitos armados num estalar de dedos. Ou num simples e hoje relativamente dominado ataque hacker.

Para finalizar aqui, fiquemos com algo assustador na cabeça: a ligação da tecnologia digital virtual com o campo de batalhas real é hoje de cem por cento. E na deep web, a Terceira Guerra Mundial já começou faz tempo.

Pyr Marcondes

No Proxxima.

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04/17

Uma aula de gestão de publicidade.

Ex-sócio da Talent, uma das agências mais bem sucedidas do mercado brasileiro, atualmente integrante do grupo Publicis, Antonio Lino Pinto lança hoje seu terceiro livro: “Gestão em Agências de Propaganda”.

Nesta entrevista, o executivo resume ideias sobre governança, rentabilidade, empreendedorismo e formas de crescimento.

A leitura é destinada aos profissionais que já estão no mercado, sócios, criativos, financeiros e funcionários de outras áreas, assim como os estudantes que pretendem atuar área.

Como administrar agências nesses tempos de crise, que levou a demissões? Há uma outra saída sem ser o corte puro e simples?

Dispensa de funcionários é uma das ações mais doloridas por que passa os executivos. Normalmente se toma essa atitude após estudo de todas as alternativas. Até porque perda de equipe custa caro, financeira e operacionalmente. Novas contratações exigem investimento de tempo e treinamentos até se adaptarem à agência e clientes. Por outro lado, a dispensa de alguns funcionários, embora dolorida, acaba sendo menos dolorida do que a possibilidade de uma dispensa total no caso da agência não conseguir se manter no mercado. O fato é que as empresas de serviços, tem pouca margem de flexibilidade para manter equipes sem o respectivo cliente.

Em época de crise moral também, como as agências têm que se comportar diante da desconfiança generalizada da sociedade com relação a práticas com propina, BVs indevidos, troca de favores, etc?

Só tem um caminho e percebo que a grande maioria está seguindo: Ética, transparência e compliance. As que acharem que isso não tem importância, ficarão pelo caminho já que os anunciantes estão atentos e dispostos a só contratarem parceiros com a mesma sintonia. BVs indevidos sempre foram contrários à posição das entidades como ABAP, Fenapro e Cenp, entre outras. O único benefício regulamentado no mercado é o plano de incentivo, endossado pelas entidades, inclusive a ABA, e consta no anexo C das normas padrão. E em 2010 foi incluído na Lei 12232/10.

 Quanto uma empresa do setor deveria destinar dentro de sua receita para a formação de talentos, programas de incentivo e inovação no relacionamento com seus funcionários?

Muito difícil estabelecer um percentual já que as necessidades são muito diferentes. Ou pelo tamanho da agência ou pelo porte dos clientes e até mesmo pelo perfil da equipe. O fato é que nenhuma agência deve ou deveria abrir mão de manter no budget, anualmente, um valor significativo para esse aprimoramento.

Muito se fala em bem estar e evolução cultural de profissionais do setor. Algumas agências, porém, continuam praticando cargas de horário acima do normal. Como disciplinar esse trabalho?

Não sei se isso é generalizado ou se afeta algumas agências ou algumas equipes. O fato é que não acontece só em agências. Vemos isso em toda parte. Aeroportos, avião, praia, restaurantes etc.  A tecnologia acabou ajudando, mas ao mesmo tempo fez com que todos trabalhassem mais, ou no mínimo ficassem conectadas por mais tempo. Esse problema seria resolvido em quase 100% se houvesse uma disposição dos publicitários e dos anunciantes, em serem mais formais e objetivos operacionalmente. Perde-se muito tempo em discussões e reuniões que não agregam absolutamente nada ao processo produtivo e nem ao resultado final.

Mesmo que inovação seja palavra atual de ordem, agências continuam atuando sob regras de seus clientes. Qual a postura que as empresas publicitárias deveriam adotar diante dessas exigências nesses novos tempos?

Esse é um problema antigo, que imagino será resolvido no futuro. Não acredito que o cliente vá manter essa postura por muito tempo. Ele precisa de um parceiro que o ajude a enfrentar os desafios e não um fornecedor de serviços onde ele decide o que esse fornecedor deve fazer. Claro que cabe à agência lutar por isso e se colocar à altura da sua expertise, que é única.

Fonte: Redhook

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04/17

2.527 anos de prisão!

2.527 anos de prisão

Para réus, denunciados e investigados pela Lava Jato, o emprego da lógica matemático-penal é como o tempo: implacável. Senão vejamos: se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse condenado por todos os crimes pelos quais é acusado na Justiça, ficaria de 519 a até incríveis 1.795 anos na cadeia. Usando o mesmo critério, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), poderia amargar até 247 anos na prisão. Sua pena mínima seria de 60 anos. Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), não ficaria menos do que 39 anos no cárcere, podendo alcançar 170. Um grupo multipartidário de cinco expoentes políticos analisados por ISTOÉ não registra cifras menos assustadoras. Somadas, suas penas podem variar de 678 anos a fenomenais 2.527 anos no xilindró.

Claro que o cálculo é hipotético pois, no Brasil, ninguém fica mais de 30 anos na prisão. Mas o turbilhão Odebrecht aumentou em muito o tamanho do risco jurídico-emocional que corrói a classe política, cujo encalço é vigiado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O levantamento feito pela reportagem de ISTOÉ inclui o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), um dos principais auxiliares do presidente Michel Temer. Se implicado por todos os crimes, Padilha, correria o risco de pegar uma pena de 67 anos. O mesmo cálculo se aplica ao ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ex-ministro e ex-governador José Serra (PSDB-SP), por sua vez, poderia ser condenado a uma pena máxima de 89 anos de detenção. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), entre 5 e 25 anos.

O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso, lembra que são os magistrados, e não os procuradores, quem definirão se os políticos são culpados ou não e qual o tamanho da pena proporcional ao crime que eles realmente cometeram. O levantamento, baseado em inquéritos policiais e denúncias do Ministério Público, mostra que, quanto mais maduros estão os processos, maiores sãos os riscos de temporadas mais longas na prisão. Como Lula tem mais ações penais que os outros, está bem à frente dos colegas. O cálculo não considerou todas as investigações do petista e de Renan, ambos com mais de dez procedimentos criminais na Justiça, mas apenas as denúncias ou os inquéritos derivados das delações da Odebrecht.

O cálculo é hipotético pois, no Brasil, ninguém fica mais de 30 anos na prisão, mas mostra como a classe política está corroída

Os demais políticos do grupo só não estão com risco igual ou maior que o de Lula, Renan e Jucá porque seus processos ainda não estão tão amadurecidos. Explica-se: na fase de inquérito, a polícia e o Ministério Público e a polícia não detalham a totalidade de crimes supostamente cometidos como acontece quando chega-se à fase da denúncia. Os crimes apontados são basicamente corrupção passiva e lavagem de dinheiro (ver quadro). Investigadores da Lava Jato têm dito nas delações da Odebrecht que nunca aceitariam a “desculpa” da empreiteira de que houve “apenas caixa 2”, uma saída honrosa aventada pelo presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, no início das negociações, mas rejeitada desde então. Para eles, trata-se de um esquema de corrupção generalizada, que utiliza vários estratagemas de lavagem, inclusive doações de campanha feitas à margem do sistema ou registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A artimanha que hoje une petistas, tucanos e peemedebistas já foi usada pelo PT em meio ao escândalo do mensalão no passado. Como se sabe, naufragou.

Fonte: Istoé

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04/17

Após crítica, Requião diz que ‘Moro andou fumando erva estragada’.

A escalada verbal entre a força-tarefa da Operação Lava Jato e o senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator da lei contra o abuso de autoridade em discussão no Senado, ganhou um episódio inusitado nesta terça-feira: o parlamentar disse que o juiz Sergio Moro fumou “erva estragada” antes de criticar a proposta.

As críticas do juiz, responsável pela Lava Jato na primeira instância, foram feitas em artigo publicado nesta terça-feira pelo jornal O Globo. Nele, Moro diz que “ninguém é favorável ao abuso de autoridade”, mas que “é necessário que a lei contenha salvaguardas expressas para prevenir a punição do juiz (…) pelo simples fato de agir contrariamente aos interesses dos poderosos”. “A redação atual do projeto, de autoria do senador Roberto Requião e que tem o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não contém salvaguardas suficientes”, escreve o magistrado.

Durante entrevista ao programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o senador peemedebista rebateu a crítica. “Eu diria que o Moro andou fumando erva estragada porque o meu projeto não diz isso. Meu projeto não criminaliza o erro, que é corrigido em instâncias superiores. O projeto diz que a interpretação divergente, necessariamente razoável, ou seja, a lei diz não, a interpretação não pode dizer sim, não será punida. Ela [interpretação] deve ser necessariamente razoável e fundamentada. Eu jamais iria punir um equívoco de interpretação de um juiz”, disse.

Desde que o projeto ganhou força no Senado, procuradores como Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa no Ministério Público Federal, e o próprio Moro têm feito restrições à proposta, vista como uma tentativa de inibir a atuação da Lava Jato. Dallagnol e outros procuradores chegaram a gravar dois vídeos pedindo que o projeto seja rejeitado pelo Senado. A proposta, no entanto, deverá ser votada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Fonte: Veja

COMENTÁRIO

O comedor de mamonas deve estar acuado, para agredir o juiz Sérgio Moro com este tipo de ataque desqualificado.

É para isso que senador tem foro privilegiado?

JJ

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04/17

O império da pós-verdade.

FATOS ALTERNATIVOS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Fã do Twitter, ele é emérito propagador de boatos (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images, Olivier Douliery-Pool/Getty Images)

Em um domingo de dezembro passado, Edgar Maddison Welch, de 28 anos, invadiu uma popular pizzaria de Washington, a capital dos Estados Unidos, armado com um fuzil AR-15. Welch, morador da Carolina do Norte, ameaçou um funcionário, que conseguiu fugir e chamar a polícia. Ao ser preso, Welch afirmou que fora até a capital americana para investigar “por conta própria” o esquema de tráfico sexual de crianças, que seria comandado pela democrata Hillary Clinton, a partir do restaurante.

A história tratava-se de uma das centenas de notícias falsas e teorias da conspiração que circularam durante a campanha presidencial americana de 2016. A invenção sobre a pizzaria Comet Ping Pong fora publicada em outubro e reproduzida sem critério pela rede pró-Donald Trump na internet, cujo líder supremo era o site Breitbart News. O incidente, que terminou sem feridos e com a prisão de Welch, se tornou um dos exemplos mais ilustrativos da dimensão que o fenômeno das notícias falsas tomou nas campanhas políticas. O efeito foi tal que levou o dicionário Oxford a decretar a “pós-verdade” – a ideia de que fatos objetivos influenciam muito menos a opinião pública do que a emoção e crenças pessoais – como palavra do ano de 2016.

O caso da pizzaria Comet Ping Pong é um episódio extremo, mas não foi isolado. Em outubro, uma eleitora do Iowa foi detida ao tentar registrar seu voto duas vezes, estimulada pelas acusações de fraude eleitoral propagadas por Trump e pelos veículos que lhe apoiavam.
No Reino Unido, os britânicos que votaram pelo Brexit, a saída do país da União Europeia, citavam repetidamente entre suas razões para optar pelo sim no referendo a ideia de que o país não controla suas fronteiras. São manifestações ancoradas ou em teorias conspiratórias sem base factual nenhuma – caso da fraude eleitoral nos Estados Unidos –, ou em análises bastante distorcidas – caso das fronteiras do Reino Unido.

Acreditar em informações que não  tenham base na realidade, mas que corroboram uma visão de mundo particular, é um traço da natureza humana amplamente documentado. São inúmeros os estudos clássicos na área de psicologia cognitiva, que estuda os processos mentais por trás do comportamento humano,  que chegaram a essa conclusão, em tempos muito anteriores à internet ou ao Facebook. Tais pesquisas mostram que o poder da crença – em uma ideia, religião, afinidade política e afins – tende a suplantar a argumentação racional baseada em fatos. Por esse motivo, quando alguém é confrontado por informações que contrariem sua visão de mundo, as chances de que aceitará o novo dado como um fato, mudará sua opinião ou questionará o próprio sistema de crenças são um tanto baixas. É o que os psicólogos cognitivos chamam de “viés de confirmação”: a tendência que nós temos de aceitar as informações que dão suporte a nossas crenças e de rejeitar aquelas que as contradizem.

Se a maneira como processamos as informações que nos chegam continua a mesma, o que estaria por trás da explosão das notícias falsas? De acordo com os estudos mais recentes sobre o tema, a  indústria das fake news foi turbinada pela combinação de três fatores, que criaram um terreno fértil para o império da pós-verdade. O primeiro é o ambiente de alta polarização política, que não favorece nem o debate racional nem o apreço pelo consenso. O segundo é a descentralização da informação, por causa da ascensão de meios de comunicação alternativos e independentes, propiciada pela internet. Parte dos novos canais tem uma agenda política, e seus compromissos propagandísticos e ideológicos suplantam qualquer compromisso com informação factual. O terceiro é o ceticismo generalizado entre as pes­soas quanto às instituições políticas e democráticas – sendo os principais alvos os governos, os partidos e os veículos de mídia tradicional.

“As mentiras sempre existiram. Mas, na era da comunicação em massa, as instituições tradicionais de conhecimento se quebraram e agora há uma grande quantidade de pessoas que não acreditam no que os cientistas falam sobre o aquecimento global, por exemplo”, diz Jayson Harsin, professor da Universidade Americana de Paris. “Nessas condições, é possível fazer afirmações que são parcialmente verdadeiras, majoritariamente falsas ou redondamente falsas. É muito confuso. Há tantas afirmações contraditórias e deliberadamente ambíguas que fica
muito difícil para os cidadãos dar sentido a isso.”

Por causa desse ambiente caótico, é difícil encontrar soluções para lidar com a disseminação da pós-verdade. Na esteira do Brexit e da eleição de Trump, as empresas de tecnologia e as redes sociais foram as primeiras a ser acusadas – com boa razão – de leniência com a propagação das notícias falsas.

Um levantamento feito em novembro pelo site BuzzFeed mostrou que, entre as notícias mais compartilhadas no Facebook nos dias que antecederam as eleições presidenciais americanas, as notícias falsas superaram as reais em leitura (leia mais no quadro abaixo). Os algoritmos que regem a distribuição de conteúdo nas linhas do tempo dos usuários do Facebook favorecem o aparecimento de links que atraem mais cliques e são mais compartilhados. Quando se trata de conteúdo de natureza ultrapartidária ou duvidosa, isso cria um ciclo tóxico de disseminação de desinformação.

Colocado na defensiva, o Facebook prometeu enfrentar a propagação das notícias falsas. Tomou iniciativas como o cancelamento de 30 mil contas falsas na França, parte do esforço contra a  tempestade provocada pela  indústria das fake news na campanha eleitoral do país. Embora a iniciativa seja louvável, os desafios impostos pela era da pós-verdade exigem soluções bem mais complexas. Nos Estados Unidos, um estudo feito em parceria pelos centros de pesquisa de mídia da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o  MIT, mostra que as notícias completamente falsas não foram as que tiveram maior influência na eleição de Trump no ano passado.

O impacto maior foi causado por artigos com alguma base na realidade, mas distorcidos pelos veículos ultrapartidários. Essas narrativas, por sua vez, ganharam força por ter sido replicadas pelo ecossistema de sites pró-Trump. Isso criou, entre os consumidores desse conteúdo, a ilusão de verdade. “Não gosto do termo fake news porque simplifica demais a situação. O que ganhou a eleição não foram teorias da conspiração, mas artigos que incluíam alguns aspectos de verdade, mas que eram propaganda. Eram geralmente conectados a fatos reais, como os e-mails de Hillary vazados pelo WikiLeaks. São o que chamo de falácias familiares, basicamente um conjunto de narrativas majoritariamente ficcionais, repetidas por um circuito de veículos de mídia”, diz Ethan Zuckerman, professor do MIT e um dos autores da pesquisa. “O que ocorre é que, se você é leitor de muitos desses sites, essa narrativa começa a se tornar verdade, porque é reforçada de todos os lados.”

Ao mesmo tempo, esses veículos alternativos atacaram – e seguem atacando – constantemente a imprensa tradicional, desqualificada como mentirosa e parte do “sistema” que combatem. Isso ajuda a alimentar o sentimento de desconfiança generalizado em relação às fontes de informação tradicionais. Para Zuckerman, a questão foi agravada porque o jornalismo profissional não conseguiu dar conta do desafio de fazer frente a essas narrativas e, muitas vezes, acabou pautado por elas. “A simples checagem de fatos não é suficiente. É preciso trabalhar para desmascarar os interesses por trás desses sites”, diz o professor do MIT.

Ainda de acordo com a pesquisa de Harvard e do MIT, em um volume significativamente maior se comparado ao dos apoiadores de Hillary Clinton, os eleitores de Trump se mostraram bem mais propensos a consumir e a compartilhar notícias de sites ultrapartidários e a dar pouca atenção a fontes mais fidedignas de informação. O estudo sugere que isso não tem necessariamente a ver com o algoritmo das redes sociais e levanta duas hipóteses. A primeira seria uma maior capacidade de articulação on-line da campanha de Trump. A segunda é a escolha individual dos eleitores de Trump de só consumir o que corrobora a própria opinião – um comportamento favorecido pelo fato de que as redes sociais funcionam como “câmaras de eco”, que apenas replicam e reforçam nossas próprias opiniões e crenças.

Outra pesquisa sobre a eleição presidencial americana, feita pela Universidade Stanford e pela Universidade de Nova York, publicada em março, faz coro a essas descobertas. Ao monitorarem 115 notícias falsas pró-Trump e 41 pró-Hillary, os economistas Hunt Allcott e Matthew Gentzkow aferiram que os posts pró-Trump foram compartilhados 30 milhões de vezes – os pró-­Hillary 8 milhões. “Quanto mais o eleitor está numa bolha virtual, onde só segue perfis no Facebook e no Twitter de pessoas com quem ele concorda, mais propenso está em compartilhar as notícias, falsas ou verdadeiras, que confirmem o que ele já achava antes. Se as notícias são verdadeiras ou não, não importa”, afirmam os autores do estudo.

Para tentar furar essa bolha de desinformação, as democracias modernas e suas instituições precisam encontrar maneiras de recuperar sua credibilidade. No mundo ocidental, há uma crise de confiança generalizada das populações em relação aos governos, aos partidos políticos e aos veículos tradicionais de imprensa. Em seu levantamento anual sobre a credibilidade das instituições no mundo, a empresa de consultoria de comunicação Edelman identificou que, em 23 dos 28 países pesquisados, a maioria da população não confia em seus governos, na imprensa, nas empresas e nas ONGs. A confiança na imprensa tradicional caiu para seu índice mais baixo em 17 países – países como Austrália, Colômbia e Canadá tiveram quedas nesse índice de 10% em um ano (leia mais no mapa abaixo).

Esses números refletem o sentimento de crise de identidade e valores, ligado às mudanças tecnológicas, econômicas e sociais pelas quais o mundo passou nas últimas décadas. Como mostra a ciência da psicologia, o ser humano, por sua própria natureza, é inclinado a reagir mais com base na emoção do que na razão. Essa tendência associada à crescente polarização política das sociedades contemporâneas tornou mais complicado o exercício do debate público e da construção do consenso nos fóruns políticos. É um problema sem soluções fáceis – e que não será resolvido pelo simples ajuste de algoritmos nas redes sociais ou pelo combate a hackers adolescentes da Macedônia que propagam notícias falsas.

  • Uma crise de credibilidade (Foto: Época )

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04/17

Investimentos em obras do governo…

O ministro do planejamento (cujo nome prefiro esquecer), afirmou na TV que o governo federal não pode investir em obras por causa dos benefícios que paga a aposentados e inválidos via INSS. Não citou o altos salários do Legislativo, do Judiciário e das estatais, muito menos o tamanho excessivo do funcionalismo público, e muito, muito menos a corrupção desenfreada dos nossos governantes, políticos e empreiteiros (com só uma  parte da Lava Jato tendo sido denunciada – ainda faltam BNDES, Banco do Brasil, Caixa, Eletrobras e outros). Estaria sobrando dinheiro para investimentos e para os beneficiários do INSS, ainda, se executassem as dívidas de bancos e empresas que devem bilhões à Previdência. Por que não cobram?

 

JJ

26
04/17

Papa Francisco na Lava Jato, diz Lula.

Lula disse, no Nordeste (seu maior curral eleitoral) que é questão de tempo para Papa Francisco ser citado na Lava Jato. Que palhaço!!!

JJ

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04/17

Não participe!

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04/17

Propaganda do PSDB.

A propaganda do PSDB, na TV, parece ter sido pensada como se todos nós fôssemos imbecis. “Fazendo o que tem de ser feito”? Num governo do PMDB? Inclui o roubo da corrupção recém-denunciada? Um tiro no pé.

JJ

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