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04/17

Uma aula de gestão de publicidade.

Ex-sócio da Talent, uma das agências mais bem sucedidas do mercado brasileiro, atualmente integrante do grupo Publicis, Antonio Lino Pinto lança hoje seu terceiro livro: “Gestão em Agências de Propaganda”.

Nesta entrevista, o executivo resume ideias sobre governança, rentabilidade, empreendedorismo e formas de crescimento.

A leitura é destinada aos profissionais que já estão no mercado, sócios, criativos, financeiros e funcionários de outras áreas, assim como os estudantes que pretendem atuar área.

Como administrar agências nesses tempos de crise, que levou a demissões? Há uma outra saída sem ser o corte puro e simples?

Dispensa de funcionários é uma das ações mais doloridas por que passa os executivos. Normalmente se toma essa atitude após estudo de todas as alternativas. Até porque perda de equipe custa caro, financeira e operacionalmente. Novas contratações exigem investimento de tempo e treinamentos até se adaptarem à agência e clientes. Por outro lado, a dispensa de alguns funcionários, embora dolorida, acaba sendo menos dolorida do que a possibilidade de uma dispensa total no caso da agência não conseguir se manter no mercado. O fato é que as empresas de serviços, tem pouca margem de flexibilidade para manter equipes sem o respectivo cliente.

Em época de crise moral também, como as agências têm que se comportar diante da desconfiança generalizada da sociedade com relação a práticas com propina, BVs indevidos, troca de favores, etc?

Só tem um caminho e percebo que a grande maioria está seguindo: Ética, transparência e compliance. As que acharem que isso não tem importância, ficarão pelo caminho já que os anunciantes estão atentos e dispostos a só contratarem parceiros com a mesma sintonia. BVs indevidos sempre foram contrários à posição das entidades como ABAP, Fenapro e Cenp, entre outras. O único benefício regulamentado no mercado é o plano de incentivo, endossado pelas entidades, inclusive a ABA, e consta no anexo C das normas padrão. E em 2010 foi incluído na Lei 12232/10.

 Quanto uma empresa do setor deveria destinar dentro de sua receita para a formação de talentos, programas de incentivo e inovação no relacionamento com seus funcionários?

Muito difícil estabelecer um percentual já que as necessidades são muito diferentes. Ou pelo tamanho da agência ou pelo porte dos clientes e até mesmo pelo perfil da equipe. O fato é que nenhuma agência deve ou deveria abrir mão de manter no budget, anualmente, um valor significativo para esse aprimoramento.

Muito se fala em bem estar e evolução cultural de profissionais do setor. Algumas agências, porém, continuam praticando cargas de horário acima do normal. Como disciplinar esse trabalho?

Não sei se isso é generalizado ou se afeta algumas agências ou algumas equipes. O fato é que não acontece só em agências. Vemos isso em toda parte. Aeroportos, avião, praia, restaurantes etc.  A tecnologia acabou ajudando, mas ao mesmo tempo fez com que todos trabalhassem mais, ou no mínimo ficassem conectadas por mais tempo. Esse problema seria resolvido em quase 100% se houvesse uma disposição dos publicitários e dos anunciantes, em serem mais formais e objetivos operacionalmente. Perde-se muito tempo em discussões e reuniões que não agregam absolutamente nada ao processo produtivo e nem ao resultado final.

Mesmo que inovação seja palavra atual de ordem, agências continuam atuando sob regras de seus clientes. Qual a postura que as empresas publicitárias deveriam adotar diante dessas exigências nesses novos tempos?

Esse é um problema antigo, que imagino será resolvido no futuro. Não acredito que o cliente vá manter essa postura por muito tempo. Ele precisa de um parceiro que o ajude a enfrentar os desafios e não um fornecedor de serviços onde ele decide o que esse fornecedor deve fazer. Claro que cabe à agência lutar por isso e se colocar à altura da sua expertise, que é única.

Fonte: Redhook

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04/17

2.527 anos de prisão!

2.527 anos de prisão

Para réus, denunciados e investigados pela Lava Jato, o emprego da lógica matemático-penal é como o tempo: implacável. Senão vejamos: se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse condenado por todos os crimes pelos quais é acusado na Justiça, ficaria de 519 a até incríveis 1.795 anos na cadeia. Usando o mesmo critério, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), poderia amargar até 247 anos na prisão. Sua pena mínima seria de 60 anos. Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), não ficaria menos do que 39 anos no cárcere, podendo alcançar 170. Um grupo multipartidário de cinco expoentes políticos analisados por ISTOÉ não registra cifras menos assustadoras. Somadas, suas penas podem variar de 678 anos a fenomenais 2.527 anos no xilindró.

Claro que o cálculo é hipotético pois, no Brasil, ninguém fica mais de 30 anos na prisão. Mas o turbilhão Odebrecht aumentou em muito o tamanho do risco jurídico-emocional que corrói a classe política, cujo encalço é vigiado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O levantamento feito pela reportagem de ISTOÉ inclui o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), um dos principais auxiliares do presidente Michel Temer. Se implicado por todos os crimes, Padilha, correria o risco de pegar uma pena de 67 anos. O mesmo cálculo se aplica ao ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O ex-ministro e ex-governador José Serra (PSDB-SP), por sua vez, poderia ser condenado a uma pena máxima de 89 anos de detenção. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), entre 5 e 25 anos.

O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso, lembra que são os magistrados, e não os procuradores, quem definirão se os políticos são culpados ou não e qual o tamanho da pena proporcional ao crime que eles realmente cometeram. O levantamento, baseado em inquéritos policiais e denúncias do Ministério Público, mostra que, quanto mais maduros estão os processos, maiores sãos os riscos de temporadas mais longas na prisão. Como Lula tem mais ações penais que os outros, está bem à frente dos colegas. O cálculo não considerou todas as investigações do petista e de Renan, ambos com mais de dez procedimentos criminais na Justiça, mas apenas as denúncias ou os inquéritos derivados das delações da Odebrecht.

O cálculo é hipotético pois, no Brasil, ninguém fica mais de 30 anos na prisão, mas mostra como a classe política está corroída

Os demais políticos do grupo só não estão com risco igual ou maior que o de Lula, Renan e Jucá porque seus processos ainda não estão tão amadurecidos. Explica-se: na fase de inquérito, a polícia e o Ministério Público e a polícia não detalham a totalidade de crimes supostamente cometidos como acontece quando chega-se à fase da denúncia. Os crimes apontados são basicamente corrupção passiva e lavagem de dinheiro (ver quadro). Investigadores da Lava Jato têm dito nas delações da Odebrecht que nunca aceitariam a “desculpa” da empreiteira de que houve “apenas caixa 2”, uma saída honrosa aventada pelo presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, no início das negociações, mas rejeitada desde então. Para eles, trata-se de um esquema de corrupção generalizada, que utiliza vários estratagemas de lavagem, inclusive doações de campanha feitas à margem do sistema ou registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A artimanha que hoje une petistas, tucanos e peemedebistas já foi usada pelo PT em meio ao escândalo do mensalão no passado. Como se sabe, naufragou.

Fonte: Istoé

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04/17

Após crítica, Requião diz que ‘Moro andou fumando erva estragada’.

A escalada verbal entre a força-tarefa da Operação Lava Jato e o senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator da lei contra o abuso de autoridade em discussão no Senado, ganhou um episódio inusitado nesta terça-feira: o parlamentar disse que o juiz Sergio Moro fumou “erva estragada” antes de criticar a proposta.

As críticas do juiz, responsável pela Lava Jato na primeira instância, foram feitas em artigo publicado nesta terça-feira pelo jornal O Globo. Nele, Moro diz que “ninguém é favorável ao abuso de autoridade”, mas que “é necessário que a lei contenha salvaguardas expressas para prevenir a punição do juiz (…) pelo simples fato de agir contrariamente aos interesses dos poderosos”. “A redação atual do projeto, de autoria do senador Roberto Requião e que tem o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não contém salvaguardas suficientes”, escreve o magistrado.

Durante entrevista ao programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o senador peemedebista rebateu a crítica. “Eu diria que o Moro andou fumando erva estragada porque o meu projeto não diz isso. Meu projeto não criminaliza o erro, que é corrigido em instâncias superiores. O projeto diz que a interpretação divergente, necessariamente razoável, ou seja, a lei diz não, a interpretação não pode dizer sim, não será punida. Ela [interpretação] deve ser necessariamente razoável e fundamentada. Eu jamais iria punir um equívoco de interpretação de um juiz”, disse.

Desde que o projeto ganhou força no Senado, procuradores como Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa no Ministério Público Federal, e o próprio Moro têm feito restrições à proposta, vista como uma tentativa de inibir a atuação da Lava Jato. Dallagnol e outros procuradores chegaram a gravar dois vídeos pedindo que o projeto seja rejeitado pelo Senado. A proposta, no entanto, deverá ser votada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Fonte: Veja

COMENTÁRIO

O comedor de mamonas deve estar acuado, para agredir o juiz Sérgio Moro com este tipo de ataque desqualificado.

É para isso que senador tem foro privilegiado?

JJ

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04/17

O império da pós-verdade.

FATOS ALTERNATIVOS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Fã do Twitter, ele é emérito propagador de boatos (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images, Olivier Douliery-Pool/Getty Images)

Em um domingo de dezembro passado, Edgar Maddison Welch, de 28 anos, invadiu uma popular pizzaria de Washington, a capital dos Estados Unidos, armado com um fuzil AR-15. Welch, morador da Carolina do Norte, ameaçou um funcionário, que conseguiu fugir e chamar a polícia. Ao ser preso, Welch afirmou que fora até a capital americana para investigar “por conta própria” o esquema de tráfico sexual de crianças, que seria comandado pela democrata Hillary Clinton, a partir do restaurante.

A história tratava-se de uma das centenas de notícias falsas e teorias da conspiração que circularam durante a campanha presidencial americana de 2016. A invenção sobre a pizzaria Comet Ping Pong fora publicada em outubro e reproduzida sem critério pela rede pró-Donald Trump na internet, cujo líder supremo era o site Breitbart News. O incidente, que terminou sem feridos e com a prisão de Welch, se tornou um dos exemplos mais ilustrativos da dimensão que o fenômeno das notícias falsas tomou nas campanhas políticas. O efeito foi tal que levou o dicionário Oxford a decretar a “pós-verdade” – a ideia de que fatos objetivos influenciam muito menos a opinião pública do que a emoção e crenças pessoais – como palavra do ano de 2016.

O caso da pizzaria Comet Ping Pong é um episódio extremo, mas não foi isolado. Em outubro, uma eleitora do Iowa foi detida ao tentar registrar seu voto duas vezes, estimulada pelas acusações de fraude eleitoral propagadas por Trump e pelos veículos que lhe apoiavam.
No Reino Unido, os britânicos que votaram pelo Brexit, a saída do país da União Europeia, citavam repetidamente entre suas razões para optar pelo sim no referendo a ideia de que o país não controla suas fronteiras. São manifestações ancoradas ou em teorias conspiratórias sem base factual nenhuma – caso da fraude eleitoral nos Estados Unidos –, ou em análises bastante distorcidas – caso das fronteiras do Reino Unido.

Acreditar em informações que não  tenham base na realidade, mas que corroboram uma visão de mundo particular, é um traço da natureza humana amplamente documentado. São inúmeros os estudos clássicos na área de psicologia cognitiva, que estuda os processos mentais por trás do comportamento humano,  que chegaram a essa conclusão, em tempos muito anteriores à internet ou ao Facebook. Tais pesquisas mostram que o poder da crença – em uma ideia, religião, afinidade política e afins – tende a suplantar a argumentação racional baseada em fatos. Por esse motivo, quando alguém é confrontado por informações que contrariem sua visão de mundo, as chances de que aceitará o novo dado como um fato, mudará sua opinião ou questionará o próprio sistema de crenças são um tanto baixas. É o que os psicólogos cognitivos chamam de “viés de confirmação”: a tendência que nós temos de aceitar as informações que dão suporte a nossas crenças e de rejeitar aquelas que as contradizem.

Se a maneira como processamos as informações que nos chegam continua a mesma, o que estaria por trás da explosão das notícias falsas? De acordo com os estudos mais recentes sobre o tema, a  indústria das fake news foi turbinada pela combinação de três fatores, que criaram um terreno fértil para o império da pós-verdade. O primeiro é o ambiente de alta polarização política, que não favorece nem o debate racional nem o apreço pelo consenso. O segundo é a descentralização da informação, por causa da ascensão de meios de comunicação alternativos e independentes, propiciada pela internet. Parte dos novos canais tem uma agenda política, e seus compromissos propagandísticos e ideológicos suplantam qualquer compromisso com informação factual. O terceiro é o ceticismo generalizado entre as pes­soas quanto às instituições políticas e democráticas – sendo os principais alvos os governos, os partidos e os veículos de mídia tradicional.

“As mentiras sempre existiram. Mas, na era da comunicação em massa, as instituições tradicionais de conhecimento se quebraram e agora há uma grande quantidade de pessoas que não acreditam no que os cientistas falam sobre o aquecimento global, por exemplo”, diz Jayson Harsin, professor da Universidade Americana de Paris. “Nessas condições, é possível fazer afirmações que são parcialmente verdadeiras, majoritariamente falsas ou redondamente falsas. É muito confuso. Há tantas afirmações contraditórias e deliberadamente ambíguas que fica
muito difícil para os cidadãos dar sentido a isso.”

Por causa desse ambiente caótico, é difícil encontrar soluções para lidar com a disseminação da pós-verdade. Na esteira do Brexit e da eleição de Trump, as empresas de tecnologia e as redes sociais foram as primeiras a ser acusadas – com boa razão – de leniência com a propagação das notícias falsas.

Um levantamento feito em novembro pelo site BuzzFeed mostrou que, entre as notícias mais compartilhadas no Facebook nos dias que antecederam as eleições presidenciais americanas, as notícias falsas superaram as reais em leitura (leia mais no quadro abaixo). Os algoritmos que regem a distribuição de conteúdo nas linhas do tempo dos usuários do Facebook favorecem o aparecimento de links que atraem mais cliques e são mais compartilhados. Quando se trata de conteúdo de natureza ultrapartidária ou duvidosa, isso cria um ciclo tóxico de disseminação de desinformação.

Colocado na defensiva, o Facebook prometeu enfrentar a propagação das notícias falsas. Tomou iniciativas como o cancelamento de 30 mil contas falsas na França, parte do esforço contra a  tempestade provocada pela  indústria das fake news na campanha eleitoral do país. Embora a iniciativa seja louvável, os desafios impostos pela era da pós-verdade exigem soluções bem mais complexas. Nos Estados Unidos, um estudo feito em parceria pelos centros de pesquisa de mídia da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o  MIT, mostra que as notícias completamente falsas não foram as que tiveram maior influência na eleição de Trump no ano passado.

O impacto maior foi causado por artigos com alguma base na realidade, mas distorcidos pelos veículos ultrapartidários. Essas narrativas, por sua vez, ganharam força por ter sido replicadas pelo ecossistema de sites pró-Trump. Isso criou, entre os consumidores desse conteúdo, a ilusão de verdade. “Não gosto do termo fake news porque simplifica demais a situação. O que ganhou a eleição não foram teorias da conspiração, mas artigos que incluíam alguns aspectos de verdade, mas que eram propaganda. Eram geralmente conectados a fatos reais, como os e-mails de Hillary vazados pelo WikiLeaks. São o que chamo de falácias familiares, basicamente um conjunto de narrativas majoritariamente ficcionais, repetidas por um circuito de veículos de mídia”, diz Ethan Zuckerman, professor do MIT e um dos autores da pesquisa. “O que ocorre é que, se você é leitor de muitos desses sites, essa narrativa começa a se tornar verdade, porque é reforçada de todos os lados.”

Ao mesmo tempo, esses veículos alternativos atacaram – e seguem atacando – constantemente a imprensa tradicional, desqualificada como mentirosa e parte do “sistema” que combatem. Isso ajuda a alimentar o sentimento de desconfiança generalizado em relação às fontes de informação tradicionais. Para Zuckerman, a questão foi agravada porque o jornalismo profissional não conseguiu dar conta do desafio de fazer frente a essas narrativas e, muitas vezes, acabou pautado por elas. “A simples checagem de fatos não é suficiente. É preciso trabalhar para desmascarar os interesses por trás desses sites”, diz o professor do MIT.

Ainda de acordo com a pesquisa de Harvard e do MIT, em um volume significativamente maior se comparado ao dos apoiadores de Hillary Clinton, os eleitores de Trump se mostraram bem mais propensos a consumir e a compartilhar notícias de sites ultrapartidários e a dar pouca atenção a fontes mais fidedignas de informação. O estudo sugere que isso não tem necessariamente a ver com o algoritmo das redes sociais e levanta duas hipóteses. A primeira seria uma maior capacidade de articulação on-line da campanha de Trump. A segunda é a escolha individual dos eleitores de Trump de só consumir o que corrobora a própria opinião – um comportamento favorecido pelo fato de que as redes sociais funcionam como “câmaras de eco”, que apenas replicam e reforçam nossas próprias opiniões e crenças.

Outra pesquisa sobre a eleição presidencial americana, feita pela Universidade Stanford e pela Universidade de Nova York, publicada em março, faz coro a essas descobertas. Ao monitorarem 115 notícias falsas pró-Trump e 41 pró-Hillary, os economistas Hunt Allcott e Matthew Gentzkow aferiram que os posts pró-Trump foram compartilhados 30 milhões de vezes – os pró-­Hillary 8 milhões. “Quanto mais o eleitor está numa bolha virtual, onde só segue perfis no Facebook e no Twitter de pessoas com quem ele concorda, mais propenso está em compartilhar as notícias, falsas ou verdadeiras, que confirmem o que ele já achava antes. Se as notícias são verdadeiras ou não, não importa”, afirmam os autores do estudo.

Para tentar furar essa bolha de desinformação, as democracias modernas e suas instituições precisam encontrar maneiras de recuperar sua credibilidade. No mundo ocidental, há uma crise de confiança generalizada das populações em relação aos governos, aos partidos políticos e aos veículos tradicionais de imprensa. Em seu levantamento anual sobre a credibilidade das instituições no mundo, a empresa de consultoria de comunicação Edelman identificou que, em 23 dos 28 países pesquisados, a maioria da população não confia em seus governos, na imprensa, nas empresas e nas ONGs. A confiança na imprensa tradicional caiu para seu índice mais baixo em 17 países – países como Austrália, Colômbia e Canadá tiveram quedas nesse índice de 10% em um ano (leia mais no mapa abaixo).

Esses números refletem o sentimento de crise de identidade e valores, ligado às mudanças tecnológicas, econômicas e sociais pelas quais o mundo passou nas últimas décadas. Como mostra a ciência da psicologia, o ser humano, por sua própria natureza, é inclinado a reagir mais com base na emoção do que na razão. Essa tendência associada à crescente polarização política das sociedades contemporâneas tornou mais complicado o exercício do debate público e da construção do consenso nos fóruns políticos. É um problema sem soluções fáceis – e que não será resolvido pelo simples ajuste de algoritmos nas redes sociais ou pelo combate a hackers adolescentes da Macedônia que propagam notícias falsas.

  • Uma crise de credibilidade (Foto: Época )

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04/17

Investimentos em obras do governo…

O ministro do planejamento (cujo nome prefiro esquecer), afirmou na TV que o governo federal não pode investir em obras por causa dos benefícios que paga a aposentados e inválidos via INSS. Não citou o altos salários do Legislativo, do Judiciário e das estatais, muito menos o tamanho excessivo do funcionalismo público, e muito, muito menos a corrupção desenfreada dos nossos governantes, políticos e empreiteiros (com só uma  parte da Lava Jato tendo sido denunciada – ainda faltam BNDES, Banco do Brasil, Caixa, Eletrobras e outros). Estaria sobrando dinheiro para investimentos e para os beneficiários do INSS, ainda, se executassem as dívidas de bancos e empresas que devem bilhões à Previdência. Por que não cobram?

 

JJ

26
04/17

Papa Francisco na Lava Jato, diz Lula.

Lula disse, no Nordeste (seu maior curral eleitoral) que é questão de tempo para Papa Francisco ser citado na Lava Jato. Que palhaço!!!

JJ

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04/17

Não participe!

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04/17

Propaganda do PSDB.

A propaganda do PSDB, na TV, parece ter sido pensada como se todos nós fôssemos imbecis. “Fazendo o que tem de ser feito”? Num governo do PMDB? Inclui o roubo da corrupção recém-denunciada? Um tiro no pé.

JJ

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04/17

“Big data tem longo caminho no Brasil”.

Andreas Cohen, fundador e presidente do I-Com Global (crédito: divulgação / Marc Colomines)

Andreas Cohen, fundador e presidente do I-Com Global 

O I-Com Global realiza seu congresso nesta semana, na cidade do Porto, em Portugal. O evento é o principal realizado pela entidade que estimula o desenvolvimento da tecnologia de dados e discute suas aplicações no mercado de comunicação — um tema quente e antagônico. Por um lado, a indústria exige maior verificação de tecnologias programáticas, em decorrência da associação de publicidade digital com conteúdo polêmico. Por outro, a maior demanda de empresas por resultados e métricas confiáveis faz crescer a verba de marketing destinada a análise e tecnologia, ameaçando sua tradicional relação com investimento em criatividade. Ambas as pontas se encontram na programação do I-Com. Segundo Andreas Cohen, fundador e presidente da instituição, padronização, métricas confiáveis e fraude é um tema frequente e conta até mesmo com um conselho especializado, que se reúne anualmente durante o congresso. Além disso, as premiações realizadas durante o I-Com são um evento disputado, principalmente nas categorias que analisam o uso em conjunto de big data e criatividade. A seguir, Andreas falou, a partir de Genebra, sobre os destaques do programa do I-Com Global deste ano e os principais desafios do mercado atual.

Hackathons

Nossos Data Science Hackathons são provavelmente a competição mais de ponta no programa. Começa muito antes da conferência, quando vamos a um CMO e perguntamos a ele um problema relacionado à data que ele pode ter e então fazemos uma competição para resolver aspectos dessa questão. No ano passado tivemos resultados incríveis para a Unilever. Por causa disso, este ano temos diversas marcas participando, que apostam que esse é um formato válido de brainstorming para trazer abordagens e soluções particulares. Teremos mais de 20 equipes de todo o mundo inscritas, a maioria de empresas diferentes, cada uma com três a quatro pessoas, em dois hackathons, um com patrocínio da Unilever e outro da Intel. Ambos são desafios preditivos. Para as empresas participantes, é uma grande chance de ser reconhecido. Não precisa ser grande para ser notado por uma dessas companhias. É uma oportunidade de desenvolvimento de negócios. Depois temos o congresso, cujo o tema é “O Ano da Mudança”. Entre os assuntos em destaque estão data como o novo currency, pricing, o nível de qualidade do target e a habilidade de chegar a uma audiência específica. Pelo menos nos mercados mais avançados, essas são as grandes movimentações em curso.

Dados e criatividade

O interessante do prêmio em Data Creativity é que o nível está mais alto do que nunca. Está mais difícil entre quem compete, inclusive porque também é maior o número de empresas que não puderam se inscrever por motivo de confidencialidade. Muitas agências não conseguem aprovação (para compartilhar estratégias ou cases de negócios), prova de que criatividade com dados é uma vantagem competitiva valiosa. É um insight muito interessante, pois empresas estão levando esse assunto cada vez mais a sério e reconhecendo sua importância.

Transparência e brand safety

Temos aguardado por essa reciclagem. Quando fundei a I-Com há 13 anos, a maior parte das coisas que discutíamos era padronização e verificação — 90% eram isso. Hoje, é completamente o oposto: 90% do que cobrimos é inovação. Temos cerca de 20 grupos e conselhos na I-Com e um deles é chamado D-MIB (Digital Measurement Industry Bodies), do qual o Pedro Silva, aí do Brasil, é integrante, assim como George Ivie, do MRC, entre muitos outros. São eles que estão criando os padrões de verificação e esse tipo de coisa. A demanda por padronização vinha caindo nos últimos anos. Só cresceu recentemente, após Marc Pritchard, da P&G, se impor e dizer “Chega! Não vamos continuar com esse monte de coisa”. Inovação tem acontecido tão rapidamente que é difícil que em- presas de padronização consigam criar algo em cima disso. Mas acredito que a dor disso chegou a tal ponto (risos), com toda fraude e falta de supervisão (que ficou inevitável mudar)… Tudo isso converge e o caso do YouTube é só um exemplo de tantas coisas que têm acontecido ao mesmo tempo. Espero que essa reação dos anunciantes não seja só uma manifestação raivosa, mas uma mudança maior, para levar isso mais a sério… O pessoal do MIB vai se encontrar aqui para debater isso num nível internacional, pois os mesmos problemas se reproduzem quase em todos os países.

Ascensão dos math men

Este 2017 deverá ficar conhecido como o ano do data science. Se você olhar para assuntos como viewability e fraude, é a ciência de dados que estava prevendo isso. No ano passado, a equipe ganhadora em nosso prêmio de agência do ano foi a Integral Ad Science e, um dos motivos, é porque eles têm um grupo de data scientists especializado nesse tipo de predição. Ambos os hackathons deste ano também tratam disso. E é esse conhecimento que faz de viewability um elemento de currency, que descobre fraudes, que fortalece inteligência artificial, ajudando a criar mecanismos autômatos… Em 2018, quando se olhar para atrás, iremos lembrar de que foi agora que AI se tornou mainstream, construída sobre canais de comunicação, plataformas de tecnologia, com capacidade de oferecer um targeting mais preciso, com melhores processos, que podem ser guiados automaticamente. Também há a questão dos Mad Men se tornando Math Men… Se sua agência não tem uma oferta sólida relacionada a dados, sem a habilidade de interpretar isso para as marcas, de forma que lhe dê vantagem competitiva em marketing, você está morto. É um sinal de alerta para qualquer agência que queira negociar com mercados desenvolvidos, pois, o que o ocorre nos Estados Unidos ou na Inglaterra se repete, eventualmente, em qualquer outro lugar.

Data science do Brasil

Eu adoraria dizer que desde 2015 houve alguma mudança. Só tivemos, até hoje, uma empresa, da WPP, chamada Marketdata, que foi finalista (e conquistou os prêmios de mercado emergente e o de categoria geral) há dois anos. Mas, fora isso, não percebo nenhuma mudança. Do que eu vi de latino-americanos que sabem fazer isso, estão deixando seus mercados, indo para outros países. Exemplo: um de nossos painelistas é um sujeito do Brasil que trabalha para a Dell Technologies em Miami… Para isso funcionar, você precisa, do lado do cliente, de demanda, e não vejo isso na América Latina, infelizmente. É uma questão de cultura… Como construir uma relação? Querem seguir uma estrada tradicional ou se guiar por dados? E hoje vejo mais atividade envolvendo o tema na África subsaariana do que na América Latina.

Fonte: Meio e Mensagem

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