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Os segredos psicológicos e de propaganda usados pelos britânicos para ajudar a vencer a Segunda Guerra Mundial.

Um livro recém-lançado no Reino Unido mostra como o país utilizou a propaganda de maneira eficaz para manter o moral da população elevado durante a Segunda Guerra Mundial e ajudar nos esforços para vencer o conflito.

A palavra “propaganda” pode sugerir algum tipo de informação dirigida ou com intenção de manipulação, mas o governo britânico precisava manter um cuidadoso equilíbrio. Ao mesmo tempo que empregavam uma série de truques psicológicos, as autoridades precisavam manter uma imagem a mais sincera possível.

“O Ministério da Informação (MOI, na sigla em inglês) foi desativado imediatamente após a Primeira Guerra Mundial porque a propaganda oficial se tornou fortemente associada a mentiras e falsidade”, observa o historiador David Welch, autor do livro Persuading the People: British Propaganda in World War II (“Convencendo o povo: a propaganda britânica na Segunda Guerra“, em tradução livre).

“Na Segunda Guerra, quando o ministério foi reativado, o governo tinha uma noção clara do cinismo associado à propaganda. Ele estabeleceu que, com a exceção de informações prejudiciais ou inacreditáveis, a verdade deveria ser dita sempre que possível“, disse ele à BBC.

Slogans

O ex-diretor-geral da BBC John Reith foi nomeado Ministro da Informação em 1940.

British Library Board

Propaganda usada pelo governo britânico contra o nazismo na Segunda Guerra.

“Ele implementou dois axiomas fundamentais para o equlíbrio da guerra: que notícias equivaliam às ‘tropas de choque da propaganda’ e que a propaganda deveria contar ‘a verdade, nada mais que a verdade e, sempre que possível, toda a verdade‘”, conta Welch.

Isso não impediu que o MOI se utilizasse de técnicas testadas e aprovadas para manipular a opinião pública.

Um relatório encomendado pelo centro de pesquisas Chatham House em 1939 estabeleceu 86 regras para isso, como: “A propaganda deve confirmar impressões pré-concebidas, como, por exemplo, a de que um chinês considera todo estrangeiro uma pessoa maliciosa disposta a usar uma arma escondida caso sua astúcia falhe”.

Em seu livro, Welch comenta: “Interessantemente, [as regras] revelam que os responsáveis por preparar o documento secreto estavam familiarizados com a visão de Adolf Hitler sobre a propaganda publicada em Mein Kampf (“Minha Luta“, o livro no qual o futuro ditador nazista expunha suas ideias antes da guerra)“.

Não somente isso, mas as regras pareciam endossar os princípios hitleristas de propaganda. Por exemplo, o documento fala sobre apelar aos instintos das massas ao invés de suas razões, e enfatiza a importância de se estabelecer slogans e da necessidade de repetição“, complementa.

Campanha da raiva

Os pôsteres, panfletos e filmes incluídos no livro de David Welch revelam a amplitude de técnicas usadas pelo MOI ao longo de toda a Segunda Guerra.

Uma delas se chamava “Campanha da Raiva”. “O MOI havia inicialmente decidido que a ‘verdade’ deveria ser sua principal arma para atacar o inimigo na opinião pública“, escreve Welch.

“Porém, após acontecimentos amargos e dramáticos no Verão e no Outono de 1940, o MOI lançou sua Campanha da Raiva e a propaganda britânica adotou uma abordagem mais drástica, enfatizando a brutalidade do regime nazista”, complementa.

No início da guerra, havia dentro do MOI “uma impaciência e uma implícita falta de confiança no público, uma crença de que eles eram ‘pacientes, sofredores, lentos para se enraivecer, ainda mais lentos para odiar’, que os homens trabalhadores em particular tinham pouca compreensão das consequências de uma vitória nazista e precisavam, por isso, de uma boa dose de embrutecimento”.

A Campanha da Raiva tinha como objetivo provocar um choque que quebraria com aquilo que o MOI via como “uma complacência perigosa”, com frases como “Os bárbaros estão à nossa porta. Eles trazem fúria e destruição. Eles vão matar mulheres e crianças”.

Em um pronunciamento pelo rádio para o serviço mundial da BBC, o autor J.B. Priestley descreveu a “face brilhante” da Alemanha: a música, a arte e as paisagens bonitas. Mas, ele advertiu: “depois que os nazistas chegaram, a face brilhante sumiu, e em seu lugar ficou uma grande face escura com suas promessas quebradas e falsidade interminável, suas tropas de choque arrogantes e a temida Gestapo, seus porões ensanguentados”.

De olho nos vizinhos

“O suplício da Segunda Guerra, ainda mais do que na Primeira Guerra, requeria que os civis também ‘entrassem no jogo’ e participassem (e possivelmente sofressem) em uma larga escala com os esforços de guerra”, diz Welch à BBC.

O moral veio a ser reconhecido como um fator militar significativo, e a propaganda surgiu como uma arma essencial no arsenal nacional. Pela primeira vez, a Segunda Guerra assistiu a uma ‘guerra do povo’ que era tão importante quanto a guerra travada na frente de batalha“, acrescenta.

Parte disso envolvia pedir ao público que espionasse seu entorno. A queda da França e a retirada de Dunquerque, escreve Welch, “gerou a crença de que uma ‘Quinta Coluna’ estava operando como guarda avançada do Exército alemão”.

A campanha do MOI “Conversa Descuidada Custa Vidas” se concentrou na ideia de um “inimigo interno” e pedia às pessoas que fossem discretas. “Como último recurso, se pedia a elas que informassem à polícia sobre personagens indiscretos”, escreve Welch.

‘V da Vitória’

Uma das campanhas de maior sucesso, “V da Vitória“, foi lançada pela BBC em julho de 1941.

“Ela foi inspirada por Victor de Laveleye, o ex-ministro belga da Justiça e diretor do serviço de rádio em francês para a Bélgica da BBC que pedia que seus conterrâneos usassem a letra V como um ‘emblema mobilizador’, já que essa era primeira letra da palavra vitória em francês (victoire), flamengo e holandês (vrijheid) e, claro, inglês (victory), transformando-a em um símbolo multinacional de solidariedade”, comenta Welch.

A campanha pedia aos ouvintes na Europa ocupada pelos nazistas que “mostrassem seu apoio aos aliados fazendo a letra V sempre que pudessem”.

Linguagem universal

O código morse para a letra V (ponto-ponto-ponto-traço) parecia ecoado nas primeiras quatro notas da Quinta Sinfonia de Beethoven. Douglas Ritchie, do serviço europeu da BBC, a transformou na música-tema de seu programa de rádio.

“Os ouvintes começaram a replicar o som da forma como pudessem como um símbolo de resistência”, escreve Welch. “Em toda a Europa ocupada, as pessoas inscreviam o símbolo V e faziam a sequência de sons como mostra de sua solidariedade”.

Apesar de o slogan ter sido pensado para os países ocupados, diz Welch, “ele realmente pegou no Reino Unido”. “Em 19 de julho de 1941, o premiê Winston Churchill se referiu de maneira positiva à campanha em um discurso, a partir do qual ele começou a usar o sinal de V”.

Sátira na propaganda

O governo havia confiado na “propaganda da atrocidade” durante a Primeira Guerra, concentrada “nos atos mais violentos cometidos pelos inimigos, especialmente os numerosos atos violentos contra os civis”, diz Welch. Mas isso falhou. “No período entre guerras, a opinião pública britânica chegou à conclusão de que essas histórias haviam sido fabricadas ou exageradas”, comenta.

Assim, após enfatizar a brutalidade nazista em sua Campanha da Raiva, o governo britânico encontrou maneiras de espetar seu inimigo por meio da sátira: “Muito da propaganda britânica na Segunda Guerra foi caracterizada pelo uso do humor para reduzir o inimigo“.

Ridicularizando o inimigo

Welch também descreve algo que não estaria fora de lugar hoje em dia nas redes sociais: “Em 1941, o diretor Charles Ridley espertamente reeditou imagens reais de soldados nazistas marchando em Nuremberg, tiradas do filme de 1934 Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl, com a música The Lambeth Walk, do musical Me and My Girl, de 1937.

O filme, Germany Calling (“Alemanha chama”, na tradução livre), foi mostrado como um noticiário.

“Ao acelerar o filme, a ameaça incipiente da SS foi diluída, e suas formações transformadas em cômicas, na tradição do cinema mudo”, escreve Welch. “A redução de um inimigo assustador ao ridículo, como nesta sátira a Hitler e suas forças, é, em termos psicológicos, um meio de demonstrar poder sobre ele“, observa.

Pregando aos covertidos

“O MOI usava a noção do inimigo bárbaro, explorada em grande escala na Primeira Guerra, para mostrar que eles ainda eram o ‘mesmo agressor'”, diz Welch à BBC. “O MOI podia então usar as informações existentes sobre como os nazistas tratavam os não-arianos e subverteram seu sistema educacional para seu próprio fim, e sua atitude com a religião“.

British Library Board

Propaganda usada pelo governo britânico contra o nazismo na Segunda Guerra.

O MOI expôs a perseguição nazista aos clérigos que haviam questionado o regime, como o bispo Clemens August Graf von Galen, de Münster, que fazia sermões denunciando a Gestapo.

A Força Aérea Britânica lançou panfletos com cópias dos sermões do bispo, banido pela Alemanha nazista, por todo o país. Os sermões também foram reproduzidos numa publicação chamada Gestapo versus Cristianismo.

Imagens fortes eram colocadas ao lado de textos que acusavam os nazistas de paganismo, de idolatria do Führer e de perversão da educação infantil.

“O foco era sobre como a Alemanha nazista estava passando por uma forma de doutrinação anticristã“, diz Welch. “A noção de liberdade de culto estava diretamente ligada à propaganda britânica sobre liberdade de pensamento“.

Transformando inimigo em aliado

Apesar de o MOI apelar para estereótipos existentes em algumas de suas campanhas, precisava de uma abordagem diferente em outras. “Os estereótipos se mostravam mais difíceis no caso da União Soviética, um inimigo transformado em aliado”, diz Welch.

“O MOI contornou isso ignorando em grande medida a ideologia soviética e se concentrando na ‘camaradagem’ para combater um inimigo comum: ‘A sua luta é a nossa luta'”.

Este pôster acima diz “Vida Longa ao Exército Vermelho! Saudações do Povo Britânico”. Após a recaptura de Stalingrado pelas forças soviéticas em fevereiro de 1943, o MOI organizou uma noite de celebrações na sala de concertos Royal Albert Hall, em Londres, com discursos lidos por Laurence Olivier e John Gielgud.

O governo declarou um “Dia do Exército Vermelho”, celebrado nas cidades britânicas com desfiles e música. “Joseph Stalin, que havia anteriormente sido caracterizado na propaganda britânica como um ditador mentiroso e conivente, foi repentinamente transformado em uma espécie de tiozão, apelidado de Uncle Joe (Tio Joe)“, escreve Welch.

Ao se focar na coragem e no espírito de luta do povo russo e ao apresentar Joseph Stalin como um senhorzinho nacionalista, a propaganda britânica conseguiu evitar qualquer possível inconsistência com seu tratamento da União Soviética no período pré-Guerra“, complementa.

 

Fonte: UOL.

COMENTÁRIO

Este deve ser um livro muito interessante de ler, assim como é Mein Kampf (no capítulo em que trata da Propaganda nazista – cruel, mas muito eficiente). Vou tentar comprar para ler, em inglês mesmo, pois creio que nunca será traduzido para o português.

Relembro meus leitores que a propaganda é comunicação doutrinária e ideológica, como na política e na religião, e que publicidade é comunicação comercial, de vendas. Sempre é bom lembrar que são duas coisas diferentes – muito embora no Brasil usem as duas palavras como sinônimos (e está claro que não são).

JJ

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Publicidade ruim vende…

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Publicidade ruim vende,

mas a boa publicidade

vende mil vezes mais.

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 JJ.

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Triste realidade da Gazeta do Povo.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, árvore e atividades ao ar livre

A banca de jornais e revistas é também reflexo da crise: o movimento caiu 40 por cento.

Lembro de sugestão de dono de banca na época dourada das vendas: deixar em aberto informações importantes, para o sujeito comprar jornais e descobrir com a leitura.

Por exemplo: o coxa goleia o Corinthians e na primeira página o jornal chamaria atenção para o jogo, estimulando a compra do impresso para saber o resultado.

Coisa maluca.

Aqui, a venda da Gazeta do Povo despencou: de 200 para 35 jornais diários, com devolução de 15 exemplares.

 

Marcos Batista, jornalista.

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As tendências do varejo.

Durante três dias, milhares de pessoas, assim como eu, se reúnem na NRF Retail’s Big Show. Nesta edição, o velho ditado “o consumidor é rei” é mais verdadeiro do que nunca. Num cenário onde o comércio online vem ganhando forças, as expectativas do consumidor quando decide ir a uma loja física estão forçando varejistas a se diferenciarem. Uma recente pesquisa online feita pela Deloitte com 200 varejistas mostra que a empresa que souber diferenciar seus produtos e suas experiências em loja tem a possibilidade de crescer até 13% em um ano.

Porém, a real oportunidade em diferenciar-se está no atendimento às pessoas. As marcas que gerarem empatia com o shopper no atendimento em loja terão vantagem competitiva. Chamado de H2H (human to human), a conexão funcional com a marca e o produto se dá na relação humana no momento da venda. Com consumidores tão engajados com a tecnologia, as empresas devem encontrar maneiras de se reconectar com essas pessoas em cada dispositivo e plataforma social que usam.

E o vendedor que tem a capacidade de olhar no olho e escutar o comprador consegue gerar a empatia. E é isso que difere a loja física da loja online. Muitas ferramentas de big data e inteligência artificial ajudam a entender o que o consumidor quer e como pensa.

Porém, de forma que permita que esses consumidores realmente se sintam conectados ao negócio em um nível mais humano do que era anteriormente. Imagine que o objetivo do consumidor que hoje escolhe ir a uma loja física, mesmo podendo comprar no conforto de sua casa, seja de uma verdadeira conexão com a marca. E o vendedor que tem a capacidade de olhar no olho e escutar o comprador consegue gerar a empatia. E é isso que difere a loja física da loja online. Muitas ferramentas de big data e inteligência artificial ajudam a entender o que o consumidor quer e como pensa. Porém, colocar-se no lugar do shopper para entender como se sente, ouvir além dos sentidos, isso sim é o desafio das grandes marcas.

A atmosfera geral da NRF este ano é de muitas incertezas diante da posse do novo presidente americano, Donald Trump; o consumo está estabilizado nos EUA; e o mercado aposta no crescimento diante de possíveis oportunidades, apesar da atual situação.

A NRF acontece anualmente em janeiro, em Nova York, e reúne as últimas tendências mundiais do varejo e de consumo. São 33 mil presentes, 500 expositores e 300 palestrantes, todos com o objetivo de disseminar e dividir insights, soluções e tendências deste mercado.

As tendências para o varejo

Erika Amigo

Diretora de retail da Cheil Brasil

Em Meio e Mensagem

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O futuro do varejo não tem a ver com “o quê”, mas sim “com quem”!

Na NRF, Kip Tindell, chairman da federação, destacou o aspecto humano que está em transformação no varejo e a importância de rever conceitos e processos! Tindell reforça a questão da eficiência e produtividade, temas já bastante explorados nas últimas edições, e diz que uma pessoa grandiosa e eficiente pode realizar o trabalho de três.

O desafio, porém, é entender o que fazer para atrair e reter estes talentos. Foi com grata surpresa que recebi o tema de abertura que permeou muitas das apresentações ao longo do dia. O evento, famoso por trazer aspectos disruptivos e inovadores de tecnologia, chama a atenção da platéia voltando a ótica das discussões justamente para o aspecto humano do futuro como sendo o maior desafio das marcas e varejistas.

Para enriquecer esse debate, dividiram o palco Bill Brand, presidente da HSN; Greg Foran, do Walmart; Terry Lundgren, da Macys; e James Rhee, da Ashley Stewart. Todos reforçaram as mudanças que estão sendo realizadas nas suas estruturas e processos para a atenção aos colaboradores. Afinal, uma a cada quatro pessoas nos Estados Unidos está inserida nessa vertical. Conhecida por sair sempre primeiro nas questões tecnológicas, a Macys é reconhecida como a empresa que mais valoriza o trabalho da mulher e garante que estar à frente das tendências do varejo mundial é um grande atrativo para uma mão de obra qualificada.

Somente nesse ano que passou, a marca treinou 600 “tecnólogas” e amadurece seu instituto de liderança, que trabalha constantemente com as linhas de direção da companhia em capacitações e reciclagens. Além disso, promove um trabalho intenso com universidades: são 643 estudantes no programa da Universidade Arizona com o objetivo de promover um trabalho de qualidade no varejo americano.

Greg Foran, CEO do Walmart, conta que sua estratégia nesse sentido é esquecer que tem 4,6 mil lojas na cadeia para buscar tratar cada uma como única, fazendo com que o ambiente seja admirado por cada um dos seus colaboradores. Porém, a grande simpatia do painel ficou por conta de James Rhee, da Ashley Stewart – marca de itens de moda plus size que precisou de uma transformação por quase ter decretado falência. Justamente Rhee, que não era do setor, entendeu que a principal missão era conquistar a lealdade das suas funcionárias (já que grande parte do staff das lojas é feminino). E percebeu também que as lojas não vendiam apenas roupas e acessórios femininos, mas sim a autoestima das mulheres da comunidade e que, para conseguir sua confiança, o público interno e externo tinha que se relacionar de uma forma direta e verdadeira.

Outra reflexão válida é que a chegada do varejo mobile e a influência dos smartphones no processo de compra mudam radicalmente a dinâmica do varejo. Para tanto, é necessário ter certeza de que estão sendo dados os credenciamentos certos para as equipes do setor. Não só para os novatos, mas também para colaboradores antigos e atuais! Equipes de operação, de gestão e também de liderança. Ou seja, toda a cadeia precisa ser inserida nessa nova era do consumo. Juntamente com a mudança tecnológica, se estabelece também o varejo da transparência nas relações. O consumidor quer entender a filosofia do varejo e das marcas e aqueles que os representam devem estar verdadeiramente sincronizados!

Para reforçar a complexidade do alinhamento do aspecto humano ao novo varejo, o dia seguiu com o quebra-cabeça de inúmeras palestras que trouxeram três principais pilares: a experiência integrada entre os ambientes físicos e digitais no processo de compra; a utilização de dados dos consumidores de forma inteligente e personalizada como a chave da sobrevivência para o consumo da nova geração; e a vital importância das marcas e varejistas se tornarem efetivamente relevantes em seus propósitos e filosofias para fazer parte da vida de seus consumidores.

A Game Stop, gigante do mundo de games, afirma que seu programa de fidelidade, com aproximadamente 50 milhões de jogadores, não tem a ver com benefícios em troca de compra, e sim do conhecimento profundo de seu público para uma conversa um a um na linguagem desses gamers. Isso é o que subsidia todas as estratégias da empresa que, a partir desses dados, cria um “customer ecosystem” para fazer parte da vida dos jogadores a qualquer hora e em qualquer lugar. O palestrante David Levin contou a emocionante história da antiga Casual Male XL, loja destinada a tamanhos plus size. Os seus consumidores eram vistos como aqueles que compram apenas o final da gôndola. Aquela! Normalmente escondida no fundo da loja e com pouquíssimas opções. A marca se refez completamente e agora é chamada de DXL, com toda a comunicação de alto nível e que fala diretamente com seu público de forma aspiracional.

Outra reflexão válida é que a chegada do varejo mobile e a influência dos smartphones no processo de compra mudam radicalmente a dinâmica do varejo. Para tanto, é necessário ter certeza de que estão sendo dados os credenciamentos certos para as equipes do setor.

Também foi destaque o capitão Scott Kelly, astronauta da NASA, que compartilhou sua experiência de ter ficado um ano em uma expedição pelo espaço. Além da grande simpatia e piadas relacionadas à sua relação com seu irmão gêmeo idêntico, também astronauta, Kelly chamou a atenção fazendo uma analogia entre os desafios e experiências que viveu durante o período com o mundo dos negócios do varejo. O astronauta diz que um homem, quando estabelece metas desafiadoras e se mantém focado para alcançar este objetivo pessoal, é capaz de cumprir o inimaginável!

E, se pararmos para pensar, quantas milhares de vezes já falamos em nossas experiências de compras “eu queria essa blusa, mas colorida ao invés de preta” ou “aquela calça era exatamente o que eu queria, mas não tinha o meu número”? Se houvesse um índice estatístico que nos mostrasse mais claramente o quanto isso acontece em nossas vidas, certamente seria bem alto! E nos faz questionar ainda mais a dinâmica tradicional do varejo ao analisarmos os altíssimos índices de estoque concentrados, com perdas de milhares de dólares em mercadorias encalhadas em todos os segmentos!

E é por isso que o tal “tamanho único” parece estar com os dias contados!  Dois casos extremos de personalização encerraram a maratona de palestras do domingo. Jodie Fox, co-fundadora da Shoes of Prey, falou sobre o primeiro site do mundo que possibilitou que mulheres desenhassem seus próprios sapatos. A empresa, criada em 2009, fatura milhares de dólares e rendeu a Jodie vários prêmios de empreendedorismo e criatividade. Outro exemplo é Drew Green, da Indochino, que oferece a fabricação de roupas masculinas sob medida, com qualidade impecável, preço justo e entrega em até quatro semanas.

Foi somente o primeiro dia do maior evento de varejo do mundo. Serão mais dois dias, com aproximadamente cinco palestras simultâneas a cada hora, mais de 500 expositores na área da feira do evento e as surpresas que virão do Innovation Lab, espaço destinado às startups que vieram apresentar suas mais recentes inovações e modelos de negócio.  A expectativa é de uma imersão nas tecnologias como a impressão 3D – por meio de um scanner do seu corpo, você pode ir em qualquer loja do mundo, escolher o que quer e imprimir seu produto “somente seu” em uma impressora 3D –, experiências imersivas de realidade aumentada e realidade virtual, trazendo de uma forma totalmente inovadora a experiência dos produtos no mundo digital e o altíssimo nível de uso de dados para a oferta de produtos e surgimento de novos modelos de negócios!

O futuro do varejo não tem a ver com “o quê”, mas sim “com quem”!

Ana Paula Andrade

Ana Paula Andrade é country manager da Marco Marketing Brasil.

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Esquemão do Habib’s.

Agência: Publicis.

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180 contas mudaram de agência em 2016.

Extra-Conta

mercado publicitário brasileiro mantém seu dinamismo no que diz respeito a troca de agências pelos maiores clientes. Depois de 150 contas em 2014 e 190 em 2015, o balanço anual da dança das contas feito por Meio & Mensagem contabilizou 180 negócios em 2016 envolvendo as maiores agências do País, fruto da troca de parceiras, concorrências, entradas de novos anunciantes no mercado nacional ou lançamentos de empresas e marcas.

Pelo menos dez anunciantes que trocaram de agências em 2015 voltaram a fazê-lo em 2016, sendo o maior deles a C&A. Em 2015 havia iniciado relacionamento com a AlmapBBDO, interrompido pela agência no final de 2016, com posterior entrega da verba para a CuboCC.

As informações da tabela abaixo foram prestadas pelas agências e complementadas com pesquisas no arquivo de Meio & Mensagem. Em alguns casos, as agências anteriores podem ter deixado de atender os anunciantes citados antes de 2016. O levantamento não faz distinção sobre a natureza do rompimento, se motivado por uma das partes, comum acordo ou concorrência.

Tabela-Contas
Fonte: Meio e Mensagem
COMENTÁRIO
E a maioria destas contas são só de São Paulo e Rio…
JJ

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Das “fake news” ao fenômeno “slow news”.

Todo o bate boca em torno do fenômeno fake news ( noticia falsa) pode acabar levando a mudança de um dos comportamentos mais arraigados na cultura jornalística, o do imediatismo, ou seja da preocupação em ser o primeiro a publicar uma notícia. Pesquisadores do jornalismo, especialistas em comunicação e estrategistas políticos estão chegando a conclusão de que a correria pelo furo noticioso dificulta a checagem de dados, fatos e eventos tanto nas redações online como entre os editores independentes em blogs jornalísticos.

Jornalismo lento

 

 

 

 

 

 

 

 

A solução seria reduzir o ritmo , gastar mais tempo na verificação e contextualização das informações para evitar que o fenômeno das fake news (jargão americano) assuma proporções catastróficas comprometendo ainda mais a credibilidade da imprensa. O imediatismo e o empenha em publicar antes da concorrência sempre foram comportamentos profundamente entranhados na cultura jornalística tradicional. Dar um furo noticioso ainda é, em muitas redações, um atestado de qualidade profissional e um poderoso elemento de marketing publicitário.

Mas a popularização da internet começou a mudar o contexto a partir do momento em que as empresas jornalisticas passaram a ter que concorrer com milhares de amadores responsáveis pela publicação de blogs ou com acesso a redes sociais. Como estão em quase todos os lugares, com smartphones dotados de câmeras, a concorrência se tornou desigual, salvo quando os jornais e TVs competem entre si usando material de amadores.

Mas desde do ano passado, a maratona por um furo jornalístico tornou-se ainda mais complexa com a massificação das redes sociais virtuais, como o Facebook (mais de 1,5 bilhão de usuários em todo o mundo), e o surgimento das notícias falsas, meias verdades ou informações descontextualizadas. A combinação entre leviandade informativa e imediatismo acabou assustando os donos de empresas de comunicação, porque as fake news abalavam a já desgastada confiança do publico em jornais, revistas e telejornais. Os controladores de redes sociais também acabaram contaminados pelo temor de serem acusados de semear a discórdia e a desorientação informativa, enquanto os políticos, os maiores disseminadores de meias verdades pela imprensa, sentiram que podiam acabar dando um tiro no pé, caso a desinformação se generalize.

A situação é realmente preocupante porque o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, já deixou claro que vai governar usando o Facebook e o Twitter. Não é segredo que as redes sociais são mais uma caixa de ressonância do que um centro distribuidor de notícias. Comentários e opiniões predominam sobre informes e análises, o que é natural tendo em vista que a maioria esmagadora dos usuários das redes é formada por indivíduos que desejam dizer o que pensam, pela primeira vez na historia da humanidade. A cacofonia é inevitável, da mesma forma que a desorientação causada pela avalanche de percepções e opiniões individuais.

O fantasma do caos informativo

Os últimos episódios envolvendo Donald Trump levaram empresas jornalísticas de grande porte como Facebook, BBC inglesa e o norte-americano The New York Times intensificar as medidas de controle de veracidade, um esforço para atenuar os efeitos da desinformação. Na Califórnia, os deputados estaduais vão votar uma lei impondo as escolas a ensinar seus alunos como identificar e combater as fake news.

Para a imprensa, a desorientação do publico é uma ameaça porque mina a confiança no que é publicado. Para os donos, passou a ser um mau negócio, num ambiente econômico em que a luta pela sobrevivência corporativa é muito dura e incerta. Para os jornalistas é um desafio porque torna urgente a revisão de rotinas e valores seguidos ao pé da letra por décadas. Num ambiente de boataria permanente ficou perigosíssimo ceder ao impulso do imediatismo na publicação, sabendo-se que já existem sites e softwares especializados em disseminar noticias falsas com todos os requintes de edição jornalística.

Tudo indica que a cautela, indispensável num contexto de incerteza e dúvidas, derrubará as resistências existentes contra a consolidação das slow news, notícias mais pensadas e preocupadas com a credibilidade. O pesquisador australiano Megan Le Masurier foi, em 2016, um dos primeiros a explorar teoricamente o fim do imediatismo e da pressa editorial na imprensa, num artigo acadêmico intitulado What is Slow News? Dois anos antes, o jornalista norte-americano Peter Laufer já tinha publicado um livro no qual combina jornalismo e tendências de consumo para mostrar que o bombardeio de mensagens publicitárias e de reportagens contraditórias só criavam problemas em vez de soluções. Mas o debate sobre a nova tendência informativa não prosperou e só ressurgiu agora quando a perspectiva de um caos informativo ganhou contornos mais nítidos.

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Carlos Castilho é jornalista, pós doutorando em comunicação e editor do site do Observatório da Imprensa.

Fonte: Observatório da Imprensa

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Amazon é a marca mais valiosa do varejo mundial.

Amazon foi a marca mais valiosa do varejo no ano de 2016,  de acordo com o levantamento “Brandz  Retail” da Kantar, realizado há 11 anos. Em seguida, está o Alibaba, no segundo lugar, seguido da The Home Depot.

O Walmart, no quarto lugar, foi desbancado da primeira posição há quatro anos, quando a Amazon ocupou a primeira posição no ranking. Entre as 25 marcas mais valiosas, também se encontra o eBay e gigantes do varejo global como Costco, Carrefour, Target, Macy’s, entre outros. Amazon, Alibaba e eBay, marcas primordialmente digitais, respondem por 40% do valor total de todas as marcas indicadas no top 25.

Veja abaixo as 25 marcas globais de varejo mais valiosas:

Foto: Reprodução

 Fonte: Meio e Mensagem

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