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06/15

PF indicia ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira por quatro crimes.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF, no anúncio do novo formato da Copa do Brasil

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira pelos crimes de falsificação de documento público, falsidade ideológica, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, Teixeira não declarou dinheiro mantido no exterior, simulou a compra de ações usando o nome de uma empresa para “movimentar altas quantias de dinheiro” e fez transações imobiliárias irregulares. Conforme os investigadores, o inquérito não tem relação direta com o escândalo de corrupção que atingiu a Fifa, mas pode dar subsídios à apuração em curso nos Estados Unidos, tocada pelo FBI. O inquérito no Brasil foi concluído em janeiro deste ano, mas só agora veio a público. As investigações duraram dois anos.

No inquérito, ao qual o jornal O Estado de S.Paulo teve acesso, a PF afirma que nas declarações de imposto de renda do ex-dirigente “não existe referência alguma a contas bancárias em seu nome no exterior”, o que configura crime de evasão de divisas. A reportagem revelou que Teixeira possui 30 milhões de euros numa conta secreta em Mônaco, e a procuradoria da Suíça também identificou movimentações no país. No Brasil, o órgão de investigação financeira do Ministério da Fazenda, o Coaf, registrou movimentação de R$ 464,5 milhões entre 2009 e 2012.

A PF destacou informações da procuradoria da Suíça de que Teixeira teria recebido, ainda, 12,7 milhões de francos suíços de suborno enquanto esteve na CBF, de 1989 a 2012, inclusive envolvendo a realização de Copas do Mundo, ao considerar que “ele vem praticando atos contra a administração pública brasileira, com exigência de vantagens para práticas administrativas da CBF, contra a administração pública estrangeira e o sistema financeiro nacional”.

A PF também acusa Teixeira de simular operações de compra de vários imóveis, entre eles uma cobertura na Barra da Tijuca, no Rio. Ele adquiriu o apartamento em bairro nobre que estava avaliada em R$ 4 milhões por R$ 720 mil. O imóvel foi comprado de Claudio Abrahão, irmão de Wagner Abrahão, dono do Grupo Águia. Em depoimento à PF, Claudio justificou o preço porque o imóvel estava “em mau estado de conservação, precisando de reforma”. A PF considerou suspeito o fato de Claudio ter comprado o imóvel em 2002, por R$ 1,9 milhão, mas só ter escriturado em 2009, mesmo ano em que foi vendido para Teixeira. A PF também encontrou irregularidades na compra de uma aeronave pela Alianto Marketing por R$ 8 milhões da empresa 100% Brasil Marketing, que não tem endereço fixo. As duas empresas têm como sócios Alexandre Rosell Feliu, conhecido como Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona. Ou seja, ele vendeu a aeronave para ele mesmo.

Outro negócio investigado pela PF é a simulação de operação de compra de ações de Teixeira e Rosell numa transação que envolveu a cifra de R$ 22,5 milhões. A PF descobriu que a Alpes Eletronic Broker não era detentora de opção de venda, como informado no negócio. A Alpes negou em depoimento relação com Teixeira. Como moram no exterior, a PF indiciou Teixeira e Rosell sem a presença deles. Contudo, conforme o inquérito, os dois “tomaram conhecimento dos fatos e não tiveram interesse em desmentir”.

fONTE: Veja (com Estadão Conteúdo)

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06/15

Suíça deve extraditar Marin por considerar provas ‘suficientes’.

Presidente da CBF José Maria Marin

A Suíça considera que as provas apresentadas pelos Estados Unidos contra José Maria Marin são suficientes para a extradição do ex-presidente da CBF, que segue preso nos arredores de Zurique, acusado de desviar dinheiro de comissões em contratos fechados pela CBF. Autoridades policiais da Suíça informaram nesta segunda-feira ao diário O Estado de S. Paulo que estão dispostas a colaborar com a ida do cartola brasileiro aos Estados Unidos. “Na base da descrição fornecida pelos EUA no pedido de prisão, o Departamento de Justiça estimou que os fatos denunciados, a priori, poderiam motivar uma extradição”, informou o órgão.

O Departamento da Justiça da Suíça recebeu o pedido de extradição seis dias antes da operação, realizada na última quarta-feira em um hotel de luxo em Zurique. No dia 22 de maio, os advogados do governo passaram a examinar os documentos sobre Marin e confirmaram que existiam “indícios suficientes” para realizar a prisão e a extradição do brasileiro para os Estados Unidos.

O caso rapidamente chegou até a ministra da Justiça, Simonetta Sommaruga, que consultou o restante do governo e até o presidente suíço para dar o sinal verde. A etapa seguinte foi repassar para a polícia de Zurique o trabalho de organizar a operação de prisão na semana do 65º Congresso da Fifa.

Para tentar evitar uma extradição aos EUA, o ex-presidente da CBF contratou um advogado suíço especialista em crimes financeiros e cooperação internacional. O nome escolhido, numa contratação intermediada pela Conmebol, foi o de Georg Friedli, com sede em Berna. No entanto, as autoridades suíças dificilmente darão autorização para um eventual pedido de liberdade provisória ao brasileiro. Marin, de 83 anos, não tem propriedades na Suíça e o governo considera que existe o “risco de fuga”.

O governo americano tem até o dia 3 de julho para oficializar o pedido de extradição, com novos documentos e base legal. O governo suíço considera que isso deve ocorrer nas próximas semanas.

(com Estadão Conteúdo)

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06/15

Del Nero negociou contratos que levaram Marin à prisão. Cumplicidade.

Os presidentes da CBF, José Maria Marin, e da federação paulista, Marco Polo Del Nero, em audiência pública sobre a Copa de 2014, na Câmara, na semana passada

O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, afirmou na última sexta-feira que não teve nenhuma participação nos acordos assinados durante a gestão de seu antecessor, José Maria Marin, que segue preso em Zurique por casos de corrupção. No entanto, o jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira exibiu documentos que comprovam a participação de Del Nero nos contratos assinados por Marin. Ainda na condição de vice-presidente da CBF, Del Nero referendou as contas de seu antecessor e participou do fechamento de pelo menos dez de treze contratos de patrocínio, entre 2012 e 2015.

Pouco antes de assumir a presidência, Del Nero assinou, junto a Marin, o balanço de demonstrações financeiras da entidade em abril deste ano – as receitas de 2014 chegaram a 359 milhões de reais, mostrou o jornal. Segundo o diretor financeiro da CBF, Rogério Caboclo, Del Nero não era obrigado a assinar o documento segundo os estatutos da entidade.

Empresários ouvidos pelo jornal ainda disseram que Del Nero era “figura onipresente” nas negociações da CBF durante toda a gestão de Marin. Na sexta-feira, em depoimento na sede da entidade na Barra da Tijuca – da qual foi retirado o nome de José Maria Marin da fachada -, Del Nero disse que não assinou nenhum contrato e que “vice não manda, apenas cumpre determinação”.

José Maria Marin foi preso, a pedido da Justiça dos Estados Unidos, acusado de desviar dinheiro de comissões em contratos fechados pela CBF. Segundo o FBI, Marin dividiu propina com a empresa Traffic e com outros dois outros dirigentes da CBF – que foram chamados apenas de “co-conspiradores”, mas que, segundo a descrição dos investigadores, poderiam ser Ricardo Teixeira e Del Nero – em contratos referentes aos direitos da Copa do Brasil, um dos principais torneios de clubes do país. Marin segue detido em uma prisão nos arredores de Zurique, na Suíça.

Fonte: Veja

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06/15

Por R$40 milhões, Teixeira coloca à venda sua mansão em Miami.

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira decidiu vender sua mansão de mais de 600 metros quadrados em Miami

Oito meses antes de acusações de corrupção levarem oito dirigentes da Fifa à prisão, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, colocou à venda a casa que tem em Sunset Island, um dos endereços mais luxuosos de Miami. O dirigente comprou o imóvel em 2012 da ex-tenista russa Anna Kournikova. Pagou 7,43 milhões de dólares (26,6 milhões de reais), 2 milhões de dólares a menos que o pedido inicial. Construída em 2000, a casa tem sete quartos, oito banheiros e atracadouro para iates e, segundo um corretor que negocia o imóvel que preferiu não se identificar, Teixeira pedia 15,5 milhões de dólares (pouco menos de 50 milhões de reais) pelo imóvel em setembro.

O valor foi reduzido para 13,5 milhões de dólares em janeiro e para 12,9 milhões de dólares (40 milhões de reais) no mês passado. “As pessoas costumam baixar o preço quando concluem que o imóvel foi superavaliado ou quando têm pressa para vendê-lo”, disse o corretor. O nome de Teixeira não aparece nas investigações da Justiça americana que levou à prisão os dirigentes da Fifa, entre ele o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Mas os procuradores de Nova York declararam que o caso está “no começo”. Entre as operações investigadas pelo Departamento de Estado estão contratos de patrocínio assinados durante a gestão de Teixeira na CBF, de 1989 a 2012.

O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira decidiu vender sua mansão de mais de 600 metros quadrados em Miami

Volta - Após passar uma temporada em Mônaco, Teixeira retornou ao Brasil no início desta semana e se instalou em sua residência no bairro do Itanhangá, na zona oeste do Rio, onde vive uma rotina reclusa.

Desde que chegou, pouco deixou seu imóvel e durante a semana, frequentemente, recebeu a visita de seus advogados. Ele acompanha em silêncio os desdobramentos do escândalo de corrupção na Fifa que resultaram na prisão de antigos aliados – um deles Marín, vice-presidente em seus últimos anos de gestão, acusado de cobrar propinas milionárias em diversos contratos da entidade, a partir do momento em que o sucedeu na presidência.

A residência de Teixeira fica em um luxuoso condomínio, parece uma fortaleza, dada a grande quantidade de câmeras e de seguranças armados vigiando o local. Além de Teixeira, o atacante Fred, o ator Bruno Gagliasso e a atriz Ísis Valverde também têm imóveis no condomínio, em que os funcionários elogiam a “simpatia do dr. Ricardo Teixeira”, que frequentemente distribui camisas de futebol e outros materiais esportivos aos trabalhadores.

Senado confirma criação de CPI da CBF Acordo de Hawilla com a Justiça dos EUA supera US$ 151 milhões Momentos depois da detenção de Marín, em Zurique, na Suíça, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, prestou solidariedade ao “amigo” e vice-presidente de sua gestão, dizendo que as irregularidades que o levaram à prisão foram cometidas na gestão anterior, portanto, na administração de Teixeira. As investigações se aproximam de Teixeira. Um dos alvos das autoridades dos Estados Unidos é o contrato de fornecimento de material esportivo entre uma empresa do país e a CBF. O negócio teria rendido 30 milhões de dólares em propina para Hawilla e um representante da CBF, que à época era gerenciada por Teixeira. Hawilla foi um dos réus confessos da operação e já devolveu cerca de 80 milhões de reais à justiça americana após confessar algumas irregularidades. Por enquanto, Teixeira não foi citado formalmente nas investigações.

 

Fonte: Veja (Com Estadão Conteúdo)

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06/15

Escândalo da Fifa bomba no Twitter.

O escândalo da Fifa foi tema de 4,2 milhões de tuítes no mundo todo desde que José Maria Marin & Cia. foram presos na Suíça. O número foi levantado com exclusividade pela Consultoria Bites e corresponde a 0,4% de tudo que foi postado no Twitter desde quarta-feira. Do total de postagens contabilizadas, 78% foram feitas por homens. Os tuiteiros brasileiros ficaram na quarta posição entre os que mais tuitaram sobre o tema: 231 000 postagens, ou 5,5% do total. Os três países que mais tiveram tuítes sobre o escândalo da Fifa foram Estados Unidos, com 789 600 (18,8%), Inglaterra, com 596 400 (14,2%) e Indonésia, com 252 000 (6%). Além do barulho no Twitter, as prisões e a investigação da Justiça americana foram repercutidas em 147 755 reportagens publicadas na internet.

Por Lauro Jardim

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06/15

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, é suspeito de ter depositado propinas no valor de 10 milhões de dólares.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, cumprimenta o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, é suspeito de ter depositado propinas no valor de 10 milhões de dólares nas contas de Jack Warner, ex-presidente da Concacaf. A informação, divulgada ao jornal The New York Times por fontes familiarizadas com as investigações do FBI, aproxima o escândalo de corrupção de Joseph Blatter, reeleito na sexta-feira para o quinto mandato como presidente da Fifa. Valcke, o número dois da entidade, seria o “funcionário de alto escalão” que, segundo a promotoria, teria feito os depósitos de subornos para que Warner respaldasse a indicação da África do Sul como sede da Copa do Mundo de 2010. Não há, no entanto, menções específicas ao nome do secretário-geral no inquérito – os suspeitos tiveram a identificação ocultada no processo para não prejudicar as investigações.

A movimentação financeira envolvendo Valcke não indica necessariamente que ele tinha conhecimento de que o dinheiro era propina. Ao contrário de outros dirigentes investigados, o francês não é citado pela promotoria como co-conspirador. No último domingo, o chefe-executivo da Copa do Mundo de 2010 e atual presidente da federação de futebol sul-africana, Danny Jordan, disse que os 10 milhões enviados à Concacaf não eram suborno, mas um pagamento legítimo para um fundo de desenvolvimento do futebol no Caribe. Valcke, que em um breve e-mail disse que não autorizou esse pagamento e nem tinha o poder de fazê-lo, não foi indiciado nem acusado pelas autoridades americanas até o momento. O comunicado não especifica se ele estava ou não envolvido na transação financeira.

A procuradoria afirma que o pagamento dos 10 milhões ocorreu através de três transferências bancárias realizadas entre janeiro e março de 2008. As investigações do FBI apontam que em 2004, quando o comitê executivo da Fifa considerava sediar a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, o governo do país concordou em pagar subornos a Warner e a outros dirigentes em troca de votos. Warner cumpriu o acordo e votou a favor da África do Sul, mas, nos meses e anos seguintes ao pleito, o governo local não pôde realizar os pagamentos. A Fifa, então, teria utilizado um montante destinado a investimentos no país sede para quitar as propinas pendentes com Warner.

Nesta segunda-feira, a Fifa informou que, “devido à atual situação”, Valcke não poderia comparecer à abertura da Copa do Mundo de futebol feminino, que será realizada no Canadá, na próxima semana. “É importante que ele atenda às questões pertinentes na sede da Fifa, em Zurique”, comunicou a entidade, por meio de uma nota. Esta também não é a primeira vez em que Valcke se envolve em um escândalo financeiro. Em 2003, ele foi contratado como diretor de marketing da Fifa, mas acabou demitido em dezembro de 2006 após um juiz de Nova York decidir que ele e outros dirigentes haviam mentido repetidas vezes ao negociar patrocínios com a Visa e a MasterCard. Uma apelação federal derrubou a ordem judicial em maio de 2007 e, no mês seguinte, dias após um acordo com a MasterCard ser anunciado, Blatter escolheu Valcke para assumir o posto de secretário-geral. Ele nunca foi acusado criminalmente neste caso.

Fonte: Veja

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06/15

O escândalo da Fifa e os patrocinadores.

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O futebol levou um drible na semana passada. A Fifa, entidade máxima do esporte mais popular do mundo, caiu no gramado e ficou estatelada no chão. Tudo porque, na manhã do último dia 27, nove dirigentes da associação foram presos em Zurique, na Suíça. Entre os detidos, estava o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Ele e os outros presos foram à Europa participar da eleição do presidente da Fifa, que aconteceu na última sexta-feira (29) e reelegeu o suíço Joseph Blatter para o seu quinto mandado à frente da associação. Ele teve 133 votos das 209 federações nacionais pertencentes ao quadro da Fifa. Já o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al Hussein, seu único adversário, contou com apenas 73 e desistiu da candidatura antes da segunda rodada de votações.

O pedido de prisão foi expedido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que aceitou as denúncias de uma grande investigação do FBI iniciada em 2011 e que contou com a colaboração da polícia suíça. Dentro do imenso esquema de corrupção, foram mencionados crimes como pagamentos obscuros e ilegais, propinas e subornos. Além de um suposto esquema de venda das próximas Copas do Mundo para Rússia e Catar, fato que já havia sido denunciado publicamente antes mesmo do torneio realizado no Brasil no ano passado. Também estão sob investigação contratos de marketing no futebol brasileiro. De acordo com a Justiça americana, o escândalo movimentou US$ 150 milhões, equivalente a R$ 471 milhões.

Todo o escândalo, porém, não fica apenas na esfera do alto escalão que comanda o futebol. O marketing esportivo é uma das atividades que serão abaladas diretamente, pelo menos na opinião de Pedro Trengrouse, coordenador do curso FGV/Fifa de gestão, marketing e direito no esporte. “Agora, com esse problema que afetou a Fifa, as empresas pensarão duas vezes antes de vincular sua imagem à instituição”, diz.

Além disso, Trengrouse criticou o modelo de negócios da Fifa. Para ele, trata-se de algo ultrapassado. “O problema não é fulano nem sicrano, e sim esse modelo. As entidades ligadas ao futebol não precisam de intermediários, pois, atualmente, existe uma fila de emissoras que querem transmitir as competições, assim como uma série de empresas que querem patrocinar”, afirma. “Ou seja, essas transações poderiam ser feitas de uma forma direta. Esse modelo ainda tem resquícios de quando foi criado”, complementa.Outra crítica do especialista diz respeito à escolha dos países-sede da Copa do Mundo. “Não tem cabimento 20 pessoas se trancarem numa sala para decidir qual país será sede de uma Copa num tempo em que quase todo mundo tem a internet na palma da mão, precisaria de mais transparência e democracia nisso.”

Pé atrás
Já José Cocco, diretor-presidente da J. Cocco Sport Marketing, disse que, como em todo escândalo, os patrocinadores certamente ficarão com o “pé atrás”. Isso porque, de acordo com ele, no marketing esportivo a relação vai além do patrocínio. “Uma empresa está lincando a sua marca com a modalidade, com o atleta. Então, por conta disso, ela está suscetível a coisas boas ou ruins”, afirma. Sobre o caso da Fifa, especificamente, Cocco acredita que ainda é muito cedo para que as marcas comecem a agir. “O que me chateia é que essas empresas envolvidas não têm nada a ver com o marketing esportivo. Eles apenas estão vinculando sua marca, elas apenas fazem negócios com esporte”, critica o especialista.

Clarisse Setyon, coordenadora do MBA de Negócios do Esporte e do Núcleo de Esportes da ESPM, afirmou que, inicialmente, a crise envolvendo a entidade causará preocupação nas empresas relacionadas ao futebol. “Por outro lado, o impacto, quando falamos em educação na área de marketing esportivo, acredito que será positivo. Nós, não só no curso de MBA de Negócios de Esportes da ESPM, mas em todos nossos cursos, sempre tivemos foco na elaboração de projetos que privilegiam a ética, a transparência e o profissionalismo”, diz.

Ela também enxerga um legado positivo para o futebol e, principalmente, para o Brasil. “O processo iniciado na semana passada pode deixar um legado positivo para o Brasil, trazendo para o mercado justamente esta governança tão necessária em todas as áreas, assim como na área do marketing esportivo”, destaca.

Já em relação às empresas patrocinadoras da Fifa, a professora não vê outra saída que não seja as companhias deixarem bem claro o grau de envolvimento com a entidade. “Elas devem estar abertas para eventuais auditorias independentes. A Fifa comanda o futebol mundial, um esporte que envolve paixão em todos os continentes. Envolve uma audiência gigantesca. Se estas empresas se identificam com o esporte, com a paixão, não há nada de errado em patrocinar eventos da Fifa, desde que haja esta transparência e os processos de negociação sejam feitos de modo profissional.”

Ela, no entanto, acredita que haverá um questionamento enorme em relação a futuros patrocínios. “Isso porque a Fifa deverá provar a mesma credibilidade que as marcas patrocinadoras querem transmitir a seus consumidores.”

Mudanças
As marcas, por sua vez, que são exibidas em estádios e têm o direito de utilizar a Fifa em suas propagandas, quebraram o silêncio e exigem mudanças na organização. A Nike, patrocinadora oficial da CBF, afirmou em comunicado que está cooperando com as autoridades, apesar de não ter sido citada na denúncia da

Justiça americana. “Como fãs em todo o mundo, somos apaixonados pelo jogo e estamos preocupados pelas acusações gravíssimas”, diz o comunicado, de acordo com a agência Reuters. “A Nike acredita no jogo limpo e ético tanto nos negócios quanto no jogo e se opõe fortemente a qualquer forma de manipulação ou suborno. Nós temos cooperado, e vamos continuar a cooperar com as autoridades”, afirma a nota.

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Já a Coca-Cola declarou que esta “longa controvérsia manchou a missão e os ideais da Copa do Mundo da Fifa”. A Adidas afirmou estar comprometida com “altos padrões de ética e conformidade”, e espera o mesmo dos seus parceiros. Ainda na nota, a marca diz que encoraja a Fifa “a continuar a estabelecer e seguir um padrão de conduta transparente em tudo que faz”. A rede McDonald’s, por sua vez, disse que os últimos acontecimentos são “extremamente preocupantes” e monitora a situação de perto.

A Visa também se posicionou a respeito do assunto, afirmando, também em comunicado oficial, que “espera que a Fifa tome atitudes rápidas e imediatas para resolver essas questões”. “Se a Fifa falhar na tarefa, já informamos que iremos rever nosso patrocínio.” A Hyundai Motor demonstrou preocupação a respeito dos procedimentos legais contra alguns executivos da Fifa e vai continuar monitorando a situação de perto. Já AB InBev manifestou-se por meio da Budweiser. “Esperamos que todos os nossos parceiros mantenham padrões éticos fortes e operem com transparência.”

Em relação à postura das marcas, Pedro Trengrouse afirmou que a saída seria pressionar. “As empresas que são parceiras da Fifa poderiam e deveriam pressionar a instituição para que as coisas fossem esclarecidas. Elas deveriam ter essa postura”, diz o coordenador do curso FGV/Fifa de gestão, marketing e direito no esporte.

Nike

A CBF foi uma das citadas na nota emitida pelo FBI semana passada. O texto diz que “a maior parte dos esquemas alegados no indiciamento se relacionam à solicitação e ao recebimento de subornos por dirigentes de futebol pagos por executivos de marketing esportivo em conexão com a comercialização de direitos de mídia e marketing de diversas partidas e torneios – incluídas aí eliminatórias da Copa do Mundo na região da Concacaf; a Copa de Ouro da Concacaf; a Liga dos Campeões da Concacaf; a Copa América Centenário; a Copa América; a Copa Libertadores e a Copa do Brasil – que é organizada pela CBF. Outros esquemas alegados se relacionam com o pagamento de suborno em relação ao patrocínio da CBF por uma grande marca esportiva americana; a escolha da sede da Copa de 2010; e a eleição presidencial da Fifa em 2011”, diz a polícia federal norte-americana.

A grande marca norte-americana envolvida na investigação é a Nike, que patrocina a seleção brasileira desde o fim dos anos 1990 e já foi inclusive investigada pela CPI do Futebol, realizada no Congresso Nacional, por irregularidades e pagamentos de comissões indevidas a dirigentes brasileiros pelos direitos de fornecer material e explorar a imagem do time nacional do Brasil.

Outro brasileiro investigado pelas autoridades dos Estados Unidos é o executivo de marketing esportivo J. Hawilla, presidente do grupo Traffic, que já teve que devolver US$ 25 milhões ao governo norte-americano e está participando de um programa de delação. Ele, que já é considerado réu confesso, possui um grupo de empresas subsidiárias nos Estados Unidos e participou da intermediação de contratos da CBF no passado, assim como da negociação de acordos de direitos de televisão da Copa Libertadores e da Copa América. A Traffic também teve exclusividade na comercialização de direitos internacionais de TV da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, em 2014.

O propmark entrou em contato com o advogado da empresa, José Luís Oliveira, que seria o responsável por emitir uma posição sobre o fato, mas ele não retornou as ligações até o fechamento desta edição. Durante o anúncio das prisões da última quarta-feria (27), o procurador dos Estados Unidos responsável pela operação, Kelly T. Currie, fez questão de declarar que este não é o fim da novela. “Que fique claro: este não é o último capítulo da nossa investigação”, disse.

Os documentos da polícia americana dão conta que os contratos da CBF mostram que o acordo com a Nike gerou R$ 47 milhões em propinas para Ricardo Teixeira. Essa informação foi dita pelo dono da Traffic, José Hawilla. De acordo com a Justiça dos Estados Unidos, existem documentos nos diversos processos que mostram um acordo secreto para uma empresa de material esportivo norte-americana pagar um total de US$ 40 milhões para a Traffic em conta na Suíça. Do total do pagamento previsto por fora, efetivamente foram transferidos US$ 30 milhões entre 1996 e 1999, o que representa R$ 94 milhões.

Brasil

A Copa do Mundo do ano passado foi a mais lucrativa da história da Fifa. A associação teve uma receita de US$ 5,7 bilhões entre 2011 e 2014. O dinheiro arrecadado é quase 40% maior que o obtido durante o Mundial da África do Sul em 2010 – à época, a receita foi de US$ 4,1 bilhões. O número também é mais do que o dobro da Copa de 2006, realizada na Alemanha, que, entre 2003 e 2006, teve receita de US$ 2,5 bilhões.

A receita com a venda dos direitos de transmissão para emissoras de televisão aumentou pouco da África do Sul para o Brasil – passou de US$ 2,44 bilhões no quadriênio até 2010 para US$ 2,48 bilhões até 2014. Já no marketing, a Fifa ganhou muito mais com as empresas do Brasil do que com as da África do Sul, por exemplo. O valor levantado com os patrocínios passou de US$ 1 bilhão em 2010 para US$ 1,6 bilhão no ano passado.

No entanto, essa diferença de realizar a Copa no mercado brasileiro pode ser sentida pela quantia levantada por meio dos chamados apoiadores nacionais, que são empresas do país-sede que compraram o direito de usar o nome da Copa do Mundo. A Fifa faturou US$ 30 milhões com essa cota em 2010 e US$ 163 milhões em 2014.

Já em relação aos licenciamentos, a associação arrecadou US$ 115 milhões contra US$ 70 milhões da África do Sul. Os ingressos, por exemplo, deram à Fifa outro bom ganho. Enquanto em 2010 a associação repassava o valor ao comitê local, em 2014 a história foi diferente: a entidade passou a ficar com a quantia. Ou seja, no ano passado a Fifa levou para casa US$ 476 milhões. Entretanto, com um lucro de US$ 141 milhões em 2014, a Fifa conseguiu reforçar suas reservas financeiras: no ano passado, elas cresceram 7% e chegaram a US$ 1,5 bilhão.

Fonte: propmark

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06/15

Depois das denúncias, Borghi Lowe muda de nome e fecha operação em Brasília.

A Borghi/Lowe passa a se chamar Mullen Lowe Brasil. Segundo o Mullen Lowe Group, a mudança faz parte do processo de migração de nome da rede Lowe para a identidade Mullen Lowe, consequência da decisão do grupo Interpublic de unificar as operações das redes Mullen e Lowe and Partners.

O plano da Mullen Lowe é que todas as agências da rede no mundo migrem para a marca nova. O Brasil é o terceiro escritório a promover a mudança, após Nova York e Londres.

Adeus Brasília

A agência brasileira passará ainda por mudanças estruturais, a começar pelo encerramento da operação de Brasília, cujas relações com Ministério da Saúde e Caixa colocaram o nome da agência nas investigações da Operação Lava Jato. O ex-presidente da operação brasiliense da agência, Ricardo Hoffmann, foi preso pela Polícia Federal.

O fechamento do escritório está atrelado ao encerramento dos contratos com Ministério da Saúde e TSE, que não serão renovados. Já o acordo com a Caixa, que estava suspenso desde a polêmica da Lava Jato, segundo a agência, está encerrado.

A Borghi continua operando com seus escritórios de São Paulo e Rio de Janeiro.

Cargo de CEO dividido

A agência passará por mudanças também na liderança. André Gomes, então vice-presidente dos escritórios do Rio de Janeiro, está sendo promovido a co-CEO. Ele passa a dividir a função antes ocupada apenas por José Henrique Borghi. Desde março, Gomes, que liderava apenas a operação carioca, passou a gerenciar o polêmico escritório de Brasília, antes a cargo de Hoffmann.

Pela divisão de funções, Gomes assume responsabilidade de gerenciar a operação da agência, enquanto Borghi se dedicará às áreas de criatividade e inovação. “A promoção de André para dividir a liderança da Mullen Lowe Brasil reforça nossos processos gerenciais e permitirá à agência focar em sua maior fortaleza: a criatividade.” diz Borghi.

Abaixo de Borghi e Gomes, os executivos mais importantes são Valdir Barbosa, vice-presidente executivo e diretor-geral, e Fernando Nobre, vice-presidente de criação. Ambos mantêm seus cargos anteriores.

Mudanças no Interpublic

O Grupo Interpublic anunciou em maio a união das operações da Mullen e da Lowe and Partners no Mullen Lowe Group, que terá como CEO Alex Leikikh, egresso da primeira.

A nova rede global contará com executivos de ambas as empresas em seu comando e manterá o colombiano José Miguel Sokoloff como presidente do Conselho Criativo Global, cargo que ele ocupava na Lowe.

Todas as agências da Lowe nos principais mercados internacionais se reportarão ao Mullen Lowe Group e deverão adotar a nova marca até 2016.

Com parte da mudança, Michael Wall, até então CEO da Lowe, deixa o grupo e ingressa na Mother, onde será sócio e irá inaugurar o posto de CEO global da rede que tem agências em Londres, Nova York e Buenos Aires. Outro sócio da Mother é o criativo brasileiro Gustavo Sousa, atualmente baseado no escritório norte-americano, onde dirige a criação global para Stella Artois.


Fonte: Meio e Mensagem

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COMENTÁRIO

A mudança de nome da agência não deverá livrá-la das investigações da Lavaa Jato, uma vez que Ricardo Hoffmann era apenas funcionário da empresa. Parece evidente que os donos da agência não poderiam não saber das atividades e acordos do seu funcionário, que envolveram muitos milhões de reais em faturamento.

JJ

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06/15

Hã?

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06/15

SBT recupera vice na liderança da audiência

SBT: vice-líder

O SBT voltou a recuperar a vice-liderança no ranking de audiência das emissoras de TV de São Paulo – mesmo que a diferença esteja apenas nas casas decimais.

Em maio, durante 24 horas, a emissora de Silvio Santos marcou média de 5,5 pontos segundo o Ibope. A Record, mesmo com o sucesso da novela Os Dez Mandamentos, alcançou a marca de 5,4 pontos.

Em primeiro lugar absoluto, a Globo alcançou média de 11,2 pontos em maio. A Band manteve-se em quarto lugar com 1,7 pontos.

Por Lauro Jardim

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