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A cultura participativa e os ex-espectadores.

Hoje, de forma abundante, se fala em “Cultura Participativa”. Muito mais do que uma expressão “na moda” para pautar o estímulo à participação dos consumidores midiáticos (“espectadores”), o atual cenário, alicerce dessa cultura, é moldado por profundas transformações sociais e midiáticas.

Tais transformações se estabeleceram a partir de diversos fatores, como a emergência de uma nova classe consumidora – ampliando o acesso às inovações nas plataformas e canais midiáticos; a reconfiguração de uma sociedade em rede – que conecta pessoas e derruba barreiras geográficas e temporais; e a possibilidade tecnológica de produção “amadora” – o que transforma os antes “meros consumidores” em prossumers; entre outros importantes aspectos.

Soma-se a tudo isso o fato de que a mídia está em franca e acelerada transformação. Essa afirmação acaba por ter certo “ar” de lugar comum, afinal, tudo, absolutamente tudo, na atualidade está em transformação e, portanto, com a mídia não poderia ser diferente.

Entretanto, me refiro aqui a uma transformação profunda e sem precedentes. Mesmo com a intensa proliferação de canais e pulverização da audiência hoje, a TV, por exemplo, tem menos de 90 anos e o panorama televisivo já se depara com o “ataque” da digitalização da TV mudando todos os parâmetros anteriores. O rádio FM é só um pouquinho mais velho e segundo Dordor (2007), neste contexto de transformação, já pôs abaixo todas as normas jornalísticas e publicitárias do rádio tradicional conhecido como “periférico”. A mídia impressa igualmente evoluiu nos últimos anos se transmutando rapidamente, principalmente no setor das revistas com os títulos especializados. A imprensa diária, em boa parte alicerçada pelos jornais, ainda se desenvolveu do seu modo, notadamente em suas estruturas capitalistas, tendo passado nos últimos anos por uma transformação radical para se adaptar ao cenário digital e a cultura do “free”.

Em relação ao consumo e estilos de vida, as mídias assumiram um papel diferenciado e tentaram antecipar o futuro. “Convergência” passou a ser a palavra de ordem e em lugar do pensamento único, a união de múltiplas plataformas mascarou a concorrência entre os meios e a rivalidade de ideias: tudo em busca da sedução e retenção do target.

O fato é que todos os espaços da liberdade e de consumo e todos os polos de interesse encontram-se hoje tomados pelos veículos de mídia e seu processo convergente: a vida por múltiplas telas nos prova isso. Por meio deles, as pessoas buscam, no consumo midiático, uma diferenciação, assim como uma “participação” – o que é mais recente. Daí essa produção intensa de conteúdo e a emergência da cultura participativa, que tem mudado o “estado de espírito” do consumidor, seus desejos e padrões, até mesmo a própria cultura de consumo.

As narrativas (ou tramas) nos conteúdos midiáticos produzidos na contemporaneidade são alteradas, de forma radical, pela participação do público consumidor. As obras ficcionais de essência “aberta” (sujeitas a modificações de acordo com a resposta da audiência), como as novelas por exemplo, agora parecem “escancaradas” para a influência dos “espectadores” – que parecem ser tudo, menos “espectadores”… 

*Diego Oliveira é diretor de contas da Ipsos Media CT

 

Veiculado em Meio e Mensagem

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30 frases para te inspirar a escrever melhor

“Escrever não é usar palavras difíceis pra impressionar. É usar palavras simples de uma forma impressionante.” – Sierra Bailey

“Por que desperdiçar uma frase dizendo nada?” – Seth Godin

“Apenas seja prático.” – Jay Baer

“Leitura fácil é uma escrita muito difícil.” – Nathaniel Hawthorne

“Escreva para que as pessoas possam ouvir, deslizar pelo cérebro e ir direto ao coração.” – Maya Angelou

“Você não pode escrever se não puder relacionar.” – Beck

“O fácil, o tom de conversa da boa escrita vem apenas na 8ª reescrita.” – Paul Graham

“Nada é particularmente difícil se você dividir em trabalhos pequenos.” – Henry Ford

“As vezes as pessoas precisam mais de uma boa história do que comida para se manterem vivas.” – Barry Lopez

“O bloqueio normalmente vem do medo das pessoas julgarem você. Se você imaginar que as palavras estão sendo lidas, você nunca vai escrever uma linha.” – Erica Jong

“Apenas escreva todos os dias da sua vida. Leia intensamente. Depois veja o que acontece. A maioria dos meus amigos que fizeram essa dieta tiveram carreiras muito agradáveis.” – Ray Bradbury

“Se soa como escrita, eu reescrevo.” – Elmore Leonard

“O que é escrito sem esforços geralmente é lido sem prazer.” – Samuel Johnson

“Para evitar as críticas, faça nada, diga nada, seja nada.” – Elbert Hubbard

“Metáforas tem uma forma de guardar a maioria das verdades nos menores espaços.” – Orson Scott Card

“Faça do prospect um compador mais informado com conteúdo.” –Robert Simon

“Para ser espontâneo, crie conteúdo com propósito.” – Russell Sparkman

“Como a maioria, talvez todos os escritores, eu aprendi a escrever escrevendo, e lendo. – Francine Prose

“A pergunta mais persistente e urgente questão da vida é, “O que você está fazendo pelos outros?” – Martin Luther King Jr.

“A única coisa que você realmente precisa saber é onde fica a biblioteca.” – Albert Einstein

“Comece escrevendo, não importa o que. A água não flui enquanto a torneira não está ligada.” –  Louis L’amour

“Escreva bêbado, revise sóbrio.” – Ernest Hemingway

“Eis uma verdade: O livro que realmente vai mudar a sua vida é o livro que você escrever.” – Seth Godin

“Conteúdo deveria pedir para as pessoas fazerem algo e a recompensar por isto.” – Lee Odden

“Você não pode acabar com a sua criatividade. Quando mais você usa, mais você tem.” – Maya Angelou

“Se conteúdo é rei, contexto é ouro.” – Gary Vaynerchuk

“Ou escreva algo que vale a pena ser lido, ou faça algo que vale ser escrito.” – Benjamin Franklin

Fonte: Vitamina Publicitária/Daniel Z. Chohfi

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Para veicular no dia em que ele morreu.

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O ator Yul Brynnerr gravou este comercial antes de sua morte, de câncer, em 1985, e pediu para veicular só no dia do seu falecimento.

Vale assistir mais de uma vez…e seguir a simples recomendação dele.

JJ

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Concorrência.

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Ficar velho…

A vida nos empurra para a velhice aos sacolejos. De susto em susto vamos envelhecendo. A idade é algo que não se percebe que está acontecendo, ela vem disfarçada, aos poucos, devagar. Flui de tal maneira que vamos nos acostumando. Mas de repente você se olha mais de perto, e socorro! descobre que está desabando.

Nossa, estou ficando velho! pensa. Não quero aqui fazer a autópsia da decadência. Ao contrário. Acho – agora que fiquei velho – que está-me sendo revelada uma nova chance de vida. Outra vez, como uma árvore que dá frutos de tempos em tempos, enfrento o renascimento.

Metaforicamente, tem uma trombada de arquivos cheios de pastas, dentro da minha cabeça. As de muitos ontens e as de hoje. Tudo espalhado pelo chão, preciso recolher só o que sobrou de mais importante. Não minhas memórias choronas, os arrependimentos inúteis, que não servem para nada.

Se tenho mais uma viagem pela frente, longa ou curta, quero ir com a mala bem leve. São desafios que me colocam novamente à prova. Não quero nem preciso dever nada à ninguém. Estou quites. E arriscar, essa é minha única opção.

Arriscar – mas com uma palavra mandando em todo o resto: surrender, a filosófica rendição. Aprendi que não sou nada, não posso nada, que estas linhas talvez sejam até as últimas que escrevo. Então, já que sei ser inútil resistir tolamente ao destino, posso pelo menos pedir e esperar um tráfego menos pesado na minha estrada.

E vou em frente, me criando surpresas, a cada minuto.

Descobri que posso me divertir, não me levando tão à sério. Não é fácil essa atitude. Mas também não é tão impossível.

ÊNIO MAINARDI, publicitário

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Umbro ataca de Free Style.

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Com objetivo de mostrar que o futebol está além das quatro linhas, a Umbro Brasil criou uma campanha digital apresentando o novo lançamento da marca: o tênis FST Trick, assinado pelo atleta  Pedro Oliveira (Pedrinho), tri-campeão brasileiro e campeão mundial do Super Ball 2014 -World Open Freestyle Football Championship.

O vídeo mostra o atual líder do ranking mundial de freestyle, Pedrinho, exibindo todo seu talento e habilidade com a bola. Segundo a marca, o atleta participou de todas as etapas do projeto que foi desenvolvido no Dass Creation Center (DCC), o centro de pesquisa e desenvolvimento da companhia.

 “Esse lançamento evidencia ainda mais nossa paixão e competência, somos a marca que vive e transpira futebol em todas as categorias. Nossa missão não se resume só em entregar os melhores produtos para o futebol, mas também em levar o universo do futebol para demais categorias e estilos”, comenta Dante Grassi, gerente de marketing da Umbro Brasil.

Fontr: Anews

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A melhor ideia sempre vence.

Nelson Mandela e Hendrick Verwoerd, Coiote e Papa-Léguas, anjo e diabo. Essas e outras duplas antagônicas estampam os banners criados pela Fitzgerald & Co, da McCann para divulgar as inscrições do Clio Awards 2015.

A mensagem é simples e direta: as melhores ideias sempre vencem. E os personagens ao longo da história estão aí para provar:

Somente Imagem

 

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Somente Imagem

 

Fonte: Meio e Mensagem

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A parte mais importante do progresso.

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A parte mais importante do progresso

é o desejo de progredir.

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Sêneca

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Corrupção é assassinato em massa.

“Quem rouba milhões, mata milhões”

Deltan Dallagnol, 

procurador da Operação Lava-Jato

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Dia desses escrevi por aqui:

Corrupção é genocídio. Mata milhões, nas filas do SUS, nos hospitais sem estrutura e medicamentos, na alimentação sem-vergonha nas escolas públicas, na falta de vacinas (como contra a dengue e a tuberculose. no momento), sem saneamento básico, sem água potável, sem rodovias bem conservadas e seguras, sem polícia melhor armada do que os criminosos e por aí vai uma longa lista de perdas que o povo brasileiro enfrenta, pelas centenas de bilhões roubados por governantes e políticos sem-vergonha.

JJ

 

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85% do esforço fiscal sai do bolso dos brasileiros. Que tal o governo cortar ministérios e boa parte dos 113 caragos em comissão?

Joaquim Levy

A maioria das pessoas não sabe para que serve o superávit primário – economia de recursos feita pelo governo para manter as contas no azul e garantir um extra que cobre o pagamento da dívida pública. Neste ano, porém, todos os brasileiros vão tirar dinheiro do bolso para ajudar nessa economia. Do bolo de recursos que o governo já garantiu para o superávit, 85% são bancados pela população.

Segundo cálculo do economista Mansueto Almeida, feito a pedido do Estado, as medidas anunciadas pela nova equipe conseguiram reunir até agora R$ 45 bilhões dos cerca de R$ 66 bilhões que fixou como meta para 2015 (o compromisso é fazer o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto do ano). Ocorre que apenas R$ 7 bilhões são cortes na máquina pública, basicamente de despesas de custeio, como cafezinho e xerox.

O grosso dos recursos, R$ 38 bilhões, vai sair do orçamento das famílias. Uma parte virá da cobrança de tributos, como a volta da Cide nos combustíveis e a mudança no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o fim da desoneração de veículos e a alta na taxa para cosméticos. Um estudo da LCA Consultores, encomendado pelas indústrias do setor, concluiu que um simples batom – que pelas estimativas vai subir mais de 12% – dará um quinhão ao ajuste fiscal. “Não tinha como ser diferente porque esforço fiscal se faz com corte de gasto ou alta de tributo”, diz Mansueto. “Ainda assim, o governo terá dificuldades para cumprir a meta.”

Para o economista, nem tudo que é esperado virá. Os R$ 18 bilhões estimados com as mudanças em benefícios sociais, como pensão das viúvas jovens e seguro-desemprego, devem cair a R$ 3 bilhões. Outras despesas, como o Bolsa Família, vão crescer e reduzir os ganhos da medida. O fim da desoneração da folha de pagamento, por sua vez, gerou tanta polêmica que, para Mansueto, é uma incógnita. Ele nem a considerou na estimativa. “Para fechar a meta, o governo terá de fazer um corte brutal de investimentos ou elevar carga tributária, punindo o já comprometido crescimento.”

Contas engessadas

Matematicamente, o superávit primário se dá quando a receita é maior que a despesa (excluindo-se gastos com juros). Assim, ele sinaliza que não vai deixar a dívida pública fugir do controle, o que fortalece a confiança dos investidores e gera um ciclo virtuoso na economia.

O Estado brasileiro sempre gastou demais. Em parte, com a proliferação de órgãos e funcionários. Pesam também as obrigações com a população, principalmente após a Constituição de 1988. O governo deve garantir previdência, saúde e educação universais sem ter mecanismos financeiros adequados. “Os benefícios criados na Constituição atentam contra a aritmética”, diz William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas.

Para os economistas, após a crise de 2008, a política adotada pelo governo aprofundou as distorções: houve excesso de desonerações e benefícios setoriais, além de outros mecanismos de intervenção na economia que levaram à queda da arrecadação, do investimento e do crescimento. “O descontrole dos últimos anos foi grave”, diz o economista Marcos Lisboa.

O governo sinaliza que pode cortar ministérios para dar a sua contribuição. A medida, porém, diz o economista Fábio Klein, da Tendências Consultoria, é “simbólica”. Os ministérios virariam secretarias. Não haveria demissões. A conta em pouco cairia. Só uma reforma no Estado mudaria o cenário.

Fonte: Exame.

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Miguel Reale Júnior: “Dilma pode ser afastada por crime comum”.

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REALE EM SUA BIBLIOTECA
“Se estivéssemos no parlamentarismo, o governo teria sido destituído”

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O advogado Miguel Reale Júnior já ocupou todas as posições que um jurista pode almejar. Professor titular de Direito Penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, foi membro do Conselho Administrativo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ministro da Justiça em 2002, durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso. Quadro histórico do PSDB, próximo do ex-presidente tucano e do ex-governador de São Paulo Mário Covas (1930-2001), foi um dos principais responsáveis pelo processo de impeachment que levou à renúncia do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Filho de um dos mais influentes juristas brasileiros, Reale hoje está indignado com a situação do Brasil.

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“O PSDB deve considerar a possibilidade de apoiar o Michel Temer.
Ele está à frente de um partido forte e tem trânsito na oposição”

Foi aos protestos do dia 15 de março defender a renúncia de Dilma Rousseff (PT), mas é contra o impeachment, que, de acordo com ele, não possui bases jurídicas. Abaixo, o advogado fala sobre fatos marcantes da história do País nos quais esteve presente, o atual momento do Brasil e o que pode acontecer a partir dessa ebulição das ruas.

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José Eduardo Cardozo tem assumido muito mais um papel
de advogado do que de ministro da Justiça. É o rei do lugar comum

ISTOÉO sr. é a favor do impeachment?

MIGUEL REALE JÚNIOR - O impeachment não é juridicamente viável porque os atos que poderiam justificá-lo ocorreram no mandato anterior. A pena do impeachment é a perda do cargo. Mas acabou o mandato e Dilma foi reeleita para outro. Não existe vaso comunicante. Para se pedir o impeachment, a presidente precisaria ser suspeita de algum malfeito de janeiro até agora. Eu fiz a petição de impeachment contra o ex-presidente Fernando Collor. Ali havia fatos praticados por ele, o recebimento de vantagens ilícitas claras. Impeachment não é golpe, porém precisa estar enquadrado tecnicamente. Eu tenho uma responsabilidade de consciência jurídica, não posso forçar a mão.

ISTOÉ - O impeachment é também um processo político. É possível que o Congresso atropele os argumentos jurídicos para validá-lo?

MIGUEL REALE JÚNIOR - Aí a Dilma entra com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal e anula tudo. O Collor entrou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para conseguir alguns direitos de defesa que não estavam sendo considerados no processo. E não é só a atual configuração do Supremo que invalidaria, não. Qualquer STF consideraria ilegal. O Supremo da época do Collor também concedeu mandado de segurança para alguns pontos que ele solicitou. Se existe uma violação da lei ou da Constituição, o sujeito vai ao STF e ganha.
ISTOÉ - Isso quer dizer que a presidente não poderá ser responsabilizada caso seja ligada às denúncias do Petrolão?

MIGUEL REALE JÚNIOR – O que pode haver, eventualmente, é a apuração de crime comum. O procurador-geral da República disse que não há elementos, mas Dilma prevaricou se sabia do esquema quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobras e manteve a diretoria após assumir a presidência da República. Caso seja enquadrada num crime comum, ela será processada perante o Supremo com autorização da Câmara dos Deputados. Se condenada, perderia o mandato como qualquer outro político. Resta examinar se existem elementos mostrando que ela foi omissa ou conivente ao manter a diretoria. A Constituição diz que o presidente não pode ser responsabilizado por atos estranhos às suas funções, porém atos de prevaricação – como o que ocorreu na Petrobras – não seriam estranhos à função.

ISTOÉ - Caso Dilma fosse afastada, a situação melhoraria com o vice Michel Temer? MIGUEL REALE JÚNIOR - O Michel tem habilidade e experiência como presidente da Câmara dos Deputados. Está à frente de um partido forte e conta com capacidade de trânsito na oposição. Seria o caso, para que houvesse um grande pacto nacional como ocorreu com o Itamar Franco (vice de Collor). Naquela época, eu fui procurado por um brigadeiro que comandava a zona aérea de São Paulo e manifestou a preocupação das Forças Armadas quanto à governabilidade. Eles não estavam preocupados com o impeachment do Collor, mas com o futuro. O brigadeiro queria saber se havia a possibilidade de o PSDB apoiar o Itamar. Ele me procurou porque eu estava à frente do impeachment e porque eu era próximo dos então senadores Fernando Henrique e Mário Covas. Ambos me garantiram que dariam apoio ao Itamar e eu transmiti isso ao militar. A mesma preocupação que as Forças Armadas tiveram naquele momento é a preocupação que todos nós deveríamos ter agora.

ISTOÉ - Hoje o PSDB daria apoio ao Temer?

MIGUEL REALE JÚNIOR – O PSDB deve considerar a possibilidade de apoiá-lo. É um caminho que pode não interessar à oposição que queira assumir livremente o poder daqui a quatro anos. Independentemente disso, nós temos que pensar como chegaremos lá se não houver um pacto, pois já estamos em frangalhos. Também tem outro problema extremamente grave. Apesar de as passeatas do dia 15 de março terem sido tranquilas, os ânimos estão acirrados. Amigos se separam por conta de divergências políticas, familiares viram a cara uns para os outros. Esse pacto também vai por um pouco de tranquilidade na sociedade.
ISTOÉ - O sr. foi aos protestos do dia 15 de março?

MIGUEL REALE JÚNIOR - Fui, sim. Estava em Canela, no interior do Rio Grande do Sul, e participei do ato na cidade. Havia mais de duas mil pessoas. Eu sou favorável à renúncia de Dilma Rousseff pela dificuldade que ela tem de governar. A governabilidade será difícil porque no momento em que ela fala tem panelaço, quando seus ministros falam há panelaço. Por causa disso, a presidente já tem pouco espaço para manobra – e a operação Lava Jato vai trazer mais fatos, ainda vai se estender para outros setores da administração.
ISTOÉ - As manifestações juntaram pessoas favoráveis ao impeachment, à intervenção militar e aqueles que apenas reclamavam da corrupção. Como unir esses interesses?

MIGUEL REALE JÚNIOR – Os que defendem os quartéis são minoritários e foram rechaçados nas ruas. É um grupo muito pequeno e inexpressivo. Já o impeachment é um processo jurídico e técnico. Se não houver enquadramento, não tem impeachment. Movimentações sem um norte se diluem. Por exemplo, nos protestos da Praça Tahrir, no Egito, a população destronou o ex-ditador Hosni Mubarak, mas não soube construir uma via. Primeiro, o fundamentalismo ganhou. Depois vieram os militares. As redes sociais são capazes de arregimentar contra, mas a rua não apresenta um denominador comum porque é composta de visões díspares. Temos que criar um caminho. Entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Brasileira de Imprensa devem sair dos seus nichos e participar porque esse processo representa muito do que a sociedade deseja. E os cabeças dos movimentos das ruas têm que trabalhar junto com lideranças políticas para formatar uma proposta.
ISTOÉ - É possível que políticos participem dos protestos? De Paulinho da Força (SD-SP) a Jair Bolsonaro (PP-RJ), quando eles falaram nos carros de som foram vaiados.

MIGUEL REALE JÚNIOR – Isso é perigoso porque significa uma descrença generalizada da classe política. Alguém precisa exercer o poder, organizar esses anseios. Não estou falando de uma pessoa, um salvador da pátria. Mas de um grupo político que se una à sociedade para constituir a base de um pacto. Se isso não ocorrer, gera-se um processo anárquico.
ISTOÉ - A forma de governo no Brasil afasta os políticos do povo?

MIGUEL REALE JÚNIOR – Se estivéssemos no parlamentarismo não haveria toda essa comoção que estamos vendo porque o governo teria sido destituído. O parlamentarismo impede que crises se avolumem e prejudiquem a vida do país. É verdade que a população também não acredita no Congresso, mas ela precisa saber que no regime parlamentarista a Câmara pode ser dissolvida.
ISTOÉ - E quanto à reforma política, o sistema eleitoral deve mudar?

MIGUEL REALE JÚNIOR – O sistema proporcional com lista aberta que temos hoje é horroroso. Com ele vêm gastos de campanha elevadíssimos e ocultos. De qualquer forma, o voto distrital é melhor. Eleição em dois turnos para deputados também pode ser um caminho, melhora bastante. De qualquer modo, Constituinte exclusiva para analisar o tema (como defendeu o governo após os protestos de junho de 2013) é loucura, seria um poder paralelo ao Congresso. Também não precisa fazer plebiscito ou referendo. É pacto, o Congresso já tem poderes para realizar. No entanto, o Tancredo Neves dizia que era mais fácil fazer um boi voar do que conseguir consenso em relação ao sistema eleitoral. É muito difícil.
ISTOÉ - A principal reclamação das ruas está relacionada à corrupção. O pacote de Dilma vai resolver o problema?

MIGUEL REALE JÚNIOR – A medida repete propostas antigas. E eles se esquecem que o crime de caixa dois já existe, artigo 350 do Código Eleitoral, com pena mínima de dois anos. Há diversos projetos tramitando na Câmara sobre enriquecimento ilícito. Eles não avançaram porque não foram votados pela própria base parlamentar. Vamos deixar de enganar a população brasileira.
ISTOÉ - O sr. foi ministro da Justiça no mandato FHC. Como avalia o desempenho de José Eduardo Cardozo no cargo?

MIGUEL REALE JÚNIOR – José Eduardo Cardozo tem assumido muito mais um papel de advogado do que de ministro da Justiça, com a distância que deve ter um ministro da Justiça de fatos que estão sendo manifestados. Ele sai em defesa do seu partido, em defesa da presidente. O discurso dele é um discurso repetitivo, cheio de chavões. É o rei do lugar comum.
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Fonte: Istoé

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Dilma, Lula e o “ódio” ao PT.

Um ministro de Dilma revelou recentemente que o governo encomendou pesquisas qualitativas para entender as razões da queda de popularidade da presidente e “o ódio de São Paulo” – o carro-chefe dos protestos realizados no domingo em todo o país. Nesta altura do campeonato, já deve estar pronta também a pesquisa nacional encomendada pelo PT no final do ano passado, para identificar as causas e possíveis soluções para o antipetismo crescente no país.

Se o governo e o PT olhassem para dentro de casa, em vez de procurar razões externas para explicar a rejeição popular, provavelmente não precisariam recorrer aos institutos de pesquisa. Pelo que se pode captar do grito das ruas, a rejeição a Dilma, ao governo e ao PT não tem a ver só com a ideologia esquerdista do partido. Está ligada também ao desprezo e à arrogância que Dilma, o PT e seus líderes demonstram pela inteligência alheia.

Para tentar vencer a “batalha da comunicação”, como diz Dilma, ou “desconstruir” o discurso da oposição, como preferem os marqueteiros, vale tudo. Essa estratégia ainda pode fazer sucesso entre as milícias petistas, que já estariam alinhadas com o partido de qualquer maneira, e entre os eleitores menos informados. Mas, entre os eleitores da classe média para cima, com maior nível de escolaridade, já não produz um resultado positivo. Ao contrário. Só estimula o aumento da rejeição por Dilma, pelo governo e pelo PT.

Confira abaixo uma lista com cinco pontos que explicam, em boa medida, essa percepção negativa, especialmente nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do país.

1.A traição aos ideais do partido - Quando surgiu, em 1980, o PT pretendia ser um partido político não apenas diferente, mas melhor que os outros. Hoje, 35 anos depois, o PT se tornou igual ou pior que os outros, para decepção de muita gente que acreditou nas boas intenções do partido. Depois de Lula afirmar que, no Congresso Nacional, havia “uma maioria de 300 picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”, o PT criou o mensalão, para aprovar os projetos de interesse do governo, e o petrolão, para financiar o partido com propinas arrecadadas na Petrobras. Na campanha de 2014, Dilma garantiu que não adotaria o programa de ajuste defendido por Aécio, considerado “neoliberal”, para equilibrar as contas públicas. Disse que geraria recessão e desemprego. Mas, depois de empossada, fez exatamente o contrário do que havia dito.

2. O envolvimento em casos de corrupção – Antes de assumir o poder, em 2003, o PT se colocava como um arauto da ética e da moralidade. Hoje, 12 anos depois, o PT pode se vangloriar de um feito: “nunca antes na história desse país”, como diria Lula, um partido conseguiu desenvolver uma tecnologia tão sofisticada de desvio de recursos públicos para seus líderes e para financiar as campanhas eleitorais de seus candidatos. Contra todas as evidências apuradas até agora, o PT e seus líderes teimam em questionar a credibilidade das investigações. Embora o propinoduto fosse institucionalizado, de acordo com os depoimentos colhidos até agora na operação Lava Jato, o PT poderá “sacrificar” João Vaccari Neto, seu tesoureiro, acusado de ser o operador do esquema, para tentar salvar o partido, envolvido até a medula no petrolão. Apesar de nada ter sido provado contra Dilma até agora, muita gente boa por aí considera que ele pode ser co-responsabilizada no escândalo da Petrobras, ocorrido durante a sua gestão e a de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, na presidência do conselho de administração da companhia.

3. A mentira e a negação de problemas – Para evitar que ações desastradas do governo respinguem em sua popularidade, Dilma e o PT constroem, com apoio de seus marqueteiros, um discurso fantasioso. Tentam transformar seus fracassos em sucessos. Como Joseph Goebbels, o temido ministro nazista de propaganda, a máquina de comunicação petista basear-se no princípio de que “uma mentira repetida diversas vezes transforma-se numa verdade”. Talvez nada seja mais emblemático neste quesito do que a propaganda do PT na campanha de 2014, quando a candidata Marina Silva foi acusada de querer tirar a comida da mesa do povo e acabou perdendo apoio dos eleitores. A tal da “contabilidade criativa” – um expediente usado por Dilma para esconder “esqueletos” nas contas públicas – também ilustra com perfeição esse ponto.

4. A recusa em assumir os erros – Em vez de seguir a máxima de que a melhor atitude é sempre reconhecer os próprios erros e assumir a responsabilidade por eles, Dilma e o PT preferem atribuir a culpa a terceiros. Já virou meme nas redes sociais a mania que o PT e seus líderes têm de atribuir todos os problemas do país ao ex-presidente Fernando Henrique sempre que eles se veem numa situação desconfortável. Ainda hoje Lula e o PT continuam a negar que líderes do partido tenham se envolvido no mensalão. Afirmam, no Brasil e no exterior, que o tempo mostrará que foi um “processo político” para prejudicar o PT. No caso do petrolão, não é diferente. Dilma, por seu turno, continua a negar que a economia brasileira tenha descido a ladeira por causa de sua gestão desastrada no primeiro mandato. Ela insiste até hoje que a paradeira geral da economia do país é um reflexo da crise global, ocorrida no final de 2008.

5. O “nós” conta “eles” – Em vez de agir como presidente de todos os brasileiros, Dilma, Lula e o PT estimulam o antagonismo entre as classes sociais. Como os comunistas de outrora, eles se colocam como se fossem os únicos e legítimos porta-vozes do “povo brasileiro”. Qualquer opositor é tratado como inimigo a ser exterminado, para não ameaçar o projeto de poder do partido. Para eles, só pode estar contra o governo do PT quem é da “zelite“ e quer manter seus privilégios. Não conseguem entender que muita gente, pobres e ricos, pensa diferente e quer ver o Brasil seguir outros caminhos.

JOSÉ FUCS, em Época

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Na Secretaria de Comunicação da Presidência da República…

‘Trocar um jornalista por um tesoureiro do PT e chantagear com verbas publicitárias não vai resolver nada. Não há marketing que faça o PIB crescer, o emprego aparecer, a inflação cair, a conta de luz baixar’, escreve a analista Eliane Catanhêde, no Estadão.

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Tudo no pendrive?

thomas

Thomas Traumann deu adeus ao Palácio do Planalto na quarta-feira passada levando com ele três pendrives com anotações e memórias do dia a dia com Dilma Rousseff e do governo de modo geral.

Mas não pretende publicar livro algum.

Por Lauro Jardim

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Brasil vai reformar termoelétrica na Bolívia, por R$60 milhões…e vai doar àquele país. Está sobrando dinheiro no governo do PT.

Em meio a uma crise de energia sem precedentes no país e em busca de fontes alternativas para evitar um racionamento, o governo brasileiro vai gastar R$ 60 milhões para reformar e doar uma usina térmica para a Bolívia. O Ministério de Minas e Energia está nas tratativas finais para viabilizar a negociação.

A usina térmica Rio Madeira pertence à Eletronorte, uma das empresas do grupo Eletrobras. Inaugurada em 1989, ela foi uma das responsáveis por abastecer os estados de Rondônia e Acre por 20 anos. Com potência de 90 megawatts, o empreendimento fica em Porto Velho (RO) e é capaz de fornecer energia para uma cidade de 700 mil habitantes.

Segundo uma fonte, a usina precisa passar por uma “recauchutagem geral” para entrar novamente em operação. Antes de doá-la, a Eletronorte vai converter a usina para gás natural, combustível abundante na Bolívia.

Essa reforma, com o transporte e montagem na Bolívia, custará R$ 60 milhões. O dinheiro já foi transferido pelo governo para a Eletronorte, responsável pela reforma. Uma usina térmica nova, com capacidade de 100 MW, custa hoje em torno de R$ 100 milhões.

A transação está prestes a ser concluída pela estatal e depende apenas de um sinal verde do Ministério de Minas e Energia. A doação da usina faz parte dos compromissos bilaterais assumidos entre os dois países.

A térmica Rio Madeira foi desativada em outubro de 2009, quando o Estado de Rondônia foi conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e passou a ser abastecido por hidrelétricas, que produzem energia mais barata.

Em janeiro de 2014, a fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) constatou que a usina, embora desligada, tinha condições de operar parcialmente. Seu prazo de concessão acabava apenas em 2018. No entanto, “devido ao alto custo de operação, esta dificilmente seria despachada”.

Por essa razão, a Aneel declarou os bens da usina como “inservíveis à concessão de serviço público”. Em 2010, cada megawatt-hora (MWh) produzido pela usina custava R$ 846,98. Atualmente, a térmica mais cara em operação no Brasil é a de Xavantes, também a movida a óleo diesel, com custo de operação de R$ 1.167 por MWh.

A conclusão da Aneel deu aval para a continuidade das negociações, que agora estão em fase final. Segundo uma fonte da Eletrobras a par do assunto, trata-se de uma “térmica de qualidade ruim”, por isso o Brasil não faria questão de ficar com a planta.

Por meio de nota, o Ministério de Minas e Energia informou que o acordo teve como objetivo “promover a cooperação energética com a Bolívia”. O ministério disse que a transferência de R$ 60 milhões foi autorizada por meio da Medida Provisória 625/2013.

O ministério informou ainda que os trâmites necessários para operacionalizar o acordo deveriam ser informados pela Eletronorte. Já a empresa declarou que o governo deveria se pronunciar sobre o assunto, já que se trata de uma negociação internacional.

O pedido de doação da termelétrica foi feito diretamente pelo presidente boliviano, Evo Morales, em uma reunião bilateral com Dilma Rousseff – a primeira entre os dois – durante a primeira Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac), na Venezuela, em dezembro de 2011.

No encontro, Evo explicou à presidente os problemas de energia e os apagões constantes enfrentados por seu país e pediu ajuda. Apesar de ser um dos maiores produtores de gás do mundo, a Bolívia não tem os equipamentos para transformá-lo em energia elétrica.

Dilma prometeu ceder então à Bolívia a termelétrica Rio Madeira, que estava sem uso no Brasil, mas que precisava ser reformada. O contrato seria de empréstimo por 10 anos, renováveis. Na prática, no entanto, o empréstimo se transformaria em uma doação, já que o custo de devolver a usina para o Brasil dificilmente compensaria.

A política de boa vizinhança, no entanto, tem por trás não apenas também necessidade de garantir a boa vontade dos bolivianos. Maior fornecedor de gás ao Brasil, o governo da Bolívia já aumentou duas vezes o preço do metro cúbico enviado ao país, mas garante o abastecimento de outros usinas brasileiras.

Além disso, o Brasil quer viabilizar a construção de uma hidrelétrica binacional, na divisa entre os dois países. Trata-se de um projeto antigo e discutido há anos pelos dois governos, sem ter nenhuma decisão prática até hoje.

O governo ainda terá que elaborar um memorando de entendimento para fazer a cessão formal à Bolívia, o que só deve acontecer quando a usina estiver pronta para ser enviada aos bolivianos. O ato também é enxergado como uma forma de melhorar a imagem do Brasil em La Paz, abalada desde a fuga do senador Roger Pinto Molina da embaixada brasileira, ajudado pelo diplomata Eduardo Sabóia.

A Bolívia continua sofrendo com apagões, especialmente no interior do país, para onde deve ser enviada a termelétrica do Rio Madeira.

Fonte: Época Negócios

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