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08/15

Planejamento pensa menos em canal e mais em pessoas.

A onda das Redes ociais, Mobile, E-commerce, mídia programática chegou. E que bom, pois é preciso evoluir no mundo online. Se para alguns, ter um site e um perfil no Facebook é o auge da presença digital da marca, para outros, isso deixou de ser o diferencial. A boa notícia é que aqueles que pensam no digital como uma plataforma e algo que vai além do site e perfil nas Redes é que em muito breve, você dominará mercado e vai bater sua concorrência. A péssima notícia, é que você pode ser essa concorrência que vai perder a batalha.

Vamos a um exemplo prático. Voltemos aos anos 2000. Uma famosa rede de lojas de tênis dominava os shoppings e lojas na rua. Quando você precisava comprar um tênis, era lá que você ia. Nesse mesmo ano, uma loja de sapato, pequena, com apenas 2 lojas, decidiu olhar de forma diferente para a internet. Lançou sua pequena loja no Mercado Livre e depois partiu para carreira solo. Hoje uma fatura mais de 1,2 bilhões vendendo 100% online, enquanto a outra deve olhar todos os dias e dizer: caramba, esse mercado era meu. Era. Deixou passar…

Mas não é apenas a loja online que fez a diferença. A diferença da marca é pensar diariamente em como melhorar a experiência de consumo dentro do site. E está ai a essência do planejamento, pensar em comportamento de consumo, em entender pessoas, em saber como atingir essas pessoas, de forma massiva e direta ao mesmo tempo. Sim, o digital permite que coisas paralelas como mídia de massa e mídia individualizada possam andar juntas. E dá muito certo.

Em meu livro Planejamento Estratégico Digital (Ed. Saraiva), dedico um capítulo inteiro a comportamento de consumo, mas a cada momento, eu puxo esse assunto novamente. Hoje não se faz mais um site – ou não deveria ser feito – sem pensar em experiência de usuário, em como deixar o site mais prazeroso para que uma pessoa navegue.

Hoje, não adianta pedir ao seu gestor de redes sociais escrever um post, não é ele quem tem que pensar em conteúdo, é o consumidor que precisa dizer a ele. E como dizer? Pergunte! Use o Facebook, Twitter, site, Blog, e-mail e até o aplicativo como canal de pesquisa, mas não se apoie apenas nas respostas desses canais. “Ouça” mais o seu Google Analytics, entendendo o caminho e a jornada do consumidor. Se fala muito nesses assuntos, mas quantas vezes você viu uma pesquisa de comportamento no site ou na loja virtual que você é fã? Raras, para não dizer, nunca. Existem empresas, como a TrustVox que busca ouvir a opinião sincera das pessoas nos sites que essas compram, é um caminho, mas não único. Existem empresas, de e-commerce novamente, que enviam um email de satisfação após alguns dias que a compra chegou na sua casa. Mas por que só e-commerce faz isso?

O que eu quero deixar claro nesse artigo é que os canais são apenas os meios para se chegar as pessoas. Ok, sua marca tem 140 mil seguidores no Facebook, tem 340 mil e-mails no mailing, tem 32 mil seguidores no Twitter, 87 mil pessoas acessam o site mensalmente, 2 mil compram. Números ótimos, mas são canais. O que vai diferenciar das pessoas seguirem, compartilharem, engajarem não é o canal,  é a mensagem!

E lembre-se, a mensagem não deve ser apenas escrita porque alguém que teve uma grande ideia na agência ou no marketing. Isso ajuda, mas não é apenas isso. Nem sempre as pessoas que atuam com a marca são os consumidores dela. Ouça mais as pessoas para depois criar um conteúdo. Do contrário, sua mensagem passará despercebida.

Felipe Morais é  autor do livro “Planejamento estratégico digital” e especialista em publicidade, redes sociais e gerência de e-commerce.

Veiculado no propmark.

RECOMENDO LER

JJ

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08/15

Novo iPhone e nova Apple TV chegam dia 9.

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A Apple confirmou nessa quinta-feira (27) o lançamento do novo modelo de iPhone e a nova Apple TV para o dia 9 de setembro deste ano.
No convite do evento, que vai acontecer no Bill Graham Civic Auditorium, em San Francisco, há uma dica de que, provavelmente, algo relacionado a assistente pessoal Siri está entre as novidades. É possível ler a seguinte frase “Hey Siri, give us a hint” (“Ei Siri, nos dê uma dica”, em tradução livre do inglês). O curioso é que, ao dizer a frase no comando de voz, os usuários estão recebendo respostas como “Você fica fofo quando está desesperado por uma informação”. como apontaram alguns clientes da marca nas redes sociais.
Fonte: Adnews

 

 

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08/15

Publicidade com ética.

"Em vez de ter 300 pessoas se digladiando para ser a mais poderosa, é melhor alinhar interesses e fazer as pessoas entregarem o coração", diz Loducca

Celso Loducca anunciou na semana passada a saída da agência que leva seu sobrenome e que fundou há 20 anos – relembre aqui. Ele concedeu uma entrevista de 20 minutos em que falou sobre o legado que quer deixar no mercado e levar consigo em um novo negócio que deve abrir no ano que vem.

Confira trechos do bate-papo:

É possível competir sem concessões éticas?

Achei que fosse mais fácil comunicar a decisão de sair. Mas não tenho nenhum arrependimento. Esse é o lugar que construí, do jeito que eu queria, com os sócios que eu queria. Caramba (suspiros), e agora, como vai ser? Fiz a agência lá atrás e me questionava se seria capaz de fazer uma empresa que não engana cliente, que é transparente, sem politicagem interna. Até dá para fazer, mas para competir na elite, sem concessões éticas? Tenho um excesso de sinceridade nas coisas e na vida e cobro isso das pessoas. Vivemos em um mundo essencialmente hipócrita e corrupto, em todos os sentidos. Não só no do dinheiro, mas no modo como aprendemos que as coisas deveriam ser. Eu construí a agência para poder sobreviver. Aqui, quem fizer política será mandado embora. E se você é diretor, não é melhor que outros. Seu bônus é o mesmo da dona Lu do café. Isso parece besta, mas tem um significado absurdo.

Politicagem e fofoca diminuem a produtividade?

Não tenho saudosismo. Foi demais, foi bacana. Comecei a agência na sala da minha casa, e um cliente visitou e viu a bagunça, com camiseta molhada no varal. Tudo errado. Hoje, sou melhor do que há 20 anos. Mas não sei o que vou fazer. Sinto-me capaz de liderar. Pegar pessoas criativas, sem a vaidade de querer me sobrepor, e juntar essas caras com um objetivo comum, e manter um ambiente ético. Isso dá dinheiro e explico o porquê: 50% do tempo das pessoas nas empresas é gasto com politicagem e fofoca. Isso é baixa produtividade. Com a Lowe, eu era a agência mais rentável e continuo sendo no ABC. Em vez de ter 300 pessoas se digladiando para ser a mais poderosa, é melhor alinhar interesses e fazer as pessoas entregarem o coração. Eu não engano pessoas. Como você consegue a rentabilidade? Não minto, não finjo ir para um lado e ir para o outro. Ao se sentirem traídas, as pessoas querem que a empresa se dane. E eu me dano junto. Além de ser um modelo bacana, trabalhar com ética é muito mais rentável. Acho que esse know-how poucos líderes do mercado, e de fora, têm.

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A íntegra desta entrevista está publicada na edição 1674, de 24 de agosto, exclusivamente para assinantes do Meio & Mensagem, disponível nas versões impressa e para tablets iOS e Android.

 

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08/15

Marcello Serpa e Luiz Madeira deixam a AlmapBBDO.

Madeira e Serpa: 22 anos, cases como Havaianas e Volkswagen, e três prêmios de Agência do Ano em Cannes

Após vinte e dois anos, Marcello Serpa e Luiz Madeira, sócios e co-chairmen da AlmapBBDO, deixam a agência. Quem assume o comando são os três sócios Luiz Sanches (CCO), Cintia Gonçalves (CSO) e Rodrigo Andrade (COO), que haviam sido alçados à liderança da agência quando se iniciou o processo de sucessão, em 2013.

Serpa e Madeira ingressaram na AlmapBBDO em 1993, como sócios. De lá pra cá, a Almap foi nomeada Agência do Ano no Festival de Cannes por três vezes – é a agência brasileira mais premiada na história do festival; também por três anos liderou o ranking do The Gunn Report como a mais premiada do mundo, venceu como Agência do Ano no Clio duas vezes consecutivas, e foi a melhor do Wave Festival por oito anos consecutivos.

Ganhador de três prêmios Caboré, Marcello Serpa também recebeu o Clio Lifetime Achievement Award – foi o primeiro não anglo-saxão a conquistar este prêmio – e José Luiz Madeira foi homenageado pelo Hall da Fama da Academia Brasileira de Marketing.

Na época em que assumiram a Almap, a agência passava por uma séria crise de mercado e de liderança. O processo de sucessão arquitetado por Alex Periscinoto, que deixou a empresa em 1997, enfrentou o imprevisto inicial da saída de Alexandre Gama, mas se consolidou nos anos seguintes como o mais bem sucedido caso de sucessão em agências já realizado no Brasil.

Trabalho e diversão

Nestes 20 anos, a AlmapBBDO conquistou reputação internacional de qualidade criativa e consistência na construção de marcas, como no reposicionamento de Havaianas. Pepsi, Volkswagen, O Boticário, Visa e Bradesco Seguros são apenas algumas outras das marcas atendidas e construídas pela AlmapBBDO nessas duas décadas.

“Quando José Luiz e eu nos associamos à AlmapBBDO, em 1993, queríamos duas coisas: criar o melhor trabalho do mercado e continuar nos divertindo enquanto fazíamos isso. O fato de nossa agência ter alcançado o nível de sucesso que ela tem indica que chegamos lá. Ao mesmo tempo conseguimos atrair o melhor grupo de pessoas com que uma agência poderia sonhar. Agora temos certeza de que a equipe vai continuar com o mesmo padrão de criatividade”, afirmou Serpa, em comunicado.

“Ao longo dos anos, aprendemos que realmente vale a pena pensar antes de fazer. Você pode verificar isso na qualidade do nosso trabalho. Nós também aprendemos que o timing pode ser a chave para o sucesso e isso inclui saber quando é o momento certo para passar o bastão”, acrescenta Madeira.

Cintia, Sanches e Andrade: a nova AlmapBBDO

+Cintia, Sanches e Andrade: a nova AlmapBBDOCrédito: Divulgação

Sucessão

Em 2013, a AlmapBBDO anunciou uma nova organização de sua estrutura societária. O diretor geral de criação, Luiz Sanches, a diretora geral de planejamento, Cintia Gonçalves, o diretor de serviços a clientes e gestão, Gustavo Burnier, e o diretor financeiro e de negócios, Rodrigo Andrade, assumiram participação societária no negócio. Burnier deixou a agência no ano seguinte.

Na ocasião, Serpa e Madeira queriam expandir a operação agrupando mais negócios sob o guarda chuva da Almap. Eles iriam analisar oportunidades para aquisições, associações à start-ups, entre outros - o primeiro fruto da expansão foi a Gael, em parceria com Gaetano Lops.

“É verdade que nos últimos anos perdemos muitas oportunidades nas várias áreas da comunicação, desde associações às aquisições que deixamos de fazer, pelo simples motivo que não havíamos definido uma estratégia, mas no mundo atual isso não é mais permitido”, avaliou na época Madeira. Segundo ele, a decisão partiu dele e de Serpa e foi compartilhada com a rede BBDO.

Novos líderes

Luiz Sanches está na AlmapBBDO há 20 anos e há cinco exerce o posto de diretor-geral de criação (CCO). Já a diretora geral de planejamento (CSO) Cintia Gonçalves está há 16 anos na agência. O diretor de operações e negócios (COO) Rodrigo Andrade, que atua há mais de 20 anos no mercado publicitário e já foi sócio da F/Nazca S&S, onde permaneceu por 16 anos, chegou em 2011.

Por meio de uma nota, os três se posicionaram sobre o futuro da empresa: “A escolha desses nomes como líderes indica o caminho que a agência vai seguir daqui para a frente: os valores e o DNA da Almap serão mantidos. Afinal, é isso que faz ela ser o que é. É isso que destaca a agência no mercado. A Almap segue sendo uma agência com forte liderança local que conta com um suporte global de primeira linha. Nós acreditamos em grandes ideias e em valorizar os talentos que criam essas ideias. Temos uma série de novidades que vamos comunicar em breve”, diz o texto, assinado por Sanches, Cintia e Andrade.

“Nós sempre soubemos que esse dia chegaria”, afirmou Andrew Robertson, presidente e CEO da BBDO Worldwide, sobre a saída de Serpa e Madeira. “Felizmente, nós acreditamos no planejamento de sucessão e fomos capazes de nos preparar para este momento durante os últimos anos. Dito isto, não há nenhuma maneira de substituir o impacto e as contribuições que Marcello e José Luiz tiveram no mercado publicitário brasileiro e, em particular, na BBDO. A criatividade e liderança de ambos têm sido lendárias e deixarão uma marca nas próximas gerações de publicitários ao redor do mundo”, avaliou, em comunicado.

Fonte: Meio e Mensagem

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08/15

50 anos do Miojo Nissin Lámen.

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Nessa semana, estrou o filme que celebra os 50 anos do Miojo Nissin Lámen no Brasil. A produção, intitulada “Paródia”, relembra a história do macarrão instantâneo por meio de personagens que viveram as décadas de 60, 70, 80, 90 e hoje.

A melodia de “biquíni de bolinha amarelinho” ganhou uma nova letra que amarra todos os personagens com as receitas que eles preparam, enquanto referências estéticas apontam o passar dos anos.

Fonte: Adnews

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08/15

Tabasco se reposiciona como ingrediente. Grande sacada!

Receitas serão oferecidas ao público no site da Tabasco

Consagrado como um toque final das mais variadas opções de cardápio, o molho de pimenta Tabasco agora quer se posicionar como um ingrediente para a elaboração de pratos. A marca estreou no intervalo do programa MasterChef, o conceito “Tente fazer isso em casa”, desenvolvido pela The Aubergine Panda.

O comercial, que será veiculado na Bandeirantes, na TV aberta, e no GNT, na TV por assinatura, pela Publicis Salles Chemistri, é a primeira ação solo da Tabasco na televisão brasileira. O filme apresenta uma receita de filé mignon com cebola caramelizada assinada pelo chef francês Erick Jacquin a pedido da marca. Essa e outras receitas serão oferecidas ao público no site da Tabasco.

“A mudança de posicionamento é uma oportunidade de estar mais perto do consumidor na sua rotina caseira e segue a tendência do interesse maior dos consumidores por gastronomia”, diz Bianca Louzas dos Reis, gerente de produto de Tabasco, reporta Meio e Mensagem.

COMENTÁRIO

Grande sacada de marketing! Brilhante! Como ingrediente – como uso há anos quando cozinho – amplia-se a utilização do delicioso molho de pimenta a uma infinidade de preparos culinários…e etílicos.

JJ

28
08/15

CPI da Petrobras aprova convocação de José Dirceu, que será ouvido em Curitiba, sem sair da prisão.

José Dirceu é visto dentro do carro da polícia federal enquanto é transferido para Curitiba - 04/08/2015

A CPI da Petrobras aprovou nesta quinta-feira requerimento para ouvir o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso em 3 de agosto na 17ª fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal. O colegiado aprovou ainda as convocações de Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, do ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada e de outras cinco pessoas.

A votação das convocações já estava acordada entre os membros da CPI: na sessão de terça-feira os parlamentares avisaram que ouviriam Dirceu durante viagem a Curitiba na semana que vem. Os deputados ficarão na capital paranaense entre segunda e quinta-feira.

LEIA TAMBÉM:

Leia também: Em reuniões no Peru, Dirceu falou de Lula e Petrobras

Ao longo de mais de 500 dias da Operação Lava Jato, os indícios de participação de José Dirceu no esquema são vastos. A exemplo do deputado cassado Pedro Correa, mensaleiro como ele e também detido na Lava Jato, Dirceu foi apontado como destinatário de polpudas propinas pagas por empreiteiros ao longo de anos. Os favores entre os gigantes da construção e o ex-ministro eram camuflados, segundo o Ministério Público, em contratos falsos de consultoria por meio da empresa JD Consultoria e Assessoria, criada para simular a prestação de serviços de prospecção de negócios, e que tinha como sócio o irmão de Dirceu.

Cinco gigantes da construção civil que integram o já notório Clube do Bilhão desembolsaram, no período de 2006 a 2013, pelo menos 8 milhões de reais para a JD Consultoria. Os valores são ainda maiores se somadas outras empreiteiras também citadas no escândalo do petrolão, como a Egesa, que transferiu sozinha 480.000 reais, e a Serveng, que liberou 432.000 reais para a JD. A relação entre José Dirceu e os financiadores do esquema do petrolão não para por aí: José Dirceu teve até um imóvel da filha em São Paulo pago pelo lobista Milton Pascowitch.

A já complicada situação de José Dirceu se deteriorou ainda mais depois que os ex-companheiros do petista, que por anos o abasteceram com dinheiro, acabaram como delatores do petrolão e reforçaram os indícios de participação do petista no esquema que fraudou mais de 6 bilhões de reais em contratos.

Além de Pascowitch ter apontado o caminho que levou à prisão do ex-ministro, outros depoimentos sobre os tentáculos do PT não deixam de ser menos espantosos: o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco estimou que o PT recebeu até 200 milhões de dólares em dinheiro sujo do esquema, enquanto o ex-vice-presidente comercial da gigante Camargo Corrêa, Eduardo Leite, afirmou às autoridades que a empresa pagou 63 milhões de reais para a diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque, aliado de Dirceu, e outros 47 milhões de reais para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

 

Fonte: Veja

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COMENTÁRIO

Na reunião em que se decidiu a convocação de José Dirceu na CPI havia somente um parlamentar petista, o que demonstra que o PT abandonou seu “primeiro-ministro”, o homem forte de Lula.

JJ

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08/15

Janelas abertas para Relações Públicas.

A cada onda anunciando novos cortes nas redações do país a maré volta turbulenta e repleta de questionamentos. Qual o futuro do jornalismo? A reportagem morrerá? São apenas algumas delas. Não vou tentar respondê-las. Indico a leitura do artigo “A reinvenção do jornalismo” de Leandro Beguoci, a melhor análise que vi até agora sobre tais angústias. A redução das equipes também vem acompanhada de espaços jornalísticos cada vez mais restritos e eliminação de cadernos e suplementos. Outra questão que tem se tornado comum é “daqui a pouco não vai ter espaço na imprensa para vocês colocarem seus clientes?”. Já ouvimos isso tanto de jornalistas como dos próprios clientes. E o que temos a ver com isso?

A pergunta é ótima e rende discussões das mais variadas. O momento não poderia ser mais oportuno para tentar respondê-la. A primeira análise necessária é decifrar a miopia sobre a atuação das agências de relações públicas como se o trabalho fosse restrito a uma ponte entre empresas e jornalistas para gerar visibilidade na mídia. Na teoria, o papel dessas agências nunca foi limitado à assessoria de imprensa, que é apenas uma entre tantas ferramentas de comunicação. A realidade sobre a maturidade da comunicação corporativa no País é outra. São raras as empresas em que relações públicas é uma área diretamente ligada à alta direção e estratégia das companhias. A consequência para agências é de que os departamentos de marketing e comunicação acabam por contratar um escopo distante do que RP é capaz.

O momento complexo da imprensa como conhecemos evidencia o real papel das agências de relações públicas. A atuação restrita à ferramenta assessoria de imprensa, ou relações com a mídia, continua a ser de fundamental importância, independente do rumo do jornalismo, pois ainda confere credibilidade e contribui para a reputação das marcas e companhias. Mas é necessário repensar esta atuação restrita, afinal, os espaços midiáticos estão diminutos, as redações, enxutas e sobrecarregadas e a competição, naturalmente elevada. Como um retorno às suas raízes e teorias, as agências terão de ser cada vez mais de relações públicas, pensando a comunicação direta com os diferentes públicos e stakeholderes de interesse de seus clientes. Aliás, arrisco dizer que nunca foi tão fácil o acesso às diferentes audiências e o digital com seus diferentes canais e possibilidades assume papel fundamental neste processo.

Esta constatação carrega outras reflexões essenciais. Será que as empresas (leia-se clientes de agências de RP) estão preparadas para o desapego em relação à mídia impressa e à ferramenta assessoria de imprensa como a única possível e viável no escopo das agências? Estão preparadas para uma eventual queda na presença neste canal? O quanto estão abertas a colocar em um mesmo guarda-chuva a gestão da reputação, produção de conteúdo, estratégia de marketing de conteúdo, entre tantas outras alternativas? Por outro lado, as agências estão preparadas tanto em termos de capital humano como em ofertas apropriadas ao atual cenário? Temos soluções e produtos sexy o suficiente e com a linguagem adequada para que os clientes vejam o verdadeiro valor?

A respostas para tais questionamento pairam no ar. Alguns sinais indicam que os dois lados desta moeda precisam evoluir para superar a dependência da ferramenta de assessoria de imprensa, da mídia imprensa e praticar relações públicas. É dever das agências repensarem seus produtos e soluções, liderando este processo em parceria com seus clientes, apresentando os cenários possíveis e alternativas para atingir o objetivo de comunicação das organizações. Da boa e velha matéria no jornal diário à comunicação interna por WhatsApp, as janelas nunca estiveram tão abertas para esta transição ocorrer.

Leonardo Stavale é gerente de contas da Perspectiva Comunicação – veiculado em Meio e Mensagem

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08/15

A reinvenção do Jornalismo.

John Cheever é um dos escritores que mais entenderam a vida da classe média americana. Seus contos são relatos precisos sobre o que significa ter muitas expectativas e somente algumas realizações. Se você gosta de TV, vale dizer que Cheever foi exaustivamente lido pela equipe que criou Mad Men, uma das séries mais aclamadas pela crítica nos últimos anos. Ele tinha uma enorme capacidade para captar pequenos movimentos de grande significado.

Cheever também é um dos escritores americanos que mais entenderam a mídia – até porque mídia é central para uma vida de classe média. Um dos meus contos favoritos dele se chama The Enormous Radio. Cheever descreve, de forma magnética, a vida de um homem e de uma mulher diante daquele aparelho de metal e madeira. É impressionante ler sobre o poder do rádio dentro de um apartamento americano nos anos 50. Aquele som cheio de ranhuras conectava a casa ao mundo.

Esse conto é uma excelente reflexão sobre a mídia porque mostra, de uma maneira simples e poderosa, o valor que os veículos tradicionais trouxeram para a nossa vida. Jornais, revistas, rádios e TVs nos informaram sobre os grandes assuntos que têm impactos gigantescos em nossas vidas. Eles nos aproximaram da realidade de pessoas que vivem tão perto de nós – apesar de serem tão diferentes. Eles foram as primeiras janelas para o mundo e concentraram atenção proporcional a essa relevância.

O mundo em telas

Com a passagem do tempo, a oferta de mídia aumentou e, ao mesmo tempo, se fragmentou. Há mais veículos de mídia e mais plataformas para consumir essa mídia. Porém, a informação não vem mais em um pacote fechado. Quando você comprava um jornal ou uma revista, a mesma empresa controlava a produção da notícia, a impressão e a distribuição. No caso de rádio e TV, elas controlavam a produção e a distribuição do conteúdo – você só precisava escolher o aparelho. Era um mundo de atenção concentrada, que produziu grandes empresas. Elas tinham oligopólios de atenção.

Hoje, as pessoas continuam procurando informação, mas muitas reportagens simplesmente chegam até elas por canais que não produzem conteúdo – mas que têm a atenção dos seus usuários. O Google, o Facebook, o Twitter, o YouTube não produzem conteúdo – são plataformas que servem para encontrar e distribuir conteúdo, e representam novos oligopólios de atenção.

Apesar de algumas pesquisas apresentarem dados desencontrados, já dá para dizer que boa parte das pessoas usa plataformas digitais, incluindo as redes sociais, como primeira fonte para encontrar conteúdo. O Facebook é o rádio de John Cheever. É o jornal lido exaustivamente no trem. É a TV na sala de uma família dos anos 50.

Os dados mostram isso. Em boa parte do mundo, a circulação de jornais e revistas vem caindo drasticamente. No Brasil, os dados indicam estagnação, com tendência de queda. A TV ainda é poderosa, mas alguns dos seus principais programas já não têm os números gloriosos do passado. Faça um exercício e olhe ao seu redor. Quantas pessoas estão usando o Whatsapp, o Facebook ou publicando no Instagram ao seu redor? O tempo das pessoas não é infinito. Se elas estão fazendo algumas coisas, estão deixando de fazer outras. Os joguinhos de celular, hoje, competem com o radinho de pilha. O Twitter compete com os editoriais impressos em papel jornal.

Isso traz um grande impacto econômico. Veículos de comunicação sempre pagaram boa parte das suas contas com dinheiro de publicidade. As empresas precisavam falar com as pessoas. Então, fazia todo sentido gastar dinheiro com quem concentrava atenção. Quando a atenção se fragmentou e migrou para outros lugares, o dinheiro seguiu o movimento. Apesar de alguns números não serem públicos nem precisos, já é aceito que Google e Facebook concentram boa parte da verba publicitária do planeta.

E o resultado é esse que estamos vendo no Brasil nas últimas semanas:

Os paywalls, a cobrança por conteúdo implementada por vários jornais ao redor do mundo, ainda são experimentos. Não há dados muito precisos, mas estima-se que apenas 1% da audiência online de veículos de comunicação pague assinaturas digitais. Boa parte das pessoas nunca chega no limite de artigos. É uma evidência de que o valor dos bons produtores de conteúdo não é tão percebido assim pelas pessoas, infelizmente. Não conseguimos fazer com que muitas pessoas cliquem em 10, 20 links nossos por mês e sintam vontade de pagar pelo que fazemos.

E aí fica a questão: o jornalismo vai sobreviver nesse cenário de queda? Essa é a questão número um, hoje. Durante muito tempo, eu também me fazia essa pergunta, dessa forma. Ela parte da premissa de que o jornalismo precisa encontrar um novo modelo de negócios para continuar vivo e exercer sua função pública. É uma ideia que continua viva e válida. Mas eu acho que chegou a hora de a gente se fazer novas perguntas.

Aprendi com meus professores na faculdade que uma boa reportagem nasce de uma mudança de ângulo. Novos ângulos levam a novas perguntas. E novas perguntas nos fazem pensar em novas abordagens, que levam a novos textos, áudios e vídeos. Acho que esse é o nosso momento. Uma crise, como diz o economista Paul Romer, é uma oportunidade grande demais para desperdiçar.

Da abstração ao valor concreto

Eu acredito firmemente que o jornalismo é essencial para sociedades livres, democráticas e estáveis. Porém, a frase “o jornalismo é essencial para sociedades livres, democráticas e estáveis” é uma abstração. É um credo no qual botamos fé, mas que é difícil de mensurar, de mostrar e de defender.

Quando nós concentrávamos a atenção das pessoas, não precisávamos nos preocupar muito em ir da abstração à prática. A abstração, sempre é bom dizer, continua relevante porque ela fortalece o pensamento. Ninguém pode se abster de pensar. Porém, a abstração não basta por si mesma. É preciso trazer o pensamento para a mesa de jantar, para o banco do metrô, para a calçada.

Como a gente mede o impacto do jornalismo na promoção de sociedades livres? Como a gente mostra, na prática, que o jornalismo fortalece a democracia? Como a gente defende que o jornalismo torna a sociedade mais estável ao deixá-la mais bem informada sobre o que acontece? Nós passamos décadas sem ter de justificar o que fazemos.

Nesse caminho, também perdemos a noção sobre o valor do que fazemos. Se você não se preocupa com o valor que cria, você também não mede o valor do que está entregando. Como você pede o tempo e o dinheiro das pessoas se não consegue justificar quanto vale aquilo que você faz?

O jornalismo não concorre apenas dentro do seu próprio mundo. O jornalismo concorre com o tempo e com o dinheiro que as pessoas dedicam a tudo o que é importante para elas. Nós precisamos ter uma proposta de valor mais clara em vez de ficar lamentando que as pessoas não nos dão valor. Nós precisamos entrar na lista das coisas mais importantes da vida das pessoas.

Caso contrário, vamos cair no paradoxo da Kodak – a morte dos vencedores. A Kodak foi uma das líderes do mercado de filme fotográfico, enquanto esse mercado existiu. Ao atrelar seu futuro a um único jeito de ver a fotografia, com o processo máquina/filme/revelação, a Kodak afundou junto com ele.

A mesma coisa pode acontecer com os veículos de comunicação. As pessoas não vão se adaptar à forma como nós vemos o mundo, muito menos com a forma como nos preparamos para estar no mercado. Nós precisamos pensar em novas formas de concretizar o valor do jornalismo.

E esse valor não está atrelado a papel, tela, ondas de rádio. Ele está na disposição das pessoas em usá-lo, recomendá-lo, pagar por ele, compartilhar com os amigos. Ou seja: ao lado da questão meramente tecnológica, há uma questão de utilidade e valor intrínseco. Em vez de pensar no que o mundo pode fazer pelo jornalismo, precisamos pensar, de uma forma absolutamente concreta, no que o jornalismo pode fazer pelo mundo.

A volta ao passado

O jornalismo tem um grande passado pela frente – e isso não é necessariamente ruim. Costumo usar essa frase para instituições que não conseguem se reinventar e só olham para trás, como se a tradição fosse o bastante para construir o futuro. Mas, no caso do jornalismo, isso não é negativo. De fato, o jornalismo do século 21 pode aprender muito com o jornalismo do século 19.

Alguns dos primeiros jornais nasceram de necessidades muito claras. As ideias não circulavam. Elas ficavam presas em alguns círculos privilegiados e davam muito poder para quem as detinha. Queria saber o preço do café nos Estados Unidos? Que pena, só algumas pessoas sabiam e podiam lucrar com isso. Quem era o político mais forte no Senado? Infelizmente, vai ficar para a próxima. Quais são os escritores com as ideias mais interessantes? Desculpa, mas isso não é para você. Vai ficar aqui, no nosso salão de chá.

O jornalismo criou comunidades e as defendeu. No começo do século 20, o segundo maior jornal de São Paulo era o Fanfulla, da comunidade italiana. Era um veículo tão poderoso que ajudou até a mediar a primeira grande greve do Brasil, em 1917. Já que muitos dos operários eram italianos, então nada melhor do que colocar o jornal deles (e feito para eles) como mediador de conflitos. O jornalismo organizava várias vozes, as articulava e as representava.

O desenvolvimento do jornalismo ao longo do século 20 foi um desdobramento dessas necessidades e dessa presença. Nosso papel era revelar tudo que pudesse ser revelado para que as pessoas pudessem pegar essa informação e fazer com ela o que quisessem. E, no meio do caminho, criar identidade, afinidade e senso de comunidade.

Essa missão original foi se perdendo ao longo do século 20 na medida em que a atenção foi ficando cada vez mais concentrada e as empresas jornalísticas se tornaram cada vez maiores. A concentração de audiência foi boa para o modelo de negócios baseado em muita publicidade, mas afastou os veículos das reais necessidades das pessoas. Nós resumimos nossa relação com as pessoas a um “gosta ou não gosta?” – e a algumas regras sobre quando ignorar o que elas gostam ou não gostam.

Em vez de pensar sobre o que as pessoas poderiam descobrir e como elas poderiam fazer isso, em vez de entender a melhor forma de conversar com as pessoas sobre assuntos relevantes, nós nos conformamos com a mera identificação de gostos.

E, claro, com um discurso abstrato sobre imparcialidade, verdade, que muitas vezes é outra conversa muito difícil de ser sustentada na prática. Nós paramos de surpreender as pessoas. Na indústria da mídia, em vez de oferecer computadores, continuamos entregando máquinas de escrever.

E, verdade seja dita, era muito difícil resistir a essa tentação. Peter Thiel, fundador do sistema de pagamentos PayPal e obcecado com inovação, costuma dizer que monopólios e oligopólios não precisam se preocupar muito com modelos de negócio ou em entender as pessoas. Monopólios e oligopólios são excelentes modelos de negócio por si – até a chegada de uma onda que os quebra.

Nós vamos continuar precisando de pesquisas de opinião, mas também vamos precisar cada vez mais de antropólogos que nos digam como as pessoas consomem e usam informação. Vamos precisar de programadores e designers que nos ajudem a pensar nas melhores formas de entregar informações relevantes. Vamos precisar de pessoas, de profissões e formações ainda indefinidas, que nos ajudem a pensar em como aumentar drasticamente o impacto daquilo que produzimos.

É um desafio muito maior do que decidir se vamos ou não colocar paywalls ou cobrar por acesso a vídeos digitais. É como transformar “defesa da democracia” em algo concreto. Isso é grande.

A empresa jornalística

Maria Popova faz o site de uma pessoa só – e vive bem com ele. O site dela, o Brain Pickings, cobre literatura e arte. O volume de visitas não é gigantesco, mas é bom o suficiente para manter uma comunidade fiel e ser notado pelas empresas de comércio eletrônico. Algumas delas perceberam que as pessoas que vinham do site de Popova fatalmente compravam os livros indicados. Era uma taxa de conversão absurda, muito maior e melhor do que qualquer anúncio.

Até então, Popova sempre vivera das doações e assinaturas que as pessoas faziam no seu blog. Ela foi uma das primeiras pessoas a conseguir se manter apenas com o dinheiro que pedia à sua audiência.

Até que uma das empresas de comércio eletrônico quis colocar banners no site dela. Popova demorou uns dias, mas recusou o dinheiro. Publicidade vem e publicidade vai, ela disse, mas meus leitores vão ficar sempre comigo e eles podem não gostar dos anúncios.

Foi um choque. Uma empresa tradicional de jornalismo não pensaria duas vezes em aceitar o que Maria negou – inclusive as empresas digitais. Banners estão na ampla maioria dos sites jornalísticos do mundo.

Alguns dias depois, a empresa voltou à Popova. Dessa vez, sem banners. O acordo era simples. Ela poderia escrever o que quisesse, sobre quem quisesse. Mas, sempre que colocasse link de um livro e enviasse alguém para essa companhia de comércio eletrônico, ela receberia uma comissão generosa pelas vendas. Ela escreveria o que quisesse, sobre o que quisesse. Mas, como as métricas de Popova eram claras e funcionais, conseguiu um belo acordo.

O Brain Pickings continua no ar até hoje. Eu sou um leitor fiel do blog, dou minha contribuição mensal a ela e não me sinto nem um pouco incomodado com os links identificados, que permitem que eu compre algo e repasse parte para ela. Pelo contrário: fico feliz de financiar alguém que encontrou um modelo baseado num relacionamento claro e honesto com uma comunidade de pessoas.

Hoje, um dos maiores desafios é definir o tipo de empresa que produz jornalismo. O Brain Pickings é um exemplo, e seu caso não pode ser generalizado. Mas ele mostra que, sim, existem outras formas de manter um bom veículo além do jeito consagrado que conhecemos e hoje naufraga.

Segundo a Harvard Business Review, a redação do The New York Times, com mais de mil jornalistas, responde por apenas 15% do custo da empresa, praticamente a mesma porcentagem consumida pelo departamento comercial. O resto está espalhado nos custos da operação – gráfica, distribuição, administrativo. Esse custo todo, que é indireto em relação à produção do jornalismo, é muito alto, mas se justificava.

Afinal, essa estrutura era pensada num cenário em que 75% das receitas vinham da publicidade. Você tinha uma estrutura de despesas ajustada ao tipo de receitas com que contava. Porém, essa conta não fecha mais – e talvez nunca mais volte a fechar. Os veículos de comunicação não conseguem mais viver de distribuir publicidade – em qualquer formato.

Marcus Brauchli, ex-editor executivo do Washington Post e atualmente diretor da North Base Media, uma companhia que investe em novas empresas de mídia, costuma dizer que a era das grandes empresas e das marcas jornalísticas acabou. Ele não está sozinho nessa. Brauchli vocaliza uma tendência.

Para muita gente, muitas empresas pequenas e médias vão ocupar os espaços deixados pelo fim de grandes empresas. Mais enxutas, focadas em necessidades e públicos mais específicos, essas novas companhias podem ser mais sustentáveis ao longo do tempo porque vão ter contas muito menores para pagar.

Algumas dessas empresas estão pensando em formas novas de fazer e distribuir conteúdo. Há sites que se mantém com doações de leitores e pequenas assinaturas. Há outros que estão vivos com dinheiro de fundações, como a ProPublica, nos Estados Unidos. Nenhuma delas é ou sonha ser um conglomerado.

Claro que isso deixa muitas questões em aberto. Uma delas, bem concreta: quem paga os custos judiciais de uma empresa jornalística média que fez uma investigação rigorosa e descobriu os problemas de uma corporação ou de um indivíduo poderoso?

Outra questão é pensar no peso das instituições. O tamanho das empresas jornalísticas lhes deu força para se contrapor a governos e empresas ao longo dos anos. Como isso acontecerá num cenário de pequenas e médias empresas, com menos fôlego para continuar “publicando aquilo que alguém não quer ver publicado”? Essa rede será suficiente para impor medo a um prefeito corrupto ou a uma corporação que devasta?

Tem mais. O tamanho colocou as empresas numa posição de escrutínio público e de responsabilidade. Por mais críticas que a gente tenha aos veículos tradicionais, eles não podem flertar com o delírio. O custo do descrédito é grande demais.

Num cenário extremamente fragmentado, o preço para espalhar boatos e imprecisões é relativamente mais baixo. Eu fico surpreso quando alguns amigos, inteligentes, críticos, compartilham textos e vídeos de fontes duvidosas. Nas eleições, amigos queridos compartilharam coisas absurdas por WhatsApp.

Fomos bem rápido de um cenário altamente concentrado para um mundo altamente fragmentado. E aí a gente acaba colocando no mesmo balde veículos e pessoas bastante diferentes. Ainda não conseguimos criar os canais de confiança necessários. Estamos na era do “vi na internet”, e isso basta, como se a internet fosse uma instituição de produção jornalística. Não é.

O Facebook, que se confunde com a internet para muita gente, é um filtro social, e não um filtro de confiança. Porém, muita gente toma filtro social como filtro de confiança. É uma tecnologia poderosa e admirável de distribuição, mas ele não está no negócio da verificação de informação. É um problema que ainda não resolvemos.

O mundo novo do jornalismo provavelmente vai ter menos poder concentrado nos veículos, e talvez mais concentrado nas plataformas de distribuição. Talvez muitos desses veículos médios e pequenos tenham de se unir, em algumas situações específicas, para fazer acordos com Google e Facebook. Talvez eles ainda possam se unir para fazer coberturas específicas e caras, como recentemente alguns jornais brasileiros fizeram para reportar problemas em universidades públicas. Muitos, especialmente em áreas sensíveis, vão precisar unir forças para pagar advogados e se defender de processos.

A gente caminha para um mundo de empresas menores, mais focadas e mais leves, talvez com algumas grandes empresas em alguns setores específicos, especialmente, creio eu, na área de vídeo. Essa transição pode garantir mais empregos, aumentar diversidade, mas pode ter custos que não somos capazes de predizer hoje. Essa análise vai requerer pesquisa e reflexão. O século 19 nos inspira, mas ele não pode ser transposto ao século 21 ingenuamente.

Leandro, na foto oficial do Tow-Knight Center in Entrepreneurial Journalism, onde estuda novos modelos de negócio em jornalismo

O conteúdo é só o começo

Nesse cenário de mudança e transição, ainda há uma nebulosa que brilha diante de nós e que não nos permite ver com clareza o que está ali na frente. Cada vez fica mais claro que jornalistas, além de escrever, filmar ou narrar, vão ter de conversar com os leitores.

Esse papo começa na área de comentários, mas pode continuar num evento pago em que as pessoas vão para entender um problema muito complexo. Um grupo de jornalistas que cobre o Poder Legislativo, por exemplo, poderia explicar a lei da terceirização em uma série de artigos, continuar com a conversa nos comentários e nas redes sociais e, durante um ou dois dias, participar de um evento pago para aprofundar o debate.

O tempo não será mais apenas dedicado a produzir uma série de reportagens, muitas delas sem muito valor percebido. O tempo de trabalho também será dedicado a criar relações – e os profissionais também serão remunerados por isso.

Não é algo novo no planeta. Bandas e escritores já sabem que o disco ou o livro são apenas o começo de uma série de relações econômicas que estabelecem com o mercado. Mas, acima de tudo, eles sabem que precisam fazer sentido e entregar valor.

A The Economist sabe que há uma escassez de informação para uma elite global. Além da revista, ela tem um núcleo de inteligência e consultoria que abastece as pessoas mais ricas e poderosas do mundo com análises que fazem diferença nas carreiras e nos negócios delas. O conteúdo é um serviço independente, que fortalece os serviços de outras áreas da empresa.

Em alguns casos, o trabalho jornalístico pode ser mantido por fundações que veem impacto público no que o jornalismo faz. Elas não financiam o conteúdo, mas o que esse conteúdo é capaz de fazer: abrir uma investigação sobre corrupção, mobilizar as pessoas para uma causa, impulsionar a criação de uma lei.

Marshall Project, que cobre Justiça nos Estados Unidos, e a ProPublica, referência em jornalismo investigativo, são dois exemplos internacionais desse modelo. Eles se preocupam em produzir reportagens de impacto, que depois são distribuídas por vários canais, incluindo os veículos tradicionais. São novas alianças e novas formas de entender a produção jornalística.

Nesse cenário, fundações financiam impacto e jornais são instituições que ampliam esse impacto. O New York Times não precisa pagar a investigação toda porque ela já foi feita e paga por um grupo especializado e respeitado. Esse é um modelo bem interessante, nesse momento de transição, porque cria alianças, testa modelos e constrói valor. Não à toa, a Knight Foundation, nos Estados Unidos, é uma das organizações que mais vem colocando dinheiro nessas novas iniciativas.

Outra forma de gerar valor é lançar mão desse ambiente de abundância de informação:

O jornalismo bem feito pode suprir essa mercadoria raríssima no mercado de informação. Ele pode fazer a diferença entre disseminar loucura em um mundo atolado por informação desencontrada ou entregar esclarecimento por meio de uma história bem contada, que se desdobra numa série de impactos reais positivos em nossas vidas. É mais fácil pedir dinheiro ou apoio quando você prova o impacto concreto daquilo que você faz.

Há diversas outras formas de enxergar o conteúdo como o começo de uma rede de valor. Há quem diga que são 76, exatamente, como David Plotz, ex-editor da revista digital Slate.

De qualquer forma, essas formas de financiamento que veem o conteúdo como o começo de uma entrega maior, e não como o fim de uma relação com as pessoas, continuam crescendo. Uma delas pode estar exatamente… na relação com as empresas de tecnologia.

Se o conteúdo jornalístico cria valor para os usuários do Facebook, como o Facebook pode manter a criação desse valor dividindo receitas com quem produz conteúdo confiável e de qualidade?

Não é simplesmente bater na porta do Facebook e pedir parte da receita publicitária usando argumentos que já foram rebatidos. Quando os veículos batem lá, ou no Google, pedindo receita pelo conteúdo que circula nessas plataformas, as empresas de tecnologia devolvem dizendo que elas criam audiência – e valor – para esse conteúdo. Sem audiência, o conteúdo não tem valor. Enfim: essa porta está cerrada, esse jogo está perdido.

Por isso, é preciso colocar a questão em outros termos:

Até porque, com o tempo, vai ser cada vez mais difícil para o Facebook sustentar a versão de que é apenas uma plataforma que não tem nenhuma responsabilidade sobre o que é publicado lá.

Agenda perdida, agenda encontrada

Discussões sobre futuro e presente do jornalismo misturam várias agendas. É natural. É um campo disputado, controverso, com um baita impacto na vida das pessoas. Às vezes a discussão sobre jornalismo vai para o campo da política partidária e volta pior do que começou. Às vezes tudo parece bizarramente anacrônico.

No passado, no Brasil, empresas jornalísticas não podiam ter capital estrangeiro. O objetivo era evitar que o um governo estrangeiro influenciasse o que os brasileiros pensavam. Era um pensamento pós-guerra, em que veículos de comunicação eram vistos como peças do xadrez de poder global.

No começo dos anos 2000, uma nova lei permitiu que empresas estrangeiras tivessem uma fatia do capital. Essa discussão, hoje, parece muito estranha. Veículos de comunicação podem publicar em português de qualquer lugar do mundo e ter uma grande audiência local. Há canais brasileiros e populares no YouTube feitos de fora do país. Como você regula isso? Essa é uma regulamentação que ainda faz sentido ou deve cair? Não tenho a resposta.

Também há a discussão sobre a regulamentação econômica da mídia no Brasil. Em vários países, a mesma empresa de mídia não pode controlar jornal, rádio e TV na mesma área. O objetivo é evitar concentração de poder. É um objetivo justo, mas hoje a vida é mais complicada. Algumas empresas podem ter concentração de propriedades de mídia, mas não ter atenção correspondente à extensão dessas propriedades. OK, você pode dizer que algumas empresas continuam recebendo verba publicitária desproporcional à atenção que recebem. Mas como você faz essa desconcentração de dinheiro? Como você balanceia esses recursos sem transferir poder demais para o Estado?

E tem mais: Facebook e Google estariam sujeitos a essas leis de concentração de audiência? Na União Europeia, o Google vem sofrendo com processos. Ele é investigado por direcionar as buscas para os seus próprios produtos, prejudicando a concorrência.

As relações de poder mudam, e mudam muito rápido. Já houve um tempo em que os jornais quiseram competir com a TV aberta. Abriram seu conteúdo na internet para aumentar o alcance e disputar os anúncios que iam para as emissoras. No meio do caminho, foram atropelados pelas empresas de tecnologia.

O Google já foi visto como aliado dos jornalistas. Nenhuma redação passa um dia sem fazer uma busca. Hoje, é inimigo das empresas jornalísticas. As fundações que apoiam o jornalismo podem ter uma agenda que não conhecemos. São novos terrenos, com questões que ainda não nos fizemos.

O jornalismo é uma profissão que só pode ser exercida em liberdade, mas as forças que influenciam e limitam essa liberdade são muito mais complexas do que as que estavam presentes no passado. As agendas não são tão simples. Regular muito o mercado jornalístico pode diminuir a diversidade de vozes no mercado – fica mais difícil para empresas independentes prosperarem.

Permitir a ampla, geral e irrestrita entrada de capital estrangeiro em empresas de mídia pode aumentar a diversidade de vozes – e dificultar ainda mais a vida das grandes empresas que disputam atenção. É como se os sinais tivessem trocado de lugar. A agenda política da mídia não é a mesma de 30 anos atrás.

E agora?

As discussões sobre o futuro do jornalismo, das mais concretas às mais abstratas, precisam ser reformuladas. Nós necessitamos, urgentemente, de novas perguntas. São elas que vão nos guiar pelos desafios do presente. No final das contas, é por isso que escrevi esse texto. Não tenho a pretensão de esgotar a discussão sobre o futuro do jornalismo. Esse texto é mais um convite a novas perguntas e contestações do que um caderno de teses. Afinal, grandes ideias nascem do debate e da discordância (da discordância elegante, é bom frisar, porque a violência argumentativa perdeu o charme na era dos trolls).

De qualquer forma, precisamos medir e entender o nosso impacto. Não basta dizer que você apoia a democracia – é preciso mostrar, por exemplo, quanto das suas reportagens ajudaram a promover leis melhores ou a amenizar um problema grave.

Não basta contar quantas pessoas veem o que você faz, mas quanto tempo elas de fato dedicam a ler, ver ou ouvir o que você faz. Nós estamos no negócio da atenção e do impacto.

Só assim, entendendo o que fazemos, mensurando o valor do que fazemos, nos relacionando com o mundo para muito além das redações, é que será possível pedir dinheiro para pessoas, empresas e organizações. O conceito de crowdfunding para jornalismo, apesar de alguns problemas, vai nessa linha. Você prova seu valor e as pessoas decidem se vão lhe apoiar ou não.

Portanto, a pergunta não é mais se o jornalismo vai sobreviver. Ele vai. As pessoas vão continuar consumindo conteúdo, em diversas formas. A questão é como o jornalismo vai viver e estar no mundo.

Precisamos pensar no valor que produzimos e em modelos que ampliem e sustentem esse valor. Não é simples. Só que também nunca foi simples apurar uma reportagem longa, editar um especial, coordenar as operações de gráficas ou as antenas das afiliadas. Nós nunca estivemos no jogo da facilidade. Só que, agora, esse jogo difícil se estende para muito além de um prazo estourado ou de um fechamento complicado. Bem-vindo ao jogo.

Leandro Beguoci, 32, é editor-chefe da F451, empresa de mídia que publica o Gizmodo Brasil e a Trivela, além de desenvolver conteúdo para marcas e agências.

Veiculado no DRAFT

 

28
08/15

Ranking Centauro de vendas de camisas do futebol brasileiro.

A Centauro criou um ranking de vendas de camisas de clubes do futebol brasileiro em suas lojas. O Flamengo lidera as vendas, seguido pelo Botafogo (creiam) e pelo Corinthians. 

Nenhum clube paranaense aparece no ranking de 20 clubes. Uma vergonha!

JJ

 

RANKING NACIONAL
  •  Flamengo

    30,2%

  •  Botafogo

    12,5%

  •  Corinthians

    8,8%

  •  São Paulo

    8,2%

  •  Vasco

    6,1%

  •  Atlético-MG

    5,9%

  •  Palmeiras

    4,4%

  •  Cruzeiro

    3,5%

  •  Fluminense

    2,7%

  • 10º Sport

    2,7%

  • 11º Internacional

    2,5%

  • 12º Santa Cruz-PE

    1,9%

  • 13º Grêmio

    1,7%

  • 14º Bahia

    0,9%

  • 15º Vitória

    0,9%

  • 16º Sampaio Correa-MA

    0,8%

  • 17º Ceará

    0,8%

  • 18º Remo

    0,6%

  • 19º Confiança

    0,5%

  • 20º Paysandu

    0,5%

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